Biotecnologia

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Biotecnologia é a tecnologia baseada na biologia, especialmente quando usada na agricultura, ciência dos alimentos e medicina. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU possui uma das muitas definições de biotecnologia:[1]

A definição ampla de biotecnologia é o uso de organismos vivos ou parte deles, para a produção de bens e serviços. Nesta definição se enquadram um conjunto de atividades que o homem vem desenvolvendo há milhares de anos, como a produção de alimentos fermentados (pão, vinho, iogurte, cerveja, e outros). Por outro lado a biotecnologia moderna se considera aquela que faz uso da informação genética, incorporando técnicas de DNA recombinante.

A biotecnologia combina disciplinas tais como genética, biologia molecular, bioquímica, embriologia e biologia celular, com a engenharia química, tecnologia da informação, robótica, bioética e o biodireito, entre outras. Em função da amplitude da definição e por tentar ser um guarda chuva para inúmeras disciplinas já consolidadas, admite-se um carácter de marketing e de algo amorfo, sem identidade, à biotecnologia, o que vem dificultando o seu pleno entendimento pela sociedade.[carece de fontes?]

Histórico[editar | editar código-fonte]

A fabricação de cerveja foi uma das primeiras aplicações da biotecnologia

A história da biotecnologia é a junção da história de ciências já consolidadas, como biologia, química, bioquímica, microbiologia etc.... Isso é devido ao fato do termo biotecnologia ser um guarda chuva para todas as ciências , devido ao seu carácter amorfo e de marketing. Tenta-se passar como tradicional um termo com menos de quarenta anos de existência. A biotecnologia não está limitada a aplicações na área médica e de saúde. (ao contrário da engenharia biomédica, que inclui muita biotecnologia). Embora não seja normalmente considerada como biotecnologia, a agricultura claramente se encaixa na definição ampla de "usar um sistema biotecnológico para fazer produtos", de tal forma que o cultivo de plantas pode ser visto como o primeiro empreendimento de biotecnologia. As teorias têm considerado que a agricultura tornou-se a forma dominante de produção de alimentos desde a Revolução Neolítica.

Os processos e métodos de agricultura foram refinados por outras ciências mecânicas e biológicas desde a sua criação. Através dos primórdios da biotecnologia, os agricultores foram capazes de selecionar as melhores culturas adequadas, tendo os maiores rendimentos, para produzir alimentos suficientes para sustentar uma população crescente. Outros usos da biotecnologia foram necessários quando as culturas e os campos tornaram-se cada vez maiores e difíceis de manter. Organismos específicos e subprodutos de organismos foram utilizados para fertilizante, restauração de nitrogênio e controle de pragas. Durante o uso da agricultura, os agricultores têm, inadvertidamente, alterado a genética de suas culturas ao introduzi-las a novos ambientes e cultivando-as artificialmente com outras plantas, uma das primeiras formas de biotecnologia.

Culturas como as da Mesopotâmia, Egito e Índia desenvolveram o processo de fabricação de cerveja. É ainda feito pelo mesmo método básico de usar grãos maltados (contendo enzimas) para converter o amido de grãos em açúcar e em seguida, adicionando leveduras específicas para produzir cerveja. Neste processo, os carboidratos dos grãos são quebrados em álcoois tais como etanol. Mais tarde outras culturas produziram o processo de fermentação lática que permitiu a fermentação e preservação de outras formas de alimentos. A fermentação também foi utilizada nesta época para produzir pão levedado. Embora o processo de fermentação não foi totalmente compreendido até o trabalho de Pasteur em 1857, ainda é a primeira utilização da biotecnologia para converter uma fonte de alimento em outra forma.

Por milhares de anos, os seres humanos têm utilizado cruzamentos seletivos para melhorar a produção de colheitas e do gado para usá-los como alimento. Na criação seletiva, os organismos com características desejáveis ​​são acasalados para que produzam descendentes com as mesmas características. Por exemplo, esta técnica foi usada com o milho para produzir colheitas maiores e mais doces.

No início do século XX os cientistas obtiveram uma maior compreensão da microbiologia e exploraram formas de fabricação de produtos específicos. Em 1917, Chaim Weizmann usou pela primeira vez uma cultura microbiológica pura em um processo industrial, o da fabricação de amido de milho com Clostridium acetobutylicum, para produzir acetona, que o Reino Unido desesperadamente precisava para a fabricação de explosivos durante a Primeira Guerra Mundial.

A biotecnologia também levou ao desenvolvimento de antibióticos. Em 1928, Alexander Fleming descobriu o fungo Penicillium. Seu trabalho levou à purificação do antibiótico penicilina por Howard Florey, Ernst Boris Chain e Heatley Norman. Em 1940, a penicilina tornou-se disponível para uso medicinal para o tratamento de infecções bacterianas em seres humanos.[2]

Considera-se que o campo da biotecnologia moderna tenha começado em grande parte em 16 de junho de 1980, quando a Suprema Corte dos EUA determinou que um micro-organismo geneticamente modificado poderia ser patenteado no caso Diamond vs Chakrabarty.[3] Ananda Chakrabarty, nascido na Índia, trabalhando para a General Electric, tinha desenvolvido uma bactéria (derivada do gênero Pseudomonas) capaz de quebrar o petróleo bruto, o qual ele propôs utilizar no tratamento de derramamentos de petróleo.

Estimava-se que a receita do setor deveria crescer 12,9% em 2008. Outro fator que influencia o sucesso do setor de biotecnologia é o aperfeiçoamento da legislação sobre direitos de propriedade intelectual, incluindo aplicação de sanções, em nível mundial, assim como uma reforçada demanda por produtos médicos e farmacêuticos para lidar com a população norte-americana doente e envelhecida.[4]

A crescente demanda por biocombustíveis tende a ser uma boa notícia para o setor de biotecnologia. O Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que o uso do etanol nos Estados Unidos poderia reduzir o consumo de combustíveis derivados do petróleo em 30% por volta de 2030. O setor de biotecnologia permitiu que o setor agrícola dos EUA aumentasse rapidamente o fornecimento de milho e soja - os principais insumos dos biocombustíveis - através do desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas que são resistentes a secas e pragas. Ao aumentar a produtividade agrícola, a biotecnologia tem um papel crucial na garantia de que as metas de produção de biocombustíveis sejam cumpridas.[5]

Cristais de insulina.

Antes dos anos 1970, o termo biotecnologia era utilizado principalmente na indústria de processamento de alimentos e na agroindústria. A partir daquela época, começou a ser usado por instituições científicas do Ocidente em referência a técnicas de laboratório desenvolvidas em pesquisa biológica, tais como processos de DNA recombinante ou cultura de tecidos. Realmente, o termo deveria ser empregado num sentido muito mais amplo para descrever uma completa gama de métodos, tanto antigos quanto modernos, usados para manipular organismos visando atender às exigências humanas. Assim, o termo pode também ser definido como, "a aplicação de conhecimento nativo e/ou científico para o gerenciamento de (partes de) microorganismos, ou de células e tecidos de organismos superiores, de forma que estes forneçam bens e serviços para uso dos seres humanos.[6]

Há muita discussão - e dinheiro - investidos em biotecnologia, com a esperança de que surjam drogas milagrosas. Embora tenham sido produzidas uma pequena quantidade de drogas eficazes, no geral, a revolução biotecnológica ainda não aconteceu na indústria farmacêutica. Todavia, progressos recentes com drogas baseadas em anticorpos monoclonais, tais como o Avastin da Genentech, sugerem que a biotecnologia pode finalmente ter encontrado um papel a desempenhar nas vendas farmacêuticas.[7]

Classificação e código por cores[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2004, uma reunião da Comissão Europeia de Biosciences e Technology, da Universidade de York, no Reino Unido, definiu uma classificação dos vários ramos da biotecnologia utilizando um código de cores e reconheceu que qualquer plataforma em biotecnologia que desenvolvesse produtos biológicos poderiam derivar de uma união do " branco " Verde "e" Azul "da biotecnologia. Em 2005, no 12 º Congresso Europeu de Biotecnologia fico definido a classificação de 4 mecanismos para a identificação dos ramos em biotecnologia, sendo elas:

  • Biotecnologia branca (Industrial): é a biotecnologia aplicada a processos industriais. Um exemplo é a concepção de um organismo para produzir um produto químico útil. Outro exemplo é o uso de enzimas como catalisadores industriais para produzir ou destruir produtos químicos (ex: poluentes perigosos ). A biotecnologia branca tende a consumir menos recursos do que em processos tradicionais utilizados para produzir bens industriais.
  • Biotecnologia vermelha (Saúde): é a que tem relação com a cor do sangue e está relacionada aos processos médicos e de saúde como o desenho de organismos capazes de produzir antibióticos ou moléculas importantes como a insulina, e a engenharia de tratamentos genéticos através de manipulação genética.
  • Biotecnologia verde (Agrícola): tem a cor da maioria das plantas e está relacionada aos processos agrícolas. Um exemplo é o desenvolvimento de plantas transgénicas que crescem em ambientes específicos, na presença (ou ausência) de produtos químicos.tem como objetivo produzir soluções para as questões agrícolas mais sustentáveis e com baixa agressão ao meio ambiente e ao ser-humano, quando comparada a agricultura industrial tradicional. Um exemplo é a engenharia de uma planta que seja capaz de expressar um pesticida natural, evitando a necessidade de aplicação externa de pesticidas.
  • Biotecnologia azul (Meio ambiente): pesquisas relacionadas a manutenção de condições ambientais e remoção de contaminantes, fermentação clássica e bioprocessos. Em Bringing Genomes to Life na Dinamarca. [8] [9]

O investimento e produção econômica de todos esses tipos de biotecnologia é denominado "bioeconomia".

Profissionais da área de biotecnologia[editar | editar código-fonte]

Os profissionais da biotecnologia possuem formação universitária variada entre as quais: biólogo, médico, bioquímico, agrononomo, veterinário, engenheiros diversos, zootecnista, farmacêutico e mesmo biotecnologia etc.. Geralmente são pós-graduados, após três ou quatro anos de exercício profissional, sob supervisão ocasional de profissional experimentado na área de biotecnologia.

Biotecnologista[editar | editar código-fonte]

Biotecnologista (profissional de nível superior) é o profissional formado como bacharel em Biotecnologia capacitado para desenvolver dispositivos biológicos e produtos derivados destes. São aqueles profissionais que manipulam material genético, sintetizando sequências de DNA, construindo vetores, modificando genes in vivo e in vitro, manipulando expressão gênica e gerando organismos geneticamente modificados. Analisam genoma, sequenciando-o, identificando genes e marcadores genéticos; aplicam técnicas de reprodução e multiplicação de organismos; produzem compostos biológicos e desenvolvem equipamentos, dispositivos e processos de uso biotecnológico.[carece de fontes?]

Formação e experiência[editar | editar código-fonte]

Deve-se ressaltar que existem duas correntes de pensamento: uma indica com veêmencia que a biotecnologia não é exclusiva de uma única profissão e que não existe uma formação que seja a melhor para essa área, e portanto, diversas profissões podem atuar na área de biotecnologia sendo ou não considerados formalmente biotecnologistas.Outra corrente de pensamento indica que o bacharel em biotecnologia recebe uma formação acadêmica especifica para este campo de atuação fundamentada na interdisciplinariedade.Em geral, devido ao forte carácter amorfo da biotecnologia, não existe uma grade curricular comum entre os bacharelados em biotecnologia, o que dificulta a aceitação desse bacharel no mercado de trabalho. Além disso, vários dos bacharelados em biotecnologia foram criados com o intuito de fornecer alunos a pós graduações apenas, uma vez que forma criados em regiões sem mercado de trabalho na área de biotecnologia.

Condições gerais de exercício na área de biotecnologia[editar | editar código-fonte]

As condições de trabalho a seguir valem para todos os profissionais envolvidos na área de biotecnologia, desde o biotecnologista até o agrônomo, passando pelo biomédico, bioquímico, químico, farmacêutico etc... O trabalho é exercido em ambientes fechados e controlados de laboratórios de serviços e pesquisa na área de saúde e em complexos hospitalares de excelência, na fabricação de equipamentos e instrumentos, de produtos químicos e biotecnológicos, produtos agrícolas e de pecuária e serviços relacionados. O trabalhador está sujeito a ruídos, abaixas temperaturas, a riscos biológicos e de manipulação de substâncias tóxicas e a radiações.[carece de fontes?]

As atividades são supervisionadas ocasionalmente, os profissionais trabalham, majoritariamente, na condição de trabalho assalariado o horário de trabalho é diurno e, eventualmente, há plantões em turno, no caso de laboratórios de pesquisa.[carece de fontes?]

Deve-se ressaltar que o Ministério do Trabalho brasileiro descreve que a classificação da família 2011- 05-10-15 não compreende biólogos e afins, e este fica limitado ao exercício das atividades profissionais/técnicas vinculadas às diferentes áreas de atuação fica condicionado ao currículo efetivamente realizado ou à pós-graduação lato sensu ou stricto sensu na área de biotecnologia ou à experiência profissional na área de no mínimo 360 horas comprovada pelo Acervo Técnico em RESOLUÇÃO Nº 227, DE 18 DE AGOSTO DE 2010 do CFBio[10].

O projeto de lei que regulamenta a profissão de Biotecnologista e cria os Conselhos Federais e Regionais de Biotecnologia corresponde ao PL 3747/2015 e aguarda parecer e aprovação na câmara do deputados, de acordo com esforços políticos da LinaBiotec.Para uma corrente de pensamento, esse projeto de lei em questão pretende regulamentar as atividade em biotecnologia dando maior segurança aos processo e uniformidade nacional as empresas de maneira a torna-las mais competitivas. Para outra corrente de pensamento, isto é desnecessário, uma vez que já existem conselhos, regulamentações e segurança a estas empresas, inclusive, atualmente os profissionais formados em biotecnologia podem recorrer ao conselho de Química . A importância de um conselho, seja o de química, seja o de um futuro conselho de biotecnologia, é permitir exercicío de atividades remuneradas com um piso salarial definido, emitir parecer técnico e assumir responsabilidade técnica em produtos e processos. Deve-se ressaltar que profissões como zootecnia vem por mais de 30 anos aguardando ter sua profissão registrada em um Conselho próprio.[carece de fontes?]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Convenção sobre Diversidade Biológica (Artigo 2. Utilização de Termos)." Nações Unidas. 1992. Recuperado em 28 de julho de 2015.
  2. Thieman, W.J.; Palladino, M.A. (2008). Introduction to Biotechnology. [S.l.]: Pearson/Benjamin Cummings. ISBN 0-321-49145-9 
  3. "Diamond v. Chakrabarty, 447 U.S. 303 (1980). No. 79-139." United States Supreme Court. 16 de junho de 1980. Página visitada em 4 de maio de 2007.
  4. VoIP Providers And Corn Farmers Can Expect To Have Bumper Years In 2008 And Beyond, According To The Latest Research Released By Business Information Analysts At IBISWorld. Los Angeles (March 19, 2008)
  5. The Recession List — Top 10 Industries to Fly and Fl... (ith anincreasing share accounted for by ...), bio-medicine.org
  6. Bunders, J.; Haverkort, W.; Hiemstra, W. "Biotechnology: Building on Farmer's Knowledge". Macmillan Education, Ltd, 1996. ISBN 0-333-67082-5
  7. Henco, A. International Biotechnology Economics and Policy: Science, Business Planning and Entrepreneurship; Impact on Agricultural Markets and Industry; Opportunities in the Healthcare Sector. ISBN 978-0-7552-0293-5.
  8. «Colours of Biotechnology». Elsevier Biotechnolgy. Consultado em 11 de abril de 2017 
  9. «The Colours of Biotechnology: Science, Development and Humankind». ELECTRONIC JOURNAL OF BIOTECHNOLOGY. Consultado em 11 de abril de 2017 
  10. Classificação Brasileira de Ocupações, último acesso em 17 de abril de 2017.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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