Amiga

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Commodore Amiga ou simplesmente AMIGA é uma família de computadores de 16/32 bits fabricados pela empresa canadense Commodore nos anos 80 e 90.

Ficaram famosos pelos recursos multimídia e multitarefa apresentados em sua época[1]. Possuiam uma arquitetura de múltiplos processadores que permitia executar tarefas avançadas nas áreas gráficas e jogos. [2][3]

Um marketing ruim e decisões erradas de mercado fizeram com que o Amiga definhasse diante de seus concorrentes no começo dos anos 1990, o que levaria a falência da Commodore.[4][5]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Na década de 1970, no mercado de computadores, acirrou-se a competição entre a "Big Blue" (a IBM) e os "Sete Anões" (Sperry Rand, Control Data, Honeywell, RCA, NCR, GE e Burroughs), o que acarretou em uma redução dos custos de produção dos equipamentos. Graças a essa conjuntura, em 1975 foi possível o lançamento do primeiro computador pessoal: o Altair 8800.

No ano seguinte (1976), o Apple Inc. foi lançado, popularizando o computador pessoal e tornando os seus criadores milionários. Iniciava-se a prosperidade de Silicon Valley.

O projeto do AMIGA[editar | editar código-fonte]

A história do AMIGA remonta a 1982, quando três jovens doutorados da Flórida decidiram desenvolver a última palavra em console de jogos. O negócio do videogames domésticos baseados em ROM estava estourando à época, e ainda não existia nenhum vestígio da Sega ou da Nintendo trabalhando nessa área.[6]

A empresa foi fundada em Los Gatos (Califórnia), contando com os currículos de Jay Minner, o designer de chip responsável pelo revolucionário hardware audiovisual do Atari 800 e do console VCS. A aquisição seguinte foi Dave Morse da Tonka Toys, para o cargo de vice-presidente de vendas, e por fim, em julho de 1983, uniu-se a eles R. J. Mical, vindo da Defender, mas que anteriormente havia trabalhado nos jogos arcade Sinistar e Star Bike.[7]

Priorizar a compatibilidade com o usuário era o elemento-chave dos três profissionais e foi essa mesma procura de proximidade que levou a empresa a chama-lo "Amiga". O projeto era o de criar aquele que seria o videogame definitivo da década de 1980, e o console então em desenvolvimento foi chamado de "Lorraine".[8]

A ideia original consistia em unir um teclado e um disk-drive a sofisticados sistemas de tarefas múltiplas ("multitasking") e a um leque abrangente de periféricos. À medida que o projeto tomava forma, algumas ideias para novos jogos foram surgindo, perdendo-se tempo no desenvolvimento desses projetos paralelos e com isso, na Primavera de 1984 a Amiga Computer Inc. encontrava-se na falência.

Para salvá-la, existiam contatos de vários interessados em potencial, inclusive a Sony, a Philips e a própria Apple Inc.[9]. Ninguém se interessou, exceto Jack Tramiel. O fundador da Commodore havia recentemente deixado a empresa e comprado a enferma Atari, da Warner Bros. Ele necessitava de um microcomputador potente para superar a concorrência e insuflar nova vida à Atari. Depois de acaloradas conversações, um acordo foi fechado. Foi quando, à ultima hora, a própria Commodore surgiu e adquiriu a companhia: o nome "Lorraine" foi preterido em favor do nome "AMIGA"[10][11].

Tramiel, sem perda de tempo, lançou o computador Atari ST para fazer face a esta nova ameaça da Commodore. As duas máquinas viriam efetivamente a se tornar fortes competidoras. Recorde-se que, à época, a Commodore atingira a marca do primeiro milhão de computadores domésticos vendidos, com o Commodore VIC-20, número que se constituía num respeitável cartão de visitas.[12][13]

A esta ponto, o projeto "AMIGA" já estava definido: um microprocessador Motorola 68000 de 32 Bits, e 4 coprocessadores customizados gerenciavam uma resolução gráfica de até 640 X 400 pixels, 32 cores de uma paleta de até 4096 tonalidades, som estéreo de até 4 canais, drive interno de 3,5 polegadas, recurso de multitasking, etc. O sistema incorporou e desenvolveu ainda o recurso de interface iconográfica com o usuário, utilizado inicialmente pelo Macintosh e desenvolvido mais tarde nos IBM/PC com o nome de "Windows".[14][15]

O Amiga 1000[editar | editar código-fonte]

Computador pessoal Amiga 1000 de 1985.

Apesar de se constituir num computador perfeito para o hobbysta, a Commodore tentou vender inicialmente o "AMIGA" como uma máquina para negócios, talvez impressionada pelo sucesso do lançamento, em 1981, do microcomputador PC, pela IBM. [16]

Em 1985 foi lançado o "Amiga 1000", foi apresentado no Lincoln Centre em New York no dia 23 de Julho num evento luxuoso com Andy Warhol e Debbie Harry do Blondie, o modelo tinha 4096 cores, multitarefa preemtiva e outros recursos avançados para sua época[17], porém problemas de distribuição e o seu marketing um marketing confuso, fizeram com que o Amiga tivesse um início tépido. Além disso, faltava o principal: o software.[18]

Os prejuízos nas vendas levaram à conclusão de que o design econômico da máquina e o seu teclado de 89 teclas não haviam convencido o público-alvo, ao mesmo tempo que haviam espantado qualquer usuário potencial de um micro para lazer. [19][20]

A pressa no lançamento, além disso, havia deixado que passassem para o consumidor falhas, que noutra máquina, teriam sido eliminadas na prancheta de desenho.[21]

O Amiga 500 e o Amiga 2000[editar | editar código-fonte]

O Amiga 500 de 1987, o modelo mais vendido.

O verdadeiro sucesso do "AMIGA" não veio antes do redesenhado A500, lançado em 1987, com design corrigido, sistema operacional refeito, uma política de preços mais baixos e um marketing mais agressivo[22]. Tão importante quanto isso, a Commodore uniu-se a empresas de desenvolvimento de software como a Ocean para desenvolver jogos, e a Gold Disk para desenvolver aplicativos, tendo como resultado uma série de bem-sucedidos pacotes.[23]

O A500 era voltado para um segmento mais popular de consumo (jogos e aplicações leves), incorporando CPU e teclado num mesmo gabinete, emulando o IBM/PC via software, com 512 Kb de fábrica e capacidade de expansão.[24]

Imediatamente em seguida foi lançado o AMIGA 2000, uma versão profissional da linha, com um design mais sofisticado e capacidade de emular o IBM/PC-AT via hardware. Com 1 Mb de fábrica, podia ser expandido com o processador original (o Motorola 68000) até 9 Mb, e com um 68020/30 e um MMU, até aos Gigabytes.[25][26]

As melhorias do projeto incluíam ainda um teclado do tipo PC/AT com 104 teclas e uma revisão abrangente das falhas originais de projeto, bem como a incorporação de diversas melhorias à mecânica das máquinas, facilitando a sua manutenção.

Por ser um projeto de arquitetura "aberta", em pouco tempo uma série de outras empresas pode oferecer ao consumidor uma gama variada de periféricos e programas, que expandiram bastante os recursos originais. O usuário de AMIGA dispunha, à época, de uma biblioteca de programas nada desprezível, à qual se somam ainda, via emuladores/conversores, as de IBM/PC e Apple/Mac.

Da década de 1990[editar | editar código-fonte]

Amiga 4000 de 1992, último modelo lançado.

Na década de 1990 foram lançados o A3000[27], com desenho de uma "low workstation", linhas sóbrias e perfil compacto, a A1500[28], e o A500P[29]. No Brasil o A600 destinava-se a suprir a lacuna aberta com o fim da reserva de mercado[30][31]. Finalmente foi lançado o A1200 com 2M de RAM e processador de 32 bits e ainda sua versão em videogame: o AMIGA CD32, que foi um verdadeiro fracasso de vendas, durando apenas 8 meses no mercado[32][33].

Ainda em 1994, a Commodore lançou novo modelo dedicado ao uso profissional - o A4000 -, equipado com a linha de processadores Motorola 68030/68040[34] e pronto para receber o hardware Newtek Video Flyer, sistema pioneiro em edição não-linear de vídeo.[35] Não ia muito adiante, em abril de 1994, a Commodore anunciaria seu plano de bancarrota voluntária.[36][37]

Esse foi o último e o mais poderoso modelo produzido pela Commodore e que acabou consagrado nos principais estúdios de cinema e televisão.[38][39]

Década de 2000 aos dias atuais[editar | editar código-fonte]

Desde então, a família sofreu com a massificação do PC e do Microsoft Windows, tendo a plataforma rapidamente sido abandonada por estar obsoleta, principalmente em um universo onde o PC era dominante.

A marca Amiga e o seu sistema operacional desde então caiu em várias mãos, inicialmente, a Commodore UK tinha a intenção de comprar o restante da empresa[40] e colocar no mercado produtos com o novo chipset Hombre[41], todavia, foi a Escom da Alemanha quem incialmente compraria a Commodore, esta apresentaria um protótipo chamado de Amiga Walker[42], todavia, declarou bancarrota em junho de 1996[43], porém a época era considerada uma máquina pouco competitiva, especificações apenas com melhorias iterativas sob as linhas antigas e design estranho.[44]

A massa falida da Escom seria comprada pela Gateway, que até havia planos e protótipos para uma nova linha de Amigas baseados no sistema operacional QNX.[45][46][47][48]

Entretanto, ainda é bastante utilizada em mesas de edição em emissoras de TV e por alguns utilizadores fiéis em Portugal, no Brasil e em outros países, que continuam a utilizar esse hardware assim como a desenvolver e traduzir software para o mesmo.[49]

O Amiga ainda é produzido, mas agora com processadores CPUs RISC PowerPC G3, G4+, etc., instalados em placas-mãe AmigaOne, Pegasus e Sam440.[50][51][52][53]

Características[editar | editar código-fonte]

Uma das características do AMIGA é o "boot" do seu DOS. O AMIGA/DOS não é residente, e para isso o usuário dispõe de um programa - o Workbench - que é carregado na memória e de onde os demais são rodados. Para simplificar: a maioria dos programas (ou discos com programas), vêm com um "boot-block" standard desse Workbench, que ocupa os dois primeiros blocos de armazenamento de um disco formatado como Amiga/DOS.

A informação requerida para identificar um disco formatado como AMIGA/DOS, é um pequeno trecho de informações que deixa algumas centenas de bytes livres no "boot-block" (isso pode ser constatado com uma ferramenta para examinar os setores/trilhas de um disco, como o DiskX de Steve Tibbett).

Alguns programadores utilizam esse espaço para exibir mensagens contínuas, melodias ou imagens. Cópias de programas violados por "hackers" costumam exibir as suas "marcas" imediatamente após a mensagem que indica estar sendo carregado o sistema operacional. Foi nesse espaço que os primeiros espécimes de vírus do AMIGA se emboscaram.

Embora pouco divulgado, o Amiga foi o precursor de muitos dos recursos utilizados nos actuais sistemas operativos, sendo um dos primeiros sistemas operacional (o Workbench), a utilizar multi-tarefa em tempo real. O AmigaOS - Workbench, Sistema Operativo da plataforma Amiga foi atualizado até meados de 1999 pela Commodore e hoje encontra-se na versão 4.0.[54][55]

O Sistema Operativo AmigaOS - Workbench da versão 1.0 até à versão 3.9 utiliza os processadores CPUs da família Motorola 68000 até ao 68060. O novo Sistema Operativo AmigaOS 4.0 e versões posteriores só funcionaram nos Amiga com processadores CPUs PowerPC.

Outro grande avanço da linha de computadores Amiga foi sua arquitetura de chips gráficos trabalhando em paralelo com o processador principal que permitia um desempenho inigualável em aplicações multimídia e serviu de inspiração para as atuais placas aceleradoras de vídeo.[56]

A estabilidade do sistema foi decisiva para sua utilização dos Amiga nas operações telemetria de foguetes da Nasa, vários modelos de computadores foram testados mas o Amiga foi muito superior nos resultados.[57]

Lista de versões[editar | editar código-fonte]

Amiga CD32 de 1993, console de jogos eletrônicos com hardware baseado no Amiga 1200.

O Amiga conheceu várias versões desde o seu lançamento em 23 de Julho de 1985:

  • Amiga 1000 (1985 a 1987)
  • Amiga 500 (1987 a 1991)
  • Amiga 2000 (1987 a 1992)
  • Amiga 2500 (1989 a 1990) - foi um modelo variante do A2000
  • Amiga 3000 (junho de 1990 a 1992)
  • Amiga 3000UX (1990 a 1992) foi uma versão UNIX do A3000
  • Amiga 1500 (1990 a 1991) foi um modelo variante do A2000, comercializado apenas no Reino Unido
  • Amiga 3000T (1991 a 1992)
  • Amiga CDTV (março de 1991 a 1992)
  • Amiga 500+ (1991 a 1992) - foi um modelo de exportação para mercados fora dos EUA
  • Amiga 600 (março de 1992) - a versão brasileira foi montada pela PCI Componentes da Amazônia S.A.
  • Amiga 4000 (setembro de 1992 a 1994)
  • Amiga 1200 (outubro de 1992 a 1994) - montado pela empresa alemã ESCOM de 1995 a 1996; a versão brasileira foi montada pela PCI Componentes da Amazônia S.A.
  • Amiga 4000/030 Amiga 4000/040 (abril de 1993 a 1994)
  • Amiga CD32 (setembro de 1993 a 1994) - a versão brasileira foi montada pela PCI Componentes da Amazônia S.A.
  • Amiga 4000T (1994 a 1997) - montado pela empresa alemã ESCOM de 1995 a 1996 e pela empresa americana QuikPak em 1997

Uso profissional[editar | editar código-fonte]

  • Uso na NASA em Sistemas de Visão Sintética (Synthetic vision system - simulação do ambiente externo para pilotagem em visibilidade baixa ou zero) e em Telemetria (ver link abaixo em "Ligações externas").
  • Edição de Video (efeitos, animações, legendagem, etc)
  • Edição de Áudio (MIDI, sequenciador, compositor, etc)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Amiga Celebrities Long - Commodore Amiga TV Commercials Ads, consultado em 21 de março de 2021 
  2. Byte Magazine Volume 11 Number 09 - The 68000 Family. [S.l.: s.n.] Setembro de 1986 
  3. «Commodore Amiga at 30 – the computer that made the UK games industry». the Guardian (em inglês). 23 de julho de 2015. Consultado em 21 de março de 2021 
  4. Reimer, Jeremy (15 de dezembro de 2005). «Total share: 30 years of personal computer market share figures». Ars Technica (em inglês). Consultado em 21 de março de 2021 
  5. «BYTE.com». web.archive.org. 7 de abril de 2007. Consultado em 21 de março de 2021 
  6. «Amiga Inc- Creators of a dream». www.bambi-amiga.co.uk. Consultado em 21 de março de 2021 
  7. Reimer, Jeremy (1 de agosto de 2007). «A history of the Amiga, part 1: Genesis». Ars Technica (em inglês). Consultado em 21 de março de 2021 
  8. «Secret Weapons of Commodore: The Lorraine». www.floodgap.com. Consultado em 21 de março de 2021 
  9. Reimer, Jeremy (22 de agosto de 2007). «A history of the Amiga, part 3: The first prototype». Ars Technica (em inglês). Consultado em 21 de março de 2021 
  10. Reimer, Jeremy (22 de outubro de 2007). «A history of the Amiga, part 4: Enter Commodore». Ars Technica (em inglês). Consultado em 21 de março de 2021 
  11. «Commodore to buy Amiga». www.bambi-amiga.co.uk. Consultado em 21 de março de 2021 
  12. Reimer, Jeremy (15 de dezembro de 2005). «Total share: 30 years of personal computer market share figures». Ars Technica (em inglês). Consultado em 21 de março de 2021 
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  14. Byte Magazine Volume 10 Number 08 - Declarative Languages. [S.l.: s.n.] Agosto de 1985 
  15. «The History of the Amiga». www.bambi-amiga.co.uk. Consultado em 21 de março de 2021 
  16. Wenz, John (3 de outubro de 2017). «The Cult of Amiga Is Bringing an Obsolete Computer Into the 21st Century». Popular Mechanics (em inglês). Consultado em 21 de março de 2021 
  17. Amiga History - Launch Of Amiga, consultado em 21 de março de 2021 
  18. FLATLINE: How The Amiga Languished, consultado em 21 de março de 2021 
  19. Amiga Story | Nostalgia Nerd, consultado em 21 de março de 2021 
  20. Amiga Story Part 2 (The 90s) | Nostalgia Nerd, consultado em 21 de março de 2021 
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  57. «Amiga at NASA». obligement.free.fr. Consultado em 21 de março de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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