Final Fantasy

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a franquia de jogos eletrônicos. Para o primeiro título da série, veja Final Fantasy (jogo eletrônico).
Final Fantasy
Gênero(s) RPG eletrônico
Desenvolvedora(s) Square Enix
Publicadora(s) Square Enix
Criador(es) Hironobu Sakaguchi
Plataformas
Primeiro título Final Fantasy
18 de dezembro de 1987
Último título Final Fantasy Type-0 HD
17 de março de 2015
Spin-off(s) Kingdom Hearts
Seiken Densetsu
SaGa
Página oficial
Portal Portal de jogos eletrônicos

Final Fantasy (ファイナルファンタジー, Fainaru Fantajī?) é uma franquia multimídia de ficção científica e fantasia criada por Hironobu Sakaguchi e desenvolvida pela Square Enix. A franquia é centrada em uma série de jogos eletrônicos do gênero RPG. O primeiro título da série foi Final Fantasy, lançado em 1987 e criado por Sakaguchi como seu último trabalho na indústria; o jogo acabou sendo um grande sucesso e levou a várias sequências. A série de jogos desde então se diversificou também em outros gêneros como RPG tático, RPG de ação, MMORPG, corrida, tiro em terceira pessoa, luta, ritmo e anime.

Apesar da grande maioria dos títulos Final Fantasy serem histórias individuais com personagens e mundos diferentes, eles possuem elementos idênticos que definem a franquia. Elementos recorrentes incluem temas de enredo, nomes de personagens e mecânicas de jogo. Os enredos normalmente se centram em um grupo de heróis lutando contra um grande mal enquanto ao mesmo tempo explorando as lutas internas e relações dos personagens. Os nomes dos personagens frequentemente vem da história, idiomas, cultura popular e mitologias de todo o mundo.

A série tem sido muito bem sucedida comercialmente e criticamente; é a franquia de jogos eletrônicos mais vendida da Square Enix, com mais de 110 milhões de unidades vendidas no mundo inteiro e sendo uma das séries de jogos de maior sucesso da história. Final Fantasy é conhecida por suas inovações técnicas, gráficos e música, como a inclusão de full motion video, modelos de personagens fotorrealistas e trilha sonora orquestral composta em sua maior parte por Nobuo Uematsu. A franquia tendo sido uma força motora da indústria de jogos eletrônicos, afetando as práticas de negócios da Square Enix e sua relação com outras desenvolvedoras. Final Fantasy introduziu muitos elementos atualmente comuns em jogos de RPG e foi creditada como tendo ajudado a popularizar RPGs de console fora do Japão.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Jogos[editar | editar código-fonte]

O primeiro título da série foi lançado no Japão em 18 de dezembro de 1987. Jogos subsequentes são numerados e possuem uma história não relacionada com a anterior; consequentemente, os números se referem mais a volumes do que sequências. Muitos títulos Final Fantasy foram localizados para os mercados da América do Norte, Europa e Austrália em diversos consoles, computadores pessoais e celulares. Atualmente, a série inclui títulos principais de Final Fantasy até Final Fantasy XV, além de sequências diretas e spin-offs, tanto lançadas quanto confirmadas como em desenvolvimento. A maioria dos jogos mais antigos já foram relançados ou refeitos em diversas plataformas.[1]

Principais[editar | editar código-fonte]

Linha do tempo
1987 – Final Fantasy
1988 – Final Fantasy II
1989 –
1990 – Final Fantasy III
1991 – Final Fantasy IV
1992 – Final Fantasy V
1993 –
1994 – Final Fantasy VI
1995 –
1996 –
1997 – Final Fantasy VII
1998 –
1999 – Final Fantasy VIII
2000 – Final Fantasy IX
2001 – Final Fantasy X
2002 – Final Fantasy XI
2003 –
2004 –
2005 –
2006 – Final Fantasy XII
2007 –
2008 –
2009 – Final Fantasy XIII
2010 – Final Fantasy XIV
2011 –
2012 –
2013 –
2014 –
2015 –
2016 – Final Fantasy XV
2017 –

Os primeiros três jogos da série foram lançados no Nintendo Entertainment System (NES). Final Fantasy foi lançado no Japão em 1987 e na América do Norte em 1990.[2] [3] Ele apresentou muitos conceitos do RPG nos consoles, sendo desde então refeito em várias plataformas.[3] Final Fantasy II foi lançado em 1988 no Japão e foi juntado com o primeiro título em vários relançamentos.[3] [4] [5] O último lançamento para o NES foi Final Fantasy III, que estreou no Japão em 1990;[6] entretanto, ele apenas foi lançado no ocidente em 2006 para o Nintendo DS.[5]

O Super Nintendo Entertainment System também recebeu três títulos da série principal, todos tendo depois sido relançados em diversas plataformas. Final Fantasy IV foi lançado em 1991 e apresentou o sistema de combate "Active Time Battle";[7] na América do Norte ele recebeu o nome de Final Fantasy II.[8] [9] Final Fantasy V foi lançado em 1992 no Japão, sendo o primeiro jogo da série a gerar uma sequência: uma série de anime chamada Final Fantasy: Legend of the Crystals.[3] [10] [11] Final Fantasy VI foi lançado no Japão em 1994, porém foi intitulado Final Fantasy III na América do Norte.[12]

O console PlayStation recebeu os três Final Fantasy principais seguintes. Final Fantasy VII estreou em 1997 e deixou os gráficos bidimensionais dos seis primeiros jogos da série para trás e empregou gráficos tridimensionais; o jogo possuía personagens poligonais em cenários pré-renderizados. Ele também apresentou um mundo mais moderno, estilo que foi levado para o jogo seguinte.[3] Também foi o segundo título da franquia a ser lançado na Europa, com o primeiro tendo sido Final Fantasy Mystic Quest. Final Fantasy VIII estreou em 1999 e foi o primeiro a usar de forma consistente personagens de proporções realistas e ter uma canção como seu tema musical.[3] [13] O último jogo para o PlayStation foi Final Fantasy IX de 2000, que voltou para raízes da franquia com um mundo mais tradicional do que os mais modernos de VII e VIII.[3] [14]

Mais três títulos principais da série foram lançados para o PlayStation 2.[15] [16] [17] Final Fantasy X de 2001 apresentou pela primeira vez na franquia áreas totalmente tridimensionais e dublagem, também sendo o primeiro a gerar uma sequência direta em jogo: Final Fantasy X-2 em 2003.[18] [19] Final Fantasy XI foi lançado para PlayStation 2 e Microsoft Windows em 2002, posteriormente também para Xbox 360, sendo o primeiro jogo do gênero MMORPG da série.[20] [21] Ele introduziu batalhas em tempo real ao invés de encontro randômicos.[21] O título seguinte foi Final Fantasy XII lançado em 2006, que também tinha batalhas em tempo real em campos grande e interconectados.[22] [23] O jogo também foi o primeiro da série a se passar em um mundo visto anteriormente em outro título: a terra de Ivalice de Final Fantasy Tactics e Vagrant Story.[24]

Final Fantasy XIII foi lançado no Japão em 2009, chegando na América do Norte e Europa no ano seguinte.[25] [26] Ele foi o carro-chefe da subsérie Fabula Nova Crystallis[27] e se tornou o primeiro jogo principal a gerar duas sequências diretas: Final Fantasy XIII-2 e Lightning Returns: Final Fantasy XIII.[28] Final Fantasy XIV foi o segundo MMORPG da série e foi lançado exclusivamente para Microsoft Windows em 2010, porém foi muito criticado e fez com que a Square Enix emitisse uma desculpa aos jogadores, relançando o título em 2013 sob o nome de Final Fantasy XIV: A Realm Reborn também para o PlayStation 3.[29] Final Fantasy XV, originalmente anunciado como um spin-off chamado Final Fantasy Versus XIII, foi revelado na Electronic Entertainment Expo de 2013 como um título para os consoles PlayStation 4 e Xbox One, atualmente com previsão de lançamento para 2016.[30] [31] Assim como XIII antes dele, XV faz parte da Fabula Nova Crystallis, apesar de em muitos aspectos ser um jogo próprio que compartilha apenas elementos da mitologia de seu antecessor.[32] [33] [34]

Outros[editar | editar código-fonte]

A série Final Fantasy já gerou diversas sequências, spin-offs e metaséries. Muitos na verdade não são jogos Final Fantasy, porém foram divulgados como tal em seus lançamentos na América do Norte. Exemplos incluem a série SaGa, chamada de The Final Fantasy Legend, e suas duas sequências Final Fantasy Legend II e Final Fantasy Legend III.[35] Final Fantasy Adventure foi outra renomeação, alterado de seu título japonês Seiken Densetsu. Seiken Densetsu 2 foi depois renomeado como Secret of Mana na série Mana.[36]Final Fantasy Mystic Quest foi desenvolvido especialmente para o público dos Estados Unidos, enquanto Final Fantasy Tactics é um RPG tático que possui vários temas e referências também encontrados na série principal.[36] [37] As séries spin-off como a Chocobo, Crystal Chronicles e Kingdom Hearts também incluem diversos elementos de Final Fantasy.[32] [35] A primeira sequência direta de um jogo da série principal foi X-2, lançado em 2003.[38] Final Fantasy XIII originalmente foi pensado para ser uma história única, porém a equipe de desenvolvimento queria explorar mais seu mundo, personagens e mitologia, resultando na produção e lançamento de duas sequências respectivamente em 2011 e 2013, criando a primeira trilogia oficial da série.[28] Dissidia Final Fantasy foi lançado em 2009 e é um jogo de luta que tem os heróis e vilões dos dez primeiros títulos principais da franquia.[39] Uma sequência estrou em 2011.[40] Outros spin-offs assumiram a forma de subséries, como a Compilation of Final Fantasy VII que inclui prequelas e sequências dos eventos de Final Fantasy VII,[41] a Ivalice Alliance com jogos que se passam no mundo de Ivalice,[42] e a Fabula Nova Crystallis com títulos que compartilham uma mitologia em comum.[43]

Animações[editar | editar código-fonte]

Filmes
1994 – Final Fantasy: Legend of the Crystals
1995 –
1996 –
1997 –
1998 –
1999 –
2000 –
2001 – Final Fantasy: The Spirits Within
Final Fantasy: Unlimited
2002 –
2003 –
2004 –
2005 – Final Fantasy VII: Advent Children
Last Order: Final Fantasy VII

A Square Enix já expandiu a série Final Fantasy em diversas outras mídias. Vários animes e filmes de computação gráfica foram produzidos e são baseados em jogos específicos ou na franquia como um todo. A primeira produção foi uma original video animation (OVA) chamada Final Fantasy: Legend of the Crystals, uma sequência de Final Fantasy V. A história se passava no mesmo mundo do jogo, porém duzentos anos no futuro. Ele foi produzido e lançado em 1994 no Japão como quatro episódios de trinta minutos de duração.[44] A Square Pictures lançou em 2001 seu primeiro e único longa-metragem nos cinemas: Final Fantasy: The Spirits Within. O filme se passa na Terra no futuro durante uma invasão de uma espécie alienígena.[45] Ele foi o primeiro filme de animação a tentar representar humanos de maneira realista através da computação gráfica, porém acabou sendo um grande fracasso de bilheteria e recebeu críticas mistas.[45] [46] [47] Ainda em 2001 foi lançado Final Fantasy: Unlimited, uma série de anime com 25 episódios transmitida pela TV Tokyo. A série é baseada em muitos elementos da franquia, seguindo a história de dois jovens à procura dos pais após dois monstros terem destruído sua cidade.[48] [49]

Em 2005, como parte da Compilation of Final Fantasy VII, foram lançados Final Fantasy VII: Advent Children e Last Order: Final Fantasy VII, respectivamente um longa-metragem de animação e um OVA não-canônico.[50] Advent Children foi animado pelo estúdio Visual Works, que também auxilia a Square Enix na criação das sequências de computação gráfica dos jogos da série.[51] Diferentemente de The Spirits Within, o filme recebeu críticas mais positivas[52] [53] [54] e foi um sucesso comercial.[55] Por sua vez Last Order foi lançado no Japão diretamente em DVD em um pacote junto com Advent Children. Ele vendeu rapidamente[56] e foi bem recebido por críticos ocidentais,[57] [58] porém a reação dos fãs foi mais mista sobre mudanças em relação a cenas do jogo.[59]

Outras mídias[editar | editar código-fonte]

Vários jogos da série Final Fantasy foram adaptados ou tiveram spin-offs na forma de mangás ou romances. A primeira romantização de um dos jogos foi de Final Fantasy II em 1989,[60] sendo seguida em 1992 por uma adaptação em mangá de Final Fantasy III.[61] A década seguinte viu o aumento do número de adaptações e spin-offs. Final Fantasy: The Spirits Within foi adaptado em um romance por Dean Wesley Smith,[62] Final Fantasy Crystal Chronicles recebeu uma versão em mangá[63] e Final Fantasy XI teve um mangá e um romance se passando em sua continuidade.[64] [65] Sete novelas baseadas no universo de Final Fantasy VII também foram escritas. A história de Final Fantasy: Unlimited foi parcialmente continuada após o fim de sua transmissão por romances e um mangá.[66] Jogos mais recentes como Final Fantasy XIII e Final Fantasy Type-0 também receberam adaptações e spin-offs na forma de contos, romances e mangás que se passam tanto antes quanto depois de seus eventos.[67] [68] [69] [70]

Elementos comuns[editar | editar código-fonte]

Apesar da maioria dos títulos de Final Fantasy serem histórias independentes umas das outras, vários elementos de jogabilidade são recorrentes por toda a série.[71] [72] A maioria dos títulos recicla nomes frequentemente inspirados nas história de várias culturas, idiomas e mitologias, incluindo asiática, europeia e árabe.[73] Exemplos incluem nomes como Excalibur e Masamune – tirados respectivamente da lenda arturiana e do ferreiro japonês Masamune – além de nomes de feitiços como Sagrado, Meteoro e Última.[72] [73] A série adotou seu logotipo atual a partir de Final Fantasy IV, que emprega a mesma fonte e um emblema desenhado pelo artista japonês Yoshitaka Amano. A ilustração se relaciona com o enredo do respectivo jogo e tipicamente retrata um personagem ou objeto importante da história. Recriações posteriores dos três primeiros jogos da franquia substituíram os logos originais com similares aos do resto da série.[72]

Enredos e temas[editar | editar código-fonte]

Final Fantasy V é um típico jogo da série em que os heróis precisam resgatar cristais para salvar o mundo de um mal ancestral. Na imagem, o Rei Tycoon se aproxima do Cristal do Vento, que controlas as correntes de vento e é um dos cristais elementais ligados à criação do mundo.

O conflito central de muitos jogos Final Fantasy se foca em um grupo de personagens enfrentando algum antagonista diabólico que aspira dominar o mundo de jogo. As histórias frequentemente envolvem um estado soberano em rebelião, com o protagonista participando dos conflitos. Os heróis frequentemente estão destinados a derrotar o mal, ocasionalmente se reunindo com os outros personagens como resultado direto das ações maliciosas do antagonista.[3] [73] Outra marca da série é a existência de dois vilões; o principal nem sempre é quem ele parece ser, já que o antagonista inicial da história pode estar subordinado à outro personagem ou entidade.[3] O vilão apresentado no começo do jogo não é necessariamente o final, com os personagens precisando continuar sua aventura além do que parece ser a batalha final.[73]

As histórias da série frequentemente enfatizam lutas internas, paixões e tragédias dos personagens principais, com o enredo muitas vezes ficando de lado enquanto o foco muda para suas vidas pessoais.[23] [74] Os jogos também exploram as relações entre esses personagens, indo desde o amor até a rivalidade.[3] Outras situações recorrentes que movem o enredo incluem amnésia, um herói corrompido por uma força maligna, confusão de identidades e sacrifício próprio.[3] [75] [76] Orbes e cristais mágicos são recorrentes como itens de jogo que estão frequentemente ligados com os temas e o enredo da história.[73] Os cristais frequentemente tem um papel central na criação do mundo, com a maioria dos jogos Final Fantasy conectando os cristais e as orbes com a força vital do planeta. Assim sendo, o controle desses objetos gera o conflito principal.[73] [77] Os quatro elementos também são um tema recorrente relacionado com os heróis, vilões e itens.[73] Outros elementos comuns nos enredos e temas incluem a hipótese de Gaia, um apocalipse e conflitos entre o avanço da tecnologia e a natureza.[73] [75] [78]

Personagens[editar | editar código-fonte]

Cada jogo possui seu próprio grupo de personagens únicos, porém há alguns recorrentes na série. Desde o lançamento de Final Fantasy II, incluindo recriações do Final Fantasy original, um personagem chamado Cid tem aparecido de diversas maneiras: como um aliado não jogável, um membro da equipe e como vilão. Apesar da aparência e personalidade de Cid mudarem de título para título, ele é normalmente está relacionado com dirigíveis. Biggs e Wedge, inspirados por dois personagens homônimos da franquia Star Wars, também aparecem em vários jogos como personagens menores, algumas vezes como alívios cômicos.[23] [72] Títulos mais recentes possuem diversos personagens homens com características efeminadas.[79] [80] Criaturas recorrentes incluem os chocobos e os moogles.[23] Chocobos são grandes aves galiformes que aparecem em vários jogos como um meio de transporte de longas distâncias. Moogles, por outro lado, são pequenas criaturas brancas com asas e uma antena e que se assemelham a ursos de pelúcia. Em cada jogo eles servem em diferentes capacidades, incluindo carteiros, ferreiros, membros da equipe e meio de salvar o progresso. As aparições dos chocobos e moogles são frequentemente acompanhadas por temas musicais específicos que em cada título recebem um arranjo diferente.[3] [23] [72]

Jogabilidade[editar | editar código-fonte]

O sistema de combate "Active Time Battle" em Final Fantasy VII, mostrando o jogador selecionando uma opção de ordem para o personagem Cloud Strife.

Os jogadores comandam um grupo de personagens nos jogos Final Fantasy enquanto eles progridem pela história ao explorar o mundo e derrotar oponentes.[3] [73] Inimigos são tipicamente encontrados randomicamente através da exploração, um traço que mudou a partir de Final Fantasy XI e Final Fantasy XII. Os jogadores emitem ordens como "Lutar", "Magia" e "Item" para personagens individuais enquanto combatem através de uma interface de menu. As batalhas eram organizadas em rodadas antes de Final Fantasy XI, com os protagonistas e os antagonistas em lados diferentes do campo de combate. Final Fantasy IV introduziu o sistema "Active Time Battle" que ampliou a natureza de rodadas com um sistema de marcação de tempo perpétuo. Ele foi projetado por Hiroyuki Ito e injetava urgência e excitação no combate ao forçar o jogador a agir antes do inimigo atacar, sendo empregado até Final Fantasy X, que implementou o sistema "Conditional Turn-Based".[3] [23] [81] Esse novo sistema manteve as batalhas em rodadas, porém adicionou nuances a fim de criar um maior desafio para os jogadores.[19] [82] Final Fantasy XI adotou um sistema de batalha em tempo real onde os personagens agem continuamente dependendo do comando emitido.[83] Final Fantasy XII continuou com essa jogabilidade através do sistema "Active Dimension Battle".[84] O sistema de combate de Fina Fantasy XIII foi projetado por Toshiro Tsuchida, que também criou o sistema "Conditional Turn-Based",[85] e tinha a intenção de possuir uma maior sensação de ação e emular as sequências de batalha do filme Final Fantasy VII: Advent Children.[86]

Como outros RPGs, os títulos da série Final Fantasy usam um sistema de níveis de experiência para o progresso dos personagens, em que pontos de experiência são acumulados ao derrotar inimigos.[87] [88] [89] [90] Outros temas recorrentes são classes de personagens e "trabalhos" específicos que permitem habilidades únicas. As classes foram introduzidas no primeiro jogo e desde então tem sido utilizadas de formas diferentes em cada título. Alguns restringem o personagem em um único trabalho para integrar a história, enquanto outros jogos empregam um sistema mais dinâmico que permite que o jogador escolha a partir de diversas classes e as altere no decorrer do enredo. Apesar de muito usados em vários jogos, tais sistemas tem se tornado cada vez menos prevalentes em favor de personagens que são mais versáteis; eles ainda se enquadram em algum arquétipo, porém são capazes de aprender habilidades fora de suas classes.[23] [72] [73]

A magia é outro elemento comum de RPG presente na série. O método pelo qual os personagens ganham a magia varia entre cada jogo, porém ela é geralmente dividida em classes e organizada por cores: "magia branca" se foca em feitiços que auxiliam os colegas de equipe, "magia negra" se foca em ferir inimigos, "magia vermelha" é uma combinação das magias branca e negra, "magia azul" imita os ataques dos oponentes e a "magia verde" confere efeitos especiais para amigos ou inimigos.[3] [72] [81] Outros tipos de magia também aparecem frequentemente, como a "magia temporal" que exerce efeitos no tempo, espaço e gravidade; e a "magia convocatória" que conjura criaturas lendárias a fim de prestarem ajuda na batalha, estando presente na franquia desde Final Fantasy III. Criaturas convocáveis são chamadas por nomes como "Espers" e "Eidolons", sendo inspirados por culturas e mitologias como a árabe, hindu, nórdica e grega.[72] [73]

Outro traço comum de jogabilidade da série Final Fantasy é a presença de diferentes meios de transporte para navegar pelo mapa de jogo. Os mais comuns e recorrentes são dirigíveis ou aeronaves semelhantes para viagens de longa distância, e também chocobos para travessias curtas, porém certos jogos também incluíram outros tipos de transporte por terra e mar. Desenhos de veículos mais modernos e futuristas têm aparecido nos jogos lançados após Final Fantasy VII.[73]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Hironobu Sakaguchi, criador da série Final Fantasy.

A Square Co. entrou na indústria japonesa de jogos eletrônicos no meio da década de 1980 com RPGs simples, jogos de corrida e jogos de plataforma para o console Family Computer Disk System da Nintendo. O projetista Hironobu Sakaguchi escolheu em 1987 criar um novo jogo RPG de fantasia para o Nintendo Entertainment System, se inspirando em outros jogos de fantasia populares da época: Dragon Quest da Enix, The Legend of Zelda da Nintendo e a série Ultima da Origin Systems. Sakaguchi anos depois explicou que, apesar de atribuído à suposta falência que a Square estava enfrentando, o jogo era sua tentativa derradeira na indústria e que Final Fantasy proveio de seus sentimentos na época; caso o título não tivesse vendido bem, ele teria deixado seu emprego e voltado para a universidade.[91] [92] [93] Apesar dessa explicação, publicações também atribuíram o título às esperanças da Square de que o projeto poderia solucionar suas dificuldades financeiras.[92] [94] Segundo Sakaguchi, o nome surgiu do desejo da equipe de que o título pudesse ser abreviado como "FF", que soaria bem em japonês. O nome originalmente escolhido foi Fightning Fantasy, porém ele precisou ser alterado devido a temores de conflitos de marca registrada com os livros-jogos de RPG de mesmo nome. Já que a palavra "Final" era famosa no Japão, Sakaguchi decidiu chamar o jogo de Final Fantasy. De acordo com o próprio, qualquer título de abreviatura "FF" teria servido para o que eles queriam.[95]

O jogo acabou sendo um sucesso comercial, salvou as economias da Square e se tornou sua principal franquia.[46] [92] A desenvolvedora imediatamente decidiu produzir um segundo título. Entretanto, a história do Final Fantasy original não foi projetada para ser expandida em uma sequência já que Sakaguchi assumiu que nunca haveria outro. Os desenvolvedores então decidiram construir o novo jogo a partir dos elementos temáticos do primeiro, enquanto algumas características da jogabilidade foram reformuladas, como o sistema de progresso dos personagens. Essa abordagem perdura pela franquia até os dias de hoje; cada título de Final Fantasy possui um novo cenário, novo elenco de personagens e um sistema de combate melhorado.[5] O escritor John Harris atribuiu o conceito de retrabalhar o sistema de jogo em cada novo título à série Dragon Slayer da Nihon Falcom,[96] para qual a Square anteriormente havia trabalhado como publicadora.[97] A companhia desde então tem lançado novos títulos da série regularmente. Porém, as janelas entre os lançamentos de Final Fantasy XI de 2002, Final Fantasy XII de 2006 e Final Fantasy XIII de 2009 foram bem maiores que o normal. A Square Enix afirmou após o lançamento de Final Fantasy XIV que planejava lançar anualmente ou bienalmente novos jogos da série, sejam títulos principais ou spin-offs. Essa mudança tinha a intenção de se assemelhar aos ciclos de desenvolvimento de jogos ocidentais como as séries Call of Duty, Assassin's Creed e Battlefield, além de manter alto o interesse dos fãs.[98]

Projeto[editar | editar código-fonte]

Sakaguchi precisou de uma equipe de produção muito maior para o primeiro Final Fantasy que os títulos anteriores da Square. Ele começou a criar a história do jogo enquanto ao mesmo tempo experimentava com ideias de jogabilidade. Uma vez estabelecidos o sistema de jogabilidade e o tamanho do mundo de jogo, ele integrou suas ideias de história aos recursos disponíveis. Uma abordagem diferente tem sido usada para todos os jogos subsequentes: a história é completada primeiro e a jogabilidade é construída ao seu redor.[99] Os projetista nunca foram restringidos pela consistência, porém a maioria acredita que cada título deve possuir um número mínimo de elementos em comum. As equipes de desenvolvimento se esforçam para criar mundos completamente novos em cada jogo, evitando que os novos títulos sejam muito semelhantes com os anteriores. Os cenários são conceitualizados desde cedo na produção e detalhes de projeto como partes de edifícios são aprofundados como a base para estruturas inteiras.[71]

Os cinco primeiros jogos foram dirigidos por Sakaguchi, que também criou os conceitos originais.[73] [100] Ele se inspirou nos filmes dirigidos por Hayao Miyazaki para alguns elementos de jogabilidade; marcas da série como os chocobos e dirigíveis foram inspirados por elementos de Tenkū no Shiro Rapyuta e Kaze no Tani no Naushika, respectivamente.[101] Sakaguchi trabalhou como produtor dos jogos seguintes até deixar a Square em 2001.[73] [100] Yoshinori Kitase assumiu a posição de diretor para Final Fantasy VI, Final Fantasy VII e Final Fantasy VIII,[102] [103] [104] sendo sucedido por um diretor diferente para cada novo jogo. Hiroyuki Ito projetou vários dos sistemas de jogabilidade da série, como o "Job System" de Final Fantasy V, o "Junction System" de Final Fantasy VIII e o conceito do "Active Time Battle", que foi utilizado desde Final Fantasy IV até Final Fantasy IX.[73] [102] Ito se inspirou em uma corrida de Fórmula 1 ao projetar o sistema de combate: ao ver os carros passando na sua frente ele achou que seria interessante se os diferentes tipos de personagem tivessem diferentes velocidades.[105] Ele também co-dirigiu Final Fantasy VI com Kitase.[73] [102] Kenji Terada serviu como roteirista de cenário nos três primeiros jogos; Kitase assumiu a posição em Final Fantasy V e continuou nela até Final Fantasy VII. Kazushige Nojima então se tornou o principal roteirista de cenário da série até se demitir em outubro de 2003; ele desde então criou sua própria companhia, a Stellavista, e voltou a trabalhar com a Square Enix como independente. Nojima escreveu parcialmente ou totalmente as história de Final Fantasy VII, Final Fantasy VIII, Final Fantasy X, Final Fantasy X-2 e Final Fantasy XV. Ele também trabalhou como roteirista de cenário na série Kingdom Hearts.[106] Daisuke Watanabe co-escreveu Final Fantasy X e Final Fantasy XII, sendo o principal roteirista de Final Fantasy XIII e suas duas continuações: Final Fantasy XIII-2 e Lightning Returns: Final Fantasy XIII.[107] [108] [109]

Ilustração de Yoshitaka Amano para a capa japonesa de Final Fantasy VI.

O artista japonês Yoshitaka Amano foi quem cuidou dos desenhos artísticos, incluindo criação de personagens e monstros, desde o Final Fantasy original até Final Fantasy VI. Amano também desenha todos os logotipos da série principal e lida com ilustrações especiais desde Final Fantasy VII.[100] Tetsuya Nomura foi escolhido para substituir Amano porque seus desenhos eram mais adaptáveis aos gráficos tridimensionais, trabalhando como principal desenhista de personagens na maioria dos jogos da franquia até hoje,[73] [100] com a exceção de Final Fantasy IX em que foi substituído por Shūkō Murase, Toshiyuki Itahana e Shin Nagasawa.[110] Além da série principal, Nomura atuou nessa posição na série Kingdom Hearts e nas subséries Compilation of Final Fantasy VII e Fabula Nova Crystallis.[111] Outros desenhistas e projetistas incluem Nobuyoshi Mihara e Akihiko Yoshida. Mihara foi o desenhista de personagens de Final Fantasy XI e Yoshida em Final Fantasy Tactics e Final Fantasy XII.[37] [112]

Tecnologia[editar | editar código-fonte]

Os primeiros jogos para o Nintendo Entertainment System utilizavam pequenas representações em sprite dos personagens e do mundo por causa das limitações gráficas. As cenas de batalha usavam versões mais detalhadas e completas dos personagens em uma visão lateral. Essa prática continuou até Final Fantasy VI, que usava versões mais detalhadas para ambas as telas. Os sprites do Nintendo Entertainment System tinham 26 pixels de altura e uma paleta de 4 cores. Seis quadros de animação foram usados para representar as diferentes situações dos personagens, como "saudável" e "cansado". Os títulos para o Super Nintendo Entertainment System usavam gráficos e efeitos melhorados, além de uma maior qualidade de áudio, porém eram de forma geral bem similares aos seus predecessores no desenho básico. Os sprites do Super Nintendo Entertainment System tinham dois pixels a menos, entretanto possuíam uma paleta maior e mais quadros de animação: respectivamente onze cores e quarenta quadros. A melhora permitiu que os desenvolvedores fizessem personagens mais detalhados na aparência e expressassem mais emoções. O primeiro jogo já tinha personagens não jogáveis com quem o jogador podia interagir, porém eles eram em sua maioria objetos estáticos. A partir do segundo título a Square usou caminhos predeterminados a fim de criar cenas mais dinâmicas para os personagens não jogáveis, incluindo situações de comédia e drama.[113]

Referências

  1. Schreier, Jason (7 de agosto de 2012). What In The World Is Final Fantasy? A Beginner's Guide To The Biggest RPG Series On The Planet Kotaku. Visitado em 1 de fevereiro de 2016.
  2. Final Fantasy – Release Summary GameSpot. Visitado em 1 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
  3. a b c d e f g h i j k l m n o Vestal, Andrew. The History of Final Fantasy: The Main Final Fantasies GameSpot. Visitado em 1 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
  4. Final Fantasy II - Release Summary GameSpot. Visitado em 1 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
  5. a b c Final Fantasy Retrospective Part II GameTrailers (23 de julho de 2007). Visitado em 1 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 4 de agosto de 2011.
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  7. Final Fantasy Chronicles IGN (18 de julho de 2001). Visitado em 4 de fevereiro de 2016.
  8. Final Fantasy II (SNES) - Release Summary GameSpot. Visitado em 4 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
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  10. Final Fantasy V - Release Summary GameSpot. Visitado em 4 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
  11. Isler, Ramsey (17 de dezembro de 2007). Gaming to Anime: Final Fantasy VI IGN. Visitado em 4 de fevereiro de 2016.
  12. Final Fantasy III (SNES) - Release Summary GameSpot. Visitado em 4 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
  13. Final Fantasy VIII - Release Summary GameSpot. Visitado em 4 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
  14. Final Fantasy IX - Release Summary GameSpot. Visitado em 4 de fevereiro de 2016. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2011.
  15. Final Fantasy X IGN. Visitado em 4 de fevereiro de 2016.
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