Ramatis

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Ramatis é o nome atribuído pelo médium Hercílio Maes a uma entidade espiritual que o orientaria na escrita de seus livros. Apareceu pela primeira vez em 1955 no livro A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores.

Outros autores também atribuíram a essa entidade a inspiração de seus livros, como América Paoliello Marques, Maria Margarida Liguori, Norberto Peixoto, Wagner Borges e Márcio Godinho. Outros nomes também são atribuídos a essa entidade, como Ramatís, Rama-tys e Swami Sri Rama-tys.

História[editar | editar código-fonte]

A partir da metade da Década de 1940, a Guerra Fria traz o medo da guerra nuclear, criando no imaginário popular a apreensão com o que pudesse vir do céu[1]. Dentro desse imaginário, o medo do "inimigo soviético" era o medo do desconhecido e se tornou o medo também dos extraterrestres[1]. Nessa época, dezenas de livros e filmes foram editados sobre o tema, impingindo o interesse na vida extraterrestre definitivamente na mente das pessoas[2]. Influenciados por essa conjuntura, várias religiões iniciaram um movimento de sincretismo com a crença da vida em outros planetas, notadamente espíritas, teosofistas e rosacruzes[2]. Os primeiros traços dessa "espiritualidade extraterrestre" surgem com uma série de livros, como A caminho da Luz (1939) e Nosso Lar (1944) de Chico Xavier e Os exilados da capela (1959) de Edgard Armond[3].

É dessa época o livro A vida no planeta Marte e os discos voadores, de Hercílio Maes. O livro é a primeira aparição de Ramatis, que teria ditado o texto ao autor, e descreve uma sociedade espiritual habitando o Planeta Marte[4]. Tal sociedade reproduz as contradições socioculturais do Planeta Terra, como o racismo, pois retrata a parte do povo "marciano negro" como um povo primitivo[4]. Descreve ainda a vida quotidiana dos marcianos e suas naves espaciais, delineando os elementos que passariam a ser recorrentes nos textos ufológicos[5].

Ramatis, Ramatís, Rama-Tys ou ainda Swami Sri Rama-tys é o nome da última encarnação do espírito que teria ditado o texto do livro a Hercílio Maes. Ele teria sido um Guru hindu que teria vivido no Século X[6]. A palavra Ramatis lembra a cidade de Ramadi, perto de Bagdá ou o fóssil encontrado na Etiópia chamado de Ramadis Kadaba, que significa “raiz” na língua afar[7].

Em encarnação anterior teria sido o matemático Pitágoras[8]. Teria também vivido na mítica ilha de Atlântida e no Egito, onde conheceu Allan Kardec[7]. Posteriormente teria sido conselheiro do Rei Salomão, filho de Moisés e guarda-costas de Jesus[7].

Ramatisismo[editar | editar código-fonte]

Ramatisismo, também chamado de ramatisianismo é uma vertente do espiritismo que alega seguir os ensinamentos de Ramatis. Seus adeptos são chamados ramatisistas. Eles acreditam que Jesus era, na verdade, um anjo capaz de incorporar um espírito chamado Cristo Planetário[9]. Os ramatisistas são vegetarianos e tem ligações com o gnosticismo e esoterismo[9], aproximando-se da Umbanda e, em certos aspectos, do hinduísmo[10].

Para seus seguidores, Ramatis coordena a Fraternidade da Cruz e do Triângulo, uma "equipe" de espíritos oriundos do Cristianismo e de tradições religiosas do Oriente[11]. A criação de tal fraternidade teria se dado no espaço sideral com a união de duas fraternidades de espíritos: a Fraternidade da Cruz, que atuaria no Ocidente, e a Fraternidade do Triângulo, que atuaria do Oriente[10].

O Ramatisismo é rejeitado por parte do movimento espírita brasileiro, em particular pela Federação Espírita Brasileira. Sobre isso, são emblemáticos os escritos de Herculano Pires que em sua coluna no Diário de São Paulo, classificava Ramatis como "espírito mistificador" e um dos “falsos profetas da erraticidade”[12].

Cultura popular[editar | editar código-fonte]

Na série televisiva Star Trek: The Next Generation, no episódio “Loud as a whisper” (Temporada 2, episódio 5), a personagem Riva é membro da família governante do Planeta Ramatis III, do Sistema Ramatis[7]. Em tal planeta a evolução suprimiu a capacidade de escutar e todos se comunicam telepaticamente[13].

Obras atribuídas a Ramatis[editar | editar código-fonte]

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Hercílio Maes
  • 1955 - A Vida no Planeta Marte e os Discos Voadores
  • 1956 - Mensagens do Astral
  • 1957 - A Vida Além da Sepultura
  • 1958 - A Sobrevivência do Espírito
  • 1959 - Fisiologia da Alma
  • 1960 - Mediunismo
  • 1963 - Mediunidade de Cura
  • 1964 - O Sublime Peregrino
  • 1964 - Elucidações do Além
  • 1967 - A Missão do Espiritismo
  • 1967 - Magia de Redenção
  • 1970 - A Vida Humana e o Espírito Imortal
  • 1974 - O Evangelho à Luz do Cosmo
  • 1999 - Sob a Luz do Espiritismo
América Paoliello Marques
  • 1962 - Mensagens do Grande Coração
  • 1973 - Brasil, Terra de Promissão
  • 1974 - A Rosa e o Espinho
  • 1980 - Jesus e a Jerusalém Renovada
  • 1985 - Evangelho, Psicologia, Ioga
  • 2006 - Viagem em Torno do "Eu"
Maria Margarida Liguori
  • 1990 - Momento de Reflexão, volume I
  • 1993 - Momento de Reflexão, volume II
  • 1995 - Momento de Reflexão, volume III
  • 1999 - O Homem e o Planeta Terra
  • 2000 - O Despertar da Consciência
  • 2001 - Em Busca da Luz Interior
  • 2001 - Jornada de Luz
Beatriz Bérgamo
Wagner Borges
  • 1993 - Viagem Espiritual I
Márcio Godinho
  • 2000 - As Flores do Oriente
  • 2001 - O Universo Humano
  • 2006 - Resgate nos Umbrais
  • 2007 - Travessia para a Vida
Norberto Peixoto
  • 2001 - Chama Crística
  • 2002 - Samadhi
  • 2003 - Evolução no Planeta Azul
  • 2004 - Jardim dos Orixás
  • 2005 - Vozes de Aruanda
  • 2006 - A Missão da Umbanda
  • 2008 - Umbanda Pé no Chão
  • 2009 - Diário Mediúnico
  • 2010 - Mediunidade e Sacerdócio
  • 2011 - O Triunfo do Mestre
  • 2012 - Aos Pés do Preto Velho
Mariléa de Castro
  • 2005 - Haiawatha, Ramatis o mestre da raça vermelha
Dalton Campos Roque
  • 2004 - O Karma e Suas Leis
  • 2013 - Mensagens de Ramatís e Amigos Espirituais
Sávio Mendonça
  • 2015 - O Vale dos Espíritas
  • 2016 - Missão Planetária
  • 2017 - A Derradeira Chamada

Referências

  1. a b Giaconetti, Milton José (2009). As luzes no céu e a guerra fria: do limiar do conflito ao imaginário sobre os discos voadores 1945-1953 (Dissertação de Mestrado). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Consultado em 26 de junho de 2018 
  2. a b Santos, Rodolpho (2009). A invenção dos discos voadores : Guerra Fria, imprensa e ciencia no Brasil (1947-1958) (Dissertação de Mestrado). Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Consultado em 26 de junho de 2018 
  3. Santos, Altierez (2016). As narrativas visuais e religiosas do Vale do Amanhecer (Dissertação de Mestrado). Universidade Metodista de São Paulo - Escola de Comunicação, Educação e Humanidades. Consultado em 26 de junho de 2018 
  4. a b Santos, Sebastião dos (2017). «Jeová contra os orixás: os processos da violência simbólica e a influência da matriz cultural-religiosa brasileira na intolerância aos "indesejados" da sociedade». Contemplação - Revista Acadêmcia de Filosofia e Teologia da Faculdade João Paulo II. 15. ISSN 2179-8079. Consultado em 26 de junho de 2018 
  5. Carlos, Daniel (2007). Extraterrestres : Ciência e Pensamento Mítico no mundo moderno (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de São Carlos. Consultado em 26 de junho de 2018 
  6. Madureira, Antoinette (2010). Vassouras, ciganas e extraterrestres : médiuns e emoções no campo religioso espírita de Natal (RN) (Tese de Doutorado). Universidade Federal de Pernambuco. Consultado em 27 de junho de 2018 
  7. a b c d McElroy, Isis. «O reino de Aruanda - de porto luso-angolano de escravos a reino mítico afro-brasileiro». SCRIPTA. 11 (20). ISSN 1516-4039. Consultado em 28 de junho de 2018 
  8. Lima, Ronie (Janeiro de 2005). A Vida Além da Vida 2ª ed. Rio de Janeiro: Mauad. p. 146. ISBN 8574781738 
  9. a b Vidal, Fabiano (30 de junho de 2014). Em torno do Nosso Lar: uma análise das controvérsias produzidas no movimento espírita (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal da Paraíba. Consultado em 29 de junho de 2018 
  10. a b Macedo, Felipe (2011). «Uma Índia na Tijuca - Concepções, imaginações da Índia a partir de um centro espírita carioca». Núcleo de Antropologia Urbana. São Paulo: NAU - Laboratório de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo. Ponto Urbe (9). ISSN 1981-3341. doi:10.4000/pontourbe.1814. Consultado em 2 de julho de 2018 
  11. Sagredo, Raisa (2013). Entre a egiptomania e a egiptologia: um estudo das representações do Faraó Akhenaton no Brasil. (Trabalho de Conclusão de Curso). Consultado em 2 de julho de 2018 
  12. Madureira, Antoinette; Rios, Luís Felipe (2012). «A esquina do povo de alt'lam: aprimoramento racial e moral no movimento espírita natalense». Debates do NER (21): 123-150. ISSN 1519-843X. Consultado em 29 de junho de 2018 
  13. «Ramatis III». Star Trek. Consultado em 28 de junho de 2018