Agência Espacial Brasileira

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Agência Espacial Brasileira
Logotipo oficial.
(AEB)
Fundação 10 de fevereiro de 1994 (22 anos)
(O Programa Espacial Brasileiro foi iniciado em 1961)
Tipo Autarquia
Estado legal  Brasil
Propósito Desenvolvimento das atividades espaciais
Sede Brasília, DF
Línguas oficiais Português
Filiação Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Presidente José Raimundo Coelho[1]
Sítio oficial aeb.gov.br

Agência Espacial Brasileira (AEB) é a uma autarquia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação responsável pelo programa espacial do Brasil. Ela opera um espaçoporto em Alcântara, Maranhão, e uma base de lançamento espacial na Barreira do Inferno, Rio Grande do Norte. A agência deu ao país um papel de destaque no setor aeroespacial na América do Sul e tecnicamente fez do Brasil um parceiro do projeto da Estação Espacial Internacional (EEI).[2] Anteriormente, o programa espacial esteve sob o controle dos militares brasileiros; ele foi transferido para o controle civil em 10 de fevereiro de 1994.

A AEB sofreu um grande revés em 2003, quando a explosão de um foguete matou 21 técnicos. O Brasil lançou com sucesso o seu primeiro foguete ao espaço em 23 de outubro de 2004, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara; foi um VSB-30 lançado em uma missão suborbital. Este lançamento foi seguido por vários outros bem sucedidos.[3]

Em 30 de março de 2006, o astronauta Marcos Pontes tornou-se o primeiro brasileiro e lusófono a ir ao espaço, onde ficou na EEI por uma semana. Durante a sua viagem, Pontes realizou oito experimentos selecionados pela AEB. Ele pousou no Cazaquistão em 8 de abril de 2006, com a tripulação da Expedição 12.[4]

A Agência Espacial Brasileira tem prosseguido uma política de desenvolvimento conjunto de tecnologia com programas espaciais mais avançados. Inicialmente, houve uma forte tentativa de cooperação com os Estados Unidos, mas depois de dificuldades em termos de transferência tecnológica, o Brasil tentou outros projetos, como parcerias com China, Índia, Rússia e Ucrânia.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Programa espacial brasileiro
Sala de controle da AEB no Centro de Lançamento de Alcântara

O então presidente Jânio Quadros em 1960 estabeleceu uma comissão que elaborou um programa nacional para a exploração espacial. Em decorrência deste trabalho, em agosto de 1961 formou-se o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE), funcionando em São José dos Campos, no estado de São Paulo. Seus pesquisadores participavam de projetos internacionais nas áreas de astronomia, geodésia, geomagnetismo e meteorologia.

O GOCNAE foi em abril de 1971 substituído pelo Instituto de Pesquisas Espaciais, atualmente denominado Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Desde a criação do então Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), o atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Força Aérea Brasileira, em 1946, o País vem acompanhando os progressos internacionais no setor aeroespacial.

Com a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), passou-se a dispor de uma instituição plenamente capacitada à formação de recursos humanos altamente qualificados em áreas de tecnologia de ponta. O DCTA, por meio do ITA e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), desempenham uma função essencial na consolidação do programa espacial brasileiro.

No início da década de 1970, foi criada a Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE) - órgão vinculado ao então Estado-Maior General das Forças Armadas (EMFA) - com o objetivo de coordenar e acompanhar a execução do programa espacial. Tal papel coordenador, em fevereiro de 1994, foi transferido à Agência Espacial Brasileira. A criação da AEB representa uma mudança na orientação governamental, ao instituir um órgão de coordenação central do programa espacial, subordinado diretamente à Presidência da República.

Em 2011 o ministro da defesa da Argentina, Arturo Puricelli, fez uma proposta ao ministro brasileiro, Celso Amorim, para a criação de uma agência espacial sul-americana unificada até o ano de 2025, nos moldes da Agência Espacial Europeia.[5] [6] [7]

Centros de lançamento[editar | editar código-fonte]

Vista aérea do CLA
Entrada do CLBI

Alcântara[editar | editar código-fonte]

2° 20′ S 44° 24′ W

O Centro de Lançamento de Alcântara é o principal espaçoporto e o centro operacional da Agência Espacial Brasileira.[8] Ele está localizado na península de Alcântara, no Maranhão.[9] Esta região apresenta alguns requisitos excelentes para este tipo de instalação, como baixa densidade populacional, excelentes condições de segurança e facilidade de acesso aéreo e marítimo.[9] O fator mais importante é a sua proximidade com a linha do equador - Alcântara é a base de lançamento de foguetes mais próxima do equador.[8] Estas características dão ao local de lançamento uma vantagem significativa no lançamento de satélites geoestacionários.[8]

Barreira do Inferno[editar | editar código-fonte]

5° 55′ S 35° 9′ W

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno é uma base de lançamento espacial da AEB.[10] Ele está localizado no município de Parnamirim, Rio Grande do Norte, e é usado principalmente para lançar foguetes-sonda e apoiar o Centro de Lançamento de Alcântara.[11]

Veículos de lançamento[editar | editar código-fonte]

Foguetes usados pela AEB
Foguete VS-40
Ver também: Foguete Sonda

A Agência Espacial Brasileira operou uma série de foguetes-sonda.

VLM[editar | editar código-fonte]

O Veículo Lançador de Microssatélite (VLM), baseado no motor do foguete S50, está sendo projetado para lançar satélites de até 150 kg em órbitas circulares de 250 a 700 km. Vai ser um foguete de três estágios e deverá lançar a missão SHEFEX III pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) em 2016.[12] [13] [14]

VLS[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: VLS-1

O Veículo Lançador de Satélites (VLS) é o principal veículo de lançamento de satélites da Agência Brasileira Espacial.[15] É um foguete de quatro estágios composto por um núcleo e quatro motores.[16] A primeira fase tem quatro motores a combustíveis sólidos provenientes dos foguetes-sonda da série Sonda.[16] A intenção é implantar satélites de 100 a 380 kg em órbitas de 200 a 1200 km, ou implantar cargas de 75 a 275 kg em 200 a 1000 km da órbita polar.[16] Os três primeiros protótipos do veículo não conseguiram ser lançados, com a explosão na plataforma de lançamento, em 2003, que resultou na morte de 21 pessoas que trabalhavam para a AEB.[16]

Satélites[editar | editar código-fonte]

A AEB mantém uma série de satélites em órbita, como aqueles voltados para imagens de inteligência, reconhecimento e observação da Terra.

Satélites brasileiros
Satélite Origem Tipo Operacional Status
SCD1[17]  Brasil Observação da Terra
1993-
Ativo
SCD2[17]  Brasil Observação da Terra
1998-
Ativo
CBERS-1[18]  Brasil /  China Observação da Terra
1999-2003
desativado
CBERS-2[19]  Brasil /  China Observação da Terra
2003-
Ativo
CBERS-2B[18]  Brasil /  China Reconhecimento
2007-
Ativo
CBERS-3  Brasil /  China Observação da Terra
2013
Falha no lançamento
CBERS-4  Brasil /  China Observação da Terra
2014-
Ativo
SGDC-1  Brasil Telecomunicações
2016
Planejado
Amazônia-1  Brasil Plataforma Multimissão
2016
Planejado
Flora Hiperspectral  Brasil /  Estados Unidos Plataforma Multimissão
2016
Planejado
CBERS-4B  Brasil /  China Observação da Terra
2016
Planejado
LATTES-1  Brasil /  China /  Estados Unidos /  Japão Clima espacial (EQUARS) e telescópio espacial de raio X (MIRAX)
2017
Planejado
SABIA-Mar 1  Brasil /  Argentina[20] Plataforma Multimissão
2017
Planejado
CLE-1  Brasil Órbita terrestre baixa
2018
Planejado
Amazônia-1B  Brasil Plataforma Multimissão
2018
Planejado
GEOMET-1  Brasil Observação da Terra
2018
Planejado
AST-1  Brasil Órbita terrestre baixa
2019
Planejado
SABIA-Mar 1B  Brasil /  Argentina[20] Plataforma Multimissão
2019
Planejado
SGDC-2  Brasil Telecomunicações
2019
Planejado
Amazônia-2  Brasil Plataforma Multimissão
2020
Planejado
SAR-1  Brasil Observação da Terra
2020
Planejado
AST-2  Brasil Observação da Terra
2020
Planejado

Voos espaciais tripulados[editar | editar código-fonte]

Marcos Pontes, um tenente-coronel da Força Aérea Brasileira,[21] foi o primeiro astronauta brasileiro e lusófono,[22] lançado com a tripulação da Expedição 13, a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, em 29 de março de 2006, a bordo de uma nave espacial Soyuz TMA. Pontes atracou à Estação Espacial Internacional (ISS) em 31 de março de 2006, onde viveu e trabalhou durante 9 dias.[22] Ele retornou à Terra com a tripulação da Expedição 12, aterrissando no território cazaque em 8 de abril de 2006.[22] Atualmente, Pontes continua com suas funções técnicas para o desenvolvimento e fabricação das peças brasileiras para a EEI.[22]

Nome Função Tempo no espaço Data do lançamento Missão Insígnia da missão Status
Marcos Pontes2.jpg Marcos Pontes Especialista de missão 9d 21h 17m 30 de março de 2006 Soyuz TMA-8
Soyuz TMA-7
Soyuz TMA-8 Patch.png
Ativo

Cooperação internacional[editar | editar código-fonte]

China[editar | editar código-fonte]

Estação Espacial Internacional[editar | editar código-fonte]

A AEB é uma parceira bilateral da NASA na Estação Espacial Internacional.[23] O acordo para concepção, desenvolvimento, funcionamento e utilização de equipamentos de voo e cargas desenvolvidas por brasileiros para a EEI foi assinado em 1997.[23] Ele incluía o desenvolvimento de seis itens, entre os quais um janela de observação (Window Observational Research Facility - WORF) e um Equipamentos para Experimentos Tecnológicos.[21] Em troca, a NASA forneceu ao Brasil o acesso às suas instalações da EEI em órbita, bem como uma oportunidade de voo para um astronauta brasileiro.[23]

Ucrânia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Alcantara Cyclone Space (ACS)

Em 21 de outubro de 2003, a Agência Espacial Brasileira e a Agência Espacial do Estado da Ucrânia estabeleceram um acordo de cooperação que criou uma joint venture espacial chamada Alcantara Cyclone Space.[24] A nova empresa iria se concentrar no lançamento de satélites a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, usando o foguete Cyclone-4. A empresa deveria investir 160 milhões de dólares em infraestrutura para a nova plataforma de lançamento, que seria construída em Alcântara.[25]

Em julho de 2015, o Brasil informou à Ucrânia que romperia o tratado assinado entre os dois países para lançar de Alcântara o foguete Cyclone 4. A decisão foi tomada por questões de viabilidade comercial, três anos depois que a presidente Dilma Rousseff recebeu o diagnóstico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que apontava que o projeto não geraria os lucros projetados com o lançamento comercial de satélites a partir de Alcântara. O orçamento inicial do programa era de 1 bilhão de reais e o governo brasileiro investiu 500 milhões de reais no projeto.[26]

Japão[editar | editar código-fonte]

Em 8 de novembro de 2010, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) assinaram uma carta de intenções a respeito do Programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento (REDD+).[27] Exemplos do cooperação incluem o monitoramento da exploração madeireira ilegal na floresta tropical Amazônica, utilizando dados de satélite ALOS da JAXA. Tanto o Brasil quanto o Japão são os membros do projeto Global Precipitation Measurement.[28]

Rússia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Programa Cruzeiro do Sul

A Agência Espacial Brasileira está atualmente a desenvolver uma nova família de veículos de lançamento, em cooperação com a Agência Espacial Federal Russa.[29] [30] [31] Os cinco foguetes da família Cruzeiro do Sul será baseada na série de foguetes russos Angara.[29]

A primeira fase dos foguetes VLS Gama, Delta e Epsilon será alimentada por uma unidade com base no motor RD-191.[29] A segunda etapa, que será a mesma para todos os foguetes Cruzeiro do Sul, irá ser acionada por com base nos foguetes Molniya.[29] A terceira etapa será um impulsionador sólido-propulsor baseado em uma versão atualizada do VLS-1.[32] O programa foi batizado de "Cruzeiro do Sul", em referência à constelação Crux, presente na bandeira do Brasil e composta de cinco estrelas.[32]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. José Raimundo Coelho será o novo presidente da Agência Espacial
  2. Brazilian Space Agency The Internet Encyclopedia of Science. Acessado em 29 de julho de 2009.
  3. BBC World: Brazil Launches rocket into space. BBC News. Acessado em 30 de julho de 2009.
  4. BBC World: First Brazilian goes into space BBC News. Acessado em 30 de julho de 2009.
  5. Argentina propõe ao Brasil criação de agência espacial sul-americana
  6. Ministros do Brasil e Argentina apoiam cooperação
  7. Argentina propõe ao Brasil criação de agência espacial sul-americana
  8. a b c Centros de Lançamentos: CLA Agência Espacial Brasileira. Acessado em 30 de julho de 2009.
  9. a b Alcantara Launch Center (2°20'S; 44°24'W) GlobalSecurity.org. Acessado em 30 de julho de 2009.
  10. Barreira do Inferno Launch Center GlobalSecurity.org. Acessado em 30 de julho de 2009.
  11. Centro de Lançamento da Barreira do Inferno Agência Espacial Brasileira. Acessado em 30 de julho de 2009.
  12. Brazilian space plans: 2011-2015 nasaspaceflight.com. Acessado em 6 de março de 2012.
  13. «Brazilian Space». Brazilianspace.blogspot.com. Consultado em 12 de dezembro de 2011. 
  14. «VLM: veículo lançador de microsatélites, launch vehicle for SHEFEX-3». German Aerospace Center (DLR). Consultado em 24 de maio de 2013. 
  15. Veículos Lançadores: VLS Brazilian Space Agency. Acessado em 6 de março de 2012.
  16. a b c d VLS (Brazilian rocket) The Internet Encyclopedia of Science. Acessado em 6 de março de 2012.
  17. a b Satélite de Coleta de Dados - SCD GlobalSecurity.org. Retrieved on 2011-01-17.
  18. a b The Launch of CBERS-2B National Institute for Space Research. Retrieved on 2011-01-17.
  19. Overview of the CBERS-2 United States Geological Survey. Retrieved on 2011-01-17.
  20. a b http://www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/Plano_diretor_miolo.pdf
  21. a b AEB: Human Spaceflight GlobalSecurity.org. Acessado em 17 de janeiro de 2011.
  22. a b c d Astronaut Bio: Marcos C. Pontes. NASA. Acessado em 17 de janeiro de 2011.
  23. a b c NASA Signs International Space Station Agreement With Brazil NASA. Acessado em 17 de janeiro de 2011.
  24. Ucrânia Defesa BR. Acessado em 17 de janeiro de 2011.
  25. Brazil-Ukraine joint venture space company eyes global satellite launch market; to start operations this year GIS News. Acessado em 17 de janeiro de 2011.
  26. Roberto Maltchik (22 de julho de 2015). O Globo, : . «Brasil formaliza rompimento de acordo para lançar foguete ucraniano». Consultado em 28 de novembro de 2015. 
  27. JAXA (8 de novembro de 2010). JAXA and INPE Signing Letter of Intention in cooperation for REDD+ using DAICHI. Press release.
  28. BRAZILIAN PARTICIPANTS IN GPM GPM-Br 2010. Acessado em 17 de janeiro de 2011.
  29. a b c d Russia Begins Elbowing Ukraine Out From Brazil's Space Program SpaceDaily.com. Acessado em 29 de julho de 2009.
  30. Brasil e Rússia, juntos em órbita e na exploração espacial Estadão. Acessado em 29 de julho de 2009.
  31. Programa Cruzeiro do Sul DefesaBR. Acessado em 29 de julho de 2009.
  32. a b Programa de Veículos Lançadoeres de Satélites Cruzeiro do Sul Brazilian General Command for Aerospace Technology. Acessado em 29 de julho de 2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]