14-bis

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Oiseau de Proie
Picto infobox aircraft.png
14-bis
Descrição
Tipo / Missão Avião experimental
País de origem  Brasil
Fabricante Alberto Santos Dumont
Primeiro voo em 23 de outubro de 1906 (110 anos)
Tripulação 1 - piloto
Especificações
Dimensões
Comprimento 10 m (32,8 ft)
Envergadura 12 m (39,4 ft)
Altura 4,8 m (15,7 ft)
Peso(s)
Peso vazio 160 kg (353 lb)
Propulsão
Potência (por motor) 50 hp (37,3 kW)
Performance
Velocidade máxima 30,8 km/h (16,6 kn)

O 14-bis, também conhecido como Oiseau de Proie (francês para “ave de rapina”), foi um avião construído pelo inventor brasileiro Alberto Santos Dumont que em 12 de novembro de 1906 conquistou o Prêmio Archdeacon e o Prêmio do Aeroclube da França ao realizar um voo de 220 metros em Paris.

História[editar | editar código-fonte]

O voo do Oiseau de Proie III na capa do Le Petit Journal de 25 de novembro de 1906.

O 14-bis era inicialmente constituído por um aeroplano unido ao balão 14, em testes feitos por Santos Dumont em meados de 1906 - daí o nome "14-bis", isto é, o "14 de novo". A função do balão era reduzir o peso efetivo do aeroplano e facilitar a decolagem. O aeróstato, porém, gerava muito arrasto e não permitia ao avião desenvolver velocidade.

O primeiro teste do 14-bis foi feito em 19 de julho de 1906, conectado ao balão n.º 14. Em 23 de agosto, o 14-bis foi finalmente testado sem estar acoplado ao balão. Após uma primeira corrida sem decolar, na segunda tentativa o aeroplano elevou-se do chão e voou. Entretanto a sua estabilidade não agradou a Santos-Dumont, que mesmo assim declarou-se satisfeito.[1]

No dia 3 de setembro de 1906 foi instalado o motor náutico Antoinette de 50 cavalos-vapor no lugar do de 24 até então utilizado. Transformou o 14-bis assim no Oiseau de Proie, com o qual obteve um salto de 11 metros em 13 de setembro de 1906; infelizmente o pouso brusco danificou a estrutura e o motor do avião e quebrou as duas rodas, interrompendo os testes.

Vôo histórico[editar | editar código-fonte]

Santos-Dumont fez novas modificações no avião: envernizou a seda das asas para aumentar a sustentação, retirou a roda traseira, por atrapalhar a decolagem, e cortou a estrutura portadora da hélice. Em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, Paris, o Oiseau de Proie II, após várias tentativas, percorreu sessenta metros em sete segundos, a uma altura de aproximadamente dois metros, perante mais de mil espectadores. Esteve presente a Comissão Oficial do Aeroclube da França, entidade reconhecida internacionalmente e autorizada a homologar qualquer evento significante, tanto no campo dos aeróstatos como no dos "mais pesado que o ar". Novamente, porém, o pouso brusco danificou as rodas do avião. O 14-bis ainda não era totalmente controlável.[2]

Monólito que registra o voo de Santos-Dumont no Campo de Bagatelle em 12 de novembro de 1906.

Em 12 de novembro do mesmo ano, com o avião - agora o Oiseau de Proie III - provido de ailerons rudimentares para ajudar na direção, percorreu 220 metros em 21,5 segundos, estabelecendo o recorde de distância da época.[3] O feito foi registrado pelo Aeroclube da França em um monumento, preservado no campo de Bagatelle[4].

Último vôo[editar | editar código-fonte]

Em 14 de abril de 1907 o 14 bis realizou seu último vôo. Após tentativas frustradas de estabilizar a aeronave, Santos-Dumont perdeu o controle e bateu contra o chão. Ao invés de reparar o avião, Santos-Dumont preferiu canibalizar as peças do protótipo em outros projetos - seu motor equipou os projetos 15, 16 e 18, e as hélices e as rodas também foram aproveitadas em outros aparelhos[5].

Réplicas[editar | editar código-fonte]

Réplicas do avião foram construídas com base nas plantas originais. Uma delas, construída pelo empresário Alan Calassa em 2004, está no Museu do Ar da Força Aérea Portuguesa [6]

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre 14-bis

Referências

  1. Hoffman, Paul (2003). Asas da Loucura - A extraordinária vida de Santos-Dumont [S.l.: s.n.] p. 238-239. ISBN 85-7302-592-1. 
  2. Hoffman, Paul (2003). Asas da Loucura - A extraordinária vida de Santos-Dumont [S.l.: s.n.] p. 242-243. ISBN 85-7302-592-1. 
  3. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 31, n. 3, 3605 (2009). "Como Santos Dumont inventou o avião".
  4. Maurício Torres Assumpção (2014). A história do Brasil pelas ruas de Paris (Rio de Janeiro: Casa da Palavra). p. 496. ISBN 978-85-7734-485-7. 
  5. Revista Galileu, "O 14-bis ainda existe?".
  6. "Réplica do 14-Bis é exposta em museu de Portugal"

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Barros, Henrique Lins de. Santos=Dumont e a invenção do vôo. - 2.ed. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004. ISBN 85-7110-714-8.
  • Barros, Henrique Lins de. Santos Dumont: o homem que voa!. Rio de Janeiro: Contraponto: Petrobras, 2002. ISBN 85-85910-33-X.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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