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Kawaii

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Não confundir com Kawai (empresa japonesa), nem com Kwai (aplicativo chinês).

Kawaii (em japonês: 可愛い ou かわいい, lit. "fofo", "bonito", "meigo", "educado"; AFI: [kawaiꜜi]) é um fenômeno cultural japonês que enfatiza a fofura, a inocência infantil, o charme e a simplicidade.

A cultura kawaii começou a florescer na década de 1970, impulsionada pela cultura jovem e pelo surgimento de personagens fofas em mangás e animes (quadrinhos e animação) e em mercadorias, exemplificada pela criação da Hello Kitty pela Sanrio em 1974[1]. A estética kawaii é caracterizada por cores suaves ou em tons pastéis (geralmente rosa, azul e branco), formas arredondadas e traços que evocam vulnerabilidade, como olhos grandes e bocas pequenas, e tornou-se um aspecto proeminente da cultura pop japonesa, influenciando o entretenimento (incluindo brinquedos e ídolos), a moda (como a moda Lolita), a publicidade e o design de produtos[2].

História

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Os primeiros vestígios dessa cultura, surgiram no período Edo (1603-1868), onde xilogravuras conhecidas como dijinga representavam garotas bonitas.

Na década de 1970, tornou-se muito popular entre os adolescentes japoneses uma forma de escrita infantilizada. Yamane Kazuma criou este termo durante seu estudo sobre a escrita entre 1984 e 1986.

Anteriormente, a escrita japonesa era vertical e caracterizava-se por linhas cujas espessuras variavam gradualmente ao longo do comprimento. O novo estilo era escrito horizontalmente, preferencialmente com lapiseira para produzir linhas finas e regulares. Esta escrita usava caracteres extremamente estilizados, redondos, com caracteres latinos, katakana e desenhos pequenos como estrelas ou faces (emoticons, por exemplo) inseridos aleatoriamente no texto. Os textos eram difíceis de se ler, mas os caracteres eram facilmente reconhecíveis.[3]

Yumeji Takehisa e Katsuji Matsumoto são alguns dos grandes pais das ilustrações de garotas fofas kawaii. Eles desenhavam garotas fofas com olhos grandes, que muita das vezes eram consideradas vulgar. Até porque a palavra já foi usada para referir-se a pessoas de baixa classe social.

Um exemplo de mascote comercial japonês
Wikipe-tan, personificação da Wikipédia em estilo kawaii.

Elementos do kawaii podem ser vistos praticamente em muitas situações no Japão, desde em grandes empresas a mercados de bairro, do governo nacional a escritórios locais.[4] Muitas empresas, pequenas e grandes, usam mascotes "fofos" para expor seus produtos e serviços para o público. Exemplo:

  • Personagens de Pokémon enfeitavam a lateral dos jatos da All Nippon Airways;
  • Banco Asahi usou Miffy, um personagem de uma série holandesa de livros ilustrados infantis, em alguns dos seus caixas eletrônicos;
  • Monkichi, um macaquinho, pode ser visto na embalagem de uma linha de camisinhas;[5]
  • todas as 47 prefeituras do Japão têm um mascote kawaii;
  • a mascote do correio japonês, Yū-Pack é uma caixa de correio estilizada;[6]
  • o correio japonês também usa outros mascotes, por exemplo, nos selos;

Propagandas kawaii também são populares no Japão. Os dois maiores fabricantes de produtos kawaii são a Sanrio (criadores da "Hello Kitty") e San-X. Seus produtos-personagens são sucesso entre crianças e adultos japoneses.[7][8]

Kawaii também serve para descrever um tipo especifico de moda[9][10] que geralmente inclui roupas que parecem ter sido feitas para crianças jovens, fora de tamanho ou roupas que acentuam o lado meigo daquele que a veste. Pantufas e cores pastel são muito utilizados (mas não obrigatórios), e os acessórios geralmente incluem brinquedos e bolsas com personagens de desenho.[4]

Influências em outras culturas

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O mercado do kawaii é popular em outras partes do leste da Ásia, incluindo China, Taiwan, e Coreia do Sul.[4][11]

Na cultura ocidental, a palavra kawaii se juntou a um número de palavras japonesas emprestadas de fãs ocidentais da cultura popular japonesa. Enquanto seu uso é quase inteiramente limitado à subcultura otaku, ela já foi usada por personalidades notáveis, como a cantora americana Gwen Stefani, que mencionou kawaii em seu videoclipe Hollaback Girl.[12].

Ver também

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Referências

  1. Bloomberg. «In Japan, Cute Conquers All» (em inglês). 2002-06-25. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  2. Jeremy Read. «Kawaii: Culture of Cuteness». Japan Reference (em inglês). 3 de maio de 2005. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  3. Kinsella, Sharon. «Cuties in Japan». kinsellaresearch.com. Consultado em 22 de dezembro de 2017. Arquivado do original em 5 de abril de 2001 
  4. a b c Roach, Mary (12 de janeiro de 1999). «Cute Inc.». WIRED (em inglês). Consultado em 22 de dezembro de 2017 
  5. «Monkey Monkichi 6 pieces (Obsolete) (Condom)». www.sampsonstore.com (em inglês). Sampson Store Hong Kong. Consultado em 22 de dezembro de 2017 
  6. «Site oficial do Correio do Japão». Correio japonês. Consultado em 22 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 22 de junho de 2003 
  7. Yamada, Rini. «Kawaii or cute Japanese products». MyNippon. Cópia arquivada em 29 de junho de 2012 
  8. Gomez, Edward (14 de julho de 2004). «ASIAN POP How Hello Kitty Came to Rule the World». SFGate. Consultado em 22 de dezembro de 2017 
  9. Mead, Rebecca (11 de março de 2002). «Shopping Rebellion». The New Yorker. Consultado em 22 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 20 de março de 2002 
  10. Drake, Kate (25 de junho de 2001). «Kwest For Kawaii». Time (em inglês). ISSN 0040-781X. Consultado em 22 de dezembro de 2017 
  11. «For Japanese women, cute is cool». MyNippon. Consultado em 22 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2012 
  12. Ahn, Mihi (9 de abril de 2005). «Gwen Stefani neuters Japanese street fashion to create spring's must-have accessory: Giggling geisha!». Salon.com. Consultado em 22 de dezembro de 2017 

Ligações externas

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