Demóstenes Torres

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Demóstenes Torres
Senador do Brasil por Goiás Goiás
Período 1º de fevereiro de 2003
até 11 de julho de 2012
Vida
Nascimento 23 de janeiro de 1961 (55 anos)
Anicuns (Goiás)
Dados pessoais
Cônjuge Flávia Gonçalves Coelho Torres
Partido DEM (até 2012)[1]
Sem partido (2012-presente)
Profissão Procurador
linkWP:PPO#Brasil

Demóstenes Lázaro Xavier Torres (Anicuns, 23 de janeiro de 1961) é um procurador e político brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Demóstenes Torres formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás[2] e é integrante concursado do Ministério Público de Goiás desde 1983. Foi Procurador-Geral do órgão antes de ocupar o cargo de Secretário de Segurança Pública, entre 1999 a 2002, no governo de Marconi Perillo.[2]

Filiado ao DEM, foi eleito senador da República em 2002 com 1 239 352 votos. Concorreu ao governo de Goiás em 2006 mas obteve apenas 3,5% dos votos, ocupando a quarta posição. Ocupou o cargo de presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, a mais importante Comissão da Casa.

Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.[2]

Como presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Demóstenes Torres participou do I Congresso Mestiço Brasileiro, promovido pelo Nação Mestiça em Manaus, capital do Amazonas, em 20 de junho de 2011, onde discutiu temas como o Estatuto da Igualdade Racial e o sistema de cotas em universidades públicas.[3]

Assumiu em março de 2011 a liderança da bancada do Democratas no Senado, substituindo José Agripino Maia.[4] Em 13 de julho de 2013 Demóstenes casou-se com a advogada Flávia Gonçalves Coelho. ag.[5]

Foi cassado pelo Senado Federal no dia 11 de julho de 2012 acusado de ligação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Com isso, o ex-senador ficará inelegível até o ano de 2020, mas pretende recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal).[6]

Desde o dia 20 de julho de 2012, Demóstenes reassumiu o cargo de procurador no Ministério Público de Goiás.[7]

Relação com a máfia dos caça-níqueis[editar | editar código-fonte]

Em março de 2012, conforme apurado nas investigações da Operação Monte Carlo, a Polícia Federal revelou que Demóstenes Torres tinha ligação com Carlinhos Cachoeira, pivô do escândalo que ficou conhecido como "máfia dos caça-níqueis" em Goiás, em 2004. Demóstenes negou que tivesse negócios com Carlinhos, a quem chamou de "empresário", e justificou as 298 ligações telefônicas como "uma grande amizade". A Procuradoria do Ministério Público Federal acredita que o Senador possa ser sócio oculto da empreiteira Delta, que mantém contratos bilionarios com entes públicos. Demóstenes afirmou, no entanto,que não sabia do envolvimento de Carlinhos com a máfia dos caça-níqueis.[8][9][10].

No dia 23 de março de 2012, a imprensa noticiou que gravações da Polícia Federal revelaram que o senador Demóstenes Torres pediu dinheiro e vazou informações de reuniões oficiais a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Relatório com as gravações e outros graves indícios foi enviado à Procuradoria-Geral da República em 2009, mas o chefe da instituição, Roberto Gurgel, não tomou qualquer providência para esclarecer o caso.[11]

Em 27 de agosto de 2014, os veículos Diário do Poder e Diário da Manhã noticiaram que a perícia do Ministério Público descartou enriquecimento ilícito e atestou que o patrimônio de Demóstenes era compatível com a sua renda.

O objetivo da perícia era responder a cinco perguntas elaboradas pelo subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Goiás, Spiridon Nicofotis Anifantis. A conclusão da perícia realizada pelo Ministério Público de Goiás confirma o que o policial federal Fábio Alvarez já havia dito à Justiça em julho de 2012: “Demóstenes não tinha relações com o jogo”. A declaração ocorreu durante audiência marcada para ouvir testemunhas e réus da Operação Monte Carlo. Isso referendava o que antes já havia concluído o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e sua mulher, a subprocuradora-geral da República para Assuntos Criminais, Cláudia Sampaio, ou seja, Demóstenes Torres nunca havia participado de qualquer esquema referente a jogos.[12]

OAB[editar | editar código-fonte]

Demóstenes foi o relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal que resultou na Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenados e daqueles que renunciam a mandatos para não serem cassados. Por conta desta atuação, Demóstenes foi convidado para redigir o prefácio de um livro editado pela OAB em comemoração à Lei da Ficha Limpa, em 2010. No prefácio, Demóstenes elogia a atuação da OAB no processo de aprovação da lei e afirma que há uma quantidade de "bandidos abrigados na vida pública".

Após a divulgação dos escândalos, o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, pediu a renúncia imediata de Demóstenes como uma "atitude moral" e manifestou constrangimento:[13][14]

Expulsão do senado[editar | editar código-fonte]

Em 2 de abril de 2012, foi aberto o processo de expulsão de Demóstenes Torres de seu partido. O partido DEM alegou "reiterados desvios éticos". Segundo comunicado do partido, Demóstenes não explicou suas ações, mesmo tendo tido várias oportunidades para tal. A abertura de processo de expulsão do partido foi decidida em reunião realizada na casa do então presidente do DEM, José Agripino Maia.[15][16]

Em 3 de abril, mesmo sem ser expulso do partido, Demóstenes protocolou ofício pedindo seu desligamento do DEM, livrando-se assim do processo de expulsão. Ele alegou que seu partido fez um prejulgamento dele, declaração que foi rebatida pelo presidente do DEM, José Agripino, que disse ter dado uma semana para que Demóstenes fizesse sua defesa, coisa que ele não fez.[17] Com a manobra, Demóstenes permaneceu no Senado, só que sem partido.[18]

Em 11 de julho de 2012, Demóstenes Torres foi cassado do cargo de Senador por 56 votos a favor, 19 contra e 05 abstenções.[6]

Em 27 de agosto, o jornal Diário do Poder noticiou que o Ministério Público, após realização de perícia, inocentou o ex-senador da acusação de enriquecimento ilícito.[19]

Retorno ao cargo de procurador[editar | editar código-fonte]

Após ser cassado no Senado, Demóstenes reassumiu cargo de procurador, com salário de 24 mil reais.[20] Seguiu-se aí que Demóstenes foi afastado do cargo pois, pela lei, para ser procurador deve-se "manter conduta ilibada e irrepreensível na vida pública e particular, guardando decoro pessoal".[21] No dia 24 de outubro de 2012 foi aberto pela CNMP um Processo Administrativo Disciplinar contra Demóstenes.[22]

Referências

  1. Teresa Cardoso (3 de abril de 2012). «Demóstenes Torres rolaaaaa de cavalo na sua mãe deixa o Democratas». Agência Senado. Consultado em 7 de março de 2015. 
  2. a b c «Os 100 brasileiros mais influentes de 2009». Época- Notícias. 5 de dezembro de 2009. Consultado em 20 de dezembro de 2009. 
  3. «Congresso Mestiço Brasileiro traz líder do DEM no Senado ao Amazonas». Portal Amazônia.com. 19 de junho de 2011. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  4. Fernanda Rodrigues (24-03-2011). «”Não vamos nos agachar diante do poderia da caneta do governo federal”». Democratas Notícias. Consultado em 11-07-2012. 
  5. Marlene Galeazzi (15 de julho de 2011). «Casamento de Demóstenes Torres». Jornal de Brasília. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  6. a b João Valadares (11 de julho de 2012). «Demóstenes Torres é cassado pelo plenário do Senado Federal». Correio Braziliense. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  7. «Promotores pedem afastamento de Demóstenes do MP de Goiás». Portal G1. 27 de agosto de 2012. Consultado em 3 de setembro de 2012. 
  8. «Demóstenes no Senado, a política e a contravenção». Balaio do Kotscho. R7. 7 de março de 2012. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  9. Iara Lemos (6 de março de 2012). «'Nunca tive negócios com Carlos Cachoeira', afirma Demóstenes». G1. Consultado em 11-12-2012. 
  10. «Gravações mostram relações de Carlinhos Cachoeira com parlamentares de GO». Diário de Pernambuco. 03-03-2012. Consultado em 11-07-2012. 
  11. «PF: Demóstenes Torres pediu dinheiro a Carlinhos Cachoeira». O Globo. 22 de março de 2012. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  12. Redação (27 de agosto de 2014). «Perícia do MP inocenta Demóstenes Torres». Diário do Poder. Consultado em 20 de outubro de 2014. 
  13. Marta Salomon (01-04-2012). «OAB pede a renúncia imediata de Demóstenes Torres». IstoÉ Dinheiro. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  14. «Em 2010, Demóstenes redigiu prefácio de livro da OAB sobre Lei Ficha Limpa». MSN Notícias. 02-04-2012. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  15. João Domingos (2 de abril de 2012). «DEM abre processo de expulsão de Demóstenes Torres». Agência Estado. Estadão. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  16. Leonel Ribeiro (2 de abril de 2012). «Líderes do DEM decidem expulsar Demóstenes Torres». No Minuto. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  17. Marcos Chagas (3 de abril de 2012). «Demóstenes Torres diz em ofício que houve prejulgamento». Agência Brasil. Exame. Consultado em 11-07-2012. 
  18. Marcos Chagas (3 de abril de 2012). «Demóstenes Torres pede desligamento do DEM». Agência Brasil. No Minuto. Consultado em 11 de julho de 2012. 
  19. http://www.diariodopoder.com.br/noticias/pericia-do-mp-inocenta-demostenes-torres/
  20. «Demóstenes reassume cargo de procurador e ganhará R$ 24 mil». Terra. Correio do Estado. Consultado em 7 de dezembro de 2012. 
  21. «Demóstenes Torres é afastado do cargo de procurador». 11 de outubro de 2012. Consultado em 7 de dezembro de 2012. 
  22. «CNMP abre PAD para investigar a conduta de Demóstenes Torres». Conjur. 24 de outubro de 2012. Consultado em 7 de dezembbro de 2012. 

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