Frederick Douglass

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Frederick Douglass
Frederick Douglass, cerca de 1874.
Outros nomes Frederick Augustus Washington Bailey
Nascimento fevereiro de 1818
Condado de Talbot
Morte 20 de fevereiro de 1895 (77 anos)
Washington, D.C.
Nacionalidade Povo dos Estados Unidos norte-americano
Progenitores Mãe: Harriet Bailey
Pai: (provavelmente) Aaron Anthony
Cônjuge Anna Murray-Douglass (1838–1882)
Helen Pitts Douglass (1884–1895)
Filho(s) Rosetta, Lewis, Frederick Jr., Charles e Annie
Ocupação Abolicionista
Ativista dos direitos humanos
Escritor
Filiação Partido Republicano
Ideias notáveis Abolicionismo
Religião metodista
Causa da morte Infarto
Assinatura
Frederick Douglass signature.svg

Frederick Douglass, nascido como Frederick Augustus Washington Bailey (Condado de Talbot, c. fevereiro de 1818[1][nota 1]Washington, D.C., 20 de fevereiro de 1895) foi um abolicionista, estadista e escritor estadunidense. Chamado "O Sábio de Anacostia" ou "O Leão de Anacostia", ele foi dos mais eminentes afro-americanos do seu tempo, e dos mais influentes na história dos Estados Unidos, sobretudo durante o período da Guerra de Secessão e a consequente abolição da escravatura, para o que pressionou o então presidente Abraham Lincoln.

Filho de uma escrava com um homem branco, Douglass viveu a experiência da servidão e, instruindo-se, dela fugiu em 1838, adotando novo nome como homem livre e com o qual passou à história; dez anos depois publicou sua primeira autobiografia que o levou a excursionar pela Europa, o que lhe mudou o pensamento para ações mais pragmáticas de luta.[1] Durante a guerra civil conseguiu fazer com que os negros pudessem lutar ao lado dos brancos e, terminada esta, continuou suas lutas pela igualdade entre as raças e também entre homens e mulheres.[1]

Seu pensamento contestador contra os sistemas opressivos pregava a constante rebeldia, como expressou a um amigo abolicionista numa carta de 1848: "Sem luta não há progresso. Aqueles que professam em favor da liberdade, e ainda depreciam a agitação, são pessoas que querem ceifar sem arar a terra. Eles querem chuva sem trovão e raios. Eles querem o oceano sem o terrível bramido de suas muitas águas. Esta luta pode ser moral; ou pode ser física; ou pode ser ambas, moral e física; mas ela deve ser uma luta. O poder não concede nada sem demanda. Nunca concedeu e nunca concederá."[3] Foi um orador bastante requisitado na causa abolicionista por sua eloquência,[4] Douglass é autor de frases célebres sempre citadas, como "eu me uniria com qualquer um para fazer o certo e com ninguém para fazer o mal".[5][nota 2] Os abolicionistas brancos pediam-lhe o depoimento mas procuravam limitar-lhe a narrativa apenas ao testemunho dos fatos, e não à sua análise, que caberia a eles fazer — revelando assim uma outra forma de preconceito: além da racial, a intelectual; mas Douglass se insurgia contra isto, tanto em suas palestras quanto em seus livros, levando aos fatos sua própria interpretação.[4]

Por toda sua luta, Douglass é reconhecido como "o pai do movimento pelos direitos civis" dos Estados Unidos e sua última residência na capital integra o patrimônio histórico nacional daquele país.[6] Para seu biógrafo Joseph W. Holley ele foi o mais influente afro-americano do século XIX, havendo militado em favor de diversas causas sociais que "agitaram a consciência" do país e que foram desde os direitos femininos, reforma agrária, temperança, paz, educação pública e gratuita e abolição da pena de morte — mas sobretudo gastou a maior parte de seu tempo e energia pelo fim da escravidão e pela igualdade de direitos a todos os afro-descendentes; segundo ele: "Douglass entendeu que a luta pela libertação e pela igualdade exigia vigorosa, persistente e inflexível agitação. E reconheceu que os afro-americanos têm papel inerente nesta luta. Menos de um mês antes de sua morte um jovem negro pediu seu conselho a quem iniciava sua carreira no mundo, Douglas respondeu sem hesitação: "Agite! Agite! Agite!"".[7][nota 3] Sua autobiografia faz parte do cânon da literatura e da cultura estadunidenses.[4]

Contexto histórico e intelectual[editar | editar código-fonte]

Mapa de 1856 mostra os estados escravistas (cinza), estados "livres" (rosa), territórios federais (verde), o Kansas (branco) e o paralelo 36°30′ N indicado.

No século XIX os Estados Unidos tinham vivenciado uma ampliação do seu território, tanto pela compra (casos da Luisiana, da Flórida ou mais tarde o Alasca), pela anexação (caso do Texas, do Oregon e Maine), como pela conquista militar numa guerra contra o México que durara dois anos e resultou na conquista, em 1848, do Novo México e da Califórnia.[8] A população também sofreu um salto quantitativo: de nove milhões e seiscentos mil habitantes em 1820 chegou a 1860 a trinta e um milhões e trezentos mil.[9]

Enquanto os estados do sul, de clima mais quente, tinham sua economia fortemente centrada na agricultura e portanto com grande número de mão-de-obra escrava, os nortistas tinham uma formação mais baseada no comércio, indústria e numa agricultura não escravocrata que, com o tempo, foi acelerando as diferenças de interesses entre ambos, também perceptível pela origem dos imigrantes que os povoaram: ao norte de maioria protestante (ingleses, alemães) e ao sul de maioria católica (latinos); em 1820 o Compromisso do Missouri consagrou a divisão, proibindo a escravidão acima do Paralelo 36°30' Norte.[8] Em 1850 a Califórnia, apesar de estar abaixo deste limite, ganhou o direito de ser não-escravista, forçando em 1850 a celebração do Compromisso Clay, que dava ao povo o direito de decidir se seu estado teria ou não cativos.[9]

No Norte logo começaram a surgir várias sociedades abolicionistas, manifestações anti-escravistas, e publicação de poesias, livros (como o célebre A Cabana do Pai Tomás) e panfletos combatendo a prática da exploração servil.[8] Antes da metade do século eram mais de duzentas mil pessoas engajadas nesta causa, em mais de duas mil associações.[9] As sociedades abolicionistas patrocinavam a fuga de escravos do Sul para estados onde seriam cidadãos livres; também constituíram a Libéria em África (1847), destinando-a para os cativos que quisessem voltar ao continente.[9]

Na política também houve grandes modificações: com a expansão para o Oeste ocorre a diminuição do poder dos Whigs, força dominante formada pelos grandes proprietários rurais e grandes comerciantes do Leste, fazendo surgir o Partido Democrata (composto por pequenos comerciantes e profissionais liberais); o Partido Republicano tornou-se oficialmente abolicionista em 1854.[9]

Em 1859 John Brown leva a luta pelo fim da escravidão ao extremo, provocando uma sublevação de cativos na Virgínia, atacando um arsenal do exército; preso, foi condenado à forca, tornando-se um mártir da causa abolicionista.[9] Durante a eleição de 1860 o Partido Democrata apresentou uma divisão, lançando dois candidatos: o vice-presidente John C. Breckinridge foi o candidato dos escravistas do Sul, ao passo que os nortistas moderados lançaram Stephen Douglas, senador por Illinois; disputou ainda o pleito Gerrit Smith pelo novo Partido Constituinte da União, de proposta basicamente anti-escravista; finalmente os republicanos lançaram Abraham Lincoln; o resultado do pleito foi a vitória deste último, beneficiado pela divisão democrata, cujos candidatos obtiveram, juntos, muito mais votos que ele.[10] A consequência foi a saída da Carolina do Sul da União, insurgindo-se contra o resultado do pleito; isto provocou uma reação violenta contra os abolicionistas, no Norte, que os culpava pela divisão do país; em fevereiro do ano seguinte mais seis estados (Geórgia, Flórida, Mississipi, Alabama, Louisiana e Texas) repetiram o gesto da Carolina do Sul e formaram os Estados Confederados da América, aos quais depois se juntaram a Virgínia, Tennessee, Carolina do Norte e Arkansas (permaneceram na União os estados escravocratas de Delaware, Maryland, Missouri e Kentucky): o país dividiu-se de forma tal que a guerra estourou a 12 de abril: de um lado vinte e três estados nortistas com uma população de vinte e dois milhões de habitantes; do outro os onze estados sulistas e uma população de nove milhões de pessoas, dos quais três milhões e quinhentas mil eram escravas.[10]

Primeiros anos, escravidão e aprendizado[editar | editar código-fonte]

Anúncio de 1839 no Baltimore Sun oferece recompensas por escravos fugidos.

Nascido num lugar próximo à costa de Maryland, sabia que seu pai era um homem branco e sua mãe, uma escrava; foi criado pela avó e por uma tia quando era pequeno, sendo que vira a mãe somente umas cinco vezes até sua morte, ocorrida quando ele tinha sete anos.[1][nota 4] A separação das mães dos filhos era um costume na época pois as mulheres em idade fértil eram mais aptas que as mais velhas ao trabalho pesado na agricultura, então ele ficou com a avó Betsey na fazenda de Holmes Hill junto a outras doze crianças que eram seus irmãos ou primos; sua mãe trabalhava numa plantação distante do lugar onde nascera, Tukahoe, e para visitá-lo teria que percorrer uma longa distância a pé após o horário de trabalho e retornar a tempo para a jornada seguinte: apesar disto, Harriet Bailey era uma mulher inteligente, uma das raras escravas que sabiam ler e escrever na região; ela morreu em 1825.[11] Frederick tinha quatro irmãs (Sarah, Eliza, Kitty e Arianna) e um irmão (Perry).[11]

No ano seguinte após a morte da mãe algo ocorreu algo que ele mais tarde descreveria como a primeira vez que teve a sensação de "abandono e traição": sua avó o levara para a plantação de Why House, conhecida como aquela da Casa-Grande em que morava o senhor Lloyd e sua família e o deixou ali, sem qualquer aviso.[11] Edward Lloyd era um senhor de escravos muito rico, e mantinha mais de dez cativos como serviçais de sua casa de um total de mais de mil em suas mais de duas dezenas de fazenda onde plantava milho, tabaco e trigo.[11] Ali ele, muito novo para trabalhar no campo, servia como garoto de recados, cuidava das vacas, dos jardins e quintal, e observou a crueldade com que o feitor e seu dono, Capitão Aaron Anthony, lidava com os trabalhadores.[11]

Enquanto testemunhava desde cedo as crueldades da escravidão no campo, outra sorte lhe estava reservada pois aos oito anos foi enviado para trabalhar em casa de um carpinteiro naval, chamado Hugh Auld, em Baltimore,[1] vivendo com o novo senhor e sua esposa, Sophia Aud para cuidar do filho pequeno do casal, Thomas[7][11] (os Auld eram sogros de Lucretia Anthony Auld, filha de Aaron[2]). Ali foi alfabetizado e pela primeira vez ouviu a palavra abolição; segundo diria mais tarde: "Indo morar em Baltimore, foi lançada a fundação, e abriu-se a porta de entrada, para toda a minha subsequente prosperidade".[1][nota 5][7] De fato, ele era o primeiro escravo que Sophia tivera e parecera-lhe natural que o ensinasse a ler junto ao filho; Douglass assimilava rapidamente as lições, sendo orgulho para a senhora mas, quando Hugh percebeu o que a mulher estava a fazer, houve uma forte discussão onde ele advertiu-a para o ato considerado ilegal de ensinar um escravo a ler, além de perigoso pois estes uma vez alfabetizados poderiam falar em liberdade.[11]

Embora privado das lições de sua dona, ele decidira não parar de aprender e, ganhando trocados polindo botas, negociava com os garotos brancos pobres da vizinhança aulas em troca de pão e treinava a escrita nas cercas e pedras; quando descobriu, por volta dos doze anos de idade, a existência da publicação The Columbian Orator, passou a adquiri-la a decorar seus artigos, além de aprender conceitos como direitos humanos e liberdade; o conceito de "abolição" aprendeu lendo o jornal Baltimore American.[11] Lia os jornais que eram jogados fora e com isto pôde acompanhar os debates nacionais acerca da escravidão e, frequentando igrejas para negros livres, experimentou a comovente experiência de ver outros homens negros que falavam em público e sabiam ler; aos treze anos adquiriu uma obra popular sobre retórica e começou a exercitar-se na oratória.[7]

Viveu em Baltimore até os quinze anos em relativo conforto mas, após este período de sete anos no litoral, foi novamente enviado para uma fazenda no sertão sob a direção de um brutal feitor, Edward Covey, onde era diuturnamente chicoteado e mal alimentado a ponto de ele declarar depois que fora "quebrado em corpo, alma e espírito".[1] Esta mudança ocorreu de forma abrupta porque o seu dono, o Capitão Anthony, morrera sem deixar testamento e, com a divisão dos bens, Frederick ficou para sua filha Lucretia, casada com Thomas Auld, que entretanto veio a falecer dentro de poucos meses após a morte do pai e ele passou a pertencer ao seu marido.[11]

Retorno à plantation, fuga[editar | editar código-fonte]

Negros trabalham numa plantação de algodão.

Assim, Douglass foi enviado pelo seu novo mestre Thomas Auld para uma plantation próxima de St. Michaels onde ele organizou secretamente uma escola para ensinar aos demais escravos; a empresa foi descoberta e atacada por uma multidão de brancos do lugar, levando Auld a buscar como meio de disciplinar Frederick enviando-o para trabalhar para um fazendeiro que tinha a fama de "quebrador de escravos" — mas ele mostrou-se ainda mais desafiador e enfrentava os açoitamentos.[7]

Levado por novo fazendeiro, voltou a organizar outra escola onde, junto aos alunos, passou a planejar uma fuga para o estado livre da Pensilvânia, o que foi também descoberto; a fim de evitar novos problemas deste tipo, Auld enviou Douglass de volta a Baltimore, a fim de trabalhar como calafate num estaleiro e, ali, com a relativa liberalidade do meio citadino, ele se uniu a uma sociedade de aprimoramento formada por calafates livres, onde eram com frequência debatidos temas sociais e intelectuais que agitavam a época.[7]

Ele então fez uma tentativa em comprar sua liberdade, mas não teve sucesso; então, portando documentos de um marinheiro negro livre que conhecera, em setembro de 1838 ele se disfarçou como marujo e fugiu para Nova York de barco a vapor e trem, começando assim sua nova vida como homem livre.[7] Para esta fuga contribuíra Anna Muray, que trabalhava como empregada doméstica em Baltimore.[7] Ela era filha de ex-escravos que foram alforriados pouco antes de seu nascimento; seis anos mais velha que Frederick, foi ela quem forneceu a ele o dinheiro e o disfarce para a fuga.[12]

Liberdade, casamento, pregações e jornais[editar | editar código-fonte]

Douglass, quando jovem ativista e já grande orador, e sua esposa Anna Murray, seis anos mais velha que ele: o casal viveu juntos por 44 anos, até a morte dela.

Uma vez na cidade, Douglass adotou o novo sobrenome a conselho de um abolicionista local para começar a nova vida e confundir os caçadores de escravos fugidos.[7] Em Nova York Anna veio se juntar a ele e foram casados pelo famoso pastor negro James William Charles Pennington.[12] O casal se estabeleceu em New Bedford onde ele continuou a trabalhar com calafetagem e também como vendedor de provisões para os navios baleeiros; da união em pouco menos de dez anos tiveram cinco filhos, duas meninas e três meninos:[7] Rosetta (1839-1906), Lewis Henry (1840-1908), Frederick D. Jr. (1842-1892), Charles Remond (1844-1920) e Annie (1849-1860).[12][13]

Anna foi-lhe sempre uma esposa fiel: trabalhava como empregada doméstica e cuidava dos filhos; contudo não se pode dizer que Frederick tinha um casamento feliz, pois ela não acompanhava o marido em sua trajetória: mesmo quando este recebia visitas ela se limitava a servir e cozinhar para os hóspedes e em seguida se retirava.[14] Ele chegou a contratar-lhe um professor, mas Anna revelou-se incapaz de aprender, de forma que Frederick sempre se sentiu solitário em casa.[14]

Os quatro filhos sobreviventes de Frederick e Anna: Rosetta, Lewis, Frederick Jr. e Charles.

Douglass fez parte da igreja metodista — a African Methodist Episcopal Zion — na qual se tornou liderança e pregador.[7] Logo se junta ao movimento antiescravagista que surgia; lia o jornal Liberator editado por William Lloyd Garrison e participava das reuniões nas igrejas negras, onde relatava sua experiência como escravo; em agosto de 1841 ele despertou a atenção de Garrison e outros importantes líderes brancos do movimento abolicionista ao participar de uma convenção da Massachusetts Anti-Slavery Society na ilha de Nantucket.[7] Douglass os impressionou de tal forma com sua eloquência que logo o contrataram como palestrante e, durante os dois anos seguintes, quando mudou-se com a família para Lynn, proferiu centenas de palestras ao público antiescravista nos estados de Nova Inglaterra e Nova York.[7]

Em 1843 integra a comitiva de oradores abolicionistas na excursão que denominaram "One Hundred Conventions" (ou "Cem Convenções") que visava ao fortalecimento da causa antiescravocrata e que percorreu Nova York, Ohio, Indiana e o leste da Pensilvânia onde sua qualidades oratórias fizeram aumentar o respeito e admiração entre o movimento.[7] A recepção nestes lugares muitas vezes era hostil e perigosa: ataques verbais, saraivada de ovos e frutos podres, multidões muitas vezes violentas eram comuns e ele, por sua condição de foragido, ameaçava sua liberdade com a crescente exposição; para não ser recapturado então tinha que omitir ou disfarçar dados de sua biografia (tais como nomes, datas, lugares).[7]

Em 1845 ele publicou a primeira de suas autobiografias — The Narrative of the Life of Frederick Douglass, An American Slave, Written by Himself — que se converteu num grande sucesso com a venda rápida de trinta mil exemplares nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, logo sendo traduzido para o alemão, francês e holandês.[2] Graças a este bom resultado em agosto deste ano ele viajou para uma turnê que viria a durar vinte meses pela Inglaterra, Escócia e Irlanda onde realizou inúmeras palestras e teve, por parte dos abolicionistas daqueles locais, reunido em subvenção valores para a compra de sua liberdade; outro tanto foi arrecadado para que, quando retornasse, pudesse publicar um jornal próprio.[2]

Em 1847 mudam-se para Rochester e Douglass começa a publicar seu jornal abolicionista The North Star (que circulou até 1851 com este nome, quando fundiu-se ao The Liberty Party Paper[2], e então continuou por mais dez anos sob o nome de Frederick Douglass's Paper[15]).[12] Ali institui sua própria organização de palestras nos anos de 1849 a 1951.[2]

Em Rochester, no ano de 1952, durante as comemorações do 4 de julho, data máxima do país pela sua independência, Douglass proferiu um discurso que se tornou célebre onde denunciava a hipocrisia do momento, a festejar uma liberdade que o próprio país não praticava: "Os Estados Unidos são falsos com o passado, falsos com o presente e solenemente se consagram a serem falsos com o futuro. Nesta ocasião, ao lado de Deus e do oprimido e ensanguentado escravo, eu ousarei – em nome da humanidade que é ultrajada, em nome da liberdade que é acorrentada, em nome da Constituição e da Bíblia, que são desprezadas e iludidas – a desafiar e denunciar, com toda a ênfase que posso reunir, tudo o que serve para perpetuar a escravidão – o grande pecado e a vergonha dos Estados Unidos."[16] Neste mesmo ano escreveu um romance de ficção intitulado "The Heroic Slave", obra abolicionista editada em capítulos numa publicação chamada Autographs for Freedom (Autógrafos pela Liberdade), cuja venda era revertida num fundo para atividades abolicionistas.[2]

Em 1859 começou a publicar também o Douglass' Monthly, inicialmente como suplemento mensal do seu jornal e depois como uma publicação independente, que seria interrompida com a eclosão da guerra civil.[2] Douglas participava ativamente, além das palestras e publicações, do sistema de patrocínio de fugas de escravos do sul para os estados do norte e o Canadá, conhecido como Underground Railroad (Estrada de Ferro Subterrânea, em livre tradução); neste ano ocorre a sublevação de John Brown, que Douglass criticou por acreditar estar fadada ao fracasso como de fato ocorreu; ele era ligado a Brown pois trabalhava para adquirir fundos às atividades do abolicionista radical e esta conexão o forçou a fugir para o Canadá, em outubro, auxiliado pelos amigos e companheiros da luta anti-escravista Amy e Isaac Post; mas ele fica ali pouco tempo indo para a Inglaterra onde teve seu retorno ao país precipitado com a morte da filha mais nova, Annie, em 13 de março de 1860.[2]

Guerra de Secessão: os "gigantes" Douglass e Lincoln[editar | editar código-fonte]

Lincoln reuniu-se duas vezes com Douglass: sua pressão levou ao fim da escravidão e outras conquistas.
Soldado negro da União: a participação de homens de cor na guerra foi conquista de Douglass.

Com a eclosão da guerra civil Douglass atuou publicamente pressionando o presidente Lincoln a abolir a escravidão e a aceitar nas forças armadas a participação de homens negros; o artigo que escreveu então intitulado "Men of Color, To Arms" acabou se tornando peça de cartaz de recrutamento.[2] Tinha início a disputa entre dois "gigantes" do Norte: Douglass e seu abolicionismo imediato e Lincoln, que tentava reconciliar o país.[17]

Na eleição de 1860 Douglass apoiou inicialmente o candidato abolicionista Guerrit Smith mas, poucos meses antes do pleito, ele se deu conta de que esta seria uma candidatura derrotada então preferiu dar um voto útil, apoiando Lincoln.[10] Diante da crise então formada houve a expectativa de que o novo presidente a superasse, mas seu discurso de posse foi especialmente decepcionante para Douglass, ao não atacar a escravidão, prometendo manter a lei dos escravos fugidos e não alterar a situação nos estados em que este sistema, dando assim prioridade à manutenção da União — o que restou infrutífero, pois a 12 de abril de 1861 o Sul bombardeou o Forte Sumter, no porto de Charleston, dando início ao conflito civil: Douglass louvou o acontecimento, então, pois finalmente estava traçado o caminho para a abolição; ele então estabeleceu dois tópicos pelos quais lutaria: o fim da escravidão em todo o país (incluindo os estados escravistas leais à União) e o direito de os negros se alistarem para a guerra.[10]

Num relato de agosto de 1861 ele revelava que na primeira batalha de Bull Run foram vistos negros lutando ao lado das tropas confederadas; Douglass retomaria o tema semanas mais tarde, citando uma testemunha que vira negros confederados "com um mosquete no ombro e balas nos bolsos"; ele ainda colheu um depoimento de um escravo que fugira na Virgínia de que tropas negras estavam a se formar naquele estado, na Geórgia e na Carolina do Sul; estes grupos, sabe-se hoje, eram formados por escravos alistados por seus senhores e que, temendo represálias, serviam aos defensores da escravidão e, ao todo, não representaram mais que 1% dos soldados confederados ou igual percentual dos escravos então existentes.[17]

As lutas no Sul seguiam aguerridas e Douglass viajava em conferências, pressionando nelas e nos artigos que escrevia o presidente para que este abolisse de vez a servidão; Lincoln, contudo, demonstrava lentidão nas medidas pela libertação: apenas a 16 de abril de 1862 sancionou uma lei que abolia a escravidão na capital, Washington e retardou a assinatura das medidas aprovadas pelo Congresso que confiscava os escravos das áreas capturadas aos secessionistas — esperando com isto evitar se rebelassem os estados escravistas fiéis.[10]

Com o aumento exagerado das baixas em suas tropas várias cidades nortistas tiveram distúrbios contra as convocações; a guerra se arrastava sem qualquer perspectiva de final favorável e finalmente Lincoln se convenceu de que medidas mais duras precisavam ser tomadas contra os sulistas, em meados de 1962, esperando a primeira grande vitória nortista para anunciá-las, o que efetivamente ocorreu em setembro, após a sangrenta batalha de Antietam, em Maryland: a 31 de dezembro de 1862 ele expediu a Proclamação de Emancipação, dando imediata liberdade aos escravos em todo território sulista capturado (mas sem abolir a servidão nos estados fronteiriços leais ou naquelas já capturadas); o ato, contudo, levou a que milhões de negros fugissem para o norte, no "caminho da liberdade" das áreas controladas pela União.[10] Douglass estava em Boston e recebera a notícia deste avanço no telégrafo da cidade, junto a outros; em seu relato: "Nós estávamos esperando e ouvindo como quem [espera] um raio do céu... Nós observávamos... No meio da fraca luz das estrelas vinha a aurora de um novo dia... Nós estávamos ansiando pela resposta às preces agonizantes dos séculos."[10][nota 6] A multidão então vibrou com a medida esperada há tanto e que deixava a libertação mais próxima, e Douglass passou a dedicar-se à sua segunda proposta: o alistamento de negros.[10]

Em 1863 finalmente o Congresso autorizou o recrutamento de negros nas tropas da União, e a primeira unidade foi criada — o 54º Regimento de Massachusetts, para cujo alistamento de voluntários o governador pediu o auxílio de Douglass que, então, escreveu seu editorial "Men of Color, to Arms" convocando seus irmãos a "terminar em um dia o cativeiro de séculos"; seus filhos Lewis e Charles foram os primeiros a aderir à convocação.[10] Embora Douglass clamasse pela igualdade de tratamento entre negros e brancos nas forças armadas, os negros recebiam metade do pagamento dos brancos — além de terem armas inferiores e treinamento inadequado; piorava a situação a informação de que soldados negros capturados pelos confederados eram imediatamente fuzilados: ele então interrompeu a campanha de recrutamento e publicou nos jornais suas queixas, exigindo fosse recebido pelo presidente.[10]

Em meados de 1863 Lincoln finalmente recebeu o líder e Douglass lhe manifestou suas reivindicações, obtendo contudo a evasiva resposta de melhorias no futuro; apesar disto, ele resolveu retomar a campanha pelo alistamento: após o encontro o Secretário da Guerra, Edwin Stanton, ofereceu-lhe um cargo de apoio ao general Lorenzo Thomas, que prontamente aceitou; ele retornou a Rochester, onde lançou um número do seu jornal e aguardou pelo aviso de sua nomeação como oficial, que nunca veio pois Stanton decidira que ele não seria aceito pelos demais oficiais; mesmo com esta decepção ele não declinou da motivação em continuar sua campanha e seu terceiro filho homem, Frederick Jr., também se juntara aos irmãos nas tropas que, tendo os soldados negros a se destacar nos campos de batalha, fizeram com que finalmente em meados de 1864 a guerra finalmente pendesse em favor do Norte, embora Douglass agora não queria apenas a libertação dos escravos que pela lei já eram livres: queria a igualdade de tratamento pois no Norte continuava a discriminação contra os negros, civis e militares.[10]

Em maio de 1864 houve a convenção republicana para a nova eleição presidencial; nela os abolicionistas do partido, chamados então de "radicais", indicaram seu representante o ex-candidato do Partido Free Soil e general John C. Frémont; os democratas escolheram um candidato defensor da chamada Copperhead, termo que definia os defensores de uma paz imediata com o Sul e o retorno à escravidão como era; mesmo tendo participado da escolha de Frémont, Douglass apoiou Lincoln temeroso com a vitória da proposta Copperhead, no que foi apoiado pelos demais partidários daquela candidatura.[10]

Em agosto deste mesmo ano Lincoln, temeroso de que fosse celebrado um armistício para selar o fim do conflito onde a escravidão fosse mantida, reuniu-se pela segunda vez com Douglass; o presidente então lhe pediu para elaborar um plano para a evacuação de escravos do Sul, já que não via perspectiva de vitória nortista; Lincoln também enfrentava no Norte a desaprovação a sua política, a população cansada da guerra; no verão daquele ano as sucessivas vitórias da União reanimaram os espíritos e o presidente foi reeleito, com facilidade, de forma que o plano de Douglass nunca precisou ser usado.[10] Ao final do ano o Sul estava faminto e falido e suas tropas recuavam cada vez mais; Douglass aproveitou os avanços e visitou as áreas ocupadas da Virgínia e sua terra natal, Maryland onde, em Baltimore, realizou pregações e reencontrou a irmã Eliza que não via há trinta anos e que, durante este longo tempo, havia comprado com seu próprio esforço sua liberdade e a dos nove filhos, sendo motivo de orgulho para o irmão.[10]

No começo de 1865 ele volta ao Norte onde, na capital, assiste em meio ao povo o discurso inaugural do segundo mandato de Lincoln; mais tarde Douglas fora impedido pelos oficiais da Casa Branca de participar da recepção que ali ocorrera, à noite, mas ao informar o presidente do que ocorria este rapidamente levou-o para a cerimônia, anunciando-o: "Aqui está o meu amigo Douglass"; a 9 de abril a guerra finalmente terminou com a rendição de Robert E. Lee e a 14 deste mês Lincoln foi assassinado; mas Douglass estava feliz com a vitória que selara o fim da escravidão pela qual tanto lutara.[10]

Maturidade, viuvez, novo casamento[editar | editar código-fonte]

Douglass e sua nova esposa branca, Helen Pitts (sentados) e sua cunhada Eva (ao centro).

Em 1870 adquiriu 50% do jornal de Washington "New Era" que, em setembro deste ano, passa a se chamar "New National Era".[2]

Em 1877 Douglass foi nomeado pelo presidente Hayes como Marshall do Distrito de Columbia (cargo que exerceu até 1881) e ainda oficial de registro de imóveis da cidade;[2] com isto ele mudou-se de forma definitiva para Washington onde adquiriu uma casa em Cedar Hill, apesar de o então subúrbio de Anacostia adotar medidas segregacionistas; em razão desta morada passou a ser chamado de "Sábio de Anacostia", ali vivendo até sua morte.[6][18]

Seu relacionamento com a esposa não era mais de proximidade: ela, que lia e escrevia mal, participava muito raramente das atividades sociais do marido, cada vez mais ampliada no meio dos ativistas negros e brancos; além disto Anna ficara bastante abalada com a morte da filha caçula em 1860 e sua saúde desde então foi piorando até que, a 4 de agosto de 1882, ela faleceu na casa de Cedar Hill e foi sepultada em Rochester.[12]

Novo casamento: escândalo revela preconceito[editar | editar código-fonte]

O casal Douglass, na lua-de-mel em Niagara Falls, janeiro de 1884.
Caricatura ataca o casal Douglass, saindo de uma farmácia onde está à venda produto para "purificar o sangue".

Viúvo, Douglass se casou em 1884 com a feminista novaiorquina Helen Pitts — branca e da elite; a união desencadeou uma verdadeira tempestade na opinião pública, contrária ao matrimônio inter-racial.[2]

A oposição ao matrimônio inter-racial começou pelas famílias, tanto dele (filhos e netos) quanto dela, e se estendeu para os próprios negros que o acusavam de ter preferido unir-se a uma mulher branca comum e pobre ao invés de alguém da própria raça, para a imprensa que realçava a grande diferença de idade (ela tinha quarenta e seis anos e ele vinte anos a mais, sendo que Helen era mais nova que seus filhos).[14]

Em seu livro autobiográfico de 1892 ele descreveu o momento: "Nenhum homem, talvez, tenha ofendido mais o preconceito popular do que eu, ultimamente. Eu me casei com uma mulher. Pessoas que haviam permanecido em silêncio quanto às relações ilegais entre os senhores de escravos brancos e suas escravas de cor me condenavam em alta voz por me casar com uma mulher alguns tons mais claros que eu. Eles não teriam qualquer objeção se me casasse com uma pessoa muito mais escura do que eu, mas me casar com alguém muito mais clara, e com a tez do meu pai e não com a de minha mãe era, na visão popular, uma ofensa chocante, pela qual eu deveria sofrer o ostracismo tanto pelos brancos quanto pelos negros."[2][nota 7] A despeito disto, ele reagiu com humor: "Isso prova que sou imparcial; minha primeira esposa era da cor de minha mãe e a segunda, da cor de meu pai."[nota 8][14]

Helen não era uma estranha: quando ela tinha somente oito anos Douglass se hospedara na casa de seus pais quando fora em função de suas palestras e ali voltara outras vezes; finalmente, quando já madura ela se mudou para Washington para morar com um tio, ele a empregara no escritório de registros, em 1882.[14] Pouco mais de um ano e meio após a morte de Anna ele recebera em seu escritório o pastor presbiteriano Francis Grimke, filho de escravos e irmão de dois grandes abolicionistas e este o encontrara a conversar com uma mulher que rapidamente se retirou; Douglass então declarou que precisava mesmo vê-lo pois queria se casar; perguntado com quem ele respondera: "A senhora que estava sentada ao meu lado quando você entrou. Ela é a escolhida."[14][nota 9]

Ao contrário do primeiro casamento, com Helen Frederick tinha grande afinidade intelectual; em 1886 ele renunciou aos postos governamentais e juntos viajaram para a Europa (Inglaterra, França, Itália e Grécia) e também ao Egito, onde experimentaram uma vida comum sem o preconceito racial que os perseguia; mas logo ela teve que retornar pois a mãe adoecera e os registros dão conta de que se reconciliara com a filha e o genro: no inverno daquele ano a velha Jane Pitts e sua filha Jennie se hospedaram em Cedar Hill.[14]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1888 Douglass participou do International Council of Women, onde foi apresentado como um dos pioneiros na defesa dos direitos femininos, por Susan B. Anthony.[2][nota 10]

Tão logo assumiu o cargo em 1889, o presidente Harrison nomeou Douglass como ministro-residente (embaixador) e cônsul-geral no Haiti, e ainda encarregado de negócios para a República Dominicana.[6] Frederick e Helen estavam morando naquele país caribenho mas, ao cabo de dois anos no serviço diplomático ele compreendeu que a situação política era bastante problemática para que pudesse desempenhar as funções e, alegando motivos pessoais, demitiu-se em 1891.[14] Isto não impediu que o casal participasse da Feira Mundial de 1893 em comemoração ao quarto centenário do Descobrimento da América em Chicago, Douglass na função comissário haitiano.[14]

O casal voltara para Cedar Hill onde ele passava cinco horas por dia na atividade de escrever cartas e artigos, principalmente contra o linchamento, e os dois passeavam em volta da propriedade em caminhadas, ou ficando em sua varanda apreciando juntos a vista.[14]

Cinco meses antes de sua morte Douglass continuava sua atividade de pregação: durante o 31º aniversário da Proclamação de Emancipação ele viajou para Alexandria, na Virgínia, a fim de participar das comemorações, em 24 de setembro de 1894.[19]

No seu último dia de vida Douglass participou de uma reunião da seção de Washington do movimento feminista National Council of Women do qual ele havia participado desde a fundação, em 1848, onde foi convidado ao púlpito e foi aplaudido de pé pelos presentes; tão logo retornou para casa, ele veio a falecer,[2] vitimado por um ataque cardíaco fulminante.[14]

Ele foi sepultado no Mount Hope Cemetery, de Rochester.[2]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Casa de Douglass em Anacostia, patrimônio nacional dos EUA.

Após sua morte o Congresso, a pedido de sua segunda mulher Helen Pitts Douglass, criou a Associação Nacional Memorial e Histórica Frederick Douglass, a quem ela doou a casa de Anacostia; em 1916, numa parceria com a National Association of Colored Women's Clubs a Associação abriu a residência para visitações; a 5 de setembro de 1962 o local passou a integrar o sistema National Park e em 1988 foi declarado como patrimônio histórico nacional.[6]

Estátua em bronze no Capitólio, inaugurada no Juneteenth de 2013.

Uma grande estátua de Douglas foi erguida à saída da estação central de trens em Rochester, cidade onde ele vivera por vinte e cinco anos e foi sepultado, como uma resposta dos afro-descendentes ao monumento que se fizera na cidade em homenagem aos combatentes da guerra civil e que omitira os negros; inaugurada em 9 de junho de 1899 pelo então governador novaiorquino Theodore Roosevelt; uma versão menor foi feita para a Exposição Universal de 1900, em Paris; este monumento foi trasladado para o Highland Park em 1941 — próximo ao cemitério onde ele foi sepultado; feita em bronze pelo escultor Sidney W. Edwards, mede cerca de dois metros e quarenta centímetros.[20]

Em comemoração ao Juneteenth foi inaugurado no jardim da Biblioteca do Congresso a 19 de junho de 2013 uma estátua com aproximadamente dois metros e dez centímetros, feita em bronze, obra do artista Steven Weitzman, e representa Douglass como orador e escritor: tendo ao lado de sua figura em pé um púlpito com tinta e caneta enquanto o homenageado, retratado quando tinha cerca de cinquenta anos de idade, segura folhas de papel na postura de quem faz um discurso; o pedestal, com cerca de setenta e cinco centímetros, contém inscrições que na frente traz o nome e os anos de nascimento e morte de Douglass, e nas laterais citações como a de Booker T. Washington à direita que diz: "A alma que está dentro de mim / Nenhum homem pode degradar".[21]

Em 2014 o governador de Maryland Martin O’Malley inaugurou, na residência oficial de Annapolis, um retrato de Douglass pintado pelo célebre artista Simmie Knox, o primeiro de um afro-americano na casa histórica; este foi o segundo retrato de Douglass feito por Knox, famoso pelos retratos oficiais do presidente Bill Clinton e da primeira-dama à época, em 2002; o primeiro quadro pertence ao Smithsonian Institution, e encontra-se cedido ao Center for African American History and Culture, em Anacostia.[5]

Bibliografia sobre Douglass[editar | editar código-fonte]

  • Giants: The Parallel Lives of Frederick Douglass and Abraham Lincoln, John Stauffer (2008)

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Douglass havia estimado que nascera em 1817; seu senhor Auld contudo havia declarado que o nascimento se dera em fevereiro de 1818; esta última data só foi confirmada um século depois quando Dickson Preston conferiu o registro dos escravos de Aaron Anthony.[2]
  2. Tradução livre para: "I would unite with anybody to do right and with nobody to do wrong".
  3. Livre tradução de: "Douglass understood that the struggle for emancipation and equality demanded forceful, persistent, and unyielding agitation. And he recognized that African Americans must play a conspicuous role in that struggle. Less than a month before his death, when a young black man solicited his advice to an African American just starting out in the world, Douglass replied without hesitation: "Agitate! Agitate! Agitate!"", segundo Joseph W. Holley em seu livro “You Can't Build a Chimney from the Top” (1948, p. 23).
  4. Boa parte das fontes dão seu dia de nascimento como indeterminado; a mesma coisa para quem seria seu pai, havendo contudo quase certeza de que era um homem branco.[7] Douglass adotou como dia de seu nascimento 14 de fevereiro que teria sido o dia que sua mãe dissera ser seu "dia dos namorados".[11]
  5. Uma livre tradução para: "Going to live at Baltimore, laid the foundation, and opened the gateway, to all my subsequent prosperity."
  6. Livre tradução para: "We were waiting and listening as for a bolt from the sky...we were watching...by the dim light of the stars for the dawn of a new day...we were longing for the answer to the agonizing prayers of centuries."
  7. Livre tradução para: "No man, perhaps, had ever more offended popular prejudice than I had then lately done. I had married a wife. People who had remained silent over the unlawful relations of white slave masters with their colored slave women loudly condemned me for marrying a wife a few shades lighter than myself. They would have had no objection to my marrying a person much darker in complexion than myself, but to marry one much lighter, and of the complexion of my father rather than of that of my mother, was, in the popular eye, a shocking offense, and one for which I was to be ostracized by white and black alike."
  8. Tradução livre para: "This proves I am impartial. My first wife was the color of my mother and the second, the color of my father."
  9. Segundo o depoimento do Reverendo Grimke; no original Douglass dissera: "The lady who was sitting by me when you came in. She is the one."
  10. Não parece existir qualquer relação entre Susan B. Anthony e o senhor e suposto pai de Douglass, Aaron Anthony.[2]

Referências

  1. a b c d e f g Institucional. «Frederick Douglass (1818 - 1895)». Africans in America (PBS). Cópia arquivada desde o original em 7 de outubro de 2013. Consultado em 18 de dezembro de 2016 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Institucional. «Frederick Douglass». Rochester Regional Library Council (RRLC). Cópia arquivada desde o original em 9 de janeiro de 2017. Consultado em 9 de janeiro de 2017 
  3. Citado em Miguel Carter (tradução: Imario Vieira) (2006). «O movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Democracia no Brasil». AGRÁRIA, São Paulo, Nº 4, pp. 124-164. Cópia arquivada desde o original em 18 de dezembro de 2016. Consultado em 18 de dezembro de 2016  (trabalho originalmente publicado pelo Centre for Brazilian Studies Working Paper CBS-60-05, University of Oxford, em maio de 2005 — pdf arquivado do cache do Google).
  4. a b c Alessandro Portelli (tradução:Ingeborg K. de Mendonça e Carlos Espejo Muriel) (1996). «A Filosofia e os Fatos: Narração, interpreta ção e significado nas memórias e nas fontes orais». Tempo, Rio de Janeiro , vol. 1, n°. 2, p. 59-72. Cópia arquivada desde o original (PDF) em 18 de dezembro de 2016. Consultado em 18 de dezembro de 2016  (trabalho originalmente publicado pela revista espanhola "Fundamentos" — pdf arquivado do cache do Google).
  5. a b Breanna Edwards (16 de setembro de 2014). «Historic Unveiling of Frederick Douglass Portrait at Governor's Mansion in Md.». The Root. Cópia arquivada desde o original em 20 de dezembro de 2016. Consultado em 20 de dezembro de 2016 
  6. a b c d Institucional. «Frederick Douglass National Historic Site». National Park Service. Cópia arquivada desde o original em 21 de dezembro de 2016. Consultado em 21 de dezembro de 2016 
  7. a b c d e f g h i j k l m n o p Roy E. Finkenbine. «Douglass, Frederick». American National Biography. Cópia arquivada desde o original em 24 de dezembro de 2016. Consultado em 24 de dezembro de 2016 
  8. a b c Osvaldo Rodrigues de Souza. História Geral. 6ª ed. [S.l.]: ed. Ática, 1972. 345-348 p.
  9. a b c d e f José Jobson de A. Arruda. História Moderna e Contemporânea. [S.l.]: Ática, 1974. 219-228 p.
  10. a b c d e f g h i j k l m n o Institucional (29 de junho de 1997). «The Civil War Years - The Fight For Emancipation». History Rochester. Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  11. a b c d e f g h i j Institucional. «Biography – Early Life». Frederick Douglass Heritage. Cópia arquivada desde o original em 24 de dezembro de 2016. Consultado em 24 de dezembro de 2016 
  12. a b c d e Shirley Yee. «Douglass, Anna Murray (c. 1813-1882)». BlackPast.org. Cópia arquivada desde o original em 28 de dezembro de 2016. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  13. Institucional. «The Douglass Family (photo gallery)». National Park Service. Cópia arquivada desde o original em 28 de dezembro de 2016. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  14. a b c d e f g h i j k Institucional (10 de fevereiro de 2005). «Famous Women in Mount Hope Cemetery: Helen Pitts Douglass - 1838-1903». Friends of Mt. Hope Cemetery. Cópia arquivada desde o original em 4 de setembro de 2013. Consultado em 9 de janeiro de 2017 
  15. Institucional. «The North Star». American Treasures of the Library of Congress. Cópia arquivada desde o original em 28 de dezembro de 2016. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  16. Magnoli, Demétrio (2015). «Uma gota de sangue: história do pensamento racial (livro) - Introdução». Editora Contexto. Cópia arquivada desde o original (PDF) em 1 de janeiro de 2017. Consultado em 1 de janeiro de 2017  (arquivado a partir do cache do Google, do site globonews.globo.com)
  17. a b Corydon Ireland (1 de setembro de 2011). «Black Confederates». Harvard Gazette. Cópia arquivada desde o original em 27 de janeiro de 2015. Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  18. s/a. «Anacostia Historic District». National Park Service. Cópia arquivada desde o original em 5 de agosto de 2012. Consultado em 21 de dezembro de 2016 
  19. «Java Jolt Lecture: Frederick Douglass & Alexandria». The Lion of Anacostia. 10 de setembro de 2014. Consultado em 31 de dezembro de 2016 
  20. Sheldon Cheek (9 de fevereiro de 2014). «With a Statue to Frederick Douglass, Blacks Have Their Say in What Freedom Means». The Root. Cópia arquivada desde o original em 15 de janeiro de 2017. Consultado em 15 de janeiro de 2017 
  21. Institucional. «Frederick Douglass». Architect of the Capitol. Cópia arquivada desde o original em 27 de dezembro de 2016. Consultado em 27 de dezembro de 2016 

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