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Delegado Da Cunha

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Delegado Da Cunha
Da Cunha em março de 2023
Deputado Federal por São Paulo
Período1º de fevereiro de 2023
até a atualidade
Legislatura57ª legislatura (2023 — 2027)
Dados pessoais
Nome completoCarlos Alberto da Cunha
Nascimento14 de outubro de 1977 (48 anos)
Santos, SP
Nacionalidadebrasileiro
Alma materUniversidade Católica de Santos
PartidoPSD (2020-2021)
MDB (2021-2022)
PP (2022-2026)
União Brasil (2026-presente)
OcupaçãoDelegado de Polícia e Político

Carlos Alberto da Cunha (Santos, 14 de outubro de 1977), mais conhecido como Delegado Da Cunha, é um policial, político e youtuber brasileiro, filiado ao União Brasil.[1] Foi eleito deputado federal por São Paulo em 2022 com 181.568 votos.[2]

Biografia

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Infância e formação inicial

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Carlos Alberto da Cunha, mais conhecido como *Delegado Da Cunha*, nasceu em 14 de outubro de 1977, em Santos, São Paulo, na Baixada Santista, em uma família de origem humilde. Seu pai era eletricista da CODESP e sua mãe, dona de casa; ambos não eram alfabetizados. Desde cedo, o pai priorizou a educação dos filhos, investindo em escolas particulares simples e acreditando que boas amizades poderiam abrir caminhos.[3]

Iniciou a prática do judô aos seis anos de idade e, aos 14 anos, já era faixa preta. Dedicava-se intensamente ao esporte, com dois treinos diários, e tornou-se campeão paulista, brasileiro universitário por cinco anos consecutivos, sul-americano (1994) e integrou a Seleção Brasileira de judô, com o sonho de disputar uma Olimpíada. Um erro administrativo durante o serviço militar encerrou prematuramente sua trajetória no judô de alto rendimento. [4]

Vida militar

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Com 18 anos, em 1996, ingressou no Exército Brasileiro como oficial temporário. Serviu até 2004 no *2º Batalhão de Infantaria Leve (2º BIL)*, localizado na Baixada Santista, onde alcançou a patente de primeiro tenente. Durante os oito anos de serviço, atuou como instrutor de soldados e oficiais, participou de diversas atividades operacionais, treinamentos e eventos, e desenvolveu habilidades táticas, disciplina, liderança e trabalho em equipe. No quartel, vivenciou momentos marcantes, como seu primeiro casamento e o nascimento de seu filho. Contribuiu ainda para melhorias na infraestrutura, como a criação de um posto médico militar. Teve contato próximo com superiores como o Coronel Daniel Davi e o General Fernando Azevedo e Silva, que influenciaram sua formação. [5]

Delegado Da Cunha costuma destacar a experiência militar como base fundamental para sua atuação na polícia e na vida pública, defendendo o serviço militar obrigatório como formador de valores como patriotismo, disciplina e respeito. Mantém vínculos afetivos com o 2º BIL, retornando ao batalhão em ocasiões especiais e sendo reconhecido como autoridade. [6]

Carreira na Polícia Civil

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Influenciado por um escrivão de polícia e motivado pela disciplina adquirida no esporte e no Exército, decidiu cursar Direito na Universidade Católica de Santos (UC Santos), onde foi aluno, professor e mestrando. Durante a graduação, dedicou-se intensamente aos estudos para concursos públicos, inspirado pelo livro “Como Passar em Provas e Concursos Públicos”, de William Douglas. [7]

Prestou concurso público para delegado de Polícia Civil do Estado de São Paulo e foi aprovado em segundo lugar, sem ter feito cursinho preparatório. Ao longo de mais de 15 anos de carreira, alcançou o posto de delegado de primeira classe. Atuou como delegado titular em diversas unidades, com destaque para a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de São Bernardo do Campo e, atualmente, como titular da Equipe de Intervenções Estratégicas da 8ª Seccional do DECAP, em São Paulo. Foi professor na Academia de Polícia Civil “Dr. Coriolano Nogueira Cobra” e lecionou em São Paulo e Santos, além de ter sido professor universitário na própria UC Santos.[8]

Posicionamentos e Projetos de Lei

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O deputado manifesta-se favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves, tendo apresentado emenda específica à PEC 18/2025. Defende o reconhecimento da profissão de vigilante como atividade de risco, com direito a porte de arma adequado, aposentadoria especial e maior proteção legal. Sua agenda legislativa prioriza o endurecimento penal, o combate ao crime organizado e a valorização das forças de segurança (policiais civis, militares, Guardas Civis Municipais e profissionais da segurança privada).[9]

Também defende a diminuição da concessão de benefícios aos criminosos, o endurecimento das penas na legislação e alterações na Lei de Execução Penal, defendendo uma linha de pensamento de que se o criminoso souber que as penas para o crime serão mais duras, e o mesmo a tiver certeza de que terá de cumprir ela quase que integralmente, os índices de criminalidade baixarão drasticamente.[9]

Principais projetos de lei propostos e/ou aprovados de sua autoria ou coautoria incluem:[10]

  • PL 3814/2023Porte de arma para aposentados da segurança pública;
  • PL 718/2024Classificação como hediondo do homicídio contra policiais e profissionais de segurança;
  • PL 1124/2025Aumento de pena para o crime de receptação;
  • PL 3075/2025Autorização de uso de armamento de calibre restrito por profissionais da segurança privada em atividades de alto risco;
  • PL 2480/2025Reconhecimento da atividade de vigilante e agente de segurança privada como de risco;
  • PLP 28/2026Disposições sobre porte de arma, aposentadoria especial e regras para vigilantes;
  • Emenda nº 16 à PEC 18/2025Redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves com violência ou grave ameaça.

Projeto Superação

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O deputado é idealizador do Projeto Superação, iniciativa social voltada à oferta de atividades esportivas para crianças e adolescentes em comunidades em situação de vulnerabilidade no estado de São Paulo.

O projeto busca ampliar o acesso ao esporte como ferramenta de desenvolvimento pessoal e social, reunindo jovens em atividades físicas orientadas e espaços de convivência comunitária. De acordo com materiais institucionais e comunicações oficiais do parlamentar, a iniciativa conta com 82 núcleos distribuídos pelo estado de São Paulo, voltados ao incentivo à prática esportiva e à participação de jovens em atividades organizadas.

Controvérsias

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Encenações de Prisões

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O flagrante aconteceu na comunidade Nhocuné, onde os policiais descobriram que um homem era mantido refém no chamado tribunal do crime, na mira de criminosos ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Após o real flagrante, foi feita uma reprodução simulada dos fatos, recriando toda a cena da operação e registrando a mesma para fins investigativos. Esse mesmo conteúdo gravado para a reprodução simulada, foi publicado no seu canal não monetizado do Youtube.

Na época, chegou a circular boatos de que todas as operações filmadas e postadas no seu canal fossem falsas, porém após diversas investigações não foi encontrado nenhum indício de que qualquer outra operação do canal tenha sido forjada.

O mesmo mais tarde assumiu que realmente a operação já havia sido feita e que utilizou um instrumento comum que serve para produzir provas contra os criminosos, se desculpando com seus telespectadores pelo fato de não ter avisado previamente que a operação se tratava de uma reprodução dos fatos.

Peculato e Improbidade Administrativa

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Em Setembro de 2021, Da Cunha foi indiciado pelo Corregedoria da Polícia Civil sobre a suspeita de ter cometido Peculato.

A Investigação é de que Da Cunha teria utilizado da estrutura da Polícia Civil para gravar vídeos de operações oficiais que foram exibidos em suas redes sociais particulares, como no seu canal do YouTube, onde a sua monetização traria consigo um enriquecimento às custas da Polícia Civil, configurando-se crime de Peculato e improbidade administrativa, sendo também indiciado pelo MP de São Paulo sob a mesma acusação.

Durante as investigações foram descobertos que Da Cunha, manteve por cerca de um ano e seis meses uma estrutura particular de filmagens para filmar operações oficiais e para postar em suas redes sociais que, conforme investigação da Corregedoria, teve custo mensal de até R$ 14 mil.

Durante o andamento do processo, foi comprovado que o canal não foi monetizado durante todo o tempo em que Da Cunha estava na Policia Civil, e que o pagamento de toda a estrutura da sua equipe era feita a partir do seu próprio recurso.

O processo foi arquivado devido a ausência de provas que sustentassem o inquérito.

Investigação sobre Lavagem de Dinheiro

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A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar suposta lavagem de dinheiro praticada pelo então delegado, Carlos Alberto da Cunha, em tentativa do policial de ocultar da receita quase R$ 500 mil pagos a ele por um empresário do ramo de sucatas.

A polícia investigou se Da Cunha estaria utilizando-se de pessoas ligadas a ele, como a ex-mulher Camila Rezende da Cunha, e o irmão dela, Lauro Athayde de Freitas Neto, para ocultar supostos repasses mensais de R$ 25 mil feitas por Weber Micael da Silva, proprietário da empresa Lokal Comércio de Metais.

Um dos depoimentos que ajudaram na abertura de um novo inquérito foi o de Weber, dono da Lokal. onde disse ter repassado por um ano e sete meses uma mensalidade de R$ 25 mil, ou R$ 475 mil ao todo, como espécie de patrocinador do canal do Delegado no Youtube

Segundo a lei, Da Cunha não poderia ter recebido patrocínios já que era do cargo de delegado.

Da Cunha repassou à ex-mulher Camila R$ 32.415 em junho deste ano. onde segundo ela mesma afirmou aos policiais, um dinheiro do YouTube.

Ouvida pela Corregedoria da Polícia Civil, Camila, ex-mulher do delegado, confirmou que o valor era fruto de monetização do canal do ex-marido, o primeiro recurso vindo dessa forma. Disse ainda que ela sempre ajudou Da Cunha no canal como consultora e que tinha patrocinadores esporádicos.

Posteriormente, Da Cunha foi absolvido pela Justiça do Estado de São Paulo.

Boletim de Ocorrência de Violência Doméstica

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Em um boletim de ocorrência registrado por Camila, sua ex-mulher, em dezembro de 2016, Da Cunha ameaça Camila de Morte em frente a Filha do Casal e a um restaurante com as seguintes frases: "Olha bem no meu olho. Se você pedir para eu falar baixo mais uma vez, eu vou dar um tiro no meio da sua testa”.

Dizia um trecho do Boletim: “Por volta das cinco horas [da madrugada], o autor lá esteve [em frente à casa da mãe de Camila] e, aos gritos, pedia para que a vítima saísse para conversar com ele. Telefonou inúmeras vezes para o celular da vítima, enviou inúmeras mensagens, inclusive áudios, ameaçando-a, dizendo que ela deveria sumir, porque ele iria matá-la”

Posteriormente, Da Cunha e Camila negaram que houve qualquer tipo de violência doméstica envolvendo o casal.

De acordo com um processo judicial que tramitou no Estado de São Paulo, no dia 11 de setembro de 2014, moradores do bairro de Aparecida, em Santos, presenciaram o então Delegado, Da Cunha agredindo a advogada Camila no meio da rua e, eventualmente na briga, disparar uma arma de fogo.

Seu testemunho alega, que o então delegado agredia a mulher, no meio da rua, “com vários socos, sem a mulher reagir”. Durante suas agressões, segundo a testemunha, o agressor xingava a mulher de "vagabunda, puta e prostituta", dizendo frases como “Entra no carro que vou te matar”.

Outra testemunha, chamada de Monise, disse à Justiça ter presenciado as agressões físicas. Onde em seu relato, assustou-se com a cena e, quando se afastava do local, ouviu um disparo de arma de fogo. A estudante também descreveu que as agressões foram com socos.

A Polícia foi acionada por moradores locais para atender a agressão e chegaram a tempo de evitar que a mulher fosse colocada dentro do carro.

Segundo os Policiais acionados durante o ocorrido, Da Cunha havia colocado a arma ao chão (uma pistola 9 mm) ao avistá-los, onde dizia que era delegado e que havia disparado acidentalmente. A vítima, ainda de acordo com os PMs, fugiu correndo tão logo foi solta pelo marido.

Da Cunha foi detido e encaminhado à corregedoria nesse dia. Onde teve a arma e o veículo apreendidos e respondeu a processo judicial pelo disparo de arma de fogo em via pública.

Posteriormente, Foi confirmado pelo Da Cunha e sua então esposa que esse processo em questão nem chegou a ser aberto, pois não houve nenhum tipo de violência doméstica na ocasião.

Assinatura de PEC(s) e CPI(s)

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O nome do deputado federal Delegado da Cunha esteve envolvido em debates públicos e questionamentos em redes sociais e no ambiente político a respeito de sua participação em pedidos de criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e outras proposições legislativas no Congresso Nacional. As discussões surgiram principalmente a partir de divergências entre declarações divulgadas em redes sociais, interpretações de apoiadores e críticos e os registros formais de apoio a determinadas iniciativas legislativas.[10]

Entre as proposições citadas nesses debates estão:

  • CPI do INSS - Pedido de criação de comissão parlamentar para investigação de irregularidades envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), voltada à apuração de possíveis fraudes e falhas administrativas no sistema previdenciário.[10]
  • CPI da Ilha de Marajó - Proposta de criação de comissão parlamentar destinada a investigar denúncias relacionadas à situação social e à exploração de crianças e adolescentes no arquipélago do Marajó.[10]
  • CPI do Banco Master - Iniciativa parlamentar relacionada à investigação de questões envolvendo o Banco Master, que gerou debates sobre a atuação de instituições financeiras.[10]
  • PEC do IPVA - Proposta de emenda à Constituição relacionada à tributação de veículos, envolvendo discussões sobre alterações no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).[10]

De acordo com registros disponíveis no sistema legislativo da Câmara dos Deputados, consta a assinatura positiva do deputado em todas essas proposições.[10]

Referências

  1. «Delegado Da Cunha». CNN Brasil. Consultado em 19 de outubro de 2022
  2. https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2022/10/03/delegado-da-cunha-deputado-federal.htm Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. «Biografia». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 31 de março de 2026
  4. «Biografia». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 31 de março de 2026
  5. «Biografia». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 31 de março de 2026
  6. «Biografia». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 31 de março de 2026
  7. «Biografia». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 31 de março de 2026
  8. «Biografia». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 31 de março de 2026
  9. 1 2 «Proposições Câmara»
  10. 1 2 3 4 5 6 7 «Proposições Legislativas.»

Ligações externas

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O Wikiquote tem citações relacionadas a Delegado Da Cunha.