André Luiz (espírito)

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Hospital Espírita André Luiz (Belo Horizonte, Minas Gerais, 2008)

André Luiz é o nome atribuído pelo médium e filantropo brasileiro Francisco Cândido Xavier a um dos espíritos mais frequentes em sua obra psicografada.[1][2]

André Luiz teria sido um médico em sua última encarnação e muitas das obras psicografadas atribuídas a ele possuem diversas informações biológicas complexas. Um artigo publicado na revista científica Neuroendocrinology Letters [en] em 2013, cientistas brasileiros compararam o conhecimento médico recente com doze obras psicografadas por Chico Xavier atribuídas a André Luiz, identificando nelas várias informações corretas altamente complexas sobre a fisiologia da glândula pineal e que só puderam ser confirmadas cientificamente cerca de 60 anos após a publicação das obras. Os cientistas ressaltaram que o fato de que o médium possuía baixa escolaridade e não era envolvido no campo da saúde levanta questões profundas sobre as obras serem ou não fruto de comunicação espiritual.[3]

Possíveis identidades[editar | editar código-fonte]

Acerca da verdadeira identidade em vida da entidade espiritual, e considerando que vários pormenores nas obras de André Luiz foram preventivamente alterados (a pedido deste próprio espírito, segundo consta a biografia As Vidas de Chico Xavier),[4] existem várias teorias no movimento espírita, associando o espírito a diferentes personalidades históricas.

Oswaldo Cruz[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Osvaldo Cruz
Oswaldo Cruz

Uma das teorias sustenta que, em sua última encarnação, a entidade teria sido um médico brasileiro residente no Rio de Janeiro, e entre esses, citado o nome de Oswaldo Cruz. Uma leitura atenta da obra Nosso Lar, aliada a algum conhecimento da biografia do cientista brasileiro, leva à constatação de que são personalidades distintas. André Luiz, em vida, fora filho de um comerciante, enquanto que Oswaldo Cruz era filho de Bento Gonçalves Cruz, médico veterano da Guerra do Paraguai. Adicionalmente, recorde-se que Oswaldo Cruz desencarnou em 1917, vítima de insuficiência renal, sendo que André Luiz desencarnou em decorrência de oclusão intestinal e, tendo passado "mais de oito anos" nas regiões umbralinas,[5] estava ainda se adaptando à vida na "colônia espiritual" Nosso Lar, para onde acabara de ser levado, quando recebeu a notícia de que era agosto de 1939. Portanto, deve ter desencarnado por volta de 1929 a 1930.

Carlos Chagas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Carlos Chagas
Carlos Chagas

A versão mais aceita é que André Luiz teria sido o médico Carlos Chagas, que faleceu em 1934. Tal versão é confirmada pelo médium e médico Waldo Vieira,[6] que também possui obras psicografadas atribuídas a André Luiz, três delas psicografadas em parceria com Chico Xavier.

O livro Na Próxima Dimensão, de Inácio Ferreira, psicografia de Carlos A. Bacelli, também postula que André Luiz é Carlos Chagas[7]

Na obra de Suely Caldas Schubert Testemunhos de Chico Xavier, da Editora FEB, que é uma compilação de cartas de Chico Xavier ao então presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), Wantuil de Freitas, Chico relata que André Luiz apareceu pela primeira vez no ano de 1941. O espírito Emmanuel informa a Chico que André Luiz estava treinando para a tarefa de enviar das autoridades espirituais a obra Nosso Lar.

O livro Nosso Lar tem uma passagem que informa o período que o espírito André Luiz passou no Umbral: mais de oito anos.

Se Carlos Chagas desencarnou em 1934, não poderia ser o mesmo André Luiz que estava com Chico em 1941 para se preparar para a obra Nosso Lar. Seria sete anos após seu desencarne.

Como o verdadeiro André Luiz passou mais de oito anos no Umbral. Sete anos após o seu desencarne, Carlos Chagas, se fosse o espírito André Luiz, estaria ainda no Umbral em 1941. Portanto não é provável que Carlos Chagas seja André Luiz. O Testemunho de Chico Xavier é sem sombra de dúvidas mais confiável que o de Inácio Ferreira e de Waldo Vieira, pois a carta é um documento escrito por Chico Xavier.[8]

Faustino Esposel[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Faustino Monteiro Esposel
Faustino Monteiro Esposel

Estudos conduzidos, cruzando as informações biográficas internas nos livros psicografados por Chico Xavier, da Série André Luiz, permitiram chegar ao resultado mais provável, Faustino Monteiro Esposel, conforme consta na referência de Luciano dos Anjos, disponível no site Espiritualidades.[9]

Outras fontes espíritas são concordantes com esta identificação, tais como a Biblioteca Virtual Espírita,[10] bem como a própria Federação Espírita Brasileira demonstrou aceitar a matéria do jornalista Luciano dos Anjos.[11]

Esposel foi um médico brasileiro, neurologista, que ocupou a Cadeira nº 58 da Academia Nacional de Medicina.[12][13]

Críticas a André Luiz[editar | editar código-fonte]

Herculano Pires, tido como crítico de André Luiz foi, na verdade, um defensor das obras ditadas pelo Espírito, combatendo, isso sim, os de sua época que queriam transformá-las numa “Quarta Revelação”, o que significava deixar totalmente em segundo plano, ou renegar as Obras Básicas, de Kardec, que concretizam a chamada “Terceira Revelação”.[carece de fontes?]

Obras atribuídas a André Luiz[editar | editar código-fonte]

As seguintes obras atribuídas a André Luiz, com a exceção de Conduta Espírita e Sol nas Almas, foram psicografadas ou copsicografadas por Chico Xavier.

Série André Luiz (Coleção A Vida no Mundo Espiritual)
Série André Luiz (Obras Complementares)

Série Trilogia Regeneração

As obras da trilogia da regeneração não podem ser confirmadas sua atribuição ao André Luiz e ainda não houve posição da espiritualidade sobre qualquer obra escrita por Chico Xavier em espírito.

Na dúvida se se trata de uma literatura espírita, sempre tirar a dúvida com a FEB.

  • Futuro espiritual da Terra (2015, psicografado por Samuel Gomes)
  • Xeque-Mate nas Sombras, A Vitória da Luz (2015, psicografado por Samuel Gomes)
  • A Decisão: Cristos Planetários Definem o Futuro Espiritual da Terra (2018, em colaboração com Chico Xavier)

Série Vivendo a Doutrina Espírita

  • Vivendo a Doutrina Espírita - Vol. I (2015, por Antônio Baduy Filho)
  • Vivendo a Doutrina Espírita - Vol. II (2015, por Antônio Baduy Filho)
  • Vivendo a Doutrina Espírita - Vol. III (2015, por Antônio Baduy Filho)
  • Vivendo a Doutrina Espírita - Vol. IV (2015, por Antônio Baduy Filho)
Outras obras (Seleção)
  • Opinião Espírita (1963, ditado também por Emmanuel)
  • Sol nas Almas (1964, psicografado por Waldo Vieira)
  • Estude e Viva (1965, ditado também por Emmanuel)
  • Sinal Verde (1971)
  • Respostas da Vida (1974)
  • Busca e Acharás (1976, ditado também por Emmanuel)
  • Endereços da Paz (1982)
  • Cidade no Além (1983, em colaboração Heigorina Cunha, ditado também pelo espírito Lucius)
  • Apostilas da Vida (1986)
  • Ação e Caminho (1987, ditado também por Emmanuel)
  • A Verdade Responde (1990, ditado também por Emmanuel)
  • Tempo e Nós (1993, ditado também por Emmanuel)
  • Meditações Diárias (2009, coletânea de suas melhores mensagens)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lewgoy, Bernardo (2001). «Chico Xavier e a cultura brasileira». Revista de Antropologia (1): 53–116. ISSN 0034-7701. doi:10.1590/S0034-77012001000100003. Reza a tradição oral espírita que, em encarnação anterior, o espírito André Luiz foi Oswaldo Cruz, médico sanitarista heróico de fortes ideais republicanos. E, anteriormente, teria sido Estácio de Sá, Capitão-mor e fundador do Rio de Janeiro, onde se situava a capital federal e a sede da Federação Espírita Brasileira, até a década de 1960. Como Emmanuel, André Luiz também constitui sua identidade pelo recolhimento de traços metonimicamente disseminados em encarnações anteriores, no caso a partir de heróis nacionais. Também aqui o sincrônico veste máscaras diacrônicas: Estácio de Sá, pela bravura e espírito pioneiro, que combina a raiz portuguesa com a origem da nacionalidade brasileira e Oswaldo Cruz, pelo espírito público e pela fusão do ideal médico com o científico. Todas essas características somam-se no personagem e autor André Luiz, tido como o mais "científico", "jornalístico" e "sociológico" dos espíritos que ditam mensagens a Chico Xavier. A entrada em cena de André Luiz estabelece uma divisão do trabalho espiritual com Emmanuel, este funcionando como ponto de referência para questões doutrinárias e aquele para as científicas, esclarecendo pontos polêmicos sobre a vida após a morte, problemas experimentais da mediunidade e da obsessão, assim como ministrando conselhos práticos para o convívio intrafamiliar. 
  2. «Relação atualizada das obras de Chico Xavier». Editora Vinha de Luz. Consultado em 1 de setembro de 2013 
  3. Lucchetti G, Daher JC Jr, Iandoli D Jr, Gonçalves JP, Lucchetti AL. Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence. Arquivado em 9 de abril de 2014, no Wayback Machine.. Neuro Endocrinol Lett. 2013;34(8):745-55. Indexado ao PubMed.
  4. SOUTO MAIOR, Marcel (2003). As Vidas de Chico Xavier 2ª ed. São Paulo: Editora Planeta do Brasil. p. 135. ISBN 978-8574795744 
  5. XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ, (espírito). Nosso Lar (PDF). Rio de Janeiro: FEB Editora. p. 37. ISBN 978-8573289442 
  6. SOUTO MAIOR, Marcel (2004). Por Trás do Véu de Ísis. São Paulo: Editora Planeta do Brasil. p. 121. ISBN 978-8542209921 
  7. «Terá sido o espírito André Luiz o Dr. Carlos Chagas?». Consultado em 11 de fevereiro de 2010 
  8. «Home». www.estudonossolar.com.br 
  9. ANJOS, Luciano dos. «O verdadeiro André Luiz». Espiritualidade e Sociedade. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  10. [1]
  11. [2]
  12. «Faustino Monteiro Esposel (Cadeira nº 58)». Academia Nacional de Medicina. Consultado em 19 de agosto de 2020 
  13. «Quem foi o espírito André Luiz?». Super 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]