Sputnik I

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Sputnik I
Спутник-1
Sputnik 1.jpg
Réplica do Sputnik 1.
Descrição
Duração da missão 92 dias
Propriedades
Massa 83,60 kg
Baterias Ag-Zn
Missão
Data de lançamento 4 de outubro de 1957, 19:28:34 UTC
Veículo de lançamento Sputnik 8K71PS
Local de lançamento Cazaquistão Baikonur, 1/5
Decaimento 4 de janeiro de 1958
Especificações orbitais
Referência orbital Órbita terrestre baixa
Semi-eixo maior 6.955,2 km

Sputnik 1 foi a primeira missão do Programa Sputnik, que enviou o primeiro satélite artificial da Terra. A missão foi lançada pela URSS em 4 de outubro de 1957 do Cosmódromo de Baikonur[1], e foi lançado como colaboração soviética pelos festejos do Ano Internacional da Geofísica.[2] O Sputnik era uma esfera de aproximadamente 50 cm de diâmetro e pesava 83,6 kg.

Ele não tinha nenhuma função, a não ser transmitir um sinal de rádio, "beep", que podia ser sintonizado por qualquer radio-amador.

O satélite orbitou a Terra por 22 dias antes de cair. Seu foguete lançador, chamado R.7, pesava 4 toneladas e entrou em órbita também. Ele foi projetado originalmente para lançar ogivas nucleares.

Sputnik foi um marco na ciência e deu aos cientistas valiosas informações. A densidade da atmosfera superior podia agora ser deduzida pela resistência que o satélite aguentou em órbita, e a propagação dos seus sinais de rádio deu informações sobre a ionosfera.[3]

O Sputnik 1 foi o primeiro satélite artificial a ser lançado pela antiga União Soviética e o primeiro satélite a ser lançado também pela humanidade. Seu lançamento provocou a chamada "crise do Sputnik" e abriu, simbolicamente falando, a "porta" para o começo da corrida espacial entre os Estados Unidos e a URSS.

Repercussão Internacional[editar | editar código-fonte]

As primeiras informações a respeito do lançamento Sputnik I partiram dos mecanismos oficiais do governo soviético, em Moscou, e davam conta tanto do caráter científico do grande feito, quanto da propaganda ideológica favorável ao regime comunista, apresentando-o como uma vitória do governo soviético frente ao capitalismo ocidental.[4] O efeito imediato do lançamento do Sputnik I foi a alteração da visão ocidental a respeito do que ocorria ao Leste da Cortina de Ferro. Até então vista como uma nação atrasada e de risco moderado ao regime implementado no ocidente, a União soviética passa a ser vista como uma potência militar competente e um rival a altura dos Estados Unidos da América[5], principalmente após o desenvolvimento de suas próprias ogivas nucleares, em 1949[6].

O lançamento do Sputnik causou duas reações nas potências capitalistas ocidentais. A primeira delas foi o aumento dos investimentos no programa espacial estadunidense, com o objetivo de equiparar sua capacidade bélica em lançamento de mísseis balísticos intercontinentais, através do programa Vanguard, que lograria êxito no início de 1958. O governo dos EUA defendia que o satélite russo não alterava em nada a balança do poder mundial, mas ciente das mudanças diplomáticas que o pequeno corpo celeste causaria, concentrou suas atenções em conter a crescente influência socialista no cenário internacional.[7] Assim, a demonstração de poder militar e capacidade organizativa soviética levou os governos estadunidense e britânico a uma série de reuniões para debater o "desafio soviético". Sua intenção era criar mecanismos internacionais de controle e fiscalização de lançamentos espaciais, assim como coordenar seus programas científicos e fortalecê-los diante do pioneirismo soviético.[8]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • A primeira fotografia do Sputnik em órbita foi tirada em solo brasileiro, mais precisamente na cidade de Lavras. Isto ocorreu no dia 9 de outubro de 1957, quando o cientista John Stout, após cálculos, precisou exatamente o local e a hora que o satélite passaria em solo brasileiro. Ex-alunos que testemunharam o evento disseram que o cientista isolou a área para que tivesse condições de total concentração na busca pela imagem do satélite. Até mesmo o som do Sputnik foi captado naquela noite que marcaria a carreira desse desbravador espacial. Este feito repercutiu em todo o mundo, e durante muito tempo ele foi convidado a fazer palestras e conferências sobre o assunto.[9][10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. MOLINA,Eder Cassola. «Gira-gira ao redor da Terra». Ciência hoje das crianças: 8-11 
  2. GUNTHER, John (1959). A Rússia por dentro. Porto Alegre: Editôra Globo. 288 páginas 
  3. Dickson, Paul, Sputnik: The Shock of the Century, Walker & Company (26 June 2007), ISBN 978-0-8027-1365-0
  4. Correio do Povo, 05 de outubro de 1957, p. 1.
  5. MAUER, Thiago (2017). Peleja no Firmamento: O lançamento do Sputnik I através do Correio do Povo. Porto Alegre: [s.n.] 
  6. HOBSBAWN, Eric (1995). Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras. 227 páginas 
  7. Correio do Povo, 16 de outubro de 1957, p. 1.
  8. Correio do Povo, 25 de outubro de 1957. p. 1.
  9. g1.globo.com/ Reportagem Especial mostra que passagem do Sputnik I pelo Brasil foi registrada em Lavras
  10. jornaldelavras.com.br/ Há exatamente 120 anos eram tiradas as primeiras fotos em Lavras

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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