Carla Zambelli

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Carla Zambelli
Deputada Federal por São Paulo
Período 1º de fevereiro de 2019
até atualidade
Dados pessoais
Nascimento 3 de julho de 1980 (40 anos)
Ribeirão Preto, São Paulo
Nacionalidade brasileira
Partido PSL (2018-presente)
Profissão gerente de projetos

Carla Zambelli Salgado (Ribeirão Preto, 3 de julho de 1980)[1] é uma gerente de projetos, ativista e política brasileira. Fundadora do movimento Nas Ruas, ganhou notoriedade pelo ativismo em favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.[2] Nas eleições de 2018, elegeu-se deputada federal por São Paulo, pelo Partido Social Liberal (PSL).[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, quando grávida, Carla participou de movimentos feministas, mas ela alega não ter ligação alguma com o grupo Femen[4] (embora tenha participado de protestos do grupo[5] e tenha sido identificada como fundadora e porta-voz do coletivo em reportagem da época)[6] ou mesmo ser feminista, inclusive explicando que a confusão se deve ao fato Sara Giromini, com quem ali ela protestava ser do grupo e não ter esclarecido os pontos que o movimento radical defendia, causando um rompimento das partes, que só viria a ser restabelecida quando Sara passasse a defender pautas mais conservadoras.

Ao longo de sua militância, se envolveu em alguns momentos conturbados. Em julho de 2016, o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski se irritou com um boneco inflável gigante que fazia referência a ele, durante protesto organizado pelo grupo Nas Ruas. O Supremo Tribunal Federal enviou ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, pedindo que providências fossem tomadas contra os responsáveis pelo ato, citando Carla como suposta líder da manifestação.[7] Em junho de 2017, Carla se envolveu em um conflito com Paulo Pimenta (PT-RS) ao acusá-lo de roubo. O vídeo no qual o petista lhe dá voz de prisão foi publicado na internet pela própria ativista, que chegou a ser encaminhada para a delegacia do Congresso.[8][9] O deputado petista, contudo, não formalizou nenhuma queixa contra ela.[10]

Com seu grupo, coordenou movimento de apoio à Polícia Federal por todo o País, e de apoio à Operação Lava Jato.[11][12] Palestrante da Polícia Federal no VII Congresso Nacional de Delegados da Polícia Federal, foi homenageada pelo trabalho prestado em prol da busca da autonomia e de recursos investigativos para a instituição.

Tem um perfil alinhado à direita, sendo liberal econômico e conservadora nos costumes.[13] Em 2017 se declarou monarquista, após conversas com membros da família imperial.[14] É contra a política de cotas, exceto para pessoas com deficiência.[3]

Nas eleições de 2018, foi eleita deputada federal pelo PSL.[15][16] Afirmou que sua linha de atuação na Câmara dos Deputados continuará sendo o combate à corrupção. De acordo com Zambelli, isso será feito por meio de três pilares: "menos Estado, mais justiça e educação de verdade".[3]

Em 2019, a Deputada do PSL foi convidada a viajar para China, a fim de conhecer o novo sistema de reconhecimento facial produzido pelos chineses.[17][18]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Indenização a Jean Wylllys[editar | editar código-fonte]

Em 2018, a associação Brasil nas Ruas , presidida por Zambelli, foi processada por danos morais ao publicar Fake News insinuando que o Deputado Jean Wyllys cometia crime de pedofilia.[19] Após ser condenada a pagar R$ 40 mil reais, a deputada recém-eleita afirmou que o valor seria pago com crowdfunding de seus eleitores, pois a mesma já tinha destino para seu novo salário de deputada.[20]

Ingresso do filho em Colégio Militar[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 2019, a revista Veja divulgou que o filho de Carla Zambelli foi matriculado no ensino fundamental do Colégio Militar de Brasília sem passar pelo processo tradicional da seleção de candidatos.[21] Nas redes sociais, a deputada negou irregularidades e relatou que seu filho de 11 anos vinha sofrendo ameaças em São Paulo e que ele estaria seguro ingressando em uma escola militarizada.[22]

Tuíte sobre a morte de Gustavo Bebianno[editar | editar código-fonte]

Após o ex-secretário-geral da Presidência Gustavo Bebianno morrer vítima de um infarto fulminante, Carla Zambelli publicou um tuíte polêmico em alusão à sua morte. A parlamentar havia postado uma passagem bíblica.

O Senhor dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.

Isaías 14:24.

Todos que se colocarem contra o projeto de Deus serão flechados e voltarão, naturalmente, às suas origens
— Carla Zambelli em seu Twitter, 14 de março de 2020

Após a repercussão, a deputada apagou o tuíte e disse que foi mal interpretada. "Eu li que já estão fazendo conjecturas, ligando a morte dele (Bebianno) ao presidente Jair Bolsonaro. Eu só quis dizer que a morte foi natural", disse a parlamentar. Ela também confirmou que a publicação fazia mesmo referência à morte do ex-ministro.[23][24]

Acusações éticas[editar | editar código-fonte]

Carla Zambelli foi alvo de uma representação do PSL por quebra de decoro, o que poderia levar a sua cassação, por ter ofendido a deputada Joice Hasselmann ao publicar no Twitter a hashtag "#DeixedeSeguirAPepa", uma referência ao personagem de desenho animado Peppa Pig. A defesa da deputada argumentou que "...um meme não será jamais motivo de falta de decoro ou ética com o colega, visto que a própria vítima neste caso, em suas publicações, e mais graves e sem apoio, já alegou de seu lado, contra a representada, sem provas que Carla Zambelli teria ‘abortado’, que seria 'prostituta'...". Em fevereiro de 2020, o Conselho de Ética arquivou a representação por 13 votos a 0. O relator da representação, Márcio Marinho (Republicanos) afirmou que os deputados têm imunidade parlamentar, o garante que eles não possam serem processados por emitirem suas opiniões.[25][26][27]

Boatos sobre o Ceará[editar | editar código-fonte]

Em entrevista a José Luiz Datena, na Rádio Bandeirantes, a deputada federal sugeriu que o estado do Ceará estaria inflando o número de mortos por Covid-19.

No Ceará, tem caixão sendo enterrado vazio, tem uma foto de uma moça carregando caixão com os dedinhos.
— Carla Zambelli, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

O governo do estado do Ceará, administrado por Camilo Santana (PT), divulgou nota repudiando as declarações, chamando-as de um insulto aos profissionais de saúde cearenses e um desrespeito às famílias das vítimas, além de informar que entraria com uma ação por denunciação caluniosa por espalhar fake news.[28][29] O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) também anunciou que acionaria a Justiça contra a deputada Carla Zambelli por esse caso.[30]

Indicação de Sérgio Moro ao STF[editar | editar código-fonte]

Em mensagens reveladas no Jornal Nacional, fornecidas pelo ex-juiz Sérgio Moro, a deputada federal aparece tentando manter Moro como Ministro da Justiça e Segurança Pública em troca de buscar convencer o Presidente da República Jair Bolsonaro a indicá-lo a uma vaga para o Supremo Tribunal Federal.[31] Diante do ocorrido, o PSOL protocolou um pedido de cassação da deputada federal, acusada pelo partido de abusar de suas prerrogativas, configurando quebra de decoro parlamentar, além de acusá-la de advocacia administrativa e prevaricação.[32] A executiva nacional do PT também entrou com uma notícia-crime no STF contra Carla Zambelli, por suspeita de tráfico de influência e de advocacia administrativa.[33]

Antecipação de operação da PF[editar | editar código-fonte]

No dia 25 de maio de 2020, em meio a polêmica sobre interferência da presidência na Polícia Federal e após a divulgação do vídeo da reunião ministerial em que Bolsonaro aparece se queixando de que a PF não o antecipava informações[34] e após o empresário Paulo Marinho revelar que a família Bolsonaro já recebera informações sigilosas de investigações da Polícia Federal no caso Queiroz,[35] a deputada, que é forte interlocutora do presidente Jair Bolsonaro, declarou que haveria uma operação da Polícia Federal contra governadores por investigações de corrupção e lavagem de dinheiro nas medidas de combate ao coronavírus.[36]

A gente já teve operações da Polícia Federal que estavam na agulha para sair, mas não saíam. E a gente deve ter nos próximos meses o que a gente vai chamar talvez de Covidão, ou de, não sei qual é o nome que eles vão dar, mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal
— Carla Zambelli em entrevista à Rádio Gaúcha, em 25 de maio de 2020

No dia seguinte, em 26 de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Placebo, no Rio de Janeiro, contra corrupção e lavagem de dinheiro em ações do governo estadual, em que foi realizadas ações de busca e apreensão contra o governador e rival político de Bolsonaro, Wilson Witzel e contra a primeira-dama do estado, Helena Witzel tanto nos endereços oficiais quanto no escritório de advocacia de Helena. Horas após a operação, Witzel declarou, em nota oficial, que era clara a intervenção da presidência no inquérito e sobre antecipação de informações por parte de deputados bolsonaristas.[37]

Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. A interferência anunciada pelo presidente da República está devidamente oficializada.
— Wilson Witzel, 26 de maio de 2020

Incitação de ataques a deputado[editar | editar código-fonte]

Após o deputado Rodrigo Correia (PT) divulgar o envio ao ministro Alexandre de Moraes um pedido de retenção do passaporte de Abraham Weintraub, que sendo investigado, dava indícios de que queira deixar o Brasil, Carla Zambelli respondeu a uma publicação de Correia nas redes sociais:

Hoje vc vai sentir o tsunami Bolsonarista em suas redes. Seu ato é uma afronta ao povo brasileiro que votou em Bolsonaro e Vc não respeita o PROCESSO DEMOCRÁTICO! DITADORZINHO!

Após isso, o deputado começou a receber diversas ameças, e respondeu a Zambeli:

Não é possível. A deputada faz uma ameaça dessas e depois chegam até ameaças de morte. Recebi ameaças de morte horas depois. Vou pedir uma investigação à polícia e ao STF, para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Percebi muitos robôs, muitas mensagens, com muitos xingamentos e ódios. Isso só comprova como os bolsonaristas agem de fato

Procurada para comentar, Zambeli tentou minimizar o caso, dizendo que também recebe "ameaças petistas".[38]

Referências

  1. https://especiais.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2018/candidatos/sp/deputado-federal/carla-zambelli-1710/
  2. Nas Ruas, Associação Brasil (2017). «Nas Ruas». Nas Ruas. Consultado em 25 de março de 2018 
  3. a b c «Carla Zambelli defende combate à corrupção e critica atuação da bancada feminina». Câmara dos Deputados. 15 de outubro de 2018. Consultado em 17 de outubro de 2018 
  4. «Carla Zambelli: "Eu nunca fui do Femen". Assista a entrevista completa do PSL Mulher». Consultado em 26 de abril de 2019 
  5. Segalla, Vinicius (28 de setembro de 2019). «Deputada Carla Zambelli processa Sara Winter, assistente de Damares, por ser acusada de aborto». Diário do Centro do Mundo. Consultado em 17 de fevereiro de 2020 
  6. «Ato do Femen na avenida Paulista é recebido com indiferença». Portal Terra. 5 de dezembro de 2019. Consultado em 17 de fevereiro de 2020 
  7. «STF quer que PF investigue manifestantes que levaram boneco de Lewandowski a manifestação». O Globo. 6 de julho de 2016 
  8. «Deputado do PT dá voz de prisão a militante do movimento "Nas Ruas"». Congresso em Foco 
  9. «Petista manda deter ativista na CPI da JBS - O Antagonista». O Antagonista. 30 de novembro de 2017 
  10. «Deputado deu voz de prisão, mas não formalizou queixa contra líder do Nas Ruas - A Protagonista». A Protagonista. 5 de dezembro de 2017 
  11. http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-03/manifestantes-vao-ruas-em-defesa-da-operacao-lava-jato-veja
  12. https://veja.abril.com.br/politica/grupos-pro-impeachment-vao-voltar-as-ruas-para-defender-lava-jato/
  13. https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,partidos-conservadores-avancam-na-camara,70002539799
  14. Viegas, Nonato (16 de novembro de 2017). «Líder de movimento que pediu impeachment de Dilma agora é monarquista». ÉPOCA. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  15. «Zambelli no PSL - O Antagonista». O Antagonista. 5 de março de 2018 
  16. «Conheça os deputados e senadores campeões de votos nas eleições de 2018». Correio Braziliense. 8 de outubro de 2018. Consultado em 17 de outubro de 2018 
  17. «Zambelli: 'Olavo nem sempre tem razão'». BR 18. Consultado em 26 de abril de 2019 
  18. «Carla Zambelli, do PSL, rebate críticas de parlamentares eleitos à China - Política». Estadão. Consultado em 26 de abril de 2019 
  19. «As polêmicas de Carla Zambelli: "Jean Wyllys é covarde ou mentiroso"». universa.uol.com.br. Consultado em 26 de abril de 2019 
  20. «Carla Zambelli do Brasil Nas Ruas faz 'vaquinha online' para indenizar Jean Wyllys em R$ 40 mil». Fausto Macedo. Consultado em 26 de abril de 2019 
  21. «Filho de deputada do PSL obtém vaga em Colégio Militar sem fazer concurso» 
  22. «Filho de Carla Zambelli é matriculado em Colégio Militar sem prestar concurso». 4 de setembro de 2019 
  23. «'Voltar às origens': Carla Zambelli apaga tuíte sobre morte de Bebianno após repercussão - Política» 
  24. «Carla Zambelli tuíta sobre morte de Bebianno, mas apaga mensagem na sequência». 14 de março de 2020 
  25. «Conselho de Ética arquiva representação contra Carla Zambelli». 12 de fevereiro de 2020 
  26. «Joice para Zambelli: "Quem me perguntou se você era prostituta foi o presidente"». 5 de dezembro de 2019 
  27. «Bolsonaro perguntou se deputada foi prostituta, diz Joice em CPMI das Fake News - Política» 
  28. «Governo do Ceará tomará 'medidas judiciais' contra fake news de Zambelli» 
  29. «Governo do Ceará tomará 'medidas judiciais' contra fake news de Zambelli» 
  30. «Governo do Ceará vai processar Zambelli por mentiras sobre caixões vazios - @aredacao» 
  31. «Deputada Carla Zambelli tentou negociar ida de Moro ao STF» 
  32. «Psol pede cassação de Carla Zambelli no Conselho de Ética da Câmara» 
  33. Ohana, Victor (28 de abril de 2020). «PT move ações na Justiça contra Bolsonaro, Moro e Carla Zambelli» 
  34. «Em reunião, Bolsonaro diz: 'Não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações'; assista». G1. Consultado em 26 de maio de 2020 
  35. «Paulo Marinho chega para prestar novo depoimento na PF do Rio nesta terça-feira». G1. Consultado em 26 de maio de 2020 
  36. «Deputada Carla Zambelli, aliada de Bolsonaro, antecipou que haveria operações da PF contra governos estaduais». G1. Consultado em 26 de maio de 2020 
  37. «PF faz buscas contra governador do RJ, Wilson Witzel, em investigação sobre hospitais de campanha». G1. Consultado em 26 de maio de 2020 
  38. Guilherme Amado (20 de junho de 2020). «APÓS ZAMBELLI INCITAR ATAQUES, DEPUTADO RECEBE AMEAÇA DE MORTE E RECORRE AO STF; VEJA PRINT». Época. Globo. Consultado em 20 de junho de 2020. Cópia arquivada em 20 de junho de 2020