Harriet Tubman

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Harriet Tubman
Harriet Tubman c. 1885
Nome completo Araminta Ross
Outros nomes Minty, Moses
Nascimento c. março de 1822[1]
Condado de Dorchester, Maryland, Estados Unidos
Morte 10 de março de 1913 (91 anos)
Auburn, Nova Iorque, Estados Unidos
Progenitores Mãe: Harriet Greene Ross
Pai: Ben Ross
Parentesco
  • Modesty (avó)
  • Linah (irmã)
  • Mariah Ritty (irmã)
  • Soph (irmã)
  • Robert (irmão)
  • Ben (irmão)
  • Rachel (irmã)
  • Henry (irmão)
  • Moses (irmão)
Cônjuge
  • John Tubman (c. 1844–51)
  • Nelson Davis (c. 1869; morreu em 1888)
Filho(s) Gertie (adotado)
Ocupação Enfermeira na Guerra Civil, Sufragista, Ativista dos direitos civis
Religião Cristianismo
Causa da morte Pneumonia
Assinatura
Signature general affidavit of Harriet Tubman (1898), front.jpg

Harriet Tubman (nascida Araminta Ross; Condado de Dorchester, c.1822[1]Auburn, 10 de março de 1913), foi uma americana abolicionista, humanitária e espiã do Exército dos Estados Unidos durante a Guerra Civil Americana. Nascida durante a escravidão, Tubman escapou e, posteriormente, fez cerca de treze missões para resgatar cerca de setenta famílias e amigos escravizados,[2] usando a rede de ativistas abolicionistas e casas seguras conhecida como Underground Railroad.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Devido às dificuldades em saber datas de nascimento de cativos, existem divergências sobre o de Araminta “Minty” Ross - primeiro nome de Harriet Tubman, por isso, o mais aceito atualmente é de que tenha nascido entre fevereiro e março de 1822. Seus pais eram escravizados na fazenda de Anthony Thompson na sua plantation no estado de Maryland, no entanto entre 1823/1824, a mãe de Harriet e seus irmãos são separados do seu pai, que fica na fazenda de Thompson, para irem morar e servirem de mão de obra na fazenda do seu enteado Edward Brodess.

Com apenas seis anos de idade, Harriet Tubman já trabalhava emprestada para outros fazendeiros próximos. Nessa época, ela começa a adquirir as primeiras cicatrizes que recebia de seus patrões. Entre os doze e quinze, ocorre um episódio na vida de Tubman que deixa sequelas para a vida inteira, ela é atingida por um pedaço de ferro que foi jogado por um capataz que tentava impedir a fuga de outro cativo. A lesão causou dores de cabeça, ataques epiléticos, poderosa atividade visionária e de sonho, e crises de hipersonia que ocorreram durante sua vida inteira. Como uma cristã devota, atribuiu suas visões e sonhos vívidos a premonições de Deus.

É importante situar também que Harriet nasce no período em que o tráfico transatlântico de escravizados já é abolido na forma da lei, tornando fundamental uma maior vigilância dos escravizados para que não fugissem.

Entre os quinze e os vinte anos de idade, Harriet retorna a fazenda em que seu pai se encontrava, trabalhando como doméstica, bem como mão de obra tanto no campo como no porto e também como lenhadora. Em 1844, casa-se com John Tubman, um homem livre, e a partir desse momento adota o nome Harriet e o sobrenome do marido. Essa relação era complicada um vez que se Harriet gerasse filhos estes seriam tratados como escravizados, portanto sabe-se muito pouco sobre os motivos do porque John Tubman não acompanhou Harriet nessas primeiras tentativas de fuga. Em 1849, com 27 anos, Harriet foge duas vezes por medo de que fosse vendida para pagar as dívidas de seu patrão, que falecera naquele ano, neste episódio inclusive foi colocado um anúncio de recompensa para quem a encontrasse.

Na segunda tentativa ela chega a Filadélfia, cidade no estado da Pensilvânia que não permitia a escravização desde 1780. Em 1850, o Congresso aprova o Fugitive Slave Act, um estatuto que prevê a captura e retorno de cativos fugitivos que escaparam de um estado para o outro. Nesse mesmo ano, Harriet Tubman ajuda sua sobrinha e seus dois filhos a escaparem. A partir desse ano, ela começa a auxiliar diversas pessoas a fugirem do sistema escravocrata por meio das rotas disponíveis na Underground Railroad.

Ela serviu como condutora para mais de 70 cativos, realizando aproximadamente treze viagens de ida e volta nesta rota (Whitehead, 2014a).[3] A ferrovia consistia em um trabalho em rede conectando inclusive pessoas negras e pessoas brancas, que assumiam os papeis de condutores (eram os guias), agentes (ajudavam a encontrar as rotas), estações (esconderijos que eram geralmente casas), chefes de estação (aqueles que escondiam os fugitivos em suas casas), carga (eram os fugitivos) e os acionistas (pessoas que doavam dinheiro para manter essas rotas) (Waggoner, 20[-])[4]. Nenhum condutor sabia toda a rota, ela era dividida em pequenas rotas de estação para estação. Os números de fugitivos variam entre 50 mil e 100 mil, e estima-se que 3 mil pessoas faziam parte da Underground Railroad em algum dos papeis citados anteriormente. Com a aprovação da lei Fugitive Slave Act, auxiliar ou ajudar a esconder um fugitivo se tornou ofensa em nível federal, tornando todas as atividades da rota crime com seis meses de prisão e multa de mil dólares (Freedom Center, 20[-])[5]. Harriet atinge uma posição de destaque, no entanto, por ser uma mulher que guiava pelas rotas, usualmente o papel feminino era de providenciar comida, roupas, cuidados médicos e local para dormir (Korgan, 2006)[6].

Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), Harriet trabalhou para as forças unionistas, ajudando o exército na Carolina do Sul, Flórida e Geórgia, como enfermeira, espiã e escoteira (Whitehead, 2014a)[3]. Em 1863, teve um papel importante no episódio conhecido como Combahee River, nesse ataque comandado pelo General James Montgomery, e com a liderança de Harriet Tubman no Segundo Batalhão Negro da Carolina do Sul, foram libertados mais de 700 escravizados.

O papel das mulheres na Guerra Civil foram os mais diversos, como se disfarçar de homem para se juntar as lutas, servir de espiãs, enfermeiras e também assumir o papel de chefes de família com a partida de seus maridos, filhos e pais para a guerra. Aproximadamente 250 mulheres foram identificadas como soldados da linha de frente e mais milhares como enfermeiras e espiãs (Library of Congress, 20[-])[7], Harriet Tubman assume uma função significativa como mulher negra liberta ao liderar um ataque que tem como propósito a emancipação de mais pessoas, papel este que já assumia desde sua própria libertação.

Foi comentado anteriormente que em 1844, Harriet casa-se com um homem livre chamado John Tubman, deixando-o para trás na sua busca por liberdade e que, no entanto, em 1851, Harriet Tubman retorna para buscar seu marido, mas ele já estava com outra mulher. No lugar de seu marido, Harriet levou outros escravizados que queriam fugir e levou-os até a Filadélfia (Geledés, 2009)[8]. Após esse episódio, Harriet permanece dezoito anos sem se casar, este é um fato interessante para pensarmos que estes dezoito anos foram os mais ativos de sua vida.

No ano de 1868, Harriet realiza um pedido ao governo americano de que fosse paga pelos anos em que trabalhou como espiã e escoteira durante a guerra civil, no entanto, o pedido foi negado, mesmo que diversos homens negros, que também foram espiões durante a guerra, fossem pagos pelos seus serviços. Apenas em 1899, Tubman receberá uma pensão pelos serviços como enfermeira durante a guerra no valor de 20 dólares por mês.

Últimos anos de vida[editar | editar código-fonte]

Harriet por volta de 1912, com cerca de 90 anos.

Em 1870, a 15ª emenda foi aprovada, garantindo o voto para os afro-americanos homens, porém nenhuma mulher de nenhuma raça poderia votar. A partir nos anos 90 do século XIX, Harriet começa a se tornar mais ativa no movimento pelo sufrágio feminino, comparecendo a conferências tanto de mulheres brancas quanto negras. O lado feminista de Tubman é mais fortemente conhecido pelo seu envolvimento na luta pelo sufrágio feminino. Em 1896, ela participa da fundação da National Association of Colored Woman [Associação Nacional das Mulheres de Cor] e no mesmo ano ela comparece a uma convenção sufragista em Rochester, Nova Iorque. As mulheres só conquistariam o direito de voto com a 19ª emenda em 1920, mas infelizmente Harriet não estaria viva para acompanhar a vitória na luta pelo sufrágio feminino.

Em 1896, Harriet Tubman compra por meio de um leilão uma propriedade próxima de seu terreno 25 por 1.450 dólares para construir uma casa e hospital para indigentes, idosos e enfermos afro-americanos, aberta apenas 1908 em Auburn, Nova Iorque. Na época Harriet recebia apenas oito dólares de pensão por ser viúva de Nelson Davis e com a ajuda da AME Zion Church levantou fundos para comprar e manter o local. Devido a sua condição financeira, no entanto, não conseguiu mais manter a casa, doando definitivamente para a igreja que a ajudou a comprar o local.

Já doente, Harriet se interna nessa instituição e, dois anos depois em 1913, falece de pneumonia. Mesmo não possuindo muito dinheiro e bens, Harriet sempre que possível tentou ajudar o próximo seja por meio da colaboração da fuga, seja na construção de um lar para aqueles que necessitavam.

Memória[editar | editar código-fonte]

Em 2013, o presidente dos Estados Unidos na época, Barack Obama (Larson, 2014b), sancionou o espaço para o Harriet Tubman Underground Railroad National Monument no condado de Dorchester, Maryland, esse local preserva a natureza do local e ainda conta com um museu sobre a história de Harriet.

Em março de 2017, foi inaugurado o Harriet Tubman Underground Railroad Visitor Center, um centro de visitantes. Esses dois locais fazem parte de uma trilha autoguiada de aproximadamente duzentos quilômetros e 36 locais entre os condados de Carolina e Dorchester, chamado de Tubman Byway e que, segundo o site, “É o único lugar no mundo que preserva e interpreta os lugares onde Harriet Tubman nasceu, viveu, trabalhou e de onde fugiu”.

Há monumentos em homenagem à Harriet Tubman em Boston (Massachusetts), Bristol (Pensilvânia), Battle Creek (Michigan) e Harlem (bairro na cidade de Nova Iorque).

A nota de vinte dólares[editar | editar código-fonte]

Em 20 de abril de 2016, foi anunciado pelo secretário do tesouro americano, Jack Lew, que em 2020 (ano em que completa 100 anos do direito de voto das mulheres nos Estados Unidos) ocorrerá a mudança da vinte dólares para estampar o rosto de Harriet Tubman.

É a primeira grande mudança nas notas desde 1929, atualmente quem estampa a nota de vinte dólares é Andrew Jackson – ex-presidente americano, apoiador da escravidão, dono de escravizados e ainda foi responsável por realocar à força populações originárias.

Realizada uma consulta popular no ano anterior, das 15 candidatas, Harriet foi a mais votada, seguida de Eleanor Roosevelt que ocupará juntamente com a cantora negra Marian Anderson a nota de cinco dólares.

Referências

  1. a b Larson, p. 16.
  2. Larson, p. xvii.
  3. a b WHITEHEAD, Karsonya Wise (2014). «Beyond Myths and Legends: Teaching Harriet Tubman and Her Legacy of Activism». Meridians 
  4. WAGGOVER, Cassandra. «The Underground Railroad (1820-1861)» 
  5. «National Underground Railroad Freedom Center. History.» 
  6. KORGAN, Andrea (2006). «Heroes in Petticoats: The Role of Women in the Underground Railroad». Senior Research Projects 
  7. «Teaching With Primary Sources (MTSU): Women and the Civil War.». Library of Congress 
  8. «Harriet Tubman». GELEDÉS, Instituto da Mulher Negra. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BBC TEACH (Canal). The life and work of Harriet Tubman (dramatization) | History - True Stories. Youtube. 6 de julho de 2017.
  • BIOGRAPHY (Canal). Harriet Tubman - Mini Bio. Youtube. 26 de janeiro de 2010.
  • BROYLD, Dann J. Harriet Tubman: Transnationalism and the Land of a Queen in the Late Antebellum. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 78-98, 2014.
  • DAVIS, Angela. Capítulo 1 “O Legado da Escravidão: Parâmetros para uma nova condição da mulher”. Mulheres, Raça e Classe. Boitempo Editorial: São Paulo, 2016.
  • GELEDÉS, Instituto da Mulher Negra. “Harriet Tubman”.
  • GUMBS, Alexis Pauline. Prophecy in the Present Tense: Harriet Tubman, the Combahee Pilgrimage and Dreams Coming True. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 142-152, 2014.
  • Harriet Tubman Historical Society. Disponível em www.harriet-tubman.org Acesso em 07/08/2018.
  • HOBSON, Janell. Between History and Fantasy: Harriet Tubman in the Artistic and Popular Imaginary. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 50-77, 2014.
  • HOBSON, Janell. Harriet Tubman: A Legacy of Resistance. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 1-8, 2014.
  • HOBSON, Janell. The Rape of Harriet Tubman. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 161-168, 2014.
  • JALES, Luanna. Quem foi Harriet Tubman? - Mulheres na História, Canal Leitura ObrigaHISTÓRIA. Youtube. 4 de abril de 2017.
  • KORGAN, Andrea. Heroes in Petticoats: The Role of Women in the Underground Railroad. Senior Research Projects. 27, 2006.
  • LARSON, Kate Clifford. Harriet Ross Tubman Timeline. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 9-27, 2014a.
  • LARSON, Kate Clifford. Afterword. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 219-224, 2014b
  • Larson, Kate Clifford (2004). Bound For the Promised Land: Harriet Tubman, Portrait of an American Hero. New York: Ballantine Books. ISBN 0-345-45627-0
  • Library of Congress. Teaching With Primary Sources (MTSU): Women and the Civil War.
  • LINDSEY, Treva B.; JOHNSON, Jessica Marie. Searching for Climax: Black Erotic Lives in Slavery and Freedom. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 169-195, 2014.
  • MAY, Vivian M. Under-Theorized and Under-Taught: Re-examining Harriett Tubman’s Place in Women’s Studies. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 28-49, 2014.
  • National Underground Railroad Freedom Center. History.
  • WAGGOVER, Cassandra. The Underground Railroad (1820 – 1861).
  • WHITEHEAD, Karsonya Wise. Beyond Myths and Legends: Teaching Harriet Tubman and Her Legacy of Activism. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 196-218, 2014a.
  • WHITEHEAD, Karsonya Wise. Harriet Tubman: From Maternal Mother to Jezebel. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 156-160, 2014b.
  • WILLIAMS, Andreá N. Frances Watkins (Harper), Harriet Tubman and the Rhetoric of Single Blessedness. Meridians, vol.12, n. 2, pp. 99-122, 2014.

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