Controle biológico

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Em Ecologia, o controle biológico (português brasileiro) ou controlo biológico (português europeu) é uma técnica que utiliza meios naturais, notadamente outros organismos vivos, criada para diminuir a população de organismos considerados pragas.[1]

Baseia-se em predação, parasitismo, herbivoria, ou em outros mecanismos naturais, mas tipicamente também envolve um papel de gestão humana ativo. Pode ser um componente importante dos programas gestão integrada de pragas (IPM).

Existem três estratégias básicas para o controle biológico de pragas: clássico (importação), onde um inimigo natural de uma praga é introduzido na esperança de conseguir controle; indutivo (aumento), no qual uma grande população de inimigos naturais são administrados para controle rápido de pragas; e inoculativo (conservação), em que são tomadas medidas para manter inimigos naturais por meio do restablecimento regular.[2]

A principal característica do controle biológico é não causar danos acumulativos à lavoura ou aos inimigos naturais do alvo do controle.

história[editar | editar código-fonte]

O termo “Controle Biológico” foi mencionado pela primeira vez em 1919 por H.S. Smith para referenciar o uso de inimigos naturais no controle de insetos-praga em cultivos. Em seguida esse termo passou a ser utilizado para todas as formas de controles alternativos aos produtos químicos, que envolvessem organismos vivos.

O controle biológico é um fenômeno natural, o qual consiste no controle do número de plantas e animais pelos seus inimigos naturais ou introduzidos. Podendo ser útil para o controle de patógenos, pragas e “ervas daninhas”. Para isto, envolve o mecanismo de densidade recíproca, onde uma população é controlada por outra população, isto é, um inseto praga é sempre controlado por outro inseto, que por sua vez é predador do inseto praga e assim mantem o equilíbrio natural do ambiente, onde se uma das populações aumenta simultaneamente a outra também irá aumentar.

A procura pelos programas de controle biológico de pragas tem crescido consideravelmente no mundo em função do novas diretrizes internacionais de produção agrícola de favorecer a conservação e o uso sustentável dos recursos biológicos, medida básica para Convenção da Biodiversidade. O mercado internacional e nacional demandam fortemente alternativas para o Controle Químico (agrotóxicos), e a utilização de inimigos naturais é uma alternativa promissora.

O Brasil utiliza por ano, cerca de 260 mil toneladas de agrotóxicos nas lavouras, onde o consumo de pesticidas aumentou 60% na última década. O controle biológico parece ser uma alternativa não apenas ecologicamente correta, mas também economicamente viável.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Tipos de controladores[editar | editar código-fonte]

Os controladores biológicos podem ser definidos de três maneiras:

  • Parasitoides: São seres vivos que parasitam outros seres impossibilitando-os chegar à fase reprodutiva. O parasitoide passa um período em desenvolvimento internamente ou externamente em um único hospedeiro, que no final do ciclo o mata.
  • Predadores: Durante todo seu ciclo de vida ou parcialmente são organismo de vida livre que buscam ativamente e matam suas presas. Normalmente são maiores que suas presa e precisam de mais do que uma presa para completar seu ciclo de vida. Ex: Marimbondos e Gaviões.
  • Patógenos: Os agentes patogênicos são organismos microscópicos que podem se multiplicar no organismo do seu hospedeiro, podendo causar infecções e outras complicações.

Formiga morta por um fungo patogênico

Formas de controle[editar | editar código-fonte]

Existem quatro tipos de controle biológico:

  • Controle Biológico Artificial: interferência artificial de forma que ocorre aumento de seres predadores, parasitoides ou patogênicos, sendo eles seres vivos mais atuantes no controle biológico natural como insetos, fungos, vírus, bactérias, nematoides e ácaros.
  • Controle Biológico Clássico: introdução por meio de importação e colonização de predadores ou parasitoides, focando ao controle de pragas exóticas, ocasionalmente nativos. A liberação é realizada com um número reduzido de indivíduos por algumas vezes no local, como uma medida de controle a longo prazo, pois a população dos inimigos naturais tende a aumentar com o passar do tempo e, portanto, somente se aplica a culturas especificas como semiperenes ou perenes.
  • Controle Biológico Natural: refere-se a populações de inimigos naturais que ocorrem naturalmente no local, responsáveis pela mortalidade natural no agroecossistema e, consequentemente, pela manutenção de um nível de equilíbrio das pragas.
  • Controle Biológico Aplicado: trata-se de liberações em massa de predadores ou parasitoides, após criação laboratorial de larga escala. Esse tipo de controle biológico é bem aceito pelo mercado, pois tem um tipo de ação rápida, muito semelhante à de inseticidas convencionais.

Vespas Sociais desempenhado papel de predadores naturais

Referências

  1. Flint, Maria Louise & Dreistadt, Steve H. (1998). Clark, Jack K., ed. Natural Enemies Handbook: The Illustrated Guide to Biological Pest Control. [S.l.]: University of California Press. ISBN 978-0-520-21801-7. Cópia arquivada em 15 de maio de 2016 
  2. Unruh, Tom R. (1993). «Biological control». Orchard Pest Management Online, Washington State University. Consultado em 8 de novembro de 2017 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • "A Folha de S. Paulo", caderno "Agrofolha", 1998.
  • "Crise Socioambiental e Conversão Ecológica da Agricultura Brasileira", Silvio Gomes de Almeida e outros, Rio de Janeiro: AS-PTA, 2001.
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