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Cristãos de São Tomé

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Evolução dos cristãos de São Tomé

Cristãos de São Tomé (malaiala: Sírios nasrani-malabar, ou povo sírio Nasrani Malabar) é um grupo etnorreligioso de Querala, Índia,[1] referindo-se aqueles que se tornaram cristãos na costa do Malabar nos primórdios da fé cristã, incluindo nativos da região e os da diáspora judaica em Querala.

São chamados de cristãos de São Tomé por terem sido, segundo conta a tradição, evangelizados diretamente pelo apóstolo São Tomé em pregação.[2]

Os cristãos de São Tomé pertencem a diversas igrejas, entre elas: a Igreja Síria Jacobita Cristã, a Igreja Síria Ortodoxa Malankara, a Igreja Independente Síria Malabar, a Igreja Católica Siro-Malabar, a Igreja Católica Siro-Malankara, a Igreja Síria Malankara Mar Thoma, a Igreja Evangélica de São Tomás da Índia, os Irmãos de Querala, a Igreja de Deus (Evangelho Pleno), a Igreja Pentecostal de Deus da Índia e a Igreja do Sul da Índia.

História

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Igreja do Oriente

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Catedral de Marth Mariam, em Thrissur (Índia), da Igreja Síria Caldeia

De acordo com a tradição da comunidade, São Tomé teria chegado à região de Querala, na Índia, no ano 52 d.C.[3] Esta alegação, porém, ainda é alvo de debate para historiadores. O escrito mais antigo conhecido que menciona a viagem do apóstolo à Índia são os Atos de Tomé. Os atos mencionam, porém, a ida dele ao noroeste da Índia, não à Querala.

De acordo com a tradição, a comunidade se iniciou com a conversão de 32 famílias Brâmenes, e São Tomé atravessou a península, indo de Querala até a atual cidade de Chenai, onde eventualmente seria atacado e morreu.[4]

Após sua morte, a comunidade cresceu, tendo contato com tradições Siríacas, Persas e Armênias, seguindo a Igreja do Oriente, de rito siríaco oriental, e que nomeava seus bispos.[1]

Os Cristãos de São Tomé estavam administrativamente sob a liderança dinástica nativa única de um arquidiácono (um chefe eclesiástico nativo com poderes espirituais e temporais, derivados do termo grego arkhidiākonos ) e estavam em comunhão com a Igreja do Oriente.[1]

Em 1498, viria a ter contato com a tradição europeia, especificamente a portuguesa, durante a expedição de Vasco da Gama.[1]

Em 1552 ocorreu um cisma na Igreja do Oriente. Uma parte dos bispos elegeu Yohannan Sulaqa como patriarca alternativo. Ele foi a Roma, entrou em comunhão com o Papa e deu origem à linha patriarcal que, com o tempo, se desenvolveu na atual Igreja Católica Caldeia. A outra linha permaneceu independente e deu origem à atual Igreja Assíria do Oriente.[5]

Padroado português

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Os portugueses viriam a subjugar os Cristãos de São Tomé de forma progressivamente agressiva. Em 1599, Mar Abraão, o último bispo da Sé de Angamalé, faleceu, e o arcebispo de Goa à época, Aleixo de Menezes, garantiu a submissão de Jorge da Cruz, líder da comunidade naquele período. Assim, o Sínodo de Diamper foi realizado em 1599 e encerrou ritos que eram julgados como inaceitáveis de acordo com a tradição latina.[5]

Sob o Sínodo de Diamper, os cristãos de Malabar foram separados do Patriarca Caldeu e passam a ser subordinados ao Padroado Português na Índia. Como resultado, o Rei de Portugal obteve o direito de nomeação para a antiga Sé de São Tomás em Malabar. O Arcebispado de Angamale foi rebaixado e os cristãos de São Tomé ficaram sob a jurisdição do Arcebispo de Goa a em 4 de agosto de 1600, sob controle de bispos latinos. [6]

Palácio Católico, sede da Igreja Ortodoxa Síria Malankara

Juramento da Cruz de Coonan

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Ao decorrer das próximas décadas, as tensões entre os portugueses e a tradição nativa escalou, principalmente com a chegada e saída da figura de Ahatallah. Em 1653, os Cristãos de São Tomé realizaram o Juramento da Cruz de Coonan, jurando não se submeterem aos jesuítas, à hierarquia católica latina ou aos portugueses.[7]

Após esse evento, três cartas supostamente escritas por Ahatallah concederam ao arquidiácono Thomas de Campo autoridade episcopal. Embora a autenticidade das cartas seja debatida, elas fortaleceram a liderança de Thomas, que foi consagrado por doze sacerdotes e proclamado Thoma I, líder dos Cristãos de São Tomé.[8] Os portugueses tentariam conciliação, mas não conseguiram. O Segundo Sínodo de Angamaly reuniu-se em 1603 e Angamaly tornou-se novamente uma Arquidiocese separada em 1608.

O Papa Alexandre VII enviou uma delegação carmelita sob o comando de José Sebastiani, que conseguiu convencer a maioria dos cristãos de São Tomé de que a consagração do arquidiácono como metropolita não era legítima. Em 1663, 84 das 116 igrejas existentes estavam sob o domínio de José Sebastiani, restando apenas 32 igrejas sob o domínio de Thoma I.[7]

Basílica Catedral Siro-Malabar de Santa Maria, Ernakulam (Índia), da Igreja Católica Siro-Malabar

Em 1663, com a conquista de Cochim pelos holandeses, o controle português na costa de Malabar foi perdido. Os holandeses declararam que todos os outros europeus deveriam deixar Malabar. Antes de deixar Kerala, em 1 de fevereiro de 1663, Sebastiani consagrou Palliveettil Chandy como arcebispo dos cristãos de São Tomé que aderiram à Igreja de Roma.[7]

Cismas entre os cristãos de São Tomé

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Catedral de Santa Maria, em Tiruvanantapura (Índia), da Igreja Católica Siro-Malankara

Thoma I procurou ajuda de várias Igrejas do Oriente para receber a consagração canônica como bispo.. Em 1665, chegou à Índia a bordo de um navio da Companhia Holandesa das Índias Orientais o bispo Gregorios Abdul Jaleel, enviado pelo Patriarca Siríaco Ortodoxo de Antioquia, do rito siríaco ocidental. [7]

Até então, os cristãos de São Tomé celebravam o rito siríaco oriental. Com a chegada de Gregorios Abdul Jaleel, muitos passaram a adotar gradualmente o rito siríaco ocidental, próprio da tradição antioquena. Isso significou mudanças na liturgia, calendário, espiritualidade, vestes, música e organização eclesiástica.[7]

Esses acontecimentos causaram a primeira grande divisão dos Cristãos de São Tomé em duas denominações: uma em comunhão com a igreja de Roma, outra seguindo as tradições originais anteriores aos portugueses. A facção afiliada à Igreja Católica sob Palliveettil Chandy passou a se autodenominar Paḻayakūṟ ou Pazhayakūttukar ("Partido Antigo"), enquanto o ramo afiliado a Thoma I foi chamado de Puthankūttukar ("facção Puthankūttukar" ou "Partido Novo"). [7]

Durante os séculos subsequentes, os Cristãos de São Tomé passariam por mais divisões por motivos variados.[7]

Os cristãos ligados à Igreja Siríaca Ortodoxa sofreram divisões internas. Deles surgiram várias Igrejas, entre elas: Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara, Igreja Católica Siro-Malankara (que retornou à comunhão com Roma em 1930), a Igreja Síria Jacobita Cristã (membro da Igreja Siríaca Ortodoxa sob comando do Mafriano da Índia), a Igreja Independente Síria Malabar e nas igrejas protestantes Igreja Síria Malankara Mar Thoma, Igreja do Sul da Índia e Igreja Evangélica de São Tomé da Índia.[7]

Em 1887, a Santa Sé estabeleceu dois Vicariatos Apostólicos, Thrissur e Kottayam (posteriormente Changanassery), sob a orientação de bispos siro-malabares nativos, e denominou a igreja como Igreja Católica Siro-Malabar para distingui-la dos latinos. [7]

Em 1907, surgiu a Igreja Síria Caldeia, quando um grupo de mais de 8.000 cristãos em Thrissur aceitou o Metropolita Abimalek Timotheu da Igreja, nomeado pelo Patriarca da Igreja Assíria do Oriente Shimun XIX Benyamin. Ao longo dos séculos, houve tentativaz restabelecer laços com os patriarcas da Igreja do Oriente, que ocasionalmente enviavam emissários à Índia. Estes cristãos de Thrissur se separaram da Igreja Católica após a tentativa fracassada do Patriarca Caldeu de transferir os católicos indianos para a jurisdição da Igreja Católica Caldeia na segunda metade do século XIX.[7]

Cristãos de São Tomé
Denominação Igreja-mãe Igreja filiada Rito Sede
Igreja do Oriente Igreja Assíria do Oriente Igreja Síria Caldeia

(431,1552, 1908)

Rito Siríaco Oriental Catedral de Marth Mariam, em Thrissur (Índia)
Igrejas Ortodoxas Orientais Igreja Ortodoxa Siríaca Igreja Síria Jacobita Cristã

(1665, 1911, 1975)

Rito Siríaco Ocidental Catedral de Santo Atanásio/Centro Patriarcal Inácio Zaka I Iwas, em Puthencruz (Índia)
Igreja Síria Ortodoxa Malankara

(1912, 1975)

Rito Siríaco Ocidental Catedral de Mar Elia/Palácio Católico, em Kottayam (Índia)
Igreja Independente Síria Malabar

(1772)

Independente, oficialmente não faz parte da Comunhão Ortodoxa Oriental Rito Siríaco Ocidental Catedral de São Jorge, em Guruvayur (Índia)
Igreja Católica Igreja Católica (Igrejas Católicas Orientais) Igreja Católica Siro-Malabar

(1552, 1601, 1887)

Rito Siríaco Oriental Basílica Catedral Siro-Malabar de Santa Maria, Ernakulam (Índia)
Igreja Católica Siro-Malankara

(1930)

Rito Siríaco Ocidental Catedral de Santa Maria, em Tiruvanantapura (Índia)
Protestante oriental Igreja Síria Malankara Mar Thoma

(1898)

Rito Siríaco Ocidental (com influência anglicana) Poolatheen Aramana, Thiruvalla (Índia)
Igreja Evangélica de São Tomé da Índia

(1961)

Rito Siríaco Ocidental Manjadi, Thiruvalla (Índia)
Igrejas Unidas ( anglicanas, presbiterianas, congregacionais, reformadas continentais e metodistas) (Protestantismo) Igreja do Sul da Índia

(1836, 1847)

Escritório Diocesano CSI Madras, em Chenai (Índia)
Cristãos Pentecostais de São Tomás (Protestantismo) Irmãos de Querala Não centralizado
Igreja de Deus (Evangelho Pleno) Mulakuzha, Índia
Igreja Pentecostal de Deus da Índia Kumbanad, Índia

Nota: as Igrejas dos cristãos de São Tomé estão em negrito e sublinhadas.

Ver também

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Referências

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  1. 1 2 3 4 «CATHOLIC ENCYCLOPEDIA: St. Thomas Christians». www.newadvent.org. Consultado em 7 de abril de 2022. Cópia arquivada em 25 de julho de 2026
  2. Yisrael, Muzeon (1995). The Jews of India: A Story of Three Communities (em inglês). [S.l.]: UPNE. Cópia arquivada em 16 de dezembro de 2024
  3. Zacharia, Lynn Johnson,Paul. «The Surprisingly Early History of Christianity in India». Smithsonian Magazine (em inglês). Consultado em 25 de julho de 2026. Cópia arquivada em 20 de julho de 2026
  4. Anthropology Of The Syrian Christians (em inglês). [S.l.: s.n.] 1926. Consultado em 25 de julho de 2026
  5. 1 2 «CATHOLIC ENCYCLOPEDIA: St. Thomas Christians». www.newadvent.org. Consultado em 25 de julho de 2026. Cópia arquivada em 25 de julho de 2026
  6. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "ReferenceA"
  7. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Frykenberg, Robert Eric (26 de junho de 2008). Christianity in India: From Beginnings to the Present (em inglês). [S.l.]: OUP Oxford. ISBN 978-0-19-826377-7. Consultado em 25 de julho de 2026
  8. Frykenberg, Robert Eric (26 de junho de 2008). Christianity in India: From Beginnings to the Present (em inglês). [S.l.]: OUP Oxford. ISBN 978-0-19-826377-7. Consultado em 25 de julho de 2026
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