Fansub

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Fansub é uma palavra de origem inglesa, formada da contração de fan (fã) com subtitled (legendado), ou seja, legendado por fãs. Indica um grupo de fãs que colocam legendas em filmes ou série de TV de outra língua, sem autorizações dos criadores das obras, por conseguinte podendo ser de maneira ilegal. Eles agem [1] geralmente quando as obras não foram lançadas oficialmente no país. Mas há casos em que o fansub é uma concorrência direta e ilegal com as ofertas comerciais normais quando a obra é distribuída oficialmente em outros países que o país de origem.[1] Hoje a palavra é de uso amplo também em português, especialmente entre fãs de anime.

Embora genericamente um fansub possa ser qualquer trabalho em outra língua legendado por fãs para sua própria língua, a palavra basicamente foi criada para indicar trabalhos de legenda de desenhos animados japoneses para o inglês.

Porque a distribuição do fansub é uma violação das leis de direitos autorais na maioria dos países, as implicações éticas da produção, da distribuição, ou de assistir fansubs são assuntos de muita controvérsia.[2]

Surgimento dos fansubs[editar | editar código-fonte]

Os primeiros Fansubbers começaram com os cineclubes traduzindo filmes estrangeiros que não eram lançados no circuito comercial.

Nos anos 1960, houve um grande movimento de cineclubes exibindo filmes de arte, o que com o tempo migrou para festivais.

Os fansubbers começaram a ficar conhecidos nos anos 1980/90 quando grupos que traduziam desenhos animados japoneses "animes" começaram a distribuir fitas de VHS pelo correio.

Fansubers de anime[editar | editar código-fonte]

Exemplo de fansubbing com a romanização e a tradução para o inglês da música de abertura num hipotético animê da Wikipe-tan, mascote da Wikipédia

Sentindo a carência de animes legendados em inglês, fãs norte-americanos, normalmente estudantes universitários, começaram a eles mesmos, sem autorização dos detentores dos direitos autorais, a realizar trabalhos amadores de legenda de desenhos japoneses. A principio começaram como cineclubes exibindo seus trabalhos e distribuindo entre membros dos clubes. Atraves de revistas e trocas de cartas, pessoas de outros estados que não tinham acesso passaram a pedir copias dos videos pelo correio. Esses trabalhos ficaram conhecidos como fansubs e aqueles que os realizam como fansubbers.

É difícil apontar exatamente qual foi o primeiro fansubber de anime, mas o primeiro deles a se tornar famoso foi a Arctic Animation, baseada no Canadá, que legendou em inglês dois animes muito populares na década de 1980 (e até hoje considerados dois dos melhores animes de todos os tempos): Maison Ikkoku e Kimagure Orange Road. O vídeo que a Arctic Animation tinha disponível era de baixa qualidade, as reproduções que eles faziam piores ainda e a tradução estava longe de ser perfeita, mas, ausentes alternativas e tendo em vista a qualidade das séries originais, se disseminaram nos círculos universitários de forma respeitável.

Fansubs no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em língua portuguesa, os primeiros fansubs começaram no final dos anos 1980 entre os fãs de Star trek para disponibilizar os episódios que não eram exibidos no Brasil. Grupos de fãs de Star Trek se reuniam para exibir os episódios.

No início dos anos 1990 em São Paulo, a Orcade exibia animes todos os finais de semana na Gibiteca Henfil, alguns fãs de Star Trek que também faziam exibições começaram a se interessar por animes e traduzi-los para exibir na orcade. Esses primeiros Fansubbers não eram distribuídos pelo correio apenas trocados entre amigos. Sua existência foi amplamente divulgada pelas revistas sobre anime que eram feitas pelos próprios membros da Orcade.

Os primeiros Fansubber a distribuir material pela Internet foram feitos em 1996, no Brasil, quando Antonius Kasbergen, em Brasília, fundou o BaC - Brasil Anime Club. Inicialmente o BaC apenas distribuia cópias de fansubs norte-americanos, mas posteriormente começou a realizar seus próprios fansubs, em língua portuguesa. A primeira série legendada pelo BaC foi Ah! My Goddess (série de OVA em 5 episódios).

Fansubs na Internet[editar | editar código-fonte]

Graças à tecnologia de vídeo digital e à fácil transmissão de dados via Internet, os Fansubbers vem crescendo a cada dia mudando a forma como vemos o mundo.

Hoje, os fansubs são digitais utilizando codecs como o Xvid, e mais recentemente H.264, sendo mais fáceis e baratos de realizar, ajudando a disseminar o processo.

Evolução dos fansubs[editar | editar código-fonte]

Originalmente os fansubs eram feitos de forma essencialmente analógica, embora com o auxílio de computadores. A fonte de vídeo era normalmente laserdiscs japoneses, embora alguns fansubbers também usassem gravações em VHS feitas da TV japonesa. Os episódios eram, então, legendados com um computador em um aparelho especial denominado genlock, que lançava as legendas no vídeo, e gravados em VHS ou SVHS. A distribuição do trabalho era feita em fitas VHS ou, mais raramente, SVHS, e a idéia era de que o fansubber recebesse apenas o valor necessário para pagar a fita usada e despesas de remessa das fitas pelo correio.

Hoje em dia, porém, os fansubs são feitos normalmente de forma completamente digital, usando DVDs japoneses ou episódios gravados da TV japonesa, que são legendados e distribuídos pela internet sob a forma de arquivos de computador. Os fansubs modernos normalmente envolvem o trabalho de várias pessoas, muitas vezes espalhadas por diversos países do mundo.

Distribuição e Reprodução[editar | editar código-fonte]

A distribução ocorre via Internet, geralmente em redes de IRC, BitTorrent e outros programas de trocas de arquivo P2P e também por trocas em DVD/CD-R onde as pessoas trocam seus animes entre si, quando a pessoa não tem animes ou a outra pessoa já tiver os mesmos animes que a outra tem a troca é feita por mídias virgens.

A reprodução dos animes é feita pelo PC ou DVD de Mesa. Hoje em dia com os fansubbers digitais e a distribuição pela Internet, os animes são codificados visando a melhor qualidade e o menor tamanho.

No Brasil, a forma de distribuição predominante é feita por protocolo Torrent, onde há um controle de disseminação conhecido por ratio.

Funções em um fansubber[editar | editar código-fonte]

Funções desempenhadas pelos membros de um fansubber, e o que cada um faz:

Administrador[editar | editar código-fonte]

Geralmente essa não é uma função muito bem definida. O administrador ou "dono" do fansubber é um membro comum, que trabalha igual aos outros. Caso ele só mande e não faça nada, os outros vão ficar irritados. A maior dificuldade em "administrar" é que lidar com pessoas não é uma tarefa fácil, e o administrador precisa ter uma postura razoável, não expressar revolta ou desmotivação para não contagiar a equipe, e saber se dirigir aos outros.

Raw-hunter e ISO-hunter[editar | editar código-fonte]

É a pessoa que procura os animes sem legenda, para todos do fansubber utilizarem. Não é uma tarefa fácil, e geralmente exige que a pessoa entenda japonês, embora existam sites que disponibilizem os espisódios sem legenda. Esse trabalho também pode ser feito por um DVD-ripper que more no Japão. Sem o trabalho dele, o fansubber fica impossibilitado de começar qualquer coisa.

Tradutor[editar | editar código-fonte]

É o responsável pela tradução do anime. Deve conhecer amplamente expressões idiomáticas, às vezes precisa fazer pesquisas em enciclopédias, e precisa de muito comprometimento. Se o trabalho dele for falho ou feito às pressas, a consistência da tradução fica comprometida.

Timer[editar | editar código-fonte]

É a pessoa que temporiza as falas da legenda, sincronizando as palavras escritas com o diálogo em forma de áudio. É um trabalho demorado, estressante e minucioso, que exige atenção e muita paciência. Poucas pessoas têm competência e disposição para o fazer, exatamente por isso. Se for algo mal-feito, além de parecer aos olhos de quem assiste um trabalho desleixado, também incentiva o espectador a não mais assistir a títulos de tal subber, já que o entendimento e a fluência das cenas ficam seriamente comprometidos.

Styler[editar | editar código-fonte]

É quem escolhe as fontes, estilos e cores das legendas. Também fica responsável por editar as cores das falas durante o anime, para diferenciar diálogos, pensamentos, diálogos ao fundo, flashbacks.

Typesetter[editar | editar código-fonte]

Edita trechos do anime para português (faixas, portas, placas, cartazes), cria logotipos, etc. Esse membro do grupo conhece ferramentas de edição de vídeo e precisa ter muita paciência, bom senso e experiência para fazer um trabalho decente. Um único segundo de anime pode ter 24 ou 30 frames (pode ir até 119,8 frames por segundo), e o typesetter pode precisar editar cada frame. Para exemplificar, um typesetting de uma plaqueta que aparece durante 3 segundos no anime pode demorar horas de trabalho do typesetter.

Karaokemaker[editar | editar código-fonte]

Faz o karaoke da abertura, encerramento e músicas-tema do anime. Pode ter tanto ou mais trabalho que o typesetter, a depender do projeto. Podemos dizer que o karaoke é uma espécie de linguagem de programação específica. É feito através de comandos de tempo e efeito. Conhecer programação é um adicional que ajuda bastante um karaokemaker. Alguns deles criam seus próprios programas e ferramentas para criar karaokes. Outra forma de fazer o karaoke é através de programas avançados e profissionais de edição de vídeo, que têm cursos caros no mercado e pouca gente domina.

Editor[editar | editar código-fonte]

Analisa criticamente todas as falas do script traduzido e temporizado, procurando ambiguidades, modificando o que poderia ter sido digitado de forma mais compreensível para quem vai assistir ao anime, e consulta várias vezes o tradutor a respeito de possíveis melhorias.

Revisor[editar | editar código-fonte]

Lê o script palavra por palavra, corrigindo possíveis erros de digitação, gramática, acentuação, pontuação, regência, concordância… Não é preciso dizer que ele deve ser um ótimo conhecedor da língua portuguesa.

Encoder[editar | editar código-fonte]

Codifica (junta) a raw (anime sem legenda) com os scripts. Precisa saber usar filtros, porque cada anime tem suas particularidades. Também precisa estar sempre estudando e se mantendo atualizado sobre codecs e técnicas novas, para melhorar a qualidade de imagem do anime pronto. Se um anime for mal codificado, a qualidade de todo o trabalho dos outros fica mal vista e, com a imagem ruim, o anime parece menos interesssante.

Quality checker[editar | editar código-fonte]

Assiste ao anime pronto, atentando para erros e incoerências (em todas as etapas da produção do subber, tais como temporização, encode, edição, e todas as outras mais…), e emite um tipo de "relatório". Se encontrar erros, ele fica responsável por relatar o problema a quem o criou, e ajuda o mesmo a corrigir, segundo, é claro, o bom-senso.

Webmaster[editar | editar código-fonte]

Cuida do site, servidores, fórum e tracker. Precisa conhecer programação de web. Ele fica responsável pela "interface" do fansubber com os usuários. Um detalhe a acrescentar é que o servidor do site não é de graça. O fansubber paga por ele.

Bot/Host providers[editar | editar código-fonte]

Fica responsável por conseguir os bots necessários pra o fansubber funcionar. Hoje eles são mais baratos, a partir de R$18,00!

Distribuidores[editar | editar código-fonte]

O Distribuidor é uma pessoa que baixa os episódios já lançados em um tracker(no caso o seu) e envia o máximo possível para as outras pessoas. Sendo assim, é necessário somente uma coisa para se tornar distribuidor: ter uma conexão BEM rapida mais ou menos 4 megabits que seriam 400KiB/s de download e mais ou menos 100KiB/s de upload, dependendo do provedor.

Audio traduzido por dublagem de fãs, adaptados em seguir as legendas nos fansubs[editar | editar código-fonte]

Fandub, são pessoas que interpretam as vozes dos personagens de seu país local em programações estrangeiras em geral, principalmente mais nos animes. Geralmente a maioria de quem fandublar em casa, não tem escolaridade de teatro.

Referências

[1]
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