Hormônio folículo-estimulante

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Hormonas glicoproteicas, polipeptídeo alfa
Indicadores
Símbolo CGA
HUGO 1885
Entrez 1081
OMIM 118850
RefSeq NM_000735
UniProt P01215
Outros dados
Locus Cr. 6 q14-q21
Hormona folículo-estimulante, polipeptídeo beta
Follicle-Stimulating Hormone
Indicadores
Símbolo FSHB
HUGO 3964
Entrez 2488
OMIM 136530
RefSeq NM_000510
UniProt P01225
Outros dados
Locus Cr. 11 p13

O Hormônio Folículo Estimulante (FSH) é uma glicoproteína produzida pela hipófise, mais precisamente a adeno hipófise ou hipófise anterior, a adeno hipófise é estimulada pelo hormônio liberador de gonadotrofina (Gn-Rh) e assim libera FSH e também estimula a liberação do hormônio luteinizante (LH). A FSH regula o desenvolvimento, crescimento e a a maturação das gônadas enquanto o LH regula os hormônios androgênios/sexuais. O FSH e o LH atuam em conjunto em vários fatores fisiológicos.

A dosagem laboratorial de FSH é útil no estabelecimento das formas de hipogonadismo, da infertilidade, dos distúrbios menstruais e da puberdade precoce.

Valores elevados: amenorreia primária,destruição testicular ( em decorrência de irradiação ou da orquite por caxumba), insuficiência gonodal ou ovariana, puberdade precoce, hipogonadismo, menopausa prematura e etc.

Valores reduzidos: amenorreia secundária, falência hipofisária ( hipogonadismo hipogonadotrófico), puberdade tardia e etc.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A FSH é uma glicoproteína. Cada unidade monomérica é uma molécula protéica ligada a um açúcar; sendo a proteína completa e funcional composta por ambos. A sua estrutura é semelhante à da LH, TSH e hCG. O dímero proteíco contém duas unidades de peptídeos, denominadas subunidades alfa e beta. As subunidades alfa da LH, FSH, TSH e hCG são idênticas, contendo 92 aminoácidos. As subunidades beta variam. A FSH tem uma subunidade beta de 118 aminoácidos (FSH β), que lhe confere a sua acção biológica específica e é responsável pela interacção com o receptor da hormona folículo-estimulante. A parte de açúcares da hormona é composta por fucose, galactose, manose, galactosamina, glucosamina e ácido siálico, sendo este último essencial na sua meia-vida biológica. A meia-vida da FSH é de 3-4 horas.

Sequências das cadeias de aminoácidos na FSH nos humanos
92 aminácidos na subunidade alfa
NH2 – Ala – Pro – Asp – Val – Gln – Asp – Cys – Pro – Glu – Cys – Thr – Leu – Gln – Glu – Asn – Pro – Phe – Phe – Ser – Gln – Pro – Gly – Ala – Pro – Ile – Leu – Gln – Cys – Met – Gly – Cys – Cys – Phe – Ser – Arg – Ala – Tyr – Pro – Thr – Pro – Leu – Arg – Ser – Lys – Lys – Thr – Met – Leu – Val – Gln – Lys – Asn – Val – Thr – Ser – Glu – Ser – Thr – Cys – Cys – Val – Ala – Lys – Ser – Tyr – Asn – Arg – Val – Thr – Val – Met – Gly – Gly – Phe – Lys – Val – Glu – Asn – His – Thr – Ala – Cys – His – Cys – Ser – Thr – Cys – Tyr – Tyr – His – Lys – Ser – OH
108 aminácidos na subunidade beta
NH2 – Asn – Ser – Cys – Glu – Leu – Thr – Asn – Ile – Thr – Ile – Ala – Ile – Glu – Lys – Glu – Glu – Cys – Arg – Phe – Cys – Ile – Ser – Ile – Asn – Thr – Thr – Trp – Cys – Ala – Gly – Tyr – Cys – Tyr – Thr – Arg – Asp – Leu – Val – Tyr – Lys – Asp – Pro – Ala – Arg – Pro – Lys – Ile – Gln – Lys – Thr – Cys – Thr – Phe – Lys – Glu – Leu – Val – Tyr – Glu – Thr – Val – Arg – Val – Pro – Gly – Cys – Ala – His – His – Ala – Asp – Ser – Leu – Tyr – Thr – Tyr – Pro – Val – Ala – Thr – Gln – Cys – His – Cys – Gly – Lys – Cys – Asp – Ser – Asp – Ser – Thr – Asp – Cys – Thr – Val – Arg – Gly – Leu – Gly – Pro – Ser – Tyr – Cys – Ser – Phe – Gly – Glu – Met – Lys – Glu – OH

Genes[editar | editar código-fonte]

O gene para a subunidade alfa encontra-se no cromossoma 6p21.1-23. O gene para a subunidade beta encontra-se no cromossoma 11p13.

Atividade[editar | editar código-fonte]

A FSH regula o desenvolvimento, crescimento, a maturação das gônadas na puberdade e os processos reprodutivos do corpo humano.

  • Tanto no homem como na mulher, o FSH estimula a maturação das células germinativas.
  • No homem, o FSH desempenha importante função nas fases iniciais da espermatogênese com o crescimento dos túbulos seminíferos (células de Sertoli) e do testículo, enquanto o LH estimula a liberação de androgênios.
  • Na mulher, o FSH estimula o crescimento e a maturação dos folículos ovarianos e promove alterações endometriais na primeira fase do ciclo menstrual. E juntamente com o LH atua promovendo a ovulação e a secreção de androgênios e progesterona.
  • Em ambos os sexos, o FSH e LH é aplicado para investigação de problemas na infertilidade. Na mulher detecta-se a presença de ovulação ou não, e no homem valores elevados de FSH e normais de LH indicam falência espermatogênica.

Tal como acontece com a LH, a libertação de FSH pela adeno hipófise é regulada por pulsos de hormona libertadora de gonadotropina. Esses pulsos, por sua vez, estão sujeitos à resposta dada pela gónadas.

Efeitos no Sexo Feminino[editar | editar código-fonte]

A FSH estimula o crescimento e recrutamento de folículos ovarianos nos ovários. Durante os estágios iniciais dos folículos, a FSH é o seu principal meio de sobrevivência, resgatando-os da morte programada pela apoptose. Na transição da fase luteínica para folicular, os níveis no soro da progesterona e estrogénio (fundamentalmente estradiol) diminuem e deixam de suprimir a libertação de FSH. Desta forma, a FSH tem o auge ao terceiro dia do ciclo (contando-se o primeiro dia a partir da menstruação). O número de pequenos folículos é normalmente suficiente de modo a produzir inibina B de modo a baixar os níveis de FSH.

Para além disso, existem evidências que a o factor de atenuação da afluência de gonadotrofina produzido pelos pequenos folículos durante a primeira metade da fase folicular também exerce uma realimentação negativa na amplitude da secreção da LH, proporcionando assim um ambiente mais favorável ao crescimento dos folículos e prevenindo a luteinização prematura.[1]

Quando o folículo amadurece e atinge os 8-10mm de diâmetro, começa a segregar quantidades abundantes de estradiol. Nos humanos, regra geral apenas um folículo se torna dominante e sobrevive até atingir os 18-30mm de tamanho e chega a ovular, sendo os restantes eliminados pela artrésia. O crescimento súbito da produção de estradiol pelo folículo dominante dá origem à rápida libertação de GnRH, resultando numa afluência de LH. O aumento dos niveis de estradiol no soro leva a um decréscimo na produção de FSH, através da inibição da produção de GnRH no hipotálamo.[2]

A diminuição do nível de FSH no soro leva a que ocorra artrésia nos folículos mais pequenos, uma vez que carecem de suficiente sensibilidade à FSH de modo a sobreviver. Ocasionalmente, dois folículos podem alcançar ao mesmo tempo o estágio dos 10 mm, e uma vez que são ambos sensíveis à FSH, irão sobreviver e crescer no ambiente pobre em FSH, dando origem a duas ovulações no mesmo ciclo, o que possivelmente levaria à existência de gémeos.

Efeitos no Sexo Masculino[editar | editar código-fonte]

A FSH estimula os espermatócitos primários a se dividirem, dando origem aos espermatócitos secundários. A FSH aumenta ainda a produção de proteína ligadora de andrógenos pelas células de Sertoli dos testículos, ligando-se aos receptores FSH nas suas membranas vasolaterais,[3] processo fundamental para o início da espermatogénese.

Exame[editar | editar código-fonte]

Para avaliar as concentrações do FSH realiza-se um exame simples[4]. Haverá a coleta de sangue do paciente, de forma costumeira para qualquer exame sanguíneo. A paciente deve estar em jejum de 12 horas. A amostra será enviada para as análises, a qual não é uma fase demorada. Para esse exame pode-se usar o soro ou o plasma da amostra.

Dependendo da fase, sexo e idade, os valores de referência mudam. A seguir os valores de referências segundo Motta, 2009:[5]

Valores de referência para FSH (mUI/mL)
Mulher adulta
Pré-menopáusa 4 a 30
Fase folicular 2 a 25
Pico no meio do ciclo 10 a 90
Fase lútea 2 a 25
Gravidez não detectável
Menopausa 40 a 250
Pós-menopausa 40 a 250
Homem adulto 4 a 25
Crianças (pré-puberais) 5 a 13

Valores elevados[editar | editar código-fonte]

Quando os valores estão alterados, de forma superior ao referencial, pode estar relacionado a acromegalia (estado inicial), agenesia testicular, amenorreia (primária), insuficiência ovariana, insuficiência testicular, menopausa, menopausa prematura, menstruação, orquiectomia, puberdade precoce verdadeira, seminoma, síndrome de feminização testicular (completa), síndrome de Klinefelter, síndrome de Stein-Leventhal (síndrome dos ovários policísticos), tumores hipofisários, tumor hipotalâmico, entre outas complicações.

Valores reduzidos[editar | editar código-fonte]

Deve-se haver uma preocupação quando ha a redução dos valores, pois podem estar relacionados a falência hipofisária (hipogonadismo hipogonadotrófico), amenorreia (secundária), anorexia nervosa, ciclo menstrual anovulatório, criança pré-puberal, disfunção hipotalâmica, hiperplasia suprarrenal, hipofisectomia, puberdade tardia, entre outas complicações.

Referências

  1. Fowler PA, Sorsa-Leslie T, Harris W, Mason HD (2003). «Ovarian gonadotrophin surge-attenuating factor (GnSAF): where are we after 20 years of research?». Reproduction. 126 (6): 689–99. PMID 14748688. doi:10.1530/rep.0.1260689 
  2. Dickerson LM, Shrader SP, Diaz VA (2008). «Chapter 8: Contraception». In: Wells BG, DiPiro JT, Talbert RL, Yee GC, Matzke GR. Pharmacotherapy: a pathophysiologic approach. [S.l.]: McGraw-Hill Medical. pp. 1313–28. ISBN 0-07-147899-X 
  3. Boulpaep EL, Boron WF (2005). Medical physiology: a cellular and molecular approach. St. Louis, Mo: Elsevier Saunders. 1125 páginas. ISBN 1-4160-2328-3 
  4. «Teste do hormônio folículo-estimulante (FSH)». Healthline 
  5. MOTTA, Valter T. (2009). Bioquímica Clínica para o Laboratório - Princípios e Interações. Rio de Janeiro: MedBook. 400 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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