Planalto da Borborema

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Planalto da Borborema
Ponte da BR-232, rodovia que corta de leste a oeste o Planalto da Borborema no Estado de Pernambuco
Localização
Localização Alagoas
Pernambuco
Paraíba
Rio Grande do Norte
País(es)  Brasil
Características
Altitude máxima 1 260 m
Cumes mais altos Pico do Papagaio e Pico da Boa Vista
Comprimento 400 km (norte—sul)
Vista da cidade de Gravatá

O planalto da Borborema, também conhecida como serra da borborema, é uma região montanhosa no interior da região Nordeste do Brasil. Medindo aproximadamente 400 km em linha reta norte–sul, localiza-se nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Esse sistema equivale ao setor mais oriental do planalto Atlântico e um dos dois mais setentrionais, sendo divisor de águas entre a bacia do rio São Francisco e as bacias propriamente «borborêmicas» nos setores norte e leste.

No planalto localizam-se importantes cidades, como Campina Grande (Paraíba), Caruaru, Garanhuns, Gravatá, Santa Cruz do Capibaribe,Brejo da Madre de Deus, Belo Jardim e Caetés (Pernambuco), Arapiraca e Palmeira dos Índios (Alagoas) e Santa Cruz (Rio Grande do Norte).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo «Borborema» é originário do termo tupi ybymbore'yma, que significa «terra sem habitantes» (yby, «terra» mais mbora, «povo» mais e'yma, «sem»).[1][2]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Relevo[editar | editar código-fonte]

O Planalto da Borborema corresponde ao conjunto de terras altas que se distribuem no nordeste oriental do Brasil, com limites marcados, geralmente com amplitude da ordem de 100m em relação ao entorno (escarpas); sendo comum não apresentar solução de continuidade litológica em relação ao relevo rebaixado adjacente. Sua gênese reflete uma série de pulsos epirogenéticos, associados inicialmente ao desmantelamento do supercontinente Gondwana, ao final do Cretáceo, e posteriormente ao magmatismo continental Cenozóico; que atuaram sobre estruturas herdadas, em sua maioria do Pré-Cambriano, dando origem a um mosaico de subcompartimentos morfoestruturais (Corrêa et al., 2010).

O termo «serra da Borborema» é utilizado sobretudo para indicar as várias porções do planalto nos estados onde estão tais contrafortes montanhosos e seus vales, que são formados por rochas antigas do Escudo Brasileiro.[3] No Estado da Paraíba, onde o planalto cobre todo o agreste, serra e planalto da Borborema são sinônimos. Os solos, em geral, são pouco profundos e de fertilidade natural bastante variada, com predominância de fertilidade média e alta.

Formações rochosas em Queimadas - Paraíba. Vista do Sítio Gravatá dos Velez

O rebordo oriental da Borborema é escarpado e domina a baixada litorânea com um desnível de 300 metros, o que confere ao topo uma altitude de 500 metros. Para o interior, o planalto ainda se alteia mais e alcança média de 800 metros em seu centro, onde passa a baixar até atingir 600 metros junto ao rebordo ocidental. Diferem consideravelmente as topografias da porção oriental e da porção ocidental. A leste erguem-se sobre a superfície do planalto cristas de leste para oeste, separadas por vales, que configuram parcos relevos de 300 metros. Aproximadamente no centro-sul do planalto eleva-se o maciço dômico de Garanhuns, que supera a altitude de 1 000 metros.

Com altitude média de 200 metros, podendo chegar a mais de 1 000 metros — como é o caso do Pico do Jabre, de 1 197 metros, do Pico da Boa Vista, de 1.240 metros e do Pico do Papagaio, de 1 175 metros — em seus pontos extremos (serras), o planalto está encrustado no agreste do Nordeste Oriental, espalhando-se de norte a sul e tendo como fronteira natural as planícies do litoral (região úmida) e a depressão sertaneja (região semiárida).

Constitui uma área de transição entre a mata atlântica e a caatinga, possuindo vegetação variada que vai desde a caatinga propriamente dita até resquícios de mata atlântica (matas de brejo) nos pontos mais altos das serras, como ocorre na Unidade de Conservação Estadual Mata de Goiamunduba, na Paraíba.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A maior bacia do setor leste é a do Paraíba, seguida pelas dos rios Capibaribe e Mamanguape. Já no setor norte, as maiores bacias são a do rio Piranhas-Açu e a Jaguaribe.

Clima[editar | editar código-fonte]

Com amplitude térmica mais acentuada que o litoral, por conta da continentalidade, normalmente passando dos 30 graus centígrados durante o dia e cerca de 20 graus centígrados à noite, chegando a cair algumas vezes para 13 graus centígrados à noite em alguns locais mais elevados. Nessa unidade de paisagem, existem ainda áreas de microclimas com pluviosidades bem mais elevadas, com trechos de floresta perenifólia, subcaducifólia e caducifólia.

O potencial de águas subterrâneas também é baixo, com predominância de águas salinas. O planalto influi no clima de grande parte do Nordeste, pois funciona como uma barreira para os ventos úmidos que sopram do Oceano Atlântico, causando as secas nas áreas a sotavento do sertão nordestino.

Turismo e cultura[editar | editar código-fonte]

O Planalto da Borborema vem se constituindo em uma região de forte atração turística, principalmente para os habitantes da área litorânea, que são atraídos pelas paisagens e o clima mais ameno que apresenta, nomeadamente nas vizinhanças de Caruaru, Chã Grande, Gravatá e Garanhuns (Pernambuco), Araruna, Lagoa Seca, Campina Grande, Bananeiras, Brejo da Madre de Deus ,Areia, Serraria, Pilões e Solânea (Paraíba). Outros motivos de interesse são os festejos juninos, as feiras, a culinária e o artesanato.

O ecoturismo também vem, pouco a pouco, se desenvolvendo, como vem ocorrendo no Parque Estadual Pedra da Boca, situado no município de Araruna (criado no ano de 2000).

Referências

  1. Associados do IHGSP (1902). Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Volume 6 Instituto histórico e Geográfico de São Paulo [S.l.] 
  2. NAVARRO, E. A. (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil Editora Global [S.l.] p. 548. 
  3. MONTEIRO, Vilma dos Santos Cardoso (1980). Pequena história da Paraíba Editora Universitária (UFPB) [S.l.] p. 170. 

4. CORRÊA, A.C.B; TAVARES, B.A.C; MONTEIRO, K.A; CAVALCANTI, L.C.S; LIRA, D.R. Megageo- morfologia e Morfoestrutura do Planalto da Borborema. Revista do Instituto Geológico, São Paulo, 2010. p. 35-52.