Regina Sousa

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Regina Sousa
Vice-governadora do Piauí
Período 1º de janeiro de 2019
até a atualidade
Governador Wellington Dias
Antecessor(a) Margarete Coelho
Senadora pelo Piauí
Período 1º de janeiro de 2015
até 12 de dezembro de 2018
Antecessor(a) Wellington Dias
Sucessor(a) Zé Santana
Secretária de Administração do Piauí
Período 1º de janeiro de 2003
até 1º de abril de 2010
Governador Wellington Dias
Antecessor(a)
Sucessor(a) Evaldo Ciríaco
Dados pessoais
Nome completo Maria Regina Sousa
Nascimento 4 de julho de 1950 (71 anos)
União, Piauí
Nacionalidade brasileira
Alma mater Universidade Federal do Piauí
Partido PT (1980-presente)
Profissão bancária, sindicalista, política
Assinatura Assinatura de Regina Sousa
[1][2]

Maria Regina Sousa (União, 4 de julho de 1950) é uma professora, bancária, sindicalista e política brasileira. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), é a atual vice-governadora do estado do Piauí, no cargo desde janeiro de 2019. Anteriormente, foi senadora da República de 2015 a 2019 e secretária de Administração entre 2003 e 2010 do Estado do Piauí.

Graduada em Letras pela Universidade Federal do Piauí, Sousa trabalhou como professora e na década de 1980 foi aprovada em concurso público do Banco do Brasil. Sindicalista, presidiu o Sindicato dos Bancários do Piauí e foi uma das fundadoras da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Piauí, bem como presidiu o PT piauiense.

Aliada do governador Wellington Dias, Sousa juntou-se à sua administração em 2003. Nas eleições de 2002 e 2006, coordenou as candidaturas de Dias, integrando sua chapa ao Senado Federal em 2010, como primeira suplente. Tornou-se senadora quando Dias renunciou ao cargo para assumir pela quarta vez o governo estadual. No pleito de 2018, elegeu-se vice-governadora.

Família, educação e início de carreira[editar | editar código-fonte]

Natural de União,[3] Sousa é filha de Raimundo Sousa Miranda e Maria da Conceição Silva Miranda,[4] camponeses sem terras.[5] É a quinta de catorze filhos. Durante a infância, ajudou os pais na roça e, posteriormente, declarou: "aos dez anos já sabia plantar e colher feijão, milho e fava. Não guardo nenhuma marca ou trauma por causa disso."[5] Também foi quebradeira de coco babaçu.[6][7] Aos sete anos de idade, foi matriculada em uma escola rural, onde estudou em uma turma multisseriada.[5][nota 1]

Aos treze anos de idade, Sousa passou a morar em Parnaíba, no litoral, de modo a prosseguir com sua formação básica. Lá, viveu na casa de parentes. No quinto ano, foi escolhida oradora da turma. Mais tarde, concluiu o ginásio e o curso pedagógico. Tornou-se professora primária e, desejando alcançar o ensino superior, mudou-se para a capital Teresina, sendo aprovada para o curso de Letras na Universidade Federal do Piauí.[9] Durante seus estudos universitários, participou do movimento estudantil em plena ditadura militar.[10][11]

Enquanto cursava Letras, Sousa tornou-se professora, em 1971.[12] Naquele momento, sua família havia melhorado suas condições financeiras e estava estabelecida em Teresina.[9] Após graduar-se em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Francesa,[13] foi aprovada, em 1983, no concurso público do Banco do Brasil.[9][14][13]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Movimento sindical e governo Dias[editar | editar código-fonte]

Sousa engajou-se mais seriamente no movimento sindical quando concluiu o ensino superior. Inicialmente fez parte de sindicatos da classe dos professores, e em seguida de bancários.[9] Por meio de suas atividades sindicais, conheceu Wellington Dias, funcionário da Caixa Econômica Federal. Em 1989, foi sua vice na eleição para o Sindicato dos Bancários do Piauí, para o qual foram eleitos.[9][5] Assumiu a presidência do órgão com a saída de Dias, a quem, ao longo dos anos, converteu-se em uma aliada de confiança.[15][9]

Sousa foi uma das fundadoras da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Piauí, sendo sua presidente estadual e integrante da direção nacional.[9][13] Eleita por seis mandatos como presidente do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores, desempenhou as funções de coordenação das campanhas de Dias a governador nas eleições de 2002 e 2006.[13] Em 2003, com a vitória de Dias, foi por ele designada como secretária de Administração do Piauí.[16]

Em abril de 2010, Sousa deixou a secretaria de Administração de modo a concorrer nas eleições de outubro.[2] Chegou a ser indicada como potencial candidata ao Senado,[17] mas acabou por candidatar-se à primeira suplência de Dias.[18] A chapa, que foi apoiada por uma coligação composta por oito partidos políticos,[19] foi a mais votada com 997 mil votos, ou 32,52% dos votos válidos.[20]

Senadora da República[editar | editar código-fonte]

Sousa discursando na tribuna do Senado, em 2015

Em 2015, com a ascensão de Dias como governador, Sousa foi empossada senadora da República.[21] Foi a primeira mulher a representar o Piauí na câmara alta do parlamento brasileiro.[22] Em retrospecto, recordou: "Enfrentei um preconceito muito grande no Senado, pelo meu jeito, meu cabelo, um preconceito que nesse país só tem avançado."[23][24] Em 2016, foi chamada de "tia do café" pelo apresentador Danilo Gentili,[25] um ato criticado[26][27] e visto como preconceituoso pela mídia.[10][28] Sousa informou que processaria Gentili por crime de ofensa racista.[29]

No Senado, Sousa votou contrariamente ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.[30][31] Considerando o processo golpista,[32] referiu que este possuía um componente machista,[33] não vendo a presidente como "ré, mas como vítima."[34] Manteve-se crítica em relação ao governo sucessor, liderado pelo presidente Michel Temer.[35][36][37]

Em 2015, Sousa votou contra a manutenção da prisão de seu colega Delcídio do Amaral.[38] Em 2017, votou contra a reforma trabalhista[39] e a favor da manutenção da decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou o senador Aécio Neves de seu mandato.[40] No mesmo ano, foi designada por seus pares como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).[41]

Senadora Regina Sousa em reunião da CDH no Senado Federal

Em 2018 como presidente da CDH foi relatora da PLS 263/2018, ideia legislativa de origem popular, que visa combater a poluição por plásticos de uso único no Brasil, emitindo parecer favorável e redação de texto base para o projeto de lei ainda em tramitação na casa, que deu origem a diversos projetos de lei similares, aprovados e em tramitação em diversos estados e municípios brasileiros.[42] [43][44][45]

Vice-governadora[editar | editar código-fonte]

No início de 2018, o PT piauiense declarou apoio à reeleição de Sousa ao Senado.[46] Sousa afirmou que não desistiria de disputar a reeleição,[47] mas o governador Dias havia firmado um acordo político que previa uma coligação sem candidaturas do PT ao Senado, dando espaço a Ciro Nogueira e a outro nome a ser determinado por outras agremiações.[48][49] Neste contexto, o governador, com o apoio da base, escolheu-a como sua candidata à vice-governadora.[50][51] Em outubro, Dias e Sousa foram eleitos, ainda no primeiro turno, com 55,65% dos votos válidos.[52] Em meados de dezembro, renunciou ao seu mandato como senadora,[53] sendo substituída pelo deputado Zé Santana.[54]

Em 2019, Sousa foi empossada vice-governadora do Piauí.[55] No mesmo mês, assumiu o executivo estadual durante quinze em virtude da viagem do titular ao exterior.[56][57] Em 2020, tornou-se integrante da Comitiva Nacional do Partido dos Trabalhadores.[58]

Notas

  1. No Brasil, turmas multisseriadas são constituídas por alunos de variadas faixa etárias e níveis de escolarização diferentes.[8]

Referências

  1. «Regina Sousa - PI». Senado Federal do Brasil. 2020. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  2. a b «Evaldo Ciríaco substitui Regina Sousa na secretaria de Administração». Cidade Verde. 1 de abril de 2010. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  3. «REGINA SOUSA». Tribunal Superior Eleitoral. 2018. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  4. «Regina Sousa completa 69 anos e é homenageada por W. Dias». Meio Norte. 5 de julho de 2019. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  5. a b c d Regina Sousa (11 de fevereiro de 2015). Senadora Regina Sousa (PT-PI) apresenta sua trajetória política. Brasília, Distrito Federal: Senado Federal do Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  6. Cyntia Campos (20 de outubro de 2016). «No Dia do Piauí, Regina Sousa destaca a força das quebradeiras de coco». Partido dos Trabalhadores no Senado Federal. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  7. «Quebradeiras de coco pedem lei que garanta acesso ao babaçu». Agência Senado. Senado Federal do Brasil. 1 de dezembro de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  8. Santos, Willian Lima (2015). «A prática docente em escolas multisseriadas» (PDF). Revista Científica da FASETE. São Leopoldo, Rio Grande do Sul: Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  9. a b c d e f g Zezé Weiss (4 de julho de 2020). «Regina Sousa: Uma Notável Transgressora». Xapuri socioambiental. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  10. a b Gomes, Rayane Cristina De Andrade (Maio de 2019). «De "tia-do-café" à Parlamentar: a sub-representação das mulheres negras e a reforma política». Revista Sociais & Humanas. 31. Universidade Estadual de Goiás. doi:10.5902/2317175827893. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  11. «Regina Sousa». Época. 30 de junho de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  12. Vitor Fernandes (6 de dezembro de 2018). «Regina Sousa antecipa renúncia ao Senado; Zé Santana a substitui». Viagora. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  13. a b c d «Vice-Governadora: Maria Regina Sousa». Governo do Estado do Piauí. 2020. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  14. «Governador condena comentário de Danilo Gentili sobre Regina». Cidade Verde. 15 de maio de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  15. «Regina Sousa, de quebradeira de coco a 1ª senadora do Piauí». Cidade Verde. 1 de janeiro de 2015. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  16. Geneide Santos (17 de janeiro de 2006). «Éfrem Cordão elogia secretária Regina Sousa». Governo do Estado do Piauí. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  17. Efrém Ribeiro (12 de maio de 2010). «Com pressão da direção nacional, PT decide ter 2 candidatos ao Senado». Meio Norte. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  18. «Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais: REGINA SOUSA». Tribunal Superior Eleitoral. 2010. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  19. «WELLINGTON DIAS (PT/131)». Uol. 2010. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  20. «Eleições 2010: apuração 1° turno: Piauí». G1. 2010. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  21. Guilherme Oliveira (1 de janeiro de 2015). «Renan dá posse a quatro novos senadores». Agência Senado. Senado Federal. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  22. Geneide Santos (7 de março de 2020). «Vice-governadora destaca luta das mulheres no 08 de março». Governo do Estado do Piauí. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  23. Andressa Martins (8 de março de 2020). «Mulheres no poder: Regina Sousa revela preconceito no Senado». GP1. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  24. Pedro Alcântara (23 de novembro de 2015). «Senadora do Piauí, Regina Sousa, é vítima de racismo». 180 Graus. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  25. «Danilo Gentili chama senadora Regina Sousa de 'tia do café' e causa polêmica na web». Extra. 11 de maio de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  26. «Danilo Gentili é criticado após chamar senadora Regina Sousa de 'tia do café'». Catraca Livre. 12 de maio de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  27. «Danilo Gentili chama senadora de 'tia do café' e causa polêmica nas redes sociais». Jornal Correio. 12 de maio de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  28. Ana Júlia Gennari (12 de maio de 2016). «Danilo Gentili destila preconceito ao chamar Regina Sousa, senadora negra do Piauí, de 'tia do café'». Huff Post Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  29. Maurício de Santi (19 de maio de 2016). «Regina Sousa anuncia que irá processar Danilo Gentili por crime de ofensa racista». Senado Federal do Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  30. «Saiba como votou cada senador do Piauí na sessão que afastou Dilma». G1. 12 de maio de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  31. «Como foi a votação do impeachment de Dilma no Senado». El País. 31 de agosto de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  32. Fábio Lima (13 de novembro de 2017). «"Perdoar, eu não perdoo", diz Regina Sousa sobre quem apoiou impeachment de Dilma». Cidade Verde. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  33. «Regina Sousa aponta machismo em processo de impeachment de Dilma». Agência Senado. Senado Federal do Brasil. 27 de abril de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  34. «Regina Sousa diz que não vê Dilma como ré, mas como vítima». Agência Senado. Senado Federal do Brasil. 29 de agosto de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  35. Rayane Trajano (29 de novembro de 2016). «Regina Sousa critica gastos de Temer durante discussão da PEC 55». GP1. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  36. «Regina Sousa critica "balcão de negócio" no governo Temer». Brasil 247. 10 de outubro de 2016. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  37. Cyntia Campos (18 de maio de 2016). «Regina critica desmonte de ministérios: onde minorias vão se reconhecer?». Partido dos Trabalhadores no Senado Federal. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  38. Marcela Mattos (25 de novembro de 2015). «Confira quais senadores votaram para livrar Delcídio da cadeia». Veja. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  39. «Reforma trabalhista: saiba como votaram os senadores no plenário». Carta Capital. 11 de julho de 2017. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  40. «Veja como votou cada senador na sessão que derrubou afastamento de Aécio». G1. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  41. «Regina Sousa é a nova presidente da Comissão de Direitos Humanos». Agência Senado. Senado Federal. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  42. «PLS 263/2018 - Senado Federal». www25.senado.leg.br. Consultado em 5 de maio de 2021 
  43. «Uso de sacolas e canudos plásticos pode ser proibido». www12.senado.leg.br. Consultado em 5 de maio de 2021 
  44. «Projetos do Senado miram o mal causado pelos plásticos ao meio ambiente». Jusbrasil. Consultado em 5 de maio de 2021 
  45. Dutra, Mari (6 de março de 2018). «Senado tem votação sobre proibição de canudos, sacolas e microplástico; participe». Hypeness (em inglês). Consultado em 5 de maio de 2021 
  46. «PT reafirma total apoio à reeleição de Regina Sousa ao Senado». Parlamento Piauí. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  47. «Regina Sousa afirma que não vai abrir mão de disputar a reeleição». Portal Sertão. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  48. João Pedro Pitombo. «Mulheres no Senado enfrentam dificuldade para disputar reeleição». Estratégia ODS. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  49. Germana Chaves. «Aliados não aceitam 2 vagas para o PT na chapa de Wellington Dias». GP1. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  50. Flash Yala Sena. «Governador reúne base e anuncia que Regina Sousa será vice na chapa». Cidade Verde. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  51. Ananias Ribeiro, Sávia Barreto e Arimatea Carvalho. «Wellington Dias comunica a Regina Sousa: "você é a nossa vice"». Meio Norte. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  52. «Apuração de votos e resultado das eleições de 2018: Piauí». Uol. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  53. «Eleita vice-governadora do Piauí, Regina Sousa antecipa renúncia no Senado». Agência Senado. Senado Federal do Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  54. «Zé Santana toma posse no Senado Federal». Agência Senado. Senado Federal do Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  55. Maria Romero e Lucas Barbosa. «Wellington Dias toma posse do 4º mandato de governo e fala em 'medidas desagradáveis' para garantir equilíbrio financeiro». G1. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  56. «Regina Sousa assume governo do Piauí e vai priorizar reforma administrativa». G1. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  57. «Governadora Regina Sousa tem reforma administrativa como prioridade». Parlamento Piaui. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  58. «Ao lado de Lula, Regina Sousa assume vaga em executiva». Portal O Dia. Consultado em 4 de setembro de 2020 

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