Arte espírita

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Arte espírita é uma manifestação cultural dos espíritas que se propõem a aliar os princípios e valores éticos e morais do Espiritismo às manifestações artísticas em geral, por meio da arte-educação, a serviço do bem e do belo. A Arte Espírita traduz os postulados espíritas em seu conteúdo, na finalidade e na intenção que inspirou o processo criativo e na nascente do coração que se propõe a servir. A Arte Espírita tem por objetivo a divulgação da Doutrina Espírita, aliada ao entretenimento e à educação, à luz do Consolador prometido pelo Cristo.

algumas citações:

“Assim como a arte cristã sucedeu à arte pagã, transformando-a, a arte espírita será o complemento e a transformação da arte cristã.” Allan Kardec – Obras Póstumas “O Espiritismo irá depurar a arte que conhecemos e esta arte, depurada, será aquela inspirada nos ensinamentos da Doutrina Espírita”. [...] Espírito Rossini – Obras Póstumas

“[...] Oh! Sim, o Espiritismo terá influência sobre a música! Como poderia não ser assim? Seu advento transformará a arte, depurando-a. Sua origem é divina, sua força o levará a toda parte onde haja homens para amar, para elevar-se e para compreender. Ele se tornará o ideal e o objetivo dos artistas. Pintores, escultores, compositores, poetas irão buscar nele suas inspirações e ele lhas fornecerá, porque é rico, é inesgotável”. “Toda gente reconhece a influência da música sobre a alma e sobre o seu progresso. Mas, a razão dessa influência é em geral ignorada. Sua explicação está toda neste fato: que a harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa.” Espírito Rossini – Obras Póstumas

O impulso criativo do ser, que deseja buscar o Cristo, construindo a sua transformação moral, alicerçado nos conteúdos espíritas, provoca manifestações artísticas as mais diversas. Essas manifestações culminaram no surgimento de um segmento novo de trabalhadores espíritas, conscientes dos objetivos de sensibilização, evangelização, 4 divulgação doutrinária, entretenimento e terapia, além de se observar a importância da utilização da arte como poderosa ferramenta pedagógica.

A Arte Espírita, na sua finalidade precípua de transformação interior, pode ser apresentada nos mais diversificados meios de comunicação tanto no meio espírita, quanto fora dele, alcançando a mídia, praças, palcos de auditórios, universidades, teatros, etc.

Atualmente, o Brasil é o país que abriga a maior quantidade de artistas e de produções de arte espíritas. A Associação Brasileira de Artistas Espíritas conta hoje com mais de 200 associados.

Arte mediúnica[editar | editar código-fonte]

As primeiras expressões artísticas identificadas com a doutrina espírita surgem em 1858, pouco após o lançamento de O Livro dos Espíritos. Observa-se nesse primeiro período uma forte identificação entre arte e mediunidade. Já na Revista Espírita de agosto daquele ano, consta a reprodução de um desenho intitulado A casa do Profeta Elias, em Júpiter.[1] A peça é do teatrólogo espírita Victorien Sardou, que a atribuiu ao espírito do ceramista francês Bernard Palissy. Três meses depois, o periódico publica relatos sobre um médium pintor norte-americano, identificado como E. Rogers. Já a edição de dezembro de 1858 traz o primeiro de uma série de textos que preencheriam ao longo dos anos a seção Poesia Espírita da revista. Trata-se do poema O despertar de um Espírito, atribuído ao espírito Jodelle, numa possível referência ao poeta francês Étienne Jodelle.

No ano seguinte, a arte mediúnica chega ao campo da música. A edição de maio de 1859 da Revista traz uma matéria sobre o fragmento de uma sonata atribuída ao espírito de Mozart, pelo médium Bryon-Dorgeval.[2] Em 1860, Kardec utiliza pela primeira vez a expressão arte espírita, propondo-a como o terceiro elemento de uma tríade formada também pela arte pagã e pela arte cristã.[3] Já nesse enunciado inicial, o sistematizador da doutrina parece mais propenso a uma arte inspirada pelo espiritismo do que a obras atribuídas a espíritos. Mesmo assim, nos anos seguintes só haveria registros esparsos de uma produção artística não-mediúnica entre os espíritas.

A arte dos espíritas[editar | editar código-fonte]

Em 1862, há o primeiro registro de uma obra de arte espírita não atribuída a espíritos. O poema O Vento, apresentado na Revista Espírita de fevereiro daquele ano como uma fábula espírita, é do francês que se identifica como C. Dombre, de Marmande. O texto usa como epígrafe uma frase de Kardec[4] e consiste numa metáfora sobre a difusão do espiritismo. Em setembro, sai o poema Peregrinações da alma de B. Jolly, herborista de Lyon, e, em outubro, nova fábula poética de C. Dombre, intitulada A Abóbora e a Sensitiva.

Em fevereiro de 1864, circula em Paris o romance A Lenda do Homem Eterno, do escritor francês Armand Durantin. O autor, que não era espírita, desenvolveu uma trama na qual um homem conhece o espiritismo após o falecimento da esposa, e acaba por se descobrir médium.[5] Kardec critica a obra por incorreções nas referências espíritas. Apesar disso, destaca o valor da iniciativa, aparentemente pioneira..[6]

Dois meses depois, o francês Jean de la Veuze publica A Guerra ao Diabo e ao Inferno, a imperícia do diabo, o diabo convertido, uma sátira à tese de que o espiritismo seria um instrumento diabólico para encaminhar pessoas ao inferno.[7] Quase simultaneamente, o espírita V. Toumier lança Cartas aos Ignorantes, filosofia do bom senso, uma síntese poética dos princípios contidos em O Livro dos Espíritos.[6]

Ainda naquele ano, em outubro, o quadro Cena do interior de camponeses espíritas participa de exposição na cidade francesa de Anvers. Não há registro sobre a autoria da peça, que retrata uma sessão mediúnica numa casa no campo.[8]

Obras audiovisuais e teatrais[editar | editar código-fonte]

São muitos os filmes, séries de TV, telenovelas, peças de teatro e musicais relacionados direta ou indiretamente à Doutrina Espírita.

São exemplos:

Cinema[editar | editar código-fonte]

  • Joelma 23º Andar (1979), filme brasileiro dirigido por Clery Cunha e protagonizado por Beth Goulart, baseado na obra "Somos Seis", psicografada por Francisco Cândido Xavier. É o primeiro no país com temática espírita e o único que retratou o incêndio do Edifício Joelma que deixou 179 mortos e mais de 300 feridos (1 de fevereiro de 1974).
  • O Médium (1983), filme brasileiro dirigido por Paulo Figueiredo, narra a história de Adriano Jordão, um médico auxiliado espiritualmente em suas cirurgias.
  • O Espiritismo - De Kardec aos Dias de Hoje (1995), o filme brasileiro com atuação de Ednei Giovenazzi no papel de Allan Kardec e narração por Aracy Balabanian, traz uma visão geral sobre os preceitos básicos da Doutrina Espírita e sua contribuição para o progresso e a felicidade do ser humano. Abrangendo desde as obras que compõem a Codificação do Espiritismo por Kardec, ao Movimento Espírita do momento em que o filme foi lançado.
  • Eurípedes Barsanulfo - Educador e Médium (2006), é um filme brasileiro do gênero documentário, dirigido por Oceano Vieira de Melo e narrado pelo ator Lima Duarte. Conta a história de Eurípedes Barsanulfo, um grande expoente do Espiritismo e da Educação Escolar no Brasil.
  • Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito (2008), filme brasileiro dirigido por Glauber Filho e Joe Pimentel. Narra a história de Bezerra de Menezes, o "médico dos pobres". Nas 27 semanas em que esteve em cartaz, de agosto de 2008 a março de 2009 foi visto por mais de 500 mil espectadores.
  • Chico Xavier (2010), filme brasileiro protagonizado por Nelson Xavier e Ângelo Antônio. Narra a biografia do mais famoso e aclamado médium brasileiro, Francisco Cândido Xavier, tendo alcançado a marca de 3,5 milhões de espectadores nos cinemas.
  • Nosso lar (2010), filme brasileiro dirigido por Wagner de Assis, com base no livro homónimo (Nosso Lar) psicografado por Francisco Cândido Xavier, retrata a vida após a morte na colônia espiritual Nosso Lar. Foi distribuído pela 20th Century Fox e tem a trilha sonora composta por Philip Glass. Alcançou a marca de mais de 4 milhões de espectadores nos cinemas.[9]
  • As Cartas Psicografadas por Chico Xavier (2010), filme brasileiro do gênero documentário, dirigido por Cristiana Grumbach mostrando o testemunho de famílias que receberam notícias de seus entes queridos falecidos por meio de cartas psicografadas por Francisco Cândido Xavier. Foi selecionado para participar da mostra competitiva do 3º Festival Paulínia de Cinema, para o 38º Festival de Cinema de Gramado e para a 5ª Mostra de Cinema de Ouro Preto.
  • As Mães de Chico Xavier (2011), filme brasileiro dirigido por Glauber Filho e Halder Gomes, com roteiro dos mesmos diretores baseado no livro "Por Trás do Véu de Ísis", de Marcel Souto Maior. Narra a história de três mães que, após perderem os filhos, recorrem a Francisco Cândido Xavier na esperança de receberem mensagens do plano espiritual
  • O Filme dos Espíritos (2011), filme brasileiro com o roteiro livremente baseado em "O Livro dos Espíritos" (primeira obra da Codificação Espírita). Conta a história do psiquiatra Bruno Alves (Reinaldo Rodrigues), que após perder a mulher, vítima de câncer, se vê completamente abalado e com vontade de se suicidar, até que ele entra em contato com "O Livro dos Espíritos" e daí então começa uma jornada em busca de sua felicidade a partir da compreensão da vida espiritual pelo Espiritismo.
  • E a Vida Continua... (2012), filme brasileiro dirigido por Paulo Figueiredo, com base no livro homônimo (E a Vida Continua...) psicografado por Francisco Cândido Xavier. Narra a trajetória do casal Ernesto e Evelina após a morte.
  • Deixe-me Viver, filme (2016) brasileiro dirigido por Clovis Vieira, baseado no livros de mesmo nome,  relata de forma clara e objetiva o tormento que passa um abortado e as consequências desastrosas para os que praticam o aborto, seja na qualidade de pacientes, indutores, executantes e/ou equipes participantes deste ato.

Séries de TV[editar | editar código-fonte]

Telenovelas[editar | editar código-fonte]

Fatos

  • 2007, Criação da Associação Brasileira de Artistas Espíritas, Abrarte
  • 2009, Lançamento do Núcleo de Audiovisual Espírita (NAVE), Goiânia (GO). com o objetivo produzir materiais audiovisuais com temática espírita, incentivar a criação de grupos com este interesse, e promover mostras de vídeos com temática espírita.
  • 2011, 1º Festival de Cinema Transcendental, em Brasília, coordenação de Lucas de Pádua
  • 2016, Lançamento do Programa Arte Espírita na FEBTV e do site www.artespirita.com.br para divulgação da Arte Espírita por meio do Arte audiovisual, responsável Cleiton Freitas

Notas e Referências

  1. Uma réplica do desenho original, no formato 47 x 60cm, pode ser vista aqui
  2. O trecho foi encontrado em 2004, numa biblioteca londrina, e remetido à Federação Espírita Brasileira. O engenheiro Alexandre Zaghetto reconstituiu a partitura no computador. Ela pode ser acessada aqui
  3. No artigo A arte pagã, a arte cristã, a arte espírita, publicado em dezembro daquele ano, Kardec defende a arte espírita como a sucessora da arte cristã: "(…) o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso, e ainda inexplorado, e quando o artista trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações"
  4. "Quanto mais a crítica tem ressonância, mais pode fazer de bem, chamando a atenção dos indiferentes"
  5. Revista Espírita, fevereiro de 1864, Notícias bibliográficas, A Lenda do Homem Eterno
  6. a b Idem, ibidem
  7. Revista Espírita, maio de 1864, Notícias bibliográficas
  8. Revista Espírita, outubro de 1864, Variedades, Um quadro espírita na exposição de Anvers
  9. [1]
  10. MATTOS, Laura. Globo investe no espiritismo em seriado com Selton Mello. In www1.folha.uol.com.br, 23/05/2010. Visto em 26/11/2013.
  11. RITO, Eloísa Sena. Representação do Céu e do Inferno no último capítulo da Novela A Viagem. (UNIBAN, 2010)
  12. RIBEIRO, Raphael Alberto. ALMAS ENCLAUSURADAS: práticas de intervenção médica, representações culturais e cotidiano no Sanatório Espírita de Uberlândia (1932-1970), pg. 3. (Associação Nacional de História, 2007)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]