Glândula pineal

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Glândula pineal
Illu endocrine system.jpg
Sistema endócrino
Illu pituitary pineal glands.jpg
Diagrama da hipófise e glândulas pineais.
Latim glandula pinealis
Gray assunto #276 1277
Vascularização artéria cerebelar superior
MeSH Pineal+gland

A glândula pineal, também conhecida como conarium, epífise cerebral ou simplesmente pineal, é uma pequena glândula endócrina no cérebro dos vertebrados. A glândula pineal produz melatonina, um hormônio derivado da serotonina que modula os padrões de sono nos ciclos circadianos e sazonais. A forma da glândula se assemelha a uma pinha, daí o seu nome. A glândula pineal está localizada no epitálamo, perto do centro do cérebro, entre os dois hemisférios, escondida em um sulco onde as duas metades do tálamo se unem.[1][2]

Quase todas as espécies de vertebrados possuem uma glândula pineal. A exceção mais importante é uma classe primitiva, os peixes-bruxa. Entretanto, mesmo nesse grupo pode haver uma estrutura "equivalente à pineal" no dorso do diencéfalo.[3] O anfioxo Branchiostoma lanceolatum, o vertebrado existente mais próximo, também carece de uma glândula pineal reconhecível.[4] As lampreias, outros vertebrado primitivos, no entanto não possuem pineal. Alguns vertebrados mais evoluídos perderam a glândula pineal ao longo de sua evolução.[5]

Os resultados das diversas pesquisas científicas em biologia evolutiva e comparativa, neuroanatomia e neurofisiologia explicam a filogenia da glândula pineal nas diferentes espécies de vertebrados. Do ponto de vista da evolução biológica a glândula pineal é um tipo de fotorreceptor atrofiado. No epitálamo de algumas espécies de anfíbios e répteis está relacionada a um órgão de detecção de luz conhecido como olho parietal, também chamado de olho pineal ou terceiro olho.[6]

René Descartes acreditava que a glândula pineal seria o "principal assento da alma". A filosofia acadêmica entre os seus contemporâneos considerava a glândula pineal como uma estrutura neuroanatômica sem qualidades metafísicas especiais. A ciência a estuda como uma glândula endócrina entre muitas. Mesmo assim, a glândula pineal continua a ter uma posição de destaque entre as pseudociências.[7]

Localização[editar | editar código-fonte]

A glândula pineal é uma estrutura cinza-avermelhada do tamanho aproximado de caroço de uma laranja, com massa aproximada de 500 mg (medindo em média 25 por 12 mm em humanos),[8] localizada logo superiormente ao colículo superior e atrás da stria medullaris, entre os corpos talâmicos posicionados lateralmente. Anatomicamente, é considerada parte do epitálamo. É uma estrutura epitalâmica pequena e única, situada dorsalmente à região caudal do diencéfalo. Ela é derivada de células neuroectodérmicas e, à semelhança da retina, desenvolve-se a partir de uma invaginação do teto da parede do terceiro ventrículo.[carece de fontes?]

A glândula pineal é, portanto, uma estrutura de linha média, sendo vista frequentemente em radiografias simples de crânio, por sua alta incidência de calcificação - formação de corpos arenáceos ou ''areia do cérebro'' devido à libertação de hormonas por exocitose juntamente com restos vesiculares que se dissolvem por trocas iônicas com íons Ca2+.[carece de fontes?]

Estrutura e composição[editar | editar código-fonte]

O corpo da pineal consiste, em humanos, de um parênquima lobular de pinealócitos cercados por tecido conjuntivo. A superfície da glândula é recoberta pela cápsula pial.[carece de fontes?]

Apesar de a glândula pineal consistir principalmente de pinealócitos, foram identificados outros quatro tipos de células.[carece de fontes?]

Tipo de célula Descrição
Pinealócitos Consistem de um corpo celular com 4 a 6 processos emergindo, produzem melatonina, e podem ser corados por métodos especiais por impregnação pela prata.
Células intersticiais Estão localizadas entre os pinealócitos.
Fagócitos perivasculares Há muitos capilares na glândula, e os fagócitos estão localizados próximos a esses vasos, funcionando como apresentadores de antígenos.
Neurônios pineais Em vertebrados superiores, há neurônios na glândula pineal. No entanto, estes não estão presentes em roedores.
Células neurônio-símile peptidérgicas Podem estar presentes em algumas espécies, e podem ter uma função parácrina regulatória.

A glândula pineal recebe sua inervação simpática do gânglio cervical superior. No entanto, também está presente uma inervação parassimpática proveniente dos gânglios esfenopalatinos e óticos. Além disso, algumas fibras nervosas penetram a glândula pineal via haste pineal (inervação central). Finalmente, neurônios do gânglio trigêmio inervam a glândula com fibras contendo o neuropeptídeo PACAP (pituitary adenylate cyclase activating peptide).[carece de fontes?]

Folículos humanos contêm quantidade variável de material arenoso, chamado corpora arenacea (ou "acervuli", ou "areia cerebral"). A análise química mostra que é composto de fosfato de cálcio, carbonato de cálcio, fosfato de magnésio, fosfato de amônia[9] e calcita.[10]

Em vertebrados inferiores[editar | editar código-fonte]

Os pinealócitos em vertebrados inferiores têm forte semelhança com as células fotorreceptoras do olho. Alguns biólogos acreditam que as células pineais humanas de vertebrados partilham um ancestral comum com células da retina.[11]

Em alguns vertebrados, a exposição à luz pode desencadear reação em cadeia de enzimas, hormônios e neuroreceptores, que pode ajudar a regular o ciclo circadiano do animal.[12] Em humanos e outros mamíferos, essa função é suprida pelo sistema retino-hipotalâmico, que regula o ritmo no núcleo supraquiasmático. Interações sociais e culturais produzem exposições à luz artificial que influencia o "relógio" supraquiasmático. As evidências sobre o papel de compostos fotossensíveis relacionados à opsina na pele de mamíferos são controversas atualmente.

Estudos sugerem que a pineal possa ter alguma função como magnetorreceptor em alguns animais,[13][14] especialmente em pássaros migratórios, onde poderiam funcionar como bússolas.[15]

Alguns fósseis de crânio têm um foramen pineal, corroborada pela fisiologia da lampreia moderna, da tuatara e de outros vertebrados.[carece de fontes?]

Função[editar | editar código-fonte]

Em destaque, colículos superiores e inferiores. Superiormente a eles, a glândula pineal.

Há algumas décadas, acreditava-se que a glândula pineal fosse um órgão vestigial. No entanto, mesmo órgãos vestigiais podem apresentar alguma função, ocasionalmente diferente da função do órgão do qual se originou. Aaron Lerner e colegas da Universidade de Yale descobriram que a melatonina está presente em altas concentrações na pineal.[16] A melatonina é um hormônio derivado do aminoácido triptofano, que tem outras funções no sistema nervoso central. A produção de melatonina pela pineal é estimulada pela escuridão e inibida pela luz.[17]

A retina detecta a luz, sinalizando a informação para o núcleo supraquiasmático. Fibras neuronais que se projetam deste para os núcleos paraventriculares, que transmitem os sinais circadianos para a medula espinal e via sistema simpático para os gânglios cervicais posteriores, e destes para a glândula pineal.[carece de fontes?]

A glândula pineal é grande na infância e reduz de tamanho na puberdade. Parece ter um papel importante no desenvolvimento sexual, na hibernação e no metabolismo e procriação sazonais. Acredita-se que os altos níveis de melatonina em crianças inibem o desenvolvimento sexual, e tumores da glândula (com conseqüente perda na produção do hormônio) foram associados a puberdade precoce. Após a puberdade, a produção de melatonina é reduzida, e a glândula freqüentemente está calcificada em adultos.[carece de fontes?]

A estrutura histológica da pineal parece ter similaridades evolutivas com células da retina de cordados.[11] Demonstrou-se que aves e répteis modernos expressam o pigmento fototransdutor melanopsina na glândula pineal. Acredita-se que as glândulas pineais de aves possam funcionar como os núcleos supra-quiasmáticos de mamíferos.[18]

Relatos em roedores sugerem que a glândula pineal pode influenciar a ação de drogas de abuso como a cocaína[19] e antidepressivos como a fluoxetina;[20] e pode também contribuir na regulação da vulnerabilidade neuronal a lesões.[21][22]

Cultura e sociedade[editar | editar código-fonte]

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Esquema de funcionamento da glândula pineal segundo Descartes (1641)

A glândula pineal tem sido considerada — desde René Descartes (século XVII), que afirmava ser a glândula o ponto da união substancial entre corpo e alma[23] — um órgão com funções transcendentes.[7] Descartes ajustou o conceito metafísico de alma com a posição anatômica da pineal para construir a dualidade corpo-alma. Mas as pesquisas realizadas com técnicas de neuroimagem embasam a concepção monística, reforçando a visão do consenso científico.[24]

No final do século XIX, Madame Blavatski, fundadora da teosofia, relacionou a glândula pineal com o conceito hindu de terceiro olho, ou Ajna chakra. Essa associação continua popular atualmente.[7]

Esta hipótese pretende explicar fenômenos paranormais como a clarividência, a telepatia e a mediunidade. Em Missionários da Luz,[25][fonte confiável?] obra espírita psicografada por Chico Xavier atribuída ao espírito André Luiz, a epífise é descrita como a glândula da vida espiritual e mental que caracteriza um órgão de elevada expressão no corpo etéreo, onde presidem os fenômenos nervosos da emotividade, devido a sua ascendência sobre todo o sistema endócrino, e desempenha papel fundamental no campo sexual (no terreno concreto, tal função é apontada desde 1958 e, atualmente passou a ser amplamente aceita em terreno concreto[26]); é descrita ainda como ligada à mente espiritual através de princípios eletromagnéticos do campo vital (o que até agora a ciência formal não pode identificar), comandando as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade.[carece de fontes?]

Apesar da vida após a morte não estar provada através do método científico; em artigo publicado na revista científica Neuroendocrinology Letters em 2013, cientistas brasileiros compararam conhecimento médico recente com doze obras psicografadas pelo Chico Xavier, que expôs-se como médium, atribuídas ao espírito André Luiz e identificaram nelas diversas informações corretas altamente complexas sobre a fisiologia da glândula pineal e que só puderam ser confirmadas cientificamente cerca de 60 anos após sua publicação. Os cientistas ressaltaram que o fato de que o médium possuía baixa escolaridade e não era envolvido no campo da saúde levanta questões profundas sobre as obras serem ou não fruto de influência espiritual.[27]

O psiquiatra brasileiro Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, neurocientista, defende em pesquisas que a glândula pineal seria o órgão sensor que capta as informações por ondas eletromagnéticas devido às propriedades dos cristais de apatita, que as converteriam em estímulos neuroquímicos[28][fonte confiável?] de forma análoga à antena do aparelho celular para sinais eletrônicos.[29][fonte confiável?]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Segundo a etimologia, a palavra epífise deriva da língua grega. O prefixo “Epi” significa: "acima", "sobre", de forma superior, de ordem superior. “Fise” origina-se da palavra grega “Physis”, que quer dizer "natureza". Portanto “Epi” + “Fise” = Epífise, representa uma glândula que está em grau superior em termos de qualidade natural.[30]

Referências

  1. «Human pineal physiology and functional significance of melatonin». Front Neuroendocrinol. 25. PMID 15589268. doi:10.1016/j.yfrne.2004.08.001 
  2. «Melatonin as a chronobiotic». Sleep Med Rev. 9. PMID 15649736. doi:10.1016/j.smrv.2004.05.002 
  3. «The preoptic nucleus: the probable location of the circadian pacemaker of the hagfish, Eptatretus burgeri». Neurosci. Lett. 164. PMID 8152610. doi:10.1016/0304-3940(93)90850-K 
  4. «Localization and partial characterization of melatonin receptors in amphioxus, hagfish, lamprey, and skate». Gen. Comp. Endocrinol. 110. PMID 9514841. doi:10.1006/gcen.1997.7042 
  5. «The pineal gland: anatomy, physiology, and clinical significance». J. Neurosurg. 63. PMID 2862230. doi:10.3171/jns.1985.63.3.0321 
  6. Eakin, Richard M. The Third Eye. [S.l.: s.n.] 
  7. a b c Lokhorst, Gert-Jan (2015). Descartes and the Pineal Gland. Stanford: The Stanford Encyclopedia of Philosophy 
  8. JUNQUEIRA, L.C. CARNEIRO, José. Histologia Básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. ISBN 85-277-0906-6
  9. Bocchi G, Valdre G (1993). «Physical, chemical, and mineralogical characterization of carbonate-hydroxyapatite concretions of the human pineal gland.». J Inorg Biochem. 49 (3): 209-20. PMID 8381851 
  10. Baconnier S, Lang S, Polomska M, Hilczer B, Berkovic G, Meshulam G (2002). «Calcite microcrystals in the pineal gland of the human brain: first physical and chemical studies.». Bioelectromagnetics. 23 (7): 488-95. PMID 12224052 
  11. a b Klein D (2004). «The 2004 Aschoff/Pittendrigh lecture: Theory of the origin of the pineal gland--a tale of conflict and resolution.». J Biol Rhythms. 19 (4): 264-79. PMID 15245646 
  12. Moore RY, Heller A, Wurtman RJ, Axelrod J. Visual pathway mediating pineal response to environmental light. Science 1967;155(759):220–3. PMID 6015532
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  17. Axelrod J (1970). «The pineal gland.». Endeavour. 29 (108): 144-8. PMID 4195878 
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  22. MCCLAY, Russ. The Pineal Gland, LSD and Serotonin, tradução de [1] em [2].
  23. Descartes, R. "Sexta Meditação" in Meditações Metafísicas
  24. Berhouma, Moncef (2013). «Beyond the pineal gland assumption: A neuroanatomical appraisal of dualism in Descartes' philosophy». Clinical Neurology and Neurosurgery. 115 (9): 1661–1670. ISSN 0303-8467. PMID 23562082. doi:10.1016/j.clineuro.2013.02.023 
  25. ANDRÉ LUIZ (espírito); XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. 23.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1991. Cap. 2, ISBN 85-7328-313-0
  26. Dair El, Simoes RS, Simoes MJ, Romey LR, Oliveira Fº RM, Haidar MA. Effects of melatonin on the endometrial morphology and embryo implantation in rats. Fertil Steril. 2008
  27. Lucchetti G, Daher JC Jr, Iandoli D Jr, Gonçalves JP, Lucchetti AL. Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence.. Neuro Endocrinol Lett. 2013;34(8):745-55. Indexado ao PubMed.
  28. Bragdon, Emma. Spiritist Healing Centers in Brazil. Seminars in Integrative Medicine, Volume 3, 2ª edição, 2005. Páginas 67-74
  29. C. Fonseca, E. Lobato, R. Miranda. Revista Istoé, São Paulo. Editora Três. 2006
  30. «Etimologia Científica 2 / Educação Física». Consultório Etimológico. 17 de novembro de 2012. Consultado em 11 de janeiro de 2017. 

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