Celso Russomanno

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Celso Russomanno
Celso Russomanno em pronunciamento no Senado Federal em agosto de 2017.
17.º Presidente do Parlamento do Mercosul
Período 1º de janeiro de 2021
a atualidade
Antecessor(a) Oscar Alberto Laborde
Deputado federal por São Paulo
Período 2.º- 1º de fevereiro de 2015
a atualidade
(2 mandatos consecutivos)
1.º- 1º de fevereiro de 1995
a 1º de fevereiro de 2011
(4 mandatos consecutivos)
Dados pessoais
Nome completo Celso Ubirajara Russomanno
Nascimento 20 de agosto de 1956 (65 anos)
São Paulo, SP
Prêmio(s)
Partido PFL (1985–1994)
PSDB (1994–1997)
PP (1997–2011)
Republicanos (2011–presente)
Religião católico romano[5]
Profissão jornalista, repórter, político e jurisperito
Website www.celsorussomanno.com.br

Celso Ubirajara Russomanno GOMMGOMA (São Paulo, 20 de agosto de 1956) é um repórter especializado em defesa do consumidor, jurisperito, político brasileiro filiado ao Republicanos e atual presidente do Parlasul.[6]

Além de jornalista, é Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Guarulhos. Tornou-se famoso no início dos anos 1990 apresentando um quadro no programa jornalístico popularesco Aqui Agora, veiculado no SBT, no qual mediava reclamações de consumidores que se sentiam lesados por empresas de diversos setores. É autor de dois livros e palestrante sobre o tema Defesa do Consumidor. Lançou-se candidato a deputado federal nas eleições de 1994 sendo o candidato mais votado daquele ano.[7] Russomanno é presidente do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor.[8] Atualmente está na RecordTV nos programas Hoje em Dia e Cidade Alerta, onde comanda a "Patrulha do Consumidor". Em 2014, foi o candidato a Deputado Federal mais votado do Brasil, tendo a segunda maior votação da história 1 524 286, só perdendo para Enéas Carneiro em 2002.[9] Foi candidato à prefeitura de Santo André em 2000 e à prefeitura da cidade de São Paulo em 2012, 2016 e 2020. Nas quatro oportunidades foi derrotado ainda no primeiro turno.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 1986, iniciou sua carreira na Manchete FM, passando em seguida pela Bandeirantes FM, ambas da capital paulista. No ano seguinte estreou na televisão apresentando os programas noturnos Night Clip e Circuito Night and Day na TV Gazeta, ambos de colunismo social, que duraria dez anos. Em 1991 foi convidado a integrar a equipe de reportagem do programa Aqui Agora, no SBT no qual se especializou em matérias que defendia os consumidores prejudicados. Teve passagem também pelas emissoras CNT, Band e Rede TV![10]

Tornou-se candidato a deputado federal em 1994 pelo PSDB, tornando-se naquele ano o deputado mais votado do Brasil.[8]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Em 1985, Russomanno filiou-se ao PFL (atual Democratas), onde permaneceu até 1994, quando se mudou para o PSDB. Ainda neste ano foi eleito deputado federal com 233 482 votos, sendo a maior votação do Brasil. Em 1997, filiou-se ao PPB (atual PP), onde novamente em 1998 foi eleito para seu segundo mandato como deputado federal. Em 2000, candidatou-se à prefeitura de Santo André (SP) pelo PPB, mas foi vencido pelo candidato Celso Daniel (PT), que obteve 70,1% dos votos válidos.[11] Em 2003, foi admitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.[1]

Celso foi autor de projetos de leis para a melhoria do Código de Defesa do Consumidor. Em 2010 candidatou-se pelo PP ao Governo de São Paulo, mas acabou terminando em 3° lugar com 1 233 897 votos. Em 2011 desfiliou-se do Partido Progressista devido a desentendimentos com Paulo Maluf e filiou-se ao Partido Republicano Brasileiro (PRB) para disputar a eleição em 2012.[12] Em 2012 lançou-se como candidato pelo PRB à Prefeitura de São Paulo, chegou a ficar em primeiro nas pesquisas, obteve 1 324 021 votos mas acabou perdendo no 1º turno. Foi presidente da Frente Parlamentar da Polícia Federal durante 14 anos no Congresso Nacional. Em 2014, foi novamente candidato a deputado federal, sendo reeleito para a 55.ª legislatura (2015-2019), com a segunda maior votação da história: 1 524 286 votos.

Votou a favor do Processo de impeachment de Dilma Rousseff.[13] Já durante o Governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos.[13]

Em 2016 foi mais uma vez candidato à Prefeitura de São Paulo. Apesar das pesquisas inicialmente apontarem uma liderança isolada de Russomanno, a partir do início do horário eleitoral a sua intenção de votos diminuiu e ele foi mais uma vez derrotado em 1º turno. Retornou ao Congresso Nacional, onde participou da comissão que analisou as 10 Medidas contra corrupção propostas pelo MPF. Solicitou que fosse alterada a medida que tipifica o crime de caixa dois para que punisse somente o administrador da campanha e não o político candidato.[14]

Em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista.[13][15] Em agosto de 2017 votou contra o processo em que se pedia abertura de investigação do então presidente Michel Temer, ajudando a arquivar a denúncia do Ministério Público Federal.[13][16] Na sessão do dia 25 de outubro de 2017, o deputado, mais uma vez, votou contra o prosseguimento da investigação do então presidente Michel Temer, acusado pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa. O resultado da votação livrou o Michel Temer de uma investigação por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).[17]

Em 2018, foi eleito deputado federal por São Paulo.[18] Em 2020, disputa pela 3ª vez à Prefeitura de São Paulo.[19]

Foi eleito presidente do Parlasul (Órgão de representação civil dos países do Mercosul, composto por parlamentares de todos os países desses blocos), tomando posse em 1° de Janeiro de 2021.[20]

Mandatos eletivos[editar | editar código-fonte]

Acusações e processos judiciais[editar | editar código-fonte]

Em 2002, Celso Russomanno foi acusado de agredir uma funcionária do Instituto do Coração (Incor) e de ter danificado as dependências do hospital, porém foi absolvido desta acusação pelo Supremo Tribunal Federal.[21][22][23]

Já em fevereiro de 2014, foi condenado em primeira instância (durante um período em que não possuía foro por prerrogativa de função) pela prática de crime de peculato. A acusação sobre ele consistia em, no exercício do mandato de Deputado Federal, ter usado uma funcionária de seu gabinete, paga pela Câmara, para trabalhar em sua produtora de vídeo em São Paulo, entre 1997 e 2001.[24] Contudo, por 3 votos a 2, a 2ª turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, no dia 09 de agosto de 2016, pela absolvição de Celso Russomanno da acusação de peculato.[25]

Por fim, Celso Russomanno tornou-se réu por falsidade ideológica no Supremo Tribunal Federal, acusado pelo Ministério Público Federal de simular contrato de imóvel para mudar seu domicílio eleitoral e assim concorrer à Prefeitura de Santo André, em 2000.[26] Mas, fez um acordo judicial que acabou por livrá-lo do julgamento de processo.[27]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Suposto exercício ilegal da advocacia[editar | editar código-fonte]

Segundo a revista Consultor Jurídico, em 1998 Russomanno foi acusado por exercer ilegalmente a advocacia no qual mantinha o serviço "Plantão Jurídico", pelo sistema 0900, em que oferecia pelo telefone uma "orientação dos seus direitos". O serviço custava na época R$ 3,95 por minuto.[28]

Ainda segundo a revista, a denúncia foi registrada por dez subseções da Ordem dos Advogados do Brasil e contemplava os seguintes fatos a cerca de Russomanno:[28]

  • ser bacharel em direito pelas Faculdades Integradas de Guarulhos, mas não ser advogado, uma vez que ele não foi aprovado no exame da Ordem para obter o registro que autoriza o exercício da profissão;
  • ter se apresentado como advogado no repertório biográfico da Câmara dos Deputados;
  • ter praticado aliciamento de clientes, pois a captação de clientes foi feita através de anúncio em que a própria voz do Russomanno se apresentava.

Russomanno não consta no Cadastro Nacional dos Advogados da OAB.[29]

1,1 milhão de reais para ONG[editar | editar código-fonte]

Em 2010 foi autor de uma emenda para destinar 1,1 milhão de reais para uma ONG que preside e administra em conjunto com familiares. A prática de apresentar emendas para parentes é vedada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).[30]

Após a revelação do caso, inicialmente o deputado negou a irregularidade e chegou a ameaçar abrir um processo contra o denunciante caso a reportagem fosse veiculada; porém, em segundo momento, Russomanno informou que iria redirecionar o R$ 1,1 milhão para outras entidades, em lugar da ONG administrada por seus familiares: o Incor e a Faculdade Paulista de Medicina.[31]

Suposto envolvimento com Carlos Cachoeira[editar | editar código-fonte]

Uma gravação interceptada pela Polícia Federal, durante a Operação Monte Carlo, indica que Celso Russomanno estaria relacionado ao esquema operado pela quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira. Um relatório da Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, revelado pelo jornal Correio Braziliense, mostra que Russomanno é citado em diálogo como detentor de sete milhões de reais em uma conta que seria operada pelo grupo do bicheiro.[32]

O candidato Celso Russomanno negou envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira[33] e encaminhou documento à CPI colocando à disposição seus sigilos telefônico, fiscal e bancário.[34]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b BRASIL, Decreto de 25 de março de 2003.
  2. «Relação de Agraciados do Mérito Aeronáutico» (PDF). Força Aérea Brasileira (pdf). Consultado em 8 de setembro de 2020 
  3. «Relação de Agraciados do Mérito Santos-Dumont» (PDF). Força Aérea Brasileira (pdf). Consultado em 8 de setembro de 2020 
  4. «Boletim do Exército do Brasil de julho de 1998». Secretaria Geral do Exército do Brasil (pdf). Consultado em 8 de setembro de 2020 
  5. Gonçalves Couto, Cláudio (18 de setembro de 2012). «Russomanno, o católico». O Estado de São Paulo. Consultado em 17 de Março de 2013 
  6. «Celso Russomanno será o novo presidente do Parlasul». Senado Federal. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  7. Comunicação, A2. «Fundação Seade». Fundação Seade. Consultado em 31 de março de 2017 
  8. a b «São Paulo - deputado federal». Resultados das Eleições 1994. Tribunal Superior Eleitoral. 1 de maio de 1999. Consultado em 28 de agosto de 2012 
  9. «Celso Russomano é o deputado federal mais votado do país». Em. 5 de outubro de 2014. Consultado em 5 de outubro de 2014 
  10. a b c d e f g «Biografia Celso Russomanno». Câmara dos deputados 
  11. «Resultado». Eleições de 2000. TSE 
  12. Roncaglia, Daniel (26 de setembro de 2011). «Com críticas a Maluf, Russomano deixa PP e filia-se ao PRB». Folha de SP. UOL 
  13. a b c d G1 (2 de agosto de 2017). «Veja como deputados votaram no impeachment de Dilma, na PEC 241, na reforma trabalhista e na denúncia contra Temer». Consultado em 11 de outubro de 2017 
  14. Bernardo Caram (23 de novembro de 2016). «Comissão do pacote anticorrupção é suspensa para relator mudar parecer». G1 Política. G1.com. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  15. Redação (27 de abril de 2017). «Reforma trabalhista: como votaram os deputados». Consultado em 18 de setembro de 2017 
  16. Carta Capital (3 de agosto de 2017). «Como votou cada deputado sobre a denúncia contra Temer». Consultado em 18 de setembro de 2017 
  17. «Como votou cada deputado sobre a 2ª denúncia contra Temer». Terra 
  18. «Resultado da eleição para deputado federal em São Paulo - Resultados - Eleições 2018». gazetadopovo.com.br 
  19. «Republicanos oficializa candidatura de Celso Russomanno à Prefeitura de São Paulo». G1. Consultado em 16 de setembro de 2020 
  20. «Celso Russomanno assume presidência do Parlasul». R7.com. 4 de janeiro de 2021. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  21. «STF absolve Celso Russomanno da acusação por quebrar porta de hospital». Folha.com. 4 de novembro de 2010. Consultado em 31 de julho de 2012 
  22. Carolina Iskandarian e Roney Domingos (31 de janeiro de 2007). «Celso Russomano». Portal G1. Consultado em 2 de agosto de 2012 
  23. «Supremo recebe denúncia contra deputado Celso Russomanno». Folha de S.Paulo. 1 de março de 2007. Consultado em 2 de agosto de 2012 
  24. «Ministra pede urgência em ação que pode tornar Russomanno inelegível - 28/06/2016 - Poder - Folha de S.Paulo». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de junho de 2016 
  25. «STF absolve Celso Russomanno do crime de peculato e ele pode ser candidato». www.stf.jus.br. Consultado em 20 de fevereiro de 2017 
  26. «Russomano vira réu por falsidade ideológica». O Estado de S. Paulo. 20 de junho de 2012. Consultado em 30 de setembro de 2016 
  27. «Russomanno fez acordo para evitar punição eleitoral - Política». Estadão. Consultado em 4 de dezembro de 2021 
  28. a b «Celso Russomanno pode ser processado por exercício ilegal da advocacia». ConJur. 13 de agosto de 1998. Consultado em 31 de julho de 2012 
  29. «Cadastro Nacional dos Advogados». Ordem dos Advogados do Brasil. Consultado em 9 de agosto de 2016 
  30. «Russomanno destina R$ 1,1 milhão para ONG que preside». Último Segundo. iG. 8 de dezembro de 2012. Consultado em 31 de julho de 2012 
  31. «Russomanno revê emenda e retira recursos para sua ONG». Último segundo. iG. 8 de dezembro de 2012. Consultado em 31 de julho de 2012 
  32. «Gravação da PF relaciona Russomanno a Cachoeira». Agência O Globo. Yahoo! Notícias. 31 de julho de 2012. Consultado em 31 de julho de 2012 
  33. «Jornal usa relatório falso para acusar Russomano de ligação com Cachoeira». Dia a dia. Celso Russomano. Consultado em 17 de agosto de 2012 
  34. «Após denúncia, Russomanno coloca sigilos à disposição de CPI». Terra. Consultado em 17 de agosto de 2012 


Precedido por
Oscar Alberto Laborde
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Presidente do PARLASUL

2021 – atual
Sucedido por

Ligações externas[editar | editar código-fonte]