Nicola Avallone Junior

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Nicola Avallone Junior - Nicolinha
Prefeito de Bauru
Período 1 de janeiro de 1956
10 de março de 1959
Antecessor(a) Nuno de Assis
Deputado Estadual de São Paulo
Período 12 de março de 1955
a 11 de março de 1959 - suplência legislativa

12 de março de 1959
a 11 de março de 1963 - 1º mandato

12 de março de 1963
a 11 de março de 1967 - 2º mandato

12 de março de 1967
a 13 de dezembro de 1968 - 3º mandato interrompido pela Ditadura Militar

01 de janeiro de 1982
a 31 de dezembro de 1985 - suplência legislativa

01 de janeiro de 1986
a 31 de dezembro de 1989 - suplência legislativa

Dados pessoais
Nascimento 10 de julho de 1919
Bauru
Morte 21 de setembro de 2010 (91 anos)
São Paulo
Primeira-dama Ada Cariani Avallone
Partido PSD

PTB PTN PDC ARENA

Profissão economista

Nicola Avallone Junior (Bauru, 1919 - São Paulo, 20 de setembro de 2010) foi filho do imigrante italiano Nicola Avallone e de Vicentina Batista Avallone. Formado em Economia pela Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), Nicolinha, como ele ficou conhecido popularmente, representa um marco para a rotina empresarial e política da cidade de Bauru e região. Nicola foi ex-prefeito de Bauru, sendo o primeiro prefeito nascido na cidade, ex-deputado estadual de São Paulo, fundador do jornal "Diário de Bauru", entre outras ações. É considerado o mentor político de José Dirceu. Em 2016, a Câmara Municipal de Bauru prestou homenagem concedendo o nome de "Viaduto Nicola Avallone Jr." a uma obra importante obra viária da cidade.

Início da carreira política[editar | editar código-fonte]

A sua primeira tentativa para o cargo de prefeito ocorreu nas eleições de 1951 pelo então Partido Social Democrático (PSD). Três anos depois, teve a sua primeira disputa eleitoral para deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), conseguindo a suplência e tendo a oportunidade de representar a cidade por diversas vezes pelo afastamento dos titulares.  

​No ano seguinte, em 1955, reacendeu o desejo de ser prefeito de Bauru pela coligação dos partidos PTB-PRT-PTN. Em um pleito concorrido para a época, Nicolinha foi eleito com apenas 67 votos de margem de diferença para o segundo colocado, Octávio Pinheiro Brisolla, aliado político do então prefeito Nuno de Assis. Com 33 anos, foi o prefeito mais jovem a comandar a cidade até então e também o primeiro prefeito nascido em Bauru (todos os ocupantes anteriores do Executivo não eram nascidos em Bauru).  

Prefeito de Bauru[editar | editar código-fonte]

Sua gestão foi marcada por uma visão progressista, amplificada pela dinâmica desenvolvimentista que estava em voga no país. Como sua primeira ação como governante da cidade, ele buscou respeitar os seus eleitores e cumpriu a promessa de pavimentar uma rua inteira em um prazo de 24 horas. Não demorou muito para os bauruenses reconhecerem seu trabalho.

Um político popular, progressista e focado no desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Nas ruas de Bauru, Nicolinha passou a ser aclamado por sua simpatia e cumplicidade com as vozes populares. Já há anos costurando o figurino de uma personalidade popular e de um político populista, ele nunca desprezou a força catalisadora do rádio e o seu potencial como instrumento de comunicação. Nos primeiros meses da administração, foi aos bairros e gravou as palavras de moradores para reproduzir em programas das emissoras de rádio, primeiro da antiga PRG-8 e depois da Auri-Verde, inaugurada em setembro de 1956.

Nesse mesmo ano, Nicolinha acionou o governo do Estado de São Paulo para conseguir a instalação em Bauru do Corpo de Bombeiros, e, junto ao Governo Federal, do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMDU); considerado um marco no pronto-atendimento e o Postos de Abastecimento de Produtos Alimentícios (SAPS); em uma parceria com o Ministério do Trabalho, sob a tutela de João Goulart, garantindo o acesso da população mais carente a alimentos com preços inferiores e subsidiados.

Naqueles meados da década de 1950, Bauru era uma cidade com função ferroviária, qualidade que instrumentalizava a sua função comercial. Naquele tempo, tudo passava pelos trens: pessoas, mercadorias, jornais, entre outros. E foi por isso que Nicolinha não deixava de buscar incentivos para melhorar e ampliar a malha ferroviária da cidade. Uma marca defesa que também foi mantida durante suas passagens pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Avanços na infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Com uma Prefeitura sendo administrada de acordo com as características da época, ele conseguia surpreender na parte de infraestrutura. Seu programa de governo incluía itens até então intocados pelos seus antecessores. Foi com recursos da cidade, que ele apoiou e incentivou a canalização de córregos e a construção do primeiro trecho da avenida Nações Unidas. A nova ligação da Vila Antártica até a avenida Rodrigues Alves foi elaborada com o apoio de populares e de investidores. Um mutirão de construtoras se esforçou para que a obra fosse inaugurada dentro do prazo estipulado.

​Conhecido também como um político apaziguador, Nicolinha conseguiu unir lados distantes da cidade, seja pelas visões políticas ou mesmo pelo espaço geográfico. Assim foi com o projeto do viaduto, também objeto de promessa de campanha, que ligou parte da área central à região do bairro Bela Vista pela rua Azarias Leite. Um projeto já existente foi adaptado para ser viabilizado de acordo com a realidade da Prefeitura a partir de contribuições de um dos seus principais adversários políticos. A obra só teve inicio depois que Nicolinha conseguiu o apoio de três empreendedores da cidade para se tornarem avalistas (Antônio dos Reis, Antônio Martins e seu irmão Alfredo Avallone); uma exigência da construtora da época que estava receosa quanto às possibilidades de pagamento por parte do poder público. A obra foi construída, sem nenhuma oneração para as partes, e batizada com o nome do presidente da época – Viaduto Juscelino Kubitschek. Além de interligar importantes bairros e facilitar o acesso ao crescente número de veículos automotores, o Viaduto JK foi para a época símbolo de uma cidade que não parava de avançar.

Avanços no esporte, cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Ele também deixou a sua marca na área de esporte e lazer, tendo criado e incentivado os chamados campeonatos de futebol dente de leite na mesma época em que despontou em Bauru o jovem Edson Arantes do Nascimento, hoje consagrado Rei Pelé. Vale ressaltar que Nicolinha foi presidente do BAC (Bauru Atlético Clube), em 1951, sendo responsável pelo considerado um dos maiores times da história do clube, o Esquadrão da Primavera; que teve vitórias consagradoras. Ele costumava trazer artistas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro para se apresentarem em palco armado no campo do BAC, antes de importantes jogos, como Emilinha Borba, Marlene, Angela Maria e Ivon Cury.

Avanços na educação[editar | editar código-fonte]

Nicolinha também teve forte atuação na área de Educação, sendo o responsável pela construção das primeiras escolas municipais infantis, a Stélio Machado, localizada na Praça Rodrigues de Abreu, e Pinóquio, no Higienópolis, tendo sido 10 ao todo durante o seu mandato. Foi um entusiasta da implantação da Universidade de São Paulo (USP) para Bauru, bem como da implantação de um curso de medicina e engenharia (até então não havia uma universidade ). Ele também foi responsável pela criação da Casa do Garoto junto com o padre Pedro Paulo Koop com o objetivo de abrigar menores abandonados.

Slogan: "Bauru, Cidade sem Limites"[editar | editar código-fonte]

Nicolinha fez de um verso de poema o slogan da cidade, que ainda resiste ao tempo até hoje. “Bauru, Cidade Sem Limites” ficou conhecido pelo fato de Nicolinha ter apreciado um poema publicado no então jornal Diário de Bauru em homenagem ao aniversário da cidade. O slogan ganhou força, e serviu para evidenciar uma Bauru que estava em ritmo acelerado pelo desenvolvimento.

Ligação com a Polícia Militar[editar | editar código-fonte]

O quartel de Bauru teve muitos vira-latas no início da década de 1950. Uma cadela da época, chamada de Chulipa, era a queridinha. Em 1956, ela se perdeu e o comandante precisou oficializar um pedido de substituição para o prefeito Nicola Avallone Jr. Como sempre incentivou a atuação da PM e via com bons olhos o canil da cidade, Nicolinha presenteou o Comandante Cel. Agenor de Almeida Castro com o  primeiro cachorro da raça Pastor Alemão do 4º BC.  O cachorro, chamado  de Moleque, foi levado para adestramento no canil da capital paulista. Foi graças a essa atitude de Nicolinha que foi construído o primeiro Canil do Batalhão (BPMI). 

Um prefeito premiado[editar | editar código-fonte]

Em apenas três anos de mandato, o nome de Nicolinha se despontava em uma lista entre os dez prefeitos mais dinâmicos e empreendedores do país.

Para muitos apoiadores, a Bauru daquela época pode, sim, ser dividida em dois períodos: a cidade antes de Nicolinha e a “Bauru Sem Limites” depois de sua passagem pela administração. 

Na Assembleia Legislativa de São Paulo[editar | editar código-fonte]

No pleito de 1954, Nicolinha tentou uma vaga para o Legislativo paulista, conseguindo uma suplência e assumindo várias vezes na ausência dos titulares. Foi sua visão política arrojada, popular e dinâmica na Prefeitura de Bauru que lhe garantiu o cargo de deputado estadual pelo Partido Trabalhista Nacional (1959). No parlamento, pode participar e aprovar importantes medidas na Comissão de Redação, na Comissão de Educação e Cultura, na de Finanças, na de Divisão Administrativa e Judiciária, e também nas Comissões de Constituição e Justiça e de Obras Públicas, Transportes e Comunicação.

Em 1962, foi mais uma vez eleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo, agora pelo Partido Democrata Cristão (PDC), tendo como importante marca a sua participação ativa como membro efetivo da comissão especial instituída com fim de estudar o problema da extinção dos ramais ferroviários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

Campanha JAN-JAN[editar | editar código-fonte]

Por sua visão progressista e de desenvolvimento, Nicolinha conseguiu o apoio do Governo Federal para a implantação de importantes medidas e ações em Bauru. Nas eleições presidenciais de 1959, ele iniciou na cidade uma campanha eleger Jânio Quadros para presidente e João Goulart para vice. Ressalta-se que naquela época, o voto para presidente e vice eram separados, embora fossem formadas chapas com a finalidade de aproximar políticos com visões parecidas. A chapa que estava sendo trabalhada era a de Jânio para presidente e Milton Campos para vice. Sua aposta política alternativa foi no sentido de agradecer o apoio do governo do Estado de São Paulo e também do então Ministro do Trabalho que, assim como ele, era considerado popular e progressista. Sendo assim, foi em Bauru que se teve iniciou a campanha popular JAN-JAN que com o tempo ganhou as ruas de todo o país e garantiu a eleição.

A cassação pela ditadura[editar | editar código-fonte]

Com o fim do pluripartidarismo em 1965, filiou-se ao partido governista a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), sendo reeleito em 1966. Nesse novo mandato, foi membro efetivo das comissões de Economia e de Saúde e Higiene, e de Educação e Cultura. Sua marca nesse mesmo ano foi o restabelecimento da loteria em São Paulo, até então proibida, promovendo assim a possibilidade de ampliar e dinamizar a economia paulista.

Em 1968, após tentativa frustrada de concorrer à Prefeitura de Bauru, foi surpreendido pelo fechamento da Assembleia Paulista, pelo Ato Institucional nº 5, de 13/12/68. Com essa medida, Nicolinha teve seu mandato cassado e também seus direitos políticos suspensos por 10 anos.

Em 1982 e 18986, Nicolinha tentou reassumir a cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, conseguindo a suplência nos dois pleitos.

Assim, com o embate e resquícios da Ditadura, foi forçado a abandonar a vida política, voltando a administrar seus negócios particulares, principalmente o Diário de Bauru.

Nicolinha e o Diário de Bauru[editar | editar código-fonte]

Nicolinha também se destacou como visionário de um projeto de comunicação.

Em 1946, ele fundou o Diário de Bauru tendo como bandeira de luta a defesa da cidade, sua terra e sua gente, com cobertura impressa diária de fatos internacionais, nacionais e locais.

Assim, por meio do jornal, era possível ter noção do que se passava no panorama político internacional no contexto da Guerra Fria. Também o cenário político nacional recebia grande destaque, assuntos de cultura e entretenimento, esportivos; fatos cotidianos; eventos sociais; etc., sendo uma marca para o projeto de comunicação da cidade e para toda a região.

In memoriam[editar | editar código-fonte]

​Em 2010, já viúvo da professora Ada Cariani Avallone, que empresta seu nome a uma escola estadual localizada no bairro Mary Dota de Bauru, Nicolinha veio a falecer vítima de uma parada cardiorrespiratória, deixando a filha Patrícia Avallone e duas netas, Stella e Paula.

Homenagem da Câmara Municipal de Bauru[editar | editar código-fonte]

Em 2016 a Câmara de Bauru prestou uma homenagem à Nicolinha. Por meio de um projeto de Decreto Legislativo, de autoria de vários vereadores, o viaduto que interliga os bairros Vila Falcão ao Jardim Bela Vista passou a ser denominado "Viaduto Nicola Avallone Jr.". A homenagem aconteceu 60 anos depois de Nicolinha assumir a Prefeitura da cidade e deixar as suas marcas, e após 6 anos de sua morte.

Homenagem da Associação Sem Limites de Bauru[editar | editar código-fonte]

Em 2017, a Associação Sem Limites, entidade social de Bauru presidida pelo empresário e advogado Edu Avallone, sobrinho neto de Nicolinha, prestou uma homenagem ao ex-político com uma edição especial do denominado Jornal Sem Limites. Em 10 páginas, são narradas passagens sobre sua vida pessoal, profissional e marcos da trajetória política. É destacado que "assim como fez Nicolinha durante seus mandatos públicos, a entidade não mede esforços para a promoção de atividades e programas sociais nas mais diversas áreas com o intuito de promover uma rede de ações espalhadas por toda a cidade". 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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