Objeto voador não identificado

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UFO 4 de setembro de 1971, Lago de Cote, Costa Rica

Um objeto voador não identificado – OVNI é um estímulo visual que provoca um relato, por um ou mais indivíduos, de alguma coisa vista no céu e que o observador não identifica como tendo uma origem natural ordinária, parecendo suficientemente enigmática a ponto de comprometê-lo a fazer um relatório a polícia, autoridades do governo, para a imprensa, ou a representantes de organizações civis devotadas ao estudo desses objetos[1].

Essa é a definição acadêmica para OVNI, expressa no Relatório Condon, produzido por um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado, sob direção científica do físico nuclear Dr. Edward Condon e financiado pela Força Aérea dos Estados Unidos – USAF. Foi endossado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos[2]. Tem sido e continua a ser o documento público e cientifico mais influente sobre o problema [3].

O falecido astrônomo estadunidense J. Allen Hynek, uma das mais prestigiadas personalidades do fenômeno OVNI, em seu livro The UFO Experience: A scientific enquiry[4], propõe uma definição para combater a noção de que um OVNI é sinônimo de visitantes espaciais e de equívocos de pronunciamentos sobre a natureza do fenômeno por catedráticos. Assim Hynek definiu que OVNI é a percepção relatada de um objeto ou luz vista no céu ou sobre a terra, de aparência, trajetória ou dinâmica geral ou comportamento luminescente que não sugere uma lógica, não tendo uma explicação convencional e que não é só uma mistificação da percepção original, mas permanecendo não identificada após uma análise exaustiva de todas as evidências disponíveis por pessoas que são tecnicamente capazes de com bom senso fazer uma identificação, quando possível.

Termos correlatos[editar | editar código-fonte]

UFO[editar | editar código-fonte]

UFO é o acrônimo para Unidentified Flying Objects (Objetos Voadores Não Identificados). Esse termo foi criado no âmbito do Projeto Livro Azul, pelo capitão da USAF, Edward J. Ruppelt. Em seu livro The Report on Unidentified Flying Objects[5] de 1956, Ruppelt declara: “UFO é o termo oficial que eu criei para substituir as palavras discos voadores". No Oxford English Dictionary, é atribuída a primeira referência publicada do termo ao major da Marinha Donald Keyhoe em 1953[6].

OANI[editar | editar código-fonte]

OANI é o acrônimo para Objetos Aéreos Não-Identificados, utilizado pela Força Aérea Brasileira, no âmbito do Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados - SIOANI, entre 1969 e 1972[7].

UAP[editar | editar código-fonte]

UAP é o acrônimo para Unidentified Aerial Phenomena (Fenômenos Aéreos Não Identificados) utilizado no âmbito da National Aviation Reporting Center on Anomalous Phenomena – NARCAP[8], como alternativa ao termo UFO, porque usado muitas vezes como sinônimo de espaçonave extraterrestre. Sua definição pela NARCAP guarda semelhanças com a definição do Relatório Condon e de Hynek. O cientista chefe da NARCAP, Dr. Richard F. Haines, definiu em 1980 o UAP como o estímulo visual que provoca um relatório de observação de um objeto ou luz vista no céu, com aparência e, ou dinâmica de voo que não possuam a lógica de um objeto voador convencional e que permaneça não identificado após a análise de todas as evidências disponíveis por pessoas que são tecnicamente capazes de fazê-lo[9].

Discos Voadores[editar | editar código-fonte]

A expressão popular disco voador é traduzida do inglês flying saucer (pires voador). A expressão disco voador na cultura popular e nas mídias é comumente utilizado para denominar genericamente um objeto voador não identificado hipoteticamente extraterrestre. Muitos ufologistas e entusiastas tratam os termos OVNI, UFO e discos voadores como sinônimos de naves de outros planetas, visão não compartilhada por tantos outros ufologistas e entusiastas e pela ciência[10]

Encontros imediatos - Classificação[editar | editar código-fonte]

Encontro imediato ou contato imediato é um evento em que uma ou mais pessoas percebe a presença de um OVNI e, ocasionalmente, seus hipotéticos ocupantes. Dois sistemas de classificações desses encontros são amplamente aceitos.

Sistema Hynek[editar | editar código-fonte]

J. Allen Hynek apresentou seu sistema de classificação em seu livro The UFO experience: A scientific enquiry, publicado em 1972 [11].

A – Observações relativamente distantes:

Luzes Noturnas, discos voadores diurnos, detecção radar.

B – Observações relativamente perto:

Aquelas em distâncias inferiores a 200 jardas (182 metros)

CE-I: Encontros Imediatos do 1o grau Não há interação com a testemunha ou o ambiente.

CE-II: Encontros Imediatos do 2o grau Há interação entre o OVNI e o ambiente, como no sistema de ignição de um automóvel, queimaduras no solo, ou efeitos físicos em plantas, animais e humanos.

CE-III: Encontros Imediatos do 3o grau Ocupantes do OVNI, com aparência humanoide ou não, são relatadas. Geralmente não há contato direto ou comunicação com a testemunha. Eventualmente, nos anos recentes, incidentes de custódia foram relatados[12].

Sistema Vallee[editar | editar código-fonte]

O astrofísico francês Jacques Vallee, que chegou a publicar livro em parceria com Hynek[13], considera que a classificação Hynek é insuficiente porque ele achava que havia um grupo de pessoas sempre capazes de chegar a um consenso sobre luzes estranhas e deixou de fora muitos fenômenos que ufologistas e pesquisadores consideram relevantes[14].

Vallee alega que há uma gama de fenômenos associados a OVNI na literatura, como anomalias do tipo poltergeist. Vallee é um dos principais teóricos da hipótese interdimensional para explicação do fenômeno.

Para unificar seu sistema de classificação com o sistema Hynek, ele incluiu a dimensão psíquica e outros relatos anômalos, que acredita terem uma conexão com o fenômeno OVNI[15].

Sistema Vallee de Classificação de OVNI, baseado no livro de Jacques Vallee, Confrontations – A Scientist's Search for Alien Contact, 1990.

Interpretações[editar | editar código-fonte]

Balão no Céu
Passagem de satélite Iridium

Observações de OVNI não são raros no trabalho de profissionais das aviações civil e militar. Na análise de especialistas em aviação, especialistas em comunicações por satélite e meteorologistas, a maior parte dos fenômenos ou objetos inicialmente tratados como OVNI pelas tripulações de aeronaves e aeroviários são posteriormente identificados como aeronaves, satélites artificiais, balões meteorológicos e de festas juninas.

A reentrada de lixo espacial muitas vezes é confundida com OVNI [16].

Fenômenos naturais e eventos astronômicos podem ocasionar erros de interpretação e serem percebidos como OVNI pelo observador: raio globular, fogo fátuo, nuvens lenticulares, trânsito de planetas, meteoros, cometas [17].

OVNI, 1990, Valônia, Bélgica

Há hipóteses de existência de vida inteligente em outros planetas, os muitos sinais bem claros do que se supõem ser atividades de seres extraterrestres inteligentes em naves alienígenas e controlando sondas alienígenas despertam a curiosidade de muitas pessoas, de fato há ocorrências sérias consideradas ainda inexplicáveis de OVNIs que despertam a imaginação e levantam suposições sobre a existência de seres inteligentes visitando e executando “missões exploratórias” minuciosas e muito sofisticadas no planeta Terra.[18]

Existem também as fraudes e embustes com material adulterado ou simulações de OVNI usando objetos e truques. Existem casos de adulterações de fotografias efetuadas com a utilização de programas de edição de imagens. Um das mais antigas fraudes foi perpetrada durante a onda ufológica de 1954 na França na cidade de Bélesta com um aro de bicicleta com lâmpadas presas a ela[19]. Outra fraude, recente, foi durante a onda ufológica belga de 1989-1990, com uma fotografia da maquete de um OVNI triangular supostamente tirada na cidade de Petit-Rechain[20].

Regulamentação da Força Aérea Brasileira (FAB)[editar | editar código-fonte]

Em 10 de agosto de 2010 foi publicado no Diário Oficial da União a Portaria Nº 551/GC3[21], dispondo sobre o registro e o trâmite de assuntos relacionados a OVNIs no âmbito do Comando da Aeronáutica, alterando orientações oficiais anteriores de 1978 e 1989. Em seu primeiro artigo determina que '(...) As atividades do Comando da Aeronáutica (COMAER) relativas ao assunto “objetos voadores não identificados” (OVNI) restringem-se ao registro de ocorrências e ao seu trâmite para o Arquivo Nacional.'. Estabeleceu que as ocorrências devem ser registradas em formulário próprio por todos os usuários do controle de tráfego aéreo e encaminhadas ao Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro - COMDABRA, que enviará periodicamente essa documentação ao Centro de Documentação da Aeronáutica - CENDOC, para posterior envio ao Arquivo Nacional[22].

Liberação de documentos oficiais[editar | editar código-fonte]

Em 5 de maio de 2008, foi encaminhado ao Ministério da Defesa ofício do Subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, recomendando providências para acesso público à documentação referente a OVNIs, conforme solicitação da Comissão Brasileira de Ufólogos - CBU, que fosse passível de desclassificação de seu grau de sigilo ou material não sigiloso ou que tenha sido vencido seu prazo de sigilo, e posterior envio ao Arquivo Nacional.

Em 31 de outubro de 2008, o Arquivo Nacional no Distrito Federal recebeu do CENDOC, um primeiro conjunto de publicações compiladas, do período 1952-1969, relativo a OVNIs[23]. Novos lotes de documentos foram liberados ao longo do tempo e no sistema de informações do Arquivo Nacional encontramos documentos digitalizados de anos recentes.

A documentação pode ser acessada pelo sítio do Arquivo Nacional, através do Sistema de Informações do Arquivo Nacional - SIAN , sob o código de referência BR DFANBSB ARX.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Recomendações oficiais anteriores a emissão da Portaria Nº 551/GC3 de 10 de agosto de 2010.

Nota Ministerial de 1978 Em 13 de abril de 1978, o Ministro da Aeronáutica emitiu a nota C-002/Min/Adm[nota 1] com recomendações sobre o assunto OVNI. O ministro Joelmir Campos de Araripe Macedo fez uma digressão sobre o fenômeno OVNI pela Segunda Guerra Mundial e o interesse da Luftwaffe (força aérea alemã) nos relatórios sobre OVNIs dos seus pilotos e o tratamento recente da questão nos EUA, onde a USAF (força aérea americana) encerrou seus estudos, dizendo que não havia risco à segurança nacional. Recomenda a organização de um Registro de OVNI e de uma Comissão de Avaliação, composta por “elementos isentos de idéias ou opiniões preconcebidas”.

O ministro, no entanto, cometeu uma impropriedade ao citar uma organização alemã ligada a Luftwaffe chamada Sonder buro Nr.13 que cuidava de uma suposta Operação Uranus para estudo dos discos voadores. Tal organização foi citada na obra O Livro Negro dos Discos Voadores de 1970, por Henry Durrant, sendo reconhecida como uma fraude pelo próprio autor do livro[24].

Aviso Ministerial de 1989 Em 28 de fevereiro de 1989 o Ministro da Aeronáutica Octávio Júlio Moreira Lima emitiu o aviso S-001/Min, referenciando a nota ministerial de 1978, e transferindo toda a responsabilidade pelo assunto OVNI ao COMDABRA, bem como a transferência de toda a documentação acumulada. Recomenda isenção de idéias, opiniões pessoais e sigilo[nota 2].

Ufologia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ufologia

Ufologia é vagamente definida como o estudo de relatórios, registros visuais, evidências físicas e outros fenômenos relacionados aos OVNI e têm sido objeto de várias investigações ao longo dos anos por governos, grupos independentes e cientistas.

Histórico de Observações no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, existem diversas regiões nas quais os relatos de OVNIs são bastante frequentes, sendo que em muitas delas os OVNIs fazem parte da própria cultura local da região. Dentre elas, podem-se destacar:[25][26][27][28]

Incidentes famosos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Arquivo Nacional, código de referência BR AN,BSB ARX.0.0.220, disponível digitalmente no Sistema de Informações do Arquivo Nacional
  2. Arquivo Nacional, código de referência BR AN,BSB ARX.0.0.268, disponível digitalmente no Sistema de Informações do Arquivo Nacional

Referências

  1. Condon Committee. «Scientific Study of Unidentified Flying Objects» (PDF). NCAS, 1999. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  2. Gerald M. Clemence e membros do Painel. «Review of The University of Colorado Report on Unidentified Flying Objects». National Academy of Sciences, 1969. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  3. Peter A. Sturrock. «An Analysis of the Condon Report on the Colorado UFO Project». J. Scientific Exploration, 1987. Consultado em 19 de setembro de 2016. 
  4. Hynek, J. Allen (1972). The UFO Experience: A scientific enquiry (Reino Unido: Abelard-Schuman Ltd). p. 26. ISBN 978-1-56924-782-2. 
  5. Edward J. Ruppelt. «The Report on Unidentified Flying Objects». London: Victor Gollancz, 1956. Consultado em 19 de setembro de 2016. 
  6. «UFO». Oxford English Dictionary. Consultado em 19 de setembro de 2016. 
  7. Quarta Zona Aérea. «Boletim Sioani – 1, código referência Arquivo Nacional: BR DFANBSB ARX.0.0.58». Sioani, 1969. Consultado em 19 de setembro de 2016. 
  8. «NARCAP and unexplained phenomena». Airsafe.com. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  9. Richard Haines. «Definition of Unidentified Aerial Phenomena, UAP». NARCAP. Consultado em 19 de setembro de 2016. 
  10. «Discos voadores: E a nave vem». Superinteressante, 1988. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  11. J. Allen Hynek, The UFO experience: A scientific enquiry, 1972, ISBN 978-1-56924-782-2
  12. J. Allen Hynek. «Hynek's UFO Classification System». CUFOS. Consultado em 19 de setembro de 2016. 
  13. Hynek, Valle, J. Allen, Jacques (1975). The Edge of Reality: A progress report on the unidentified flying objects (Chicago, EUA: Henry Regnery). ISBN 978-0-8092-8150-3. 
  14. Valle, Jacques (1990). Confrontations – A Scientist's Search for Alien Contact (EUA: Ballantines Books). ISBN 978-0-3453-6453-1. 
  15. Jacques Vallee. «Current Vallee Classification System» (PDF). CUFOS. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  16. «Desmistificando a enxurrada de UFOs na virada do ano». Ceticismo Aberto. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  17. «Fenômenos Naturais/Erros». GEO - Grupo de Estudo dos Ovnis. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  18. «Governo Brasileiro Libera Documentos Sobre UFOs». Revista UFO. Consultado em 3 de fevereiro de 2015. 
  19. «Ovni à Bélesta en 1954 : c'était une blague !». Lapedeche.fr, 2009. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  20. Alexandre Borges. «Fotografia de UFO triangular da onda belga é falsa». Além da Ciência, 2011. Consultado em 20 de setembro de 2016. 
  21. Juniti Saito, Comandante da Aeronáutica. «Portaria nº 551/GC3, de 9 de agosto de 2010» (PDF). Governo Federal. Consultado em 24 de outubro de 2016. 
  22. «FAB cria normas para pilotos em caso de contato com ovnis». Portal Terra. Consultado em 24 de outubro de 2016. 
  23. Olimpio Ribeiro Gomes. «NOTA TÉCNICA nº 1759 de 22/08/2012» (PDF). CGU 30 de julho de 2012. Consultado em 05 de janeiro de 2016. 
  24. «OVNIs e a Aeronáutica: O que não querem que você saiba». Ceticismo Aberto. Consultado em 25 de outubro de 2016. 
  25. Centro de Ufologia Brasileiro. «"Câmera Record Ufologia"» (SWF).  Acesso em 27/07/2010.
  26. União de Pesquisas Ufológicas do Piauí. «"O Turismo Ufológico no Piauí"».  Acesso em 27/07/2010.
  27. Conexão UFO. «"Ufoturismo"».  Acesso em 27/07/2010.
  28. Alberto Romero. «Quase Cai um Disco Voador na Bahia». Revista UFO. Consultado em 20 de setembro de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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