Meritocracia

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Meritocracia, neologismo cunhado pelo sociólogo britânico Michael Young nos anos 1950, é uma palavra híbrida, formada pelo latim mereo ('ser digno, merecer') e pelo grego antigo κράτος, transl. krátos ('força, poder') que estabelece uma ligação direta entre mérito e poder. Pode ser entendida como um princípio de justiça,[1] às vezes qualificado como utópico; mas pode também ser considerada como um instrumento ideológico que permite legitimar a desigualdade dentro de um sistema político[2][3]:50.

Um modelo meritocrático é um princípio ou um ideal de organização social que tende a promover os indivíduos dentro de diferentes corpos sociais - escola, universidade, instituições civis ou militares, mundo do trabalho, administração pública etc. - em função do mérito (talento ou aptidão, trabalho, esforço, competência, inteligência, virtude) de cada um, e não em função da origem social (classe), da riqueza ou das relações individuais (fisiologismo, nepotismo ou cooptação).

Sociólogos, pedagogos e filósofos discutem o modelo meritocrático que os indivíduos, nas sociedades contemporâneas, interiorizam e […] consideram como um modelo de justiça social.[4] Os pesquisadores destacam insuficiências desse modelo : na ausência de real igualdade de oportunidades, sua capacidade de resolver, sozinho, as desigualdades (sociais, culturais, sexuais etc) é limitada, e sua eficácia "como princípio de justiça" é controversa. Para a maior parte dos pesquisadores, a verdadeira meritocacia - aquela que ofereceria, a cada um, aquilo que se mostrasse digno de obter - jamais existiu, em razão da falta, por exemplo, de medidas eficazes para compensar a desvantagem dos indivíduos socialmente ou economicamente desfavorecidos.


Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra "meritocracia" especificamente provavelmente apareceu pela primeira vez no livro "Rise of the Meritocracy", de Michael Young (1958).[5] No livro, a palavra carrega um conteúdo negativo, pois a história tratava de uma sociedade futura na qual a posição social de uma pessoa seria determinada pelo seu quociente de inteligência e pelo seu esforço. Young utiliza a palavra mérito num sentido pejorativo, diferente do comum ou daquele usado pelos defensores da meritocracia.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

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A meritocracia está associada, por exemplo, ao estado burocrático, sendo a forma pela qual os funcionários estatais são selecionados para seus postos de acordo com sua capacidade (através de concursos, por exemplo). Ou ainda – associação mais comum – aos exames de ingresso ou avaliação nas escolas, nos quais não há discriminação entre os alunos quanto ao conteúdo das perguntas ou temas propostos. Assim, meritocracia também indica posições ou colocações conseguidas por mérito pessoal.

Embora a maioria das organizações seja apologista da meritocracia, esta não se expressa na sua forma pura em nenhum lugar. Governos como o de Singapura e o da Finlândia utilizam padrões meritocráticos para a escolha de autoridades, mas misturados com outros.

O principal argumento em favor da meritocracia é que ela proporcionaria maior justiça do que outros sistemas hierárquicos, uma vez que as distinções baseadas na meritocracia não costumam se dar por sexo, raça, riqueza, posição social ou discriminação positiva. Além disso, em teoria, a meritocracia, através da competição entre os indivíduos, estimularia o aumento da produtividade e da eficiência na sociedade.

Embora o sufixo "cracia" sugira um sistema de governo, ela possui, na verdade, um sentido mais amplo. Em organizações, pode ser uma forma de recompensa por esforços, geralmente associada à escolha de posições ou atribuição de funções. Atualmente, a palavra "meritocracia" costuma ser frequentemente usada para descrever um tipo de sociedade onde riqueza, renda e classe social são determinadas através de competição, assumindo-se que os vencedores, de fato, merecem tais vantagens. Consequentemente, a palavra adquiriu uma conotação de "darwinismo social", e é usada para descrever sociedades agressivamente competitivas, com grandes diferenças de renda e riqueza, em contraste com sociedades igualitárias.

Governos e organismos meritocráticos enfatizam talento, educação formal e competência, independentemente das diferenças de oportunidade existentes, ligadas à classe social, etnia ou sexo do indivíduo.

Em uma democracia representativa, onde o poder está, teoricamente, nas mãos dos representantes eleitos, elementos meritocráticos incluem o uso de consultorias especializadas para ajudar na formulação de políticas e um serviço civil meritocrático para implementá-las.

Um dos problemas para a implementação de um sistema meritocrático é definir exatamente o que cada um entende por "mérito". Para os defensores da meritocracia, mérito significa, aproximadamente, habilidade, inteligência e esforço. Uma crítica comumente feita à meritocracia é justamente a ausência de uma medida específica desses valores, além da arbitrariedade de sua escolha. Além disso, o argumento meritocrático pode ser um mero discurso para mascarar ou justificar privilégios.

Origens e História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros indícios de um mecanismo semelhante à meritocracia remontam à Antiguidade, na China. Confúcio e Han Fei são dois pensadores que propuseram um sistema próximo ao meritocrático. Também podem ser citados Gengis Khan, Oliver Cromwell e Napoleão Bonaparte; cada qual utilizou, no exército e na vida política de seus estados, elementos meritocráticos.[carece de fontes?]

Referências

  1. La méritocratie : seule en cause ?. Discussion de l’ouvrage de Marie-Duru-Bellat, Le Mérite contre la justice, Paris, Presses de Sciences Po, 2009. Por Christian Maroy. sociologies.revues.org, 27 de janeiro de 2012.
  2. Pierre Bourdieu, La noblesse d'État : grandes écoles et esprit de corps, Paris, Les Éditions de Minuit, coll. Le sens commun, 1989 (ISBN 2707312789), pp. 480, 545-546
  3. Tenret, Élise. L'école et la croyance en la méritocratie (tese). Université de Bourgogne, 2008; 410p.
  4. A propos de Elise Tenret, L'école et la méritocratie. Por Carole Daverne‑Bailly. Sociologie-Comptes rendus, 25 de setembro de 2012.
  5. Os privilegiados estão preparados para a verdadeira meritocracia? Por Maria Gonçalves. The Intercept-Brasil, 9 de Agosto de 2017.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligaçõs externas[editar | editar código-fonte]

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