Indigenismo

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Indigenismo é uma doutrina, formulada inicialmente no México como parte do movimento intelectual nacionalista, caracterizada pela defesa e valorização das populações indígenas de um país, região, etc. O marco histórico do indigenismo é o 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado, no México, em 1940, quando os princípios e metas a serem transformados em práticas - ou políticas indigenistas - foram formulados pelos países do continente americano.

Conceitos[editar | editar código-fonte]

  • Política realizada pelos estados americanos para atender e resolver os problemas que confrontam as populações indígenas, com o objetivo de integrá-las à nacionalidade correspondente. (Alejandro Marroquín, 1972).
  • Uma formulação política e uma corrente ideológica, ambas fundamentais para muitos paises da América, em termos de sua viabilidade como nações modernas, de realização de seus projetos nacionais e da definição de suas identidades. (Instituto Indigenista Interamericano, 1991, p.63).
  • Instrumento a serviço dos estados nacionais para destruir a identidade dos povos indígenas e integrá-los à uma cultura nacional homogênea. (críticos na América Latina e Europa)
  • Corrente de pensamento e idéias organizadas, desenvolvidas em torno da imagem do índio. Se apresenta como uma interrogação da indianidade por parte dos “não-índios” em função de preocupações e finalidades próprias deles próprios”. (FAVRE,1976: 72 e historiadores).
  • Não é senão uma resposta do sistema a uma pergunta dos brancos: por que os países pluriétcnicos estão atrasados? Encobre então, uma hipótese: o indígena é um freio ao desenvolvimento. Em vez de questionar a sociedade global e seu modelo de desenvolvimento, deprecia a cultura indígena" (AUBRY, 1982, p.15).

Desafios[editar | editar código-fonte]

As questões e desafios mais recorrentes do Indigenismo moderno em suas fases iniciais:

A própria definição do termo índio.

“Há uma questão pendente que tem suma importância para o indigenismo e tem sido objeto de discussão há muitos anos e em especial desde a fundação do Instituto Indigenista Interamericano, mas que até a data presente não pode ser satisfatoriamente resolvida. Essa questão implica três perguntas que parecem fácil de responder, mas que não são em realidade: quantos, quem e como são os habitantes da América que devem ser propriamente conceituados como indígenas?” (GAMIO, 1966, p.175-176, primeiro diretor do Instituto Indigenista Interamericano).

Etimologia Índio[editar | editar código-fonte]

Segundo Marroquín, o conceito de índio é a chave para determinar o conteúdo e as metas da política indigenista e por isso se explica que haja tanta abundancia de critérios e tantas distorções polêmicas" (1972, p.6-7).

Instituto Indigenista Interamericano[editar | editar código-fonte]

A Resolução LII define o índio como aquele "indivíduo econômica e socialmente débil”; • Proposta de definição do II Congresso Indigenista Interamericano (Cuzco, Peru de 24 de junho a 4 de julho de 1949: considerada como a mais completa, complexa e rica de conteúdo, parte da autoidentificação como critério fundamental para a indianidade:

"O índio é o descendente dos povos e nações pré-colombinas que tem a mesma consciência de sua condição humana, assim mesmo considerada por próprios e estranhos, em seu sistema de trabalho, em sua língua e em sua tradição, ainda que estas tenham sofrido modificações por contatos estranhos (...). O índio é a expressão de uma consciência social vinculada aos sistemas de trabalho e à economia, com idioma próprio e com a tradição nacional respectiva dos povos ou nações aborígines”. ( Actas finales, 1959, p.86-87).

Contexto desenvolmentista na América Latina década de 60 e 70[editar | editar código-fonte]

Os critérios socioeconômicos passaram a ocupar o primeiro posto na definição do índio, deslocando o étnico a um segundo plano durante os anos 60; • No início dos anos 70, a emergência dos povos indígenas obrigou o movimento a reconsiderar a importância das diferenças étnico-culturais e essa postura se mantêm até os dias atuais.

Posicionamento da Antropologia[editar | editar código-fonte]

Desde uma posição crítica ao indigenismo oficial:

Antropólogo mexicano Guillermo Bonfil Batalla (1992): "a categoria de índio designa o setor colonizado e faz referencia necessária à relação colonial”.

A partir desta categorização supraétnica se mascara a diversidade dos povos que continuam englobados sob a definição global do colonizado como índio, diferente e inferior, e deste modo “o colonizador racionaliza e justifica a dominação e sua posição de privilégio”. (BONFIl, 1992, p.59).

Os critérios para determinar quem são ou não são índios tem apresentado variações ao longo dos tempos e são diferentes em cada país; • O critério racial é o menos aceito na atualidade como resultado intenso da mestiçagem biológica que se produz na América Latina; • O critério lingüístico também recebe objeções já que excluem indivíduos que falam somente o castelhano ainda que possuam outras características culturais autóctones; • Em qualquer caso os censos oficiais mostram uma tendência sistemática a rebaixar o tamanho da população índia com a finalidade de sustentar a hipótese da mestiçagem, "ladinización" o "cholificación", crescente da população indígena. • Na atualidade, a palavra “índio” tem sido recuperada pelos índios como signo da identidade e da luta; • O termo “indianismo”, derivado de índio, vem sendo utilizado nos últimos anos para designar a ideologia reivindicativa dos índios e de sua luta contra o colonialismo interno em contraposição ao indigenismo, nascido do interesse, não isento de paternalismo, dos não-índios pelos índios e que

"foi traduzido através do Estado em um aparato ideológico do estado característico da América e destinado a reproduzir a situação colonial interna dos povos indígenas e sua condição de minorias sociológicas"

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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