Marcos Pontes

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Marcos Pontes
Marcos Pontes em 2019.
22º Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil
Período 1 de janeiro de 2019
até a atualidade
Presidente Jair Bolsonaro
Antecessor Gilberto Kassab
Alma mater Academia da Força Aérea
Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Naval Postgraduate School
Partido PSB (2013-2018)
PSL (2018-atualmente)
Profissão militar, engenheiro, astronauta e político
Serviço militar
Lealdade Brasil
Serviço/ramo Força Aérea Brasileira
Graduação Tenente-Coronel Aeronautica.gif Tenente-coronel
Carreira espacial
Astronauta da AEB
Tempo no espaço 9d 21h 16m 52s [1]
Seleção 1998
Missões
insígnia Soyuz TMA-8 Patch.png Missão Centenário (insignia).png Soyuz TMA-7 patch white.png
Aposentadoria 01 de janeiro de 2019[2]

Marcos Cesar Pontes (Bauru, 11 de março de 1963) é um tenente-coronel da Força Aérea Brasileira (FAB), atualmente na reserva,[3] engenheiro, astronauta e político brasileiro filiado ao Partido Social Liberal (PSL). Em outubro de 2018 foi eleito segundo suplente de senador na chapa encabeçada por Major Olímpio. Atualmente, é Ministro da Ciência e Tecnologia do Governo Jair Bolsonaro.

Foi o primeiro astronauta brasileiro, sul-americano e lusófono a ir ao espaço, na missão batizada "Missão Centenário", em referência à comemoração dos cem anos do voo de Santos Dumont no avião 14 Bis.[4] Em 30 de março de 2006, partiu para a Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo da nave russa Soyuz TMA-8, com oito experimentos científicos brasileiros para execução em ambiente de microgravidade. Retornou no dia 8 de abril, a bordo da nave Soyuz TMA-7. Com o feito, Pontes tornou-se o primeiro brasileiro e quinto latino-americano a ir ao espaço.[5]

De 2011 a 2018, atuou como embaixador da Organização da ONU para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).[6] Em 31 de outubro de 2018, Marcos Pontes aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro para ser ministro da Ciência e Tecnologia em seu governo.[7]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Casado com Franciska de Fátima Cavalcanti, Marcos Pontes tem dois filhos e seus hobbies são musculação, futebol, violão, piano, desenho e pintura em aquarela. Além destes hobbies, também se dedica ao radioamadorismo. Utilizou enquanto radioamador o indicativo PY0AEB. Seus pais, Virgílio e Zuleika Pontes, moravam em Bauru. Foi piloto de caça da FAB, chegando ao posto de tenente-coronel.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Formou-se no Colégio Liceu Noroeste, em Bauru, estado de São Paulo, em 1980. Em 1984, recebeu o bacharelado em tecnologia aeronáutica da Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, São Paulo. Em 1989, iniciou o curso de engenharia aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, São Paulo, recebendo o título de engenheiro em 1993. Em 1998, obteve o mestrado em engenharia de sistemas pela Naval Postgraduate School, em Monterrey, Califórnia. Possui ainda bacharel em administração pública pela Academia da Força Aérea de Pirassununga.[carece de fontes?] Como piloto da FAB, tem quase 2 000 horas de voo em 25 tipos de aeronaves, entre elas F-15, F-16, F-18 e MIG-29.[8][9]

Ingresso no programa espacial[editar | editar código-fonte]

Grupo 17 ("Os Pinguins") de candidatos a astronauta de 1998 da NASA, incluindo Marcos Pontes.

Em junho de 1998, foi selecionado para o programa espacial da NASA, para a candidatura a que o país tinha direito no programa espacial do governo estadunidense, pelo fato de integrar o esforço multinacional de construção da Estação Espacial Internacional.[carece de fontes?]

Iniciou o treinamento obrigatório em agosto daquele ano no Centro Espacial Lyndon Johnson, em Houston. Seu grupo de treinamento número 17 da NASA foi apelidado de Os Pinguins. Em dezembro de 2000, ao concluir o curso, foi declarado oficialmente "astronauta da NASA".[carece de fontes?]

Seu voo inaugural fora originalmente marcado para o ano de 2001, como parte da construção da Estação Espacial Internacional. Mais especificamente, o objetivo da missão seria transportar e instalar o módulo construído no Brasil (conhecido como "Express Pallet"). Problemas orçamentários da NASA forçaram, no entanto, o adiamento da missão para 2003. Ao se aproximar a data, persistentes problemas financeiros indicavam novo adiamento, mas o acidente que resultou na destruição do ônibus espacial Columbia, em fevereiro de 2003, suspendeu todos os voos da NASA por tempo indeterminado.[carece de fontes?]

Em 2011, foi indicado e assumiu o cargo de embaixador da Organização da ONU para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).[10][11]

Missão Centenário[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Missão Centenário

Em 18 de outubro de 2005, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmos) assinaram um acordo que possibilitou a realização da primeira missão espacial tripulada brasileira, batizada como "Missão Centenário", em referência à comemoração dos cem anos do voo de Santos Dumont.[carece de fontes?]

A tripulação, composta por Pontes, Jeffrey Williams, astronauta estadunidense e o russo Pavel Vinogradov, comandante da missão, decolou no dia 29 de março de 2006, às 23h30min (horário no Brasil), no Centro de Lançamento de Baikonur, no Cazaquistão.[12] Eles seguiram, na nave Soyuz TMA-8, para a Estação Espacial Internacional, levando 15 quilos de carga da Agência Espacial Brasileira, incluindo oito experimentos científicos criados por universidades e centros de pesquisas brasileiros. A missão, realizada com sucesso, teve duração de 10 dias, sendo dois dias a bordo da Soyuz e oito na ISS.[carece de fontes?]

De acordo com o médico da Aeronáutica Luiz Cláudio Lutiis, que fez o acompanhamento da saúde do astronauta brasileiro, a direção da Agência Espacial Brasileira (AEB) "não ajudou no que deveria e atrapalhou no que podia" na preparação do primeiro voo para o espaço de um astronauta brasileiro". Lutiis afirmou que sem a ajuda da NASA o astronauta estaria isolado do mundo e que só estavam mantendo um contato decente via Internet com a ajuda da NASA.[13]

Retorno ao Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 19 de outubro de 2009, na abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Foto:Wilson Dias/ABr.

No dia 20 de abril, Pontes foi homenageado na cidade de Brasília em solenidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), recebendo do presidente Luís Inácio Lula da Silva a condecoração da Ordem Nacional do Mérito.[carece de fontes?]

Em 21 de abril de 2006, retornou à sua cidade natal de Bauru, interior do Estado de São Paulo, e foi recebido como herói por um público de mais de 5 mil pessoas, com direito a apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Posteriormente, participou de uma carreata no topo de um veículo do corpo de bombeiros, além de realizar uma palestra no Teatro Municipal.[carece de fontes?]

Após seu retorno, solicitou a reserva da FAB. A aposentadoria aos 43 anos foi alvo de críticas no Congresso Nacional.[14] Contudo, ainda trabalha para o programa espacial brasileiro, continuando com suas atividades no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas, e está à disposição para futuros voos espaciais brasileiros.[carece de fontes?]

Em 18 de maio de 2006, de acordo com o Diário Oficial da União (DOU), foi publicada sua transferência para a reserva remunerada da FAB. O Brasil investiu cerca de 40 milhões de reais no projeto de envio de um astronauta brasileiro à ISS, aí incluídos o pagamento da viagem e os oito anos de treinamento na NASA.[carece de fontes?]

No campo privado, tem atuado como professor e palestrante, promovendo consultorias a diversas empresas de pequeno, médio e grande porte, no Brasil e no exterior: Coach Especialista em Performance e Desenvolvimento Pessoal e Profissional, Professor e Pesquisador convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP-SC, Diretor Técnico do Instituto Nacional para o Desenvolvimento Espacial e Aeronáutico e Embaixador Mundial da WorldSkills International para o ensino profissionalizante, Embaixador no Brasil da Fundação FIRST para a promoção do ensino científico, Embaixador das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial,[10] Presidente da Fundação Astronauta Marcos Pontes. É agora, também, empresário.[carece de fontes?]

Em julho de 2012, foi eleito um dos "100 maiores brasileiros de todos os tempos" em concurso realizado pelo SBT com a BBC de Londres.[carece de fontes?]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Nas eleições estaduais em São Paulo em 2014, Marcos Pontes concorreu a uma vaga de deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), por São Paulo e alcançou a suplência, com 43.707 votos (0,21%)[15] e nas eleições estaduais em São Paulo em 2018 foi eleito juntamente com Major Olímpio como segundo suplente no Senado pelo PSL.[16]

Em 31 de outubro, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que Marcos Pontes será o Ministro da Ciência e Tecnologia.[17] A escolha do Marcos Pontes como Ministro deixou a Comunidade Científica com opiniões divididas, que vão desde como o público vê a profissão de astronauta em ligação com a ciência e o fato do ministro não ser um cientista e pesquisador atuante, além da preocupação com sua falta de articulação política.[18]

Ministro da Ciência[editar | editar código-fonte]

Após a divulgação dos dados do desmatamento na Amazônia pelo INPE desacreditados por Bolsonaro,[19] Marcos Pontes chamou o então Presidente do Inpe Ricardo Galvão para tratar da forma como ele tem agido na mídia e também declarou compartilhar "...a estranheza expressa pelo nosso presidente Bolsonaro..."[20] por mais que o mesmo não acredite que os dados sejam falsos.[21]

Dia 7 de agosto de 2019 a exoneração de Ricardo Galvão foi publicado[22] após sua demissão dia 2 de agosto.[23] Ele foi exonerado a pedido de Bolsonaro.[19] Diretores de centros de pesquisa ligados ao Ministério pediram que Pontes intercedesse a favor do Galvão, algo que não ocorreu.[24]

O militar Darcton Policarpo Damião foi escolhido para assumir o Inpe interinamente.[23]

Livros[editar | editar código-fonte]

Publicou quatro livros:

  • É Possível! Como transformar seus sonhos em realidade, lançado durante a 6ª Bienal do Livro de Campos, no dia 9 de novembro de 2010, em 21 de abril de 2011.
  • Missão Cumprida, compartilhando suas ideias e sensações durante todos os eventos que envolveram os bastidores, a preparação, a execução, as polêmicas e os impactos da primeira missão espacial tripulada da história do Brasil.[25]
  • O Menino do Espaço, traz de forma divertida e dinâmica a história do primeiro brasileiro a chegar ao espaço, focado ao público infanto-juvenil. A obra traz também uma parte especial para pais e professores e questões ocultas para todos aprenderem sobre o espaço brincando.
  • Caminhando com Gagarin: Crônicas de uma Missão Espacial.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Ainda em 2006, o quadrinista Maurício de Sousa resolveu homenagear Marcos Pontes enviando-lhe um e-mail contendo uma ilustração do personagem Astronauta parabenizando o bauruense por ter sido o primeiro brasileiro a ir ao espaço.[26]

No mesmo ano, a banda de Heavy metal brasileira Angra gravou uma música em homenagem a Marcos Pontes, denominada "Out of This World" ("Fora deste mundo", em tradução livre), lançada como faixa bônus da edição japonesa do álbum Aurora Consurgens, composta e cantada pelo guitarrista e líder da banda, Rafael Bittencourt.[carece de fontes?]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Críticas do Congresso Nacional[editar | editar código-fonte]

Em 2006, Marcos Pontes retornou ao Brasil após a Missão Centenário, decidindo-se pela entrada na reserva da Aeronáutica. Nesse sentido, a repercussão em torno da situação se tornou bastante ampla, devido à indignação que foi demonstrada pelo Congresso Nacional. Em primeiro momento, o Palácio do Planalto, a AEB (Agência Espacial Brasileira) e da Aeronáutica esperavam que Pontes poderia oferecer um fator de estímulo ao programa espacial e a novas adesões às Forças Armadas, assim como tutoria e treinamento à novos astronautas, justificando um investimento de 10 milhões de dólares do Governo Federal,[27][28] fortemente defendido pelo Governo Lula, que chegou a conversar com o astronauta em videoconferência na Estação Espacial Internacional: “Em poucos momentos da história do Brasil, tivemos orgulho de um brasileiro como estamos tendo de você. Você, quando partiu, me lembrava o Ayrton Senna com a bandeira nacional”, disse Lula.[29] Após a decisão pela inatividade das funções de Marcos Pontes, o presidente Lula não comentou a escolha, que teve diversos pronunciamentos de frustração por parte de outros parlamentares, como Walter Pinheiro (PT), na época integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara; Alberto Goldman (PSDB), deputado por São Paulo em 2006; Orlando Fantazzini (PSOL) e Sérgio Gaudenzi. Na visão dos políticos, que esperavam o retorno do aprendizado adquirido pelo astronauta para o Programa Espacial Brasileiro, a entidade deveria criar mecanismos de proteção para possíveis investimentos futuros em outros astronautas, tendo em vista que os serviços custeados pelo governo não sejam perdidos no âmbito privado.[14][27][28]

Investigação pelo Ministério Público Militar[editar | editar código-fonte]

Em 2006, Pontes foi alvo de investigação pelo Ministério Público Militar (MPM) para apurar se havia violado o artigo 204 do Código Penal Militar, que proíbe o envolvimento de militares ativos em qualquer atividade comercial.[30] Na investigação, o MPM inquiriu sobre o site Conexão Espacial, propriedade da assessora de imprensa do astronauta, Christiane Gonçalves Corrêa, então dona da companhia Portally Eventos e Produções, pela venda de camisetas e bonés com a imagem de Marcos desde 2002 até a data de sua saída. Em setembro de 2017, documentos foram divulgados pelo jornal The Intercept, que mostravam uma suposta condição de Marcos como sócio da empresa, mas que sempre fora negada pelo político. Após a prescrição da investigação, Pontes se tornou sócio majoritário da empresa, com 80% de participação, enquanto Christiane Corrêa manteve 20% de participação. A mãe da assessora, que possuía cerca de 45% das ações, deixou a sociedade após a entrada de Pontes.[31] Em agosto de 2018, após a investigação já ter prescrito, o recurso foi arquivado pela ministra Rosa Weber.[30]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Em inglês[editar | editar código-fonte]