Biomimética

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A biomimética é uma área da ciência que tem por objetivo o estudo das estruturas biológicas e das suas funções, procurando aprender com a Natureza, suas estratégias e soluções, e utilizar esse conhecimento em diferentes domínios da ciência. A designação desta recente e promissora área de estudo científico provém da combinação das palavras gregas bíos, que significa vida e mímesis que significa imitação. Dito de modo simples, a biomimética é a imitação da vida. Vale observar que a Biônica, apesar da semelhança da definição, procura a imitação por meio de maquinas sem necessariamente estudar a natureza (performance), enquanto que para a Biomimética a compreensão do fenômeno natural é o foco principal. Ex.: (um braço biônico robotizado ou um braço desenvolvido semelhante as lagartixas a nivel celular Biomiméticamente)

Área multidisciplinar[editar | editar código-fonte]

Estudos biomiméticos pertencem a uma área altamente multidisciplinar, encapsulando diversos ramos da ciência. Áreas como Biologia, Química, Física, Informática, Design, Matemática e Electrónica são temas geralmente abordados. Na Natureza existem milhões de espécies das quais menos de dois milhões estão catalogadas até agora. Isto representa uma gigantesca base de dados de soluções inspiradas em sistemas biológicos para a resolução de problemas de engenharia e de outros campos da tecnologia. Na arquitetura, a biomimética inspira a busca na natureza por soluções inovadoras que aperfeiçoem a eficiência do edifício em termos de economia, durabilidade, conforto.[1]

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Tendo como objetivos a imitação da Natureza, o entendimento do seu funcionamento e, consequentemente, a melhoria da performance de componentes atuais, alguns modelos biomiméticos seriam:

Velcro
O Velcro foi desenvolvido em 1941 pelo engenheiro suiço Georges de Mestral, que passeava com o seu cão por bosques e percebeu que algumas sementes ficavam presas em suas calças e no pêlo de seu cachorro. Desta observação ele se questionou sobre a possibilidade de usar este mesmo mecanismo para fixar objetos por um sistema de minúsculos ganchos e um tecido.[2]
Shrilk
Shrilk é um material biodegradável e biocompatível de extrema leveza, resistência e versatilidade desenvolvido a partir da recriação em laboratório da estrutura química e laminar presente na casca de artrópodes e crustáceos.[3]
Superfícies de baixo atrito
Inspirada na forma como a pele dos peixes reage ao contato com a água, essa tecnologia, aplicada ao seu traje de natação, ajudou o nadador Michael Phelps em suas conquistas nas piscinas. A mesma tecnologia tem sido aplicada também em cascos de navios, submarinos e mesmo aviões.[4]
Telas "asa-de-borboleta"
São superfícies de visualização de baixíssimo consumo de energia, baseadas na forma como as asas de borboletas refletem a luz.[5]
Turbina "WhalePower"
Inspirada na forma das barbatanas da baleia jubarte, as lâminas nervuradas desse tipo de turbina eólica produzem 32% menos atrito e 8% de deslocamento de ar que as lâminas lisas convencionais.[6]
Carro biônico
Desenvolvido pela Mercedes-Benz a partir da forma do peixe cofre, o carro Bionic atinge um coeficiente de aerodinâmica de 0,19 e consome 20% menos combustível que um veículo convencional de potência equivalente.[7]
Locomoção de animais
Muitos cientistas contemporâneos usam robôs para explicar fenômenos observados em animais que são pouco compreendidos. Enquanto o cientista Sangbae Kim do MIT foca seus estudos na variação dinâmica de atrito entre as ventosas das patas da lagartixa num fenômeno chamado adesão direcional (coeficientes de atrito variam de acordo com a direção da força)[8] , o cientista Andre Rosendo, da Universidade de Cambridge, usa músculos artificiais para estudar como o arco reflexo, presente em músculos, ajuda o corpo a manter o balanço durante a locomoção humana.[9]
Efeito lótus
Baseado na forma como as folhas do lótus repele a água e a sujeira, diversas soluções estão sendo desenvolvidas pela indústria para aplicação em tecidos, metais, para-brisas de aviões e faróis de automóveis.[10]

Comentários de especialistas[editar | editar código-fonte]

A biomimética observa a Natureza e procura explicar e reproduzir em sistemas sintéticos fenomenos similares aos encontrados nos sistemas biológicos. Este estudo permite desenvolver ou aperfeiçoar novas soluções de engenharia, estimular novas ideias, sendo que os biomimeticistas encontram na Natureza um modelo perfeito de inspiração e de imitação.

O cientista Stephen Wainwright afirmou que a "biomimética ultrapassará a biologia molecular e a substituirá como a mais desafiadora e importante ciência biológica do Século XXI"[carece de fontes?]. O professor Mehmet Sarikaya afirmou: "Estamos no limiar de uma revolução de materiais equivalente à que houve na Idade do Ferro e na Revolução Industrial. Estamos a entrar rapidamente numa nova era de materiais. Penso que, dentro de um século, a biomimética modificará significativamente o nosso modo de vida."[carece de fontes?] Segundo a citação de Phil Gates, em Wild Technology: "Muitas das nossas melhores invenções foram copiadas de outros seres vivos ou já são utilizadas por eles."[carece de fontes?]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Biomimética

Ligações externas[editar | editar código-fonte]