Tecnologia social

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Considera-se tecnologia social todo o produto, método, processo ou técnica, criado para solucionar algum tipo de problema social e que atenda aos quesitos de simplicidade, baixo custo, fácil aplicabilidade (e reaplicabilidade) e impacto social comprovado. É um conceito contemporâneo que remete a uma proposta inovadora de desenvolvimento (econômico ou social), baseada na disseminação de soluções para problemas essenciais como demandas por água potável, alimentação, educação, energia, habitação, renda, saúde e meio ambiente, entre outras.

A tecnologia social pode ser definida como “Conjunto de técnicas, metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida"[1]

Originam-se quer no seio de uma comunidade quer no ambiente acadêmico, podendo ainda aliar os saberes populares e os conhecimentos técnico-científicos. Importa, essencialmente, que a sua eficácia possa ser alcançada ou repetida por outras pessoas, permitindo que o desenvolvimento se multiplique entre as populações atendidas, melhorando a sua qualidade de vida. A tecnologia social deve ainda promover educação, cidadania, inclusão, acessibilidade, sustentabilidade, participação e cultura. Sendo uma tecnologia que promove a transformação social e é desenvolvida em conjunto à população - onde as pessoas que precisam das soluções são parte delas, assumindo o processo da mudança.

Para Renato Dagnino[2], a tecnologia social deve ser adaptada ao pequeno tamanho, trazendo viabilidade econômica para pequenas empresas e empreendimentos autogestionários. Contudo, com o avanço da tecnologia e com a popularização das Hackathons no Brasil, é possível notar um aumento significativo na participação de grandes empresas e instituições expandindo esse mercado para a área digital. Universidades, prefeituras e empresas multinacionais, como a Globo e a IBM, realizam essa competição focando o evento na criação de projetos para atuar diretamente na qualidade de vida das pessoas, aumentar a conscientização sobre um tema social ou transformar o ambiente de uma cidade, universidades ou organizações.

Gandhi ao lado de uma Roca de Fiar

História[editar | editar código-fonte]

A história da utilização de tecnologia em prol da sociedade tem seu começo durante o início do século 20, na Índia que estava sob domínio britânico[3]. Nessa época, Gandhi mostrava para a população como era possível confrontar e fazer manifestações de forma pacífica. Em um dos seus atos mais notórios, Gandhi utilizou da roca de fiar para ensinar as pessoas como era possível fabricar suas próprias roupas e tecidos, além da possibilidade de usar desse artifício para fazer um comércio local e gerar renda. Com essa forma de manifestação, Gandhi fez com que os indianos parassem de comprar produtos vindos da Inglaterra e, consequentemente, foi um dos atos que garantiu a independência da Índia, em 1947[4].

Tecnologias sociais e políticas públicas[editar | editar código-fonte]

As tecnologias sociais são pensadas de maneiras diferentes para cada camada da sociedade. A palavra “social” não tem o intuito de afirmar apenas a necessidade de tecnologia para os pobres ou países subdesenvolvidos, também faz julgamento ao modelo convencional de desenvolvimento tecnológico e sugere uma lógica mais sustentável e solidária. Tecnologia social envolve participação, empoderamento e autogestão de seus usuários.

Já as políticas públicas afetam a todos os cidadãos, de todas as camadas, independente de sexo, raça, religião ou nível social. Conforme definição vigente, políticas públicas são conjuntos de programas, ações e decisões tomadas pelos governos, ou seja, representam direitos assegurados na Constituição.

Apesar de ainda não se constituírem em políticas públicas, as tecnologias sociais vêm sendo cada vez mais reconhecidas pela sua capacidade de promover um novo modelo de produção da ciência e da aplicação da tecnologia em prol do desenvolvimento social.

A trajetória do desenvolvimento da humanidade ao longo dos anos demonstra a relevância da tecnologia no arranjo das relações econômicas e de trabalho, no meio ambiente e na vida dos povos, desde os antepasados, impactando consideravelmente a vida em sociedade.[5]

Tipos de tecnologias sociais[editar | editar código-fonte]

São numerosos os exemplos de tecnologia social, mas basicamente podemos dividi-los entre tecnologias sociais físicas e digitais. Podemos citar como exemplos de tecnologias produtor simples e que podem ser feitos em casa, tem como soro caseiro, como tecnologias mais complexas, como as bombas de insulina e até às cisternas de placas pré-moldadas que atenuam o problema da seca, passando pela oferta de microcrédito, ou ainda pelos Encauchados de Vegetais da Amazônia, que geram renda para populações indígenas e seringueiros, ao agregar valor à borracha nativa, entre outros. Com o advento da internet e a popularização dos computadores e dos Smartphone, as tecnologias sociais digitais começaram a ganhar cada vez mais espaço. Hoje em dia existem inúmeros sites e aplicativos que impactam comunidades e confrontam problemas sociais. Aplicativos como Headspace e Lojong ajudam o usuário a combater ansiedade, estresse, sono e depressão através de aulas de meditação. Outros programas, como Ribon.io e Humble Bundle, oferecem serviços para arrecadar dinheiro e ajudar ONGs e comunidades com doações.

Referências

  1. Caderno de Debate – Tecnologia Social no Brasil. São Paulo: Editora Raiz. 2004. 26 páginas 
  2. Renato, Dagnino, (1 de janeiro de 2014). «Tecnologia Social: contribuições conceituais e metodológicas» 
  3. BOEMER, Anderson Oliveira. «A TECNOLOGIA SOCIAL COMO GARANTIA DA DIGNIDADE HUMANA» (PDF). A TECNOLOGIA SOCIAL COMO GARANTIA DA DIGNIDADE HUMANA. Consultado em 25 de outubro de 2018 
  4. Scholz, Rene. «A roca de Gandhi». Consultado em 25 de outubro de 2018 
  5. www.polis.org.br (PDF) http://www.polis.org.br/uploads/2061/2061.pdf. Consultado em 4 de dezembro de 2018  Em falta ou vazio |título= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]