Miguel de Buría

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Miguel de Buría
Nascimento Século XVI
San Juan
Morte Século XVI
Etnia negro
Ocupação Insurgente

Miguel de Buría (c. 1510 — c. 1555), também conhecido como Negro Miguel, Rey Miguel ou Miguel Guacamaya,[1] foi um ex-escravo de San Juan, Porto Rico[2] que chefiou a primeira insurreição de escravos negros contra as autoridades espanholas da Província da Venezuela.[3][nota 1]

Com seus seguidores rearranjados para formar um exército, Miguel I estabeleceu sua linhagem real com sua esposa Guiomar como rainha e seu filho como príncipe. Seu nascimento e criação em San Juan o fizeram o primeiro rei negro nascido nas Américas,[5] também influenciando-o a usar o formato de monarquia europeu para o seu reino.[6][nota 2] Em seu assentamento, Miguel I também criou sua própria igreja,[nota 3] nomeando um ex-escravo bispo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Miguel chegara à Venezuela procedente de San Juan, Porto Rico.[7] Na Venezuela trabalhou como escravo para Pedro del Barrío, filho de Damián del Barrío.[7] Damián del Barrío havia descoberto uma veia de ouro nas margens do rio Buría.[7] No lugar foi fundada o Real de Minas de San Felipe de Buría, localizado no atual município de Simón Planas, no estado de Lara.

Em 1552 foram levados cerca de oitenta escravos para San Felipe, entre eles Miguel, para trabalhar nas minas.[7] Devido aos maus-tratos sofridos, em 1553, Miguel fugiu com alguns companheiros para as montanhas próximas.[7] De lá, assaltou as minas, matou vários espanhóis e libertou outros escravos.[7] Então, Miguel estabeleceu um reino independente,[7] se nomeando rei, colocando sua companheira Guiomar como rainha e seu filho como príncipe. Da mesma maneira elegeu um de seus seguidores como bispo de uma igreja dissidente.[8] Indígenas e negros quilombolas foram incorporados à rebelião.[7]

Posteriormente, Miguel tentou tomar a cidade de Nueva Segovia de Buría.[3] Os habitantes da cidade, sob o comando de Diego García de Paredes e Diego Fernández de Serpa, repeliram o ataque. Adicionalmente, receberam reforços de El Tocuyo, dirigidos por Diego de Losada e Diego de Ortega.[3] Miguel liderou suas forças em um confronto contra os liderados por Diego de Losada, mas foi morto na batalha que se seguiu; segundo o depoimento do capitão Diego de Ortega, foi García Paredes quem matou o rei Miguel.[7] A queda do rei levou à dissolução da entidade política que ele criou, e os sobreviventes remanescentes foram capturados e reescravizados.[3]

Lendas[editar | editar código-fonte]

Dizem que Miguel se refugiou em uma montanha chamada Curduvaré, localizada perto da rodovia El Totumo — Gamelotal.[9] Lá, se encontrou com María Lionza.[9] A lenda indica que Miguel não teria morrido, mas que ele se tornou parte da corte de María Lionza na montanha de Sorte, no estado de Yaracuy.[9]

Também se menciona uma caverna onde teria vivido.[9] Se chama a Caverna de Negro Miguel e fica perto de Quebrada Honda, no estado de Lara.[9] Segundo a lenda, em uma ocasião Miguel entrou na caverna com três mulas carregadas de ouro saqueado das Minas de Buría e nunca mais voltou a ser visto.[9]

Honrarias[editar | editar código-fonte]

A praça do setor El Cuadrado do povoado de Buría no município de Simón Planas no estado de Lara tem o nome de Negro Miguel.[9] Os habitantes do setor El Cuadrado e suas adjacências entre Lara e Yaracuy se organizam em 18 conselhos municipais que posteriormente no ano de 2013 conformaram a "Comuna Negro Miguel".

Notas

  1. Escaramuças anteriores entre espanhóis e escravos haviam sido registradas nas Américas antes, mas nenhuma em particular obteve sucesso.[4]
  2. Várias culturas ameríndias através do continente haviam praticados variedades de monarquias antes da primeira Viagem de Colombo. Bayano, contemporâneo de Miguel, criou um reino no atual Panamá em algum ponto entre 1552 e 1556, mas ele nasceu na África. Pelo menos outros quinze casos de reis negros, tanto nativos da África quanto nascidos nas Américas, foram registrados entre os séculos 16 e 18. O Império do Haiti foi formado no século 19.
  3. Baseado na tradição da Igreja Romana Católica.

Referências

  1. Rodríguez 2006, p. 224
  2. Simón 1627, p. 83
  3. a b c d Duque 2013, p. 325
  4. Ciccariello-Maher 2013, p. 283
  5. González 2015, p. 226
  6. Natalia Silva Prada (5 de novembro de 2013). «Reyes africanos en Iberoamérica» (em espanhol). Los Reinos de las Indias en el Nuevo Mundo. Consultado em 25 de abril de 2018 
  7. a b c d e f g h i «La Rebelión del Negro Miguel». Venezuelatuya.com. Consultado em 20 de fevereiro de 2015 
  8. Von Humboldt 1869
  9. a b c d e f g [ligação inativa]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ciccariello-Maher, George (2013). We Created Chávez: A People's History of the Venezuelan Revolution. [S.l.]: Duke University Press. ISBN 0822354527 
  • Duque Castillo, Elvia (2013). Aportes Del Pueblo Afrodescendiente: La Historia Oculta De América Latina. [S.l.]: iUniverse. ISBN 1475965834 
  • González Ochoa, José María (2015). Protagonistas desconocidos de la conquista de América. [S.l.]: Ediciones Nowtilus S.L. ISBN 9788499677330 
  • Rodríguez, Junius P. (2006). Encyclopedia of Slave Resistance and Rebellion, Vol. 1. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. ISBN 0313332711 
  • Simón, Pedro (1627). Noticias historiales de Venezuela. [S.l.]: Fundación Biblioteca Ayachucho. ISBN 9802762105 
  • Von Humboldt, Alexander; Bohn, Henry George (1869). Personal narrative of travels to the equinoctial regions of America. [S.l.]: Benediction Classics. ISBN 1781393303