Meritocracia

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Meritocracia (do latim meritum, "mérito" e do sufixo grego antigo κρατία (-cracía), "poder")[1] é um sistema de gestão que considera o mérito como a razão principal para se atingir posições de topo. Segundo a meritocracia, as posições hierárquicas devem ser conquistadas com base no merecimento, considerando valores como educação, moral e aptidão específica para determinada atividade. Constitui-se numa forma ou método de seleção e, num sentido mais amplo, pode ser considerada uma ideologia governativa.

A meritocracia está associada, por exemplo, ao estado burocrático, sendo a forma pela qual os funcionários estatais são selecionados para seus postos de acordo com sua capacidade (através de concursos, por exemplo). Ou ainda – associação mais comum – aos exames de ingresso ou avaliação nas escolas, nos quais não há discriminação entre os alunos quanto ao conteúdo das perguntas ou temas propostos. Assim, meritocracia também indica posições ou colocações conseguidas por mérito pessoal.

Embora a maioria das organizações seja apologista da meritocracia, esta não se expressa na sua forma pura em nenhum lugar. Governos como o de Singapura e o da Finlândia utilizam padrões meritocráticos para a escolha de autoridades, mas misturados com outros.

O método científico não utiliza a meritocracia. A ciência apenas estuda a realidade através de inferências lógicas e experimentos, sem emitir juízos de valor, como o faz a meritocracia. A ciência objetiva descobrir a realidade e a verdade, e não definir o que é "melhor" ou o que possui mais "mérito".

O principal argumento em favor da meritocracia é que ela proporcionaria maior justiça do que outros sistemas hierárquicos, uma vez que as distinções baseadas na meritocracia não costumam se dar por sexo, raça, riqueza, posição social ou discriminação positiva. Além disso, em teoria, a meritocracia, através da competição entre os indivíduos, estimularia o aumento da produtividade e da eficiência na sociedade.

Embora o sufixo "cracia" sugira um sistema de governo, ela possui, na verdade, um sentido mais amplo. Em organizações, pode ser uma forma de recompensa por esforços, geralmente associada à escolha de posições ou atribuição de funções. Atualmente, a palavra "meritocracia" costuma ser frequentemente usada para descrever um tipo de sociedade onde riqueza, renda e classe social são determinadas através de competição, assumindo-se que os vencedores, de fato, merecem tais vantagens. Consequentemente, a palavra adquiriu uma conotação de "darwinismo social", e é usada para descrever sociedades agressivamente competitivas, com grandes diferenças de renda e riqueza, em contraste com sociedades igualitárias.

Governos e organismos meritocráticos enfatizam talento, educação formal e competência, em lugar de diferenças existentes tais como classe social, etnia ou sexo.

Em uma democracia representativa, onde o poder está, teoricamente, nas mãos dos representantes eleitos, elementos meritocráticos incluem o uso de consultorias especializadas para ajudar na formulação de políticas, e um serviço civil meritocrático para implementá-las. O problema perene na defesa da meritocracia é definir, exatamente, o que cada um entende por "mérito". Para os defensores da meritocracia, mérito significa, aproximadamente, habilidade, inteligência e esforço. Uma crítica comumente feita à meritocracia é, justamente, a ausência de uma medida específica desses valores, e a arbitrariedade de sua escolha. Além disso, um sistema que se diga meritocrático e não o seja na prática será um mero discurso para mascarar privilégios e justificar indicações a cargos públicos.

Origens e História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros indícios de um mecanismo semelhante à meritocracia remontam à Antiguidade, na China. Confúcio e Han Fei são dois pensadores que propuseram um sistema próximo ao meritocrático. Também podem ser citados Gengis Khan, Oliver Cromwell e Napoleão Bonaparte; cada qual utilizou, no exército e na vida política de seus estados, elementos meritocráticos.

Já a palavra "meritocracia" especificamente provavelmente apareceu pela primeira vez no livro "Rise of the Meritocracy", de Michael Young (1958). No livro, ela carregava um conteúdo negativo, pois a história tratava de uma sociedade futura na qual a posição social de uma pessoa seria determinada pelo seu quociente de inteligência e pelo seu esforço. Young utilizou a palavra mérito num sentido pejorativo, diferente do comum ou daquele usado pelos defensores da meritocracia.

Referências

  1. Dicionário Priberam da língua Portuguesa. «"Meritocracia" no dicionário Priberam da língua portuguesa». Consultado em 03 de julho de 2013. 
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