Escravidão e catolicismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Escravidão católica)

A Igreja Católica Romana foi um dos fatores chave da continuação do escravismo antigo no Ocidente mediterrâneo.[1] Ela se intensificou com a Descoberta da América[2][3][4][5] com destaque para a escravidão no Haiti cujos impactos duram até pelo menos a primeira metade do Século XXI[6][7][8][9] além da inicial escravidão indígena na Guatemala[10] e se estendendo seus impactos na África até os dias de hoje através de conflitos étnicos entre Tútsis e Hútus.[11] As guerras escravistas católicas são consideradas percussoras da Guerra do Iraque.[12] A crise católica durante a Reforma Protestante iniciou a decadência da escravidão católica com abolicionistas e antirracistas radicais como Abraham Lincoln e Archimínia Barreto. [13][14][15] A escravidão é assumida pela Igreja Católica como uma mancha na história do cristianismo[16] e inclusive foi incorporada na Lei canônica.[17] A alforria era mais difícil, se estimulava a reprodução da mão-de-obra, eram considerados "escravos da religião" e não poderiam praticar o sincretismo.[18]

História[editar | editar código-fonte]

Bandeirante capturando índios.

A Igreja condenava apoio a fuga de escravos e negava eucaristia a quem facilitava isso desde a Antiguidade Tardia.[19] O Papa Gregório I condenava os monastérios que facilitavam a fuga de escravos afirmando que eles eram consequência do Pecado original e da maldição de Cam.[20][21] O Papa Nicolau V autorizou a escravidão de sarracenos e pagãos quando soube da descoberta da América,[22] manteve o apoio a escravidão nos territórios já estabelecidos e apoiou a escravidão em futuros territórios a serem conquistados antes da descoberta das Américas.[23] Os padres Capuchinhos eram excomungados por criticar a escravidão africana.[24] Os escravizados no eram libertos mesmo quando eram batizados e se forçava o casamento entre escravos para a perpetuação do regime de conscrição.[25] O liberal Joaquim Nabuco era um dos políticos do Império brasileiro que conciliava abolicionismo com Anticlericalismo.[26] Inicialmente o catolicismo espanhol antes de Bartolomeu de las Casas apoiava a escravidão indígena muito da qual inspirada na jurisprudência islâmica da Dawa.[27] Os jesuítas criticavam a escravidão indígena mas apoiavam a escravidão africana[28] e o próprio Vaticano apoiava a escravidão em seus territórios, geralmente por guerra ou por condenação judicial por crimes.[29] O Papa Bento XIV apoiava a escravidão se o escravo fosse "bem tratado"[30] apesar de que o Papa Inocêncio IV ter aprovado legalmente o uso de tortura em países católicos contra escravos.[31] O Reino Unido desde o Congresso de Viena estava pressionando o Vaticano a abolir a escravidão por razões religiosas[32] apesar do fato de que a abolição da escravatura na maioria dos países católicos se deu por causa do movimento liberal local.[33] Em 2002, a Igreja pediu desculpas oficialmente pelo apoio a escravidão[34] apesar de tentar "branquear" o seu passado.[35] A prostituição forçada nas regiões auríferas mineiras foi sustentada pelo catolicismo através de uma interpretação do Marianismo em que as mulheres devia servir aos homens assim como a Igreja servia a Deus sendo um princípio comum em sociedades mediterrâneas medievais.[36][37][38][39]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bermejo, Luis M. (1998). Infallibility on Trial: Church, Conciliarity and Communion. [S.l.]: Christian Classics. ISBN 978-0-87061-190-2 
  • Clarence-Smith, W. G., Religions and the abolition of slavery - a comparative approach, retrieved 7 March 2010 Online article text
  • Daniel-Rops, Henri (1957). Cathedral and Crusade: Studies of the Medieval Church 1050–1350. [S.l.]: Dutton 
  • Davis, David Brion (2008). The Problem of Slavery in Western Culture. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-505639-6 
  • Epstein, Steven A. (1991). Wage Labor and Guilds in Medieval Europe. [S.l.]: University of North Carolina Press. ISBN 978-0-8078-1939-5 
  • Fiedler, Maureen; Rabben, Linda, eds. (1998). Rome Has Spoken...: A Guide to Forgotten Papal Statements, and How They Have Changed Through the Centuries. [S.l.]: Crossroad Publishing Company. ISBN 978-0-8245-1774-8 
  • Herbert, Gary B. (2002). A Philosophical History of Rights. New Brunswick, NJ: Transaction. ISBN 0-7658-0124-8 
  • Jarrett, Bede (1968). Social theories of the Middle Ages 1200-1500. London: Frank Cass and Company. ISBN 0-7146-1327-4  originally printed 1926
  • Lewis, Bernard (1992). Race and Slavery in the Middle East, New York: Oxford University Press, ISBN 0-19-505326-5.
  • McKivigan, John R.; Snay, eds. (1998). Religion and the Antebellum Debate over Slavery. [S.l.]: University of Georgia Press. ISBN 978-0-8203-2076-2 
  • Maxwell, John Francis (1975). Slavery and the Catholic Church: The history of Catholic teaching concerning the moral legitimacy of the institution of slavery. [S.l.]: Barry Rose Publishers [for] the Anti-Slavery Society for the Protection of Human Rights. ISBN 978-0-859-92015-5 
  • Meade, Teresa A History of Modern Latin America 1800 to the Present, United Kingdom, John Wiley & Sons Inc. 2016. Print.
  • Nioh, Ambe J. (2006). Tradition, Culture, and Development in Africa: Historical Lessons for Modern Development Planning. [S.l.]: Ashgate Publishing. ISBN 978-0-7546-4884-0 
  • Noonan, John T., Jr. (2005). A Church That Can and Cannot Change: The Development of Catholic Moral Teaching. [S.l.]: University of Notre Dame Press. ISBN 978-0-268-03604-1 
  • Pagels, Elaine (1989). Adam, Eve, and the Serpent: Sex and Politics in Early Christianity. [S.l.]: Vintage. ISBN 978-0-679-72232-8 
  • Panzer, Joel S. (1996). The Popes and Slavery. [S.l.]: Alba House. ISBN 978-0-8189-0764-7 
  • Pelteret, David Anthony Edgell, Slavery in Early Mediaeval England from the Reign of Alfred Until the Twelfth Century, Boydell & Brewer, 2001, ISBN 0-85115-829-3, ISBN 978-0-85115-829-7, google books
  • Caravaglios, Maria Genoino (1974). Unterkoefler, Ernest L., ed. The American Catholic Church and the Negro Problem in the XVIII-XOX Centuries. Charleston S.C.: Caravaglios 
  • Saunders, A. (1982). A Social History of Black Slaves and Freedmen in Portugal 1441-1555. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-23150-3 
  • Schreck, Alan (1999). The Essential Catholic Catechism. [S.l.]: Servant Publications Nihil obstat, Imprimatur. ISBN 1-56955-128-6 
  • "That the world may believe: the development of Papal social thought on aboriginal rights", Michael Stogre S.J, Médiaspaul, 1992, ISBN 2-89039-549-9
  • "The problem of slavery in Western culture", David Brion Davis, Oxford University Press US, 1988, ISBN 0-19-505639-6
  • "Encyclopedia of the middle passage", Toyin Falola, Amanda Warnock, Greenwood Publishing Group, 2007, ISBN 0-313-33480-3
  • "Slavery and the Catholic Church: The history of Catholic teaching concerning the moral legitimacy of the institution of slavery", J. F Maxwell, 1975, Barry-Rose Publishers Online text
  • Weithman, Paul J. (1992). «Augustine and Aquinas on Original Sin and the Function of Political Authority». Journal of the History of Philosophy. 30 (3): 353–376. doi:10.1353/hph.1992.0058 
  • Henderson, Lawrence W (1979). Angola: five centuries of conflict. Ithaca, NY: Cornell University Press. ISBN 0801412471 
  • Noll, Mark (2006). The Civil War as a theological crisis. Chapel Hill, NC: The University of North Carolina Press. ISBN 978-0-8078-3012-3 
  • Thomas, Hugh (1997). The Slave Trade: the story of the Atlantic slave trade, 1440–1870. New York: Simon & Schuster. ISBN 978-0-684-81063-8 

Referências

  1. Morse Peckham, “The Infinitude of Pluralism”, Critical Inquiry v. 3 n. 4 (Summer 1977), pp. 815.
  2. Willson, S. Brian (23 de novembro de 2017). «GENOCIDE AND THE THANGSGIVING MYTH». Popular Resistance. Consultado em 14 de maio de 2021 
  3. Presstv. «Albuquerque replaces Columbus Day with Indigenous Peoples Day». PressTV (em inglês). Consultado em 14 de maio de 2021 
  4. Sklair, Leslie, The Transnational Capitalist Class, Malden: Blackwell, 2001, p. 4; 17
  5. Embong, Abdul R., “Globalization and Transnational Class Relations: Some Problems of Conceptualization,” Third World Quarterly 21 (2000): p. 993,
  6. «Health in Slavery». Of Germs, Genes, and Genocide: Slavery, Capitalism, Imperialism, Health and Medicine. United Kingdom Council for Human Rights. 1989. Consultado em 13 de janeiro de 2010. Cópia arquivada em 17 de junho de 2008 
  7. «Haiti Liberte». www.haiti-liberte.com. Consultado em 14 de maio de 2021 
  8. BC. «Haiti's Struggle for Freedom: US Imperialism, MINUSTAH and the Overthrow of Jean-Bertrand Aristide – Toronto Haiti Action Committee» (em inglês). Consultado em 14 de maio de 2021 
  9. «Haiti Liberte». www.haiti-liberte.com. Consultado em 14 de maio de 2021 
  10. Gordon, Max. 1971. “A Case History of US Subversion: Guatemala, 1954.” Science & Society 35 (2 (Summer)): 129-155.
  11. «Real Rwandan genocide & brainwashing of the Western mind». RT International (em inglês). Consultado em 14 de maio de 2021 
  12. Kevin Phillips, American Theocracy: The Peril and Politics of Radical Religion, Oil, and Borrowed Money in the 21st Century (New York: Viking, 2006)
  13. «Why Canada Failed the 'Ben Franklin Challenge' in 1776». Strategic Culture Foundation (em inglês). Consultado em 14 de maio de 2021 
  14. Guimarães Teixeira Alves, Pedro Henrique. «ARCHIMÍNIA BARRETO: MULHER, NEGRA,PROTESTANTE, INTELECTUAL». UFBA. Revista Eletrônica Discente História. Consultado em 14 de maio de 2021 
  15. «Archiminia Barreto - Mitologia Dupla». document.onl. Consultado em 15 de maio de 2021 
  16. Catholic Encyclopaedia
  17. Ambe J. Njoh, Tradition, culture and development in Africa (2006), page 31
  18. «Como viviam as pessoas escravizadas pela Igreja no Brasil». BBC News Brasil. Consultado em 17 de maio de 2021 
  19. Luis M. Bermejo, S.J., Infallibility on Trial, 1992, Christian Classics, Inc., ISBN 0-87061-190-9, p. 313.
  20. Barmby, James (1879). Gregory the Great. London: Society for Promoting Christian Knowledge. pp. 202–203 
  21. Barmby, James (1879). Gregory the Great. London: Society for Promoting Christian Knowledge. pp. 203 
  22. Maxwell 1975, p. 75
  23. The Catholic Tradition of the Law of Nations", John Eppstein, p. 425, The Lawbook Exchange, 2008, ISBN 1-58477-822-9
  24. Richard Gray, "The Papacy and the Atlantic Slave Trade", Past & Present: A Journal of Historical Studies, No. 115, May 1987, p. 62
  25. Meade, Teresa (2016). A History of Modern Latin America. [S.l.]: John Wiley & Sons, Inc. 61 páginas 
  26. Meade, Teresa (2016). A History of Modern Latin America. [S.l.]: John Wiley & Sons, Inc. 61 páginas 
  27. Francis, John Michael (Ed.), Iberia and the Americas: culture, politics, and history, Volume 1, ABC-CLIO 2006, p. 903, ISBN 1-85109-421-0
  28. Response of the Congregation of the Holy Office, 230, 20 March 1686
  29. «Famous Battles in History The Turks and Christians at Lepanto». trivia-library.com. Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  30. Catholic Encyclopedia, Ethical Aspect of Slavery
  31. Maxwell, p. 13, cf. Pope Innocent IV
  32. Clarence-Smith, 11
  33. Maxwell, 1975, p. 124
  34. Tom Roberts, Ghanaian bishop offers apology for Africans’ part in slave trade, National Catholic Reporter, 13 September 2002
  35. Maxwell 1975, p. 107, p. 117
  36. Davis, Cyprian (1998). McGreevy, John T.; Southern, David W., eds. «Catholicism and Racism». The Review of Politics (1): 186–189. ISSN 0034-6705. Consultado em 15 de novembro de 2021 
  37. Efésios 5:25-31 Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela. Ele fez isso para dedicar a Igreja a Deus, lavando-a com água e purificando-a com a sua palavra. E fez isso para tam | Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) | Baixar o App da Bíblia agora. [S.l.: s.n.] 
  38. «Universidade Federal da Bahia: Mariana Cardoso Carvalho | Gênero | Etnia, raça e gênero». Scribd. Consultado em 10 de janeiro de 2020 
  39. Thomas, Greg; Thomas, Assistant Professor of English Greg (2007). The Sexual Demon of Colonial Power: Pan-African Embodiment and Erotic Schemes of Empire (em inglês). [S.l.]: Indiana University Press. ISBN 978-0-253-34841-8