Fiódor Dostoiévski

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Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski, fotografado em 1879.
Nome completo Фёдор Миха́йлович Достое́вский
Nascimento 11 de novembro de 1821
Moscou
Morte 9 de fevereiro de 1881 (59 anos)
São Petersburgo
Nacionalidade Rússia
Cônjuge Maria Dmitriévna e Anna Dostoevsky
Ocupação Escritor
Influências
Influenciados
Principais trabalhos
Religião Igreja Ortodoxa Russa
Assinatura
Fjodor signatur.jpg

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski[nota 1] (Moscou/Moscovo, 11 de novembro de 1821São Petersburgo, 9 de fevereiro de 1881)[nota 2] foi um escritor e jornalista russo, considerado um dos maiores romancistas da história e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.[1]

A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio. Pela retratação filosófica e atemporal dessas situações,[carece de fontes?][vago] seus escritos são chamados de "romances de ideias".[carece de fontes?][necessário esclarecer]

Dostoiévski logrou atingir certo sucesso com seu primeiro romance, Gente Pobre, o qual foi imediatamente muito elogiado pelo poeta Nikolai Nekrássov[2] e por um dos mais importantes críticos da primeira metade do século XIX, Vissarion Belínski.[3] Porém, o escritor não conseguiu repetir o sucesso até seu retorno da Sibéria, quando escreveu o semibiográfico Recordações da Casa dos Mortos, tratando da prisão que sofrera, esta obra foi considerada por Liev Tolstói como o melhor livro de toda a literatura moderna.[4] Posteriormente sua fama aumentaria grandemente, principalmente graças a Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov.[carece de fontes?]

Seu último romance, Os Irmãos Karamazov, foi muito aclamado e comentado: Sigmund Freud o considerou como o melhor romance já escrito.[5] Josef Stalin o teve por perigoso [carece de fontes?] e até 1953 o currículo soviético para estudos universitários sobre o escritor o classificava como "expressão da ideologia reacionária burguesa individualista".[carece de fontes?]

Entre outras influências, cita-se o modernismo literário: várias escolas da teologia e psicologia[1] e o Existencialismo: sua obra Notas do Subterrâneo foi descrita por Walter Kaufmann como a "melhor proposta para o existencialismo já escrita".[6]

Vida[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Pai e mãe de Dostoiévski

Fiódor foi o segundo dos sete filhos nascidos do casamento entre Mikhail Dostoievski e Maria Fiodorovna.[carece de fontes?] A mãe do escritor morreu de tuberculose quando ele ainda era muito jovem[carece de fontes?] e o pai, que era médico, pode ter sido assassinado pelos próprios servos de sua propriedade rural em Daravói, os quais o consideravam autoritário.[carece de fontes?] Alguns biógrafos afirmaram que foi neste momento que Dostoievski teve sua primeira crise epilética,[carece de fontes?] fato disputado pelos seus atuais estudiosos, principalmente Joseph Frank.[carece de fontes?]

O assissinato do pai teria exercido enorme influência sobre o futuro do jovem Fiódor, o qual teria, segundo Freud, desejado impetuosamente a morte de seu progenitor e em contrapartida se culpou por isso.[carece de fontes?] Sobre o tema escreveu Freud um polêmico artigo denominado Dostoiévski e o Parricídio.[carece de fontes?] Freud é muito criticado por alguns estudiosos por ter escrito seu ensaio baseado em rumores, sem uma pesquisa profunda sobre a vida de Dostoiévski.[carece de fontes?] Joseph Frank, p.ex., apresenta documentos médicos que atestam que Mikhail Dostoiévski morreu, na verdade, de uma apoplexia, e os boatos em contrário foram propagados para diminuir o preço da propriedade dos Dostoiévski, pela qual um vizinho mostrava interesse.[2]

Início da carreira literária[editar | editar código-fonte]

Na Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo,[vago] além das matérias militares essenciais e de engenharia, Dostoiévski também estudou a obra de Shakespeare, Pascal, Victor Hugo e E. T. A. Hoffmann, já que a faculdade tinha um bom programa de literatura, que focava principalmente a produção francesa.[carece de fontes?] Nesse mesmo ano, escreveu duas peças românticas, Mary Stuart[carece de fontes?] e Boris Godunov[carece de fontes?], influenciado pelo poeta romântico alemão Friedrich Schiller.[carece de fontes?] Dostoiévski descrevia-se como um "sonhador" em sua juventude e, em seguida, um admirador de Schiller.[carece de fontes?] Em 1843, terminou seus estudos de engenharia e adquiriu a patente de tenente militar, ingressando na Direcção-Geral dos Engenheiros, em São Petersburgo.[carece de fontes?]

Fyodor Dostoyevsky
Por Kostyantyn Trutovsky, 1847

Em 1844, Honoré de Balzac visitou São Petersburgo e Dostoiévski, como uma forma de admiração, fez sua primeira tradução, Eugènie Grandet,[1] e saldou uma dívida de 300 rublos com um agiota.[carece de fontes?] Esta tradução despertou sua vocação, levando-o pouco tempo depois a abandonar o exército para dedicar-se exclusivamente à literatura.[carece de fontes?] Trabalhou como desenhista técnico no Ministério da Guerra, em São Petersburgo.[carece de fontes?] Fez traduções de Balzac e de George Sand.[carece de fontes?]

Em 1844 alugou uma casa em São Petersburgo e dedicou-se à escrita de corpo e alma.[carece de fontes?] Nesse mesmo ano, deixou o exército e começou a escrever sua primeira obra, o romance epistolar Gente Pobre,[carece de fontes?] trabalho que iria fornecer-lhe êxitos da crítica literária[carece de fontes?], cuja leitura de Bielinski, o mais influente crítico da literatura russa,[carece de fontes?] o fez acreditar ser Dostoiévski "a mais nova revelação do cenário literário do pais."[carece de fontes?]

Em O Diário de um Escritor, recordou que após concluir "Gente Pobre" deu uma cópia para seu amigo Dmitri Grigorovitch, que a entregou ao poeta Nikolai Alekseevich Nekrasov.[carece de fontes?] Com a leitura do manuscrito em voz alta, ambos ficaram extasiados pela percepção social da obra.[1] Às quatro horas da manhã, foram até Dostoiévski para dizer que seu primeiro romance era uma obra-prima.[carece de fontes?] Nekrassov mais tarde entregou a obra a Bielinski.[carece de fontes?] "Um novo Gogol apareceu!", disse Nekrassov.[carece de fontes?] "Pra você, os Gogol nascem como cogumelos!", Bielinski respondeu.[1] Logo depois, porém, o crítico concordaria.[carece de fontes?] Ele estava extasiado com o movimento realista na Europa, e considerou o romance de Dostoiévski como a primeira tentativa do gênero na Rússia.[carece de fontes?]

O livro foi publicado no ano seguinte, fazendo de Dostoiévski uma celebridade literária aos vinte e quatro anos de idade.[carece de fontes?] Ao mesmo tempo, começou a contrair algumas dívidas e sofrer de uma enfermidade nervosa, frequentemente confundida com sua epilepsia, que começou a se manifestar muitos anos mais tarde.[2] Seus romances seguintes, O Duplo (1846), que retrata uma personalidade cindida, Noites Brancas (1848), que retrata a mentalidade de um sonhador, Niétochka Nezvánova (1849), que jamais foi terminado, e a A mulher alheia e o marido debaixo da cama, não tiveram o êxito esperado, e sofreram críticas muito negativas, inclusive de Bielínski, que criticava aquilo que, no futuro, se tornaria a marca principal de Dostoiévski: a psicologia de seus personagens.[carece de fontes?] Nesta época entrou em contato com alguns grupos de socialistas utópicos, que discutiam a liberdade humana.[7]

Relações com grupos de escritores e intelectuais[editar | editar código-fonte]

Belinsky
Círculo Petrashevski

O Círculo Petrashevski era dedicado principalmente à discussão das condições de vida na Rússia, centrada nas obras da imensa biblioteca de obras proibidas de Petrashevski, obras que, segundo os registros da sociedade, Dostoiévski consultou em várias ocasiões. [carece de fontes?] Na verdade, Dostoiévski não ia às reuniões do Círculo há mais de três meses quando foi preso, e participava realmente de uma organização radical liderada por Nikolai Spechniev. [carece de fontes?] Radical que se tornaria o protótipo para Nikolai Stavróguin, protagonista de Os Demônios [carece de fontes?]. Essa organização, porém, não foi descoberta pelas autoridades e sua existência só veio a público em 1922.[2]

Círculo Palm-Durov

Exílio na Sibéria[editar | editar código-fonte]

Detenção, julgamento e falsa execução[editar | editar código-fonte]

Dostoiévski foi detido na noite de 22-23 de abril de 1849 por participar do grupo intelectual Círculo Petrashevski, sob acusação de conspirar contra o czar Nicolau I.[8][1] O czar mostrou-se, depois das revoluções de 1848 na Europa, vigoroso contra qualquer organização clandestina que poderia pôr em risco sua autocracia.[9][1] O Círculo Petrashevski não era em si revolucionário, como chegou a conclusão o relatório oficial,[10] porém, uma vez que existiam vários grupos menores orbitanto ao seu redor, ele servia como fachada para alguns grupos politicamente mais radicais, como o Círculo Palm-Durov, ao qual pertencia Dostoiévski.[11] A ordem de detenção foi emitida baseada nos relatórios da chancelaria imperial russa da época, mais conhecida como "polícia secreta", realizados em conjunto com o Ministério dos Assuntos Internos, após mais de um ano de investigação.[12] A principal acusação contra Dostoiévski foi de ter lido em público passagens de uma carta semi-aberta de Bielinski ao escritor Nikolai Gogol, na qual o escritor foi criticado por suas visões políticas e sociais conservadoras. Dostoiévski leu esta carta tanto no Círculo Petrashevski quanto no Círculo Palm-Durov, além de ter ajudado a disseminá-la.[13]

A falsa execução de Petrashevski

Dostoiévski passou oito meses na Fortaleza de São Pedro e São Paulo, onde trabalhou de forma incansável, escrevendo várias notas para diferentes obras: "Quando trabalhava em liberdade, sempre me interrompia com distrações, mas aqui, a tensão que segue à escrita deve passar sozinha",[14] escreveu em carta para seu irmão Mikhail. As notas não sobreviveram e a única obra concluida desta época foi O Pequeno Herói.[15] Nestes oito meses continuaram as investigações do Círculo Petrashevski finalizadas em 17 de setembro de 1949, quando foram enviadas ao czar, o qual ordenou a abertura de um tribunal misto (civil e miitar) para julgar, sob leis militares, 28 acusados, destes 15, incuindo Dosoiévski, foram condenados no dia 16 de novembro à pena de morte por fuzilamento. Após diversos recursos, Nicolau I perdoou muitos dos sentenciados a morte. Dostoiévski foi condenado a oito anos de trabalho forçado, reduzido para quatro anos seguido de serviço militar por tempo indeterminado.[16]

Em 22 de dezembro os prisioneiros foram transferidos e levados ao lugar da execução, a Praça Semenovsky, onde suas sentenças foram lidas publicamente.[17] Três membros do grupo - Petrashevski, Mombelli e Grigoryev - foram amarrados aos postes em frente ao pelotão de fuzilamento. Dostoiévski era um dos três próximos [18] e neste momento de aguardo disse a Nikolai Spechniev, o qual se encontrava atrás: -"Nós estaremos com Cristo", o revolucionário respondeu -"Um pouco de poeira".[19]

Antes do comando para o fuzilamento chegou uma ordem do czar para que a pena fosse comutada para prisão com trabalhos forçados. Soube-se depois que a ordem havia sido assinada há dias, mas que o czar exigira a falsa execução. Dostoiévski recebeu os grilhões e partiu para a Sibéria em poucos dias.[20] O Príncipe Michkin, de O Idiota, oferece uma descrição sobre essa mesma experiência.[21] É comumente aceito, e afirmado pelo próprio Dostoiévski, que após a simulação da execução ele passou a apreciar a vida de uma maneira muito diferente da anterior, iniciando um processo de transformação política, literária e existencial que estaria terminada quando de seu retorno a São Petersburgo 10 anos depois.[1][22][23]

Sibéria[editar | editar código-fonte]

Dostoiévski foi primeiramente enviado a uma prisão localizada em Tobolsk, onde os pressos eram redistribuidos para diversos campos de trabalho afim de cumprirem suas penas de trabalho forçado (chamado sistema Katorga). Fato curioso foi que em Tobolsk Dostoiévski encontrou muitos Dezembristas, diversos dos quais estavam acompanhados de suas esposas, as quais se exilavam espontaneamente para acompanhar seus maridos. Foram elas quem forneceram à Dostoiévski, e aos outros prisioneiros recém chegados, seu exemplares do Novo Testamento, o único livro permitido na prisão.[24]

Dostoiévski foi encaminhado para uma prisão em Omsk, centro administrativo da Sibéria, onde cumpriu por quatro anos a sentença de trabalhos forçados. Esta prisão estava em péssima condições, tendo Dostoiévski escrito em carta ao irmão, que o local deveria ter sido demolido anos atrás.[25] Na prisão em Omsk era possível, apesar de difícil, conseguir algum outro tipo de literatura além do Novo Testamento.[26]

Um dos fatos que tiveram mais impacto em Dostoiévski foi descobrir que na prisão, em que pese diluidas as diferenças de classe, os servos não aceitavam as classes superiores como camaradas, como iguais.[27] Dostoiévski conta como os camponeses zombavam dos intelectuais por sua falta de destreza física nos trabalhos[28] e quando Dostoiévski, sem querer, acabou se juntando a um protesto contra a má qualidade da comida da prisão, os prisioneiros não o aceitaram e o espulsaram.[29]

Foi na prisão da Sibéria que Dostoiévski sofreu seu primeiro ataque de epilepsia, doença que o acompanharia pelo resto da vida e que também atinge vários de seus personagens, como o Príncipe Míchkin de O Idiota, Kiríllov de Os Demônios e Smerdiákov de Os Irmãos Karamázov. As cartas que Dostoiüevski enviou ao irmão deixam claro que os ataques epilépticos iniciaram na Sibéria, em que pese ele já ter apresentado problemas nervosos antes disso. [2][30]

Em fevereiro de 1854 Dostoiévski deixou a prisão na Sibéria para cumprir pena de serviço militar por tempo indeterminado.[31] Após seu retorno a São Petersburgo, depois de cumprida a pena de serviço militar, Dostoiévski relatou suas experiências na Sibéria no texto biográfico Recordações da Casa dos Mortos.

Exército e primeiro casamento[editar | editar código-fonte]

Dostoiévski em uniforme (1858)

Dostoiévski foi libertado da prisão de Omsk em fevereiro de 1854, quando foi mandado para cumprir pena servindo no exército russo em seu Sétimo Batalhão do Corpo Militar da Sibéria por tempo indeterminado.[32] Permaneceu por quatro anos na fortaleza de Semipalatinsk, no Cazaquistão.[1]

Neste período, apaixonou-se por Maria Dmitriévna, mulher casada e mãe de um filho chamado Pável Issáiev (Pasha), do qual Dostoiévski era tutor.[33] Quando Maria Dmitriévna mudou-se com seu marido e filho para Kuynetsk, ambos trocaram cartas semanalmente, uma destas cartas ainda sobrevive.[34] Em agosto de 1855 morreu Alexander Ivanovich Isaev, marido de Maria Dmitriévna],[35] e como em novembro de 1855 Dostoiévski foi promovido,[35] ele pediu a amada em casamento. Não sem muitas idas e vindas (inclusive um caso com outro homem)[36] Maria Dmitriévna aceita, em dezembro de 1856, se casar com Dostoiévski e em 7 de fevereiro de 1857 ocorreu a cerimônia.[37]

Ela sofria de tuberculose[38] e é aceita como o modelo para Katerina Marmeladova de Crime e Castigo. [carece de fontes?]

Na noite de núpcias Dostoiévski sofreu uma violenta crise de epilepsia, quando recebeu pela primeira o diagnóstico de tal doença.[39] Aproximadamente um ano depois, em meandros de janeiro de 1858, Dostoiévski entrou oficialmente com pedido de aposentadoria do exército, afim de receber tratamento médico.

No início de 1859 Dostoiévski conseguiu ser dispensado do exército para tratar da saúde, sob a condição de não residir nem em São Petersburgo, nem em Moscou, escolheu, então, mudar-se para Tver, meio caminho entre as duas cidades proibidas. No início de julho de 1859 inicia sua viagem para sua nova residência.[40]

A conversão de Dostoiévski[editar | editar código-fonte]

Por conversão de Dostoiévski entende-se a mudança radical de convições morais, políticas, religiosas e existenciais pelas quais passou Dostoiévski no período entre sua detenção e seu retorno a São Petersburgo, conversão afirmada pelo próprio autor.[41]

Segundo o próprio Dostoiévski, o momento exato da conversão teria sido durante as festividades de pascoa do segundo ano que passara na prisão da Sibéria. Após assistir a uma extremamente violenta, e para ele insuportável, festividade dos servos na prisão, Dostoiévski lembrou-se do caso do servo Marey, que tinha ocorrido quando ele era criança. Esta lembrança teria modificado o modo como ele vinha compreendendo os servos desde que chegou ao presídio (com muito rancor, por não ser aceito como um igual). Depois desta experiência, como um milagre, o rancor desapareceu. O servo Marey teria tratado Dostoiévski com extremo amor paternal, quando este, com oito anos, estava desesperado de medo por acreditar ter ouvido uivos de lobos na propriedade da família.[42]

Descreveu esta mudança no esboço que aparece em O Diário de um Escritor, O Mujique Marei: Sou filho da descrença e da dúvida, até ao presente e mesmo até à sepultura. Que terrível sofrimento me causou, e me causa ainda, a sede de crer, tanto mais forte na minha alma quanto maior é o número de argumentos contrários que em mim existe! Nada há de mais belo, de mais profundo, de mais perfeito do que Cristo. Não só não há nada, mas nem sequer pode haver.[1]

Dostoiévski passou de uma crença ingênua de que poderia liderar os inocentes servos como um igual - cresça que sustinha antes da condenação -, para uma relação de extrema repulsa em relação aos servos da prisão, causada pelo fato dos servos não o aceitarem como igual, para, finalmente, voltar a ter fé no povo Russo, nos servos, não mais como movimento político, mas como seres humanos capazes de infinito amor,[43] mas também, como qualquer ser humano, do infinito mal.[44] Trata-se de amor cristão, o que mostra que a conversão foi também religiosa.[45]

Carreira literária pós-exílio[editar | editar código-fonte]

Regresso e contexto sóciopolítico[editar | editar código-fonte]

O reinício de Dostoiévski como escritor começa, de fato, antes mesmo de ser liberado do Exército, logo após começar a receber seu ordenado como oficial (março de 1857) e de ser restituído de seus direitos civís, incluindo o direito de publicação (maio de 1857), quando publica seu único texto completo na época, aquele escrito enquanto detido para investigação, O Pequeno Herói.[46] Entre 1857 e 1859 escreveu ainda duas novelas cômicas: O Sonho do Tio e Aldeia de Stiepantchikov e seus Habitantes, não obtendo nenhum deles sucesso.[47][48] Datados desta época é possível encontrar, também, rascunhos inclusive do planejado gigantesco romance em cinco volumes A vida de um grande pecador, cujo primeiro volume veio a ser sua obra prima Os Irmãos Karamazov.[49]

É, entretanto, apenas em Tver que ele começa a escrever sua primeira obra séria pós-sibéria, as Memórias da Casa dos Mortos, baseado em suas experiências como prisioneiro.[1][50] Como ex-forçados eram proibidos de escrever memórias e relatos, Dostoiévski disfarçou a obra como ficção, dizendo-a obra de um homem preso por assassinar a esposa em uma crise de ciúmes. Esse fato gerou um equívoco, e por anos muitas pessoas acreditaram que esse havia sido de fato o crime do escritor.[carece de fontes?] A obra foi um grande sucesso na Rússia, e restabeleceu a reputação literária de Dostoiévski.[carece de fontes?]

No final de dezembro de 1859 regressou finalmente com sua família (sua esposa e o entiado) a São Petersburgo.[51] O retorno não foi dos mais fáceis, sua longa ausência não só o afastou dos antigos contatos de São Petesburo, como também de toda a produção cultural russa, incluindo a literatura e o jornalismo, uma vez que o seu acesso aos livros era bem difícil durante o tempo em que cumpriu pena.[52]

Uma vez que os impulsos revolucionários de Dostoiévski tinham como finalidade a libertação dos servos da Rússia e na medida em que Alexandre II, czar que ssumiu o trono em 1855,[53] estava determinado a libertar os servos, a Inteligência Russa, e principalmente Dostoiévski, estavam favoráveis ao czar.[54] No caso de Dostoiévski, sabemos que também sua conversão, a qual o impussionou contrariamente ao socialismo, tornavam o czar e sua política ainda mais impáticos (v. seção A conversão de Dostoiévski deste artigo ).

Na época do retorno de Dostoiévski a São Petersburgo, i.e. início dos ano 1860, os escritores mais aclamados eram Chernyhevsky e Dobrolyubov. Ambos, assim como a maioria dos pensadores da época, acreditavam em uma ética utilitarista e tinham uma visão inocente da ciência e do racionalismo, assim como da possibilidade deles de desvendarem e responderem, por si mesmos, todas as questões humanas.[54]

O reinício em São Petesburgo[editar | editar código-fonte]

Em 8 de julho de 1960 seu irmão Mikhail foi autorizado a publicar a revista Tempo (Vremia), do qual seria editor juntamente com Dostoiévski. Desde esta data, enquanto Mikhail terminava os preparos burocráticos para publicação da revista, Dostoiévski escrevia seu primeiro romance pós-sibéria, o romance em folhetim Humilhados e Ofendidos que teve grande sucesso.[1] Este romance, segundo Joseph Frank, teria inaugurado um estilo melodramático que Dostoiévski usaria mais tarde em seus grandes romances.[55] Neste período Dostoiévski também começou a frequentar o circulo literário que se encontrava na casa de Milyukov, ex membro do círculo Palm-Durov.[56] A posição política defendida pelos editores de Tempo foi a fusão mediadora de ocidentalismo e eslavismo, a exemplo da revista editada por Milyukov, [57]

Sua obra Memórias da Casa dos Mortos foi um enorme sucesso, ela foi publicada em capítulos no jornal O Mundo Russo (Russkii Mir). Os dois primeiros capítulos foram publicados em 1860.[58]

Entre 1862 e 1863 fez várias viagens pela Europa, incluindo Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena.[carece de fontes?] Durante essas viagens teve um relacionamento amoroso fugaz com Paulina Súslova, uma estudante de ideias progressistas.[carece de fontes?] Perdeu muito dinheiro jogando e retornou à Rússia no fim de outubro de 1863, sozinho e sem recursos.[carece de fontes?] Durante este tempo o seu jornal tinha sido proibido, por publicar um artigo sobre a Revolução Polaca de 1863.[carece de fontes?]

Em 1864, conseguiu editar com seu irmão o jornal chamado Epokha ("Época"), no qual publicou Memórias do Subsolo.[carece de fontes?] Seu ânimo acabou após a morte de sua esposa, seguida pouco depois pela de seu irmão.[carece de fontes?] Além disso, seu irmão Mikhail deixou uma viúva, quatro filhos e uma dívida de 25 mil rublos, tendo de sustentá-los.[carece de fontes?] Dostoiévski sustentava também o enteado Pável Issáiev e o irmão Nikolai Dostoiévski, arquiteto formado mas conhecido alcoólatra.[carece de fontes?] Tentando dar continuidade à revista, acumulou muitas dívidas.[carece de fontes?] Para sanar seus problemas financeiros e cuidar de sua saúde, partiu para o estrangeiro, onde perdeu o restante do dinheiro que ganhara em cassinos.[carece de fontes?] Dostoiévski é frequentemente descrito como viciado em jogo, mas nunca jogou na Rússia, apenas na Alemanha e na França.[carece de fontes?] Ali se reencontrou com Paulina Súslova e tentou reatar o relacionamento, mas foi rejeitado.[carece de fontes?]

Os grandes romances[editar | editar código-fonte]

Em 1865 Dostoiévski começou a elaborar Crime e Castigo,[carece de fontes?] uma de suas obras capitais, que apareceu na revista "O Mensageiro Russo", com grande sucesso.[carece de fontes?] Quando seu editor determinou um curto prazo para que terminasse o livro, contratou a estenógrafa Anna Grigórievna Snítkina, na época com vinte e quatro anos, a quem dedicou, em apenas vinte e seis dias[necessário esclarecer], o livro O Jogador.[carece de fontes?] O relacionamento com Anna finalmente terminou em casamento em 15 de fevereiro de 1867.[carece de fontes?]

Retrato de Fiódor Dostoiévski
Por Vassilij Grigorovič Perov, 1872

Para fugir da pressão dos credores, resolveram viajar pela Europa.[carece de fontes?] O casal residiu em Dresden (onde Dostoiévski viu o quadro Cristo Morto de Hans Holbein, o Jovem, de grande importância em O Idiota),[carece de fontes?] Genebra, onde nasceu e morreu pouco tempo depois sua primeira filha, Sônia, o que deixou o escritor arrasado;[carece de fontes?] Milão, Florença e novamente em Dresden, onde nasceu a segunda filha do casal, Liubóv.[carece de fontes?] Em 1868 escreveu O Idiota e,[carece de fontes?] em 1871 terminou Os Demônios,[carece de fontes?] publicado no ano seguinte.[carece de fontes?] A ideia inicial de "O Idiota" surgiu de uma notícia de jornal sobre uma jovem de quinze anos, Olga Umetskaia, que colocou fogo na casa da família após sofrer anos de maus tratos e espancamentos.[carece de fontes?] A personagem Nastássia Filipóvna foi baseada nela.[carece de fontes?] Já "Os Demônios" surgiu do assassinato do jovem I. I. Ivanov, que queria abandonar uma organização radical e foi morto pelos colegas, comandados por Sergey Nechayev.[carece de fontes?] Netcháiev era um conhecido radical, ligado a Mikhail Bakunin, que depois o rejeitou por horror aos seus métodos políticos escusos.[carece de fontes?]

Anos antes, um romance russo já havia sido escrito sobre os niilistas: Pais e Filhos, de Turgueniev.[carece de fontes?] Enquanto a intelectualidade russa criticou duramente o livro, a revista de Dostoiévski publicou uma resenha favorável, escrita por Nikolai Strakhov, amigo de Dostoiévski e importante crítico literário, o qual dizia que o livro não era nem a condenação nem a apoteose do niilismo, mas sua tragédia.[carece de fontes?] Essa crítica valeu o reconhecimento de Turgueniev, que publicou outros textos na revista dos irmãos Dostoiévski.[carece de fontes?] Os dois escritores, porém, tiveram uma grande briga em Baden-Baden, centrada no romance "Fumaça", de Turgueniev, muito crítico à Rússia e à sua suposta declaração de se considerar agora um alemão.[carece de fontes?] Dostoiévski também criticou o recente prefácio a Pais e Filhos, no qual Turgueniev teria se curvado aos niilistas, segundo o escritor.[carece de fontes?] Dostoiévski assumiu um grande risco com Os Demônios, que foi visto pela crítica como ofensivo às novas gerações e panfletário.[carece de fontes?] Segundo Joseph Frank,[59] o momento em que "Os Demônios" se tornou grande foi quando o autor começou a misturar o panfleto que escrevia com o poema que tinha planejado, "A Vida de Um Grande Pecador", que nunca chegou a escrever mas do qual usou concepções em "Os Demônios", "O Adolescente" e Os Irmãos Karamazov.[necessário esclarecer]

A partir de 1873 publicou em jornal Diário de um Escritor, que escreveu sozinho, compilando histórias curtas, artigos políticos e críticas literárias, obtendo grande sucesso.[carece de fontes?] Em 1875, publicou O Adolescente, na prestigiada revista Os Anais da Pátria.[carece de fontes?] O romance foca em um tema que sempre tinha preocupado o escritor: as famílias acidentais.[carece de fontes?] Esta publicação seria interrompida em 1878 para dar início à elaboração do seu último romance, Os Irmãos Karamazov, que foi publicado em grande parte no jornal russo O Mensageiro.[carece de fontes?]

Morte[editar | editar código-fonte]

Dostoiévski em seu leito de morte

Em 1880, participou da inauguração do monumento a Alexandre Pushkin em Moscou, onde proferiu um discurso memorável sobre o destino da Rússia no mundo.[carece de fontes?] Em 8 de novembro desse ano, termina Os Irmãos Karamazov, em São Petersburgo.[carece de fontes?] Morreu nesta cidade, em 9 de fevereiro de 1881, de uma hemorragia pulmonar associada com enfisema e ataque epiléptico.[carece de fontes?] Foi enterrado no Cemitério Tikhvin, dentro do monastério Alexander Nevsky em São Petersburgo.[carece de fontes?] Estima-se que o funeral foi assistido por cerca de sessenta mil pessoas.[carece de fontes?] Em sua lápide podem-se ler os seguintes versos de São João, que também serviu como subtítulo de seu último romance, Os Irmãos Karamazov:

Realizações[editar | editar código-fonte]

Temas[editar | editar código-fonte]

No período pós-sibéria o tema recorrente de Dostoiévski é aquele por ele mesmo chamado de "conflito entre ideias e coração".[61] Este tema foi nomeado por Joseph Frank de "crítica da ideologia" e explicado como a contraposição entre as ideias europeias da época, principalmente o socialismo, e a moral cristã ortodoxa viseral do povo russo, servos principalmente.[62] Trata-se, portanto, de tematizar sua própria conversão (v. A conversão de Dostoiévski neste mesmo artigo).

Dostoiévski tinha por tema, diferentemente dos outros escritores que descreviam o círculo da família moldados na tradição e nas "belas formas", o caos familiar, a humilhação, o sadomasoquismo, a ganância, a doença, etc.[1] Essencialmente um escritor de mitos (e às vezes comparado por isso a Herman Melville),[carece de fontes?] criou um trabalho com uma enorme vitalidade e de um poder quase hipnótico, caracterizado por cenas febris e dramáticas, onde os personagens apresentam comportamento escandaloso, e atmosferas explosivas, envolvidas em diálogos socráticos apaixonados, a busca de Deus, do mal e do sofrimento dos inocentes.[1]

Outros temas recorrentes em sua obra são suicídio, orgulho ferido, a destruição dos valores familiares, o renascimento espiritual através do sofrimento, a rejeição do Ocidente e da afirmação da ortodoxia russa e o czarismo.[carece de fontes?]

Personagens[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Raskólnikov e Nastasya Filippovna

Dostoiévski foi muitas vezes descrito como um grande psicólogo por causa da precisão e profundidade dos seus estutos sobre a psique humana retratados nos diversos tipos, personagens, que ele criou.[carece de fontes?] Seus tipo podem ser classificados como segue:[carece de fontes?]

Estilo[editar | editar código-fonte]

Ao contrário do estílo utilizado na prosa da época, Dstoiévski não se fixava muito em uma descrição fotográfica dos personagens e do âmbiente em que estavam, concentrando-se mais no enredo. Este fato teria contribuido, segundo Joseph Frank, para a má recepção por parte da crítica da época de muitos textos de Dostoiévsi.[65] Este estilo - grande atenção para os elementos do enredo em prol da descrição fotográfica - utilizou Dostoiévski em todos os seus grandes romances, fato que trouxe uma certa homogeniedade estilística a estas obras. Os elemtnos comuns foram enumeradas por Joeph Frank da seguinte maneira: a) um enredo de ação extremamente rápido e condensado - muitos elementos ocorrendo em um breve espaço de tempo -; b) viradas inesperdas e abruptas; c) personagens que são caracterizados mais pelos seus diálogos que pelas suas descrições fotográficas; e d) clímax ocorrendo entre diversas cenas tumultuosas.[66]

Estudiosos como Mikhail Bakhtin têm caracterizado o trabalho de Dostoiévski como diferente de outros romancistas, ele parece não aspirar por uma visão única e vai além da descrição sob diferentes ângulos, caracterizando-o como romance polifônico. Dostoiévski engenhou romances cheios de força dramática em que os personagens e os opostos pontos de vista são realizados livremente, em violenta dinâmica.[67][necessário esclarecer]

O espaço e o tempo em Dostoiévski são analisados[carece de fontes?] às vezes como "discretos, onde o inesperado não apenas é possível como também sempre se realiza". Através da minimização do tempo de passagem, onde os fatos aparecem de repente, o instante monoboliza o tempo e logo depois relaxa, desaparecendo nas cenas.[carece de fontes?] Certos autores[carece de fontes?] comparam o tempo e o espaço em Dostoiévski com cenas cinematográficas:[carece de fontes?] o uso constante da palavra russa vdrug (de repente), que aparece 560 vezes na edição russa de Crime e Castigo, tem a proposta de levar ao leitor a impressão de tensão, de desigualdade e de nervosismo, elementos característicos da estrutura do romance dostoievskiano.[carece de fontes?]

Além da palavra vdrug em Crime e Castigo, a literatura de Dostoiévski utiliza muito os números, às vezes usando-os com extrema precisão: a dois passos...., duas ruas a direita, como também usa números elevados e redondos (100, 1000, 10000).[carece de fontes?] Acredita-se[carece de fontes?] que esses elementos são "mitopoéticos":[carece de fontes?] Crime e Castigo possui sete partes (6 partes e o epílogo), sendo que, na composição do romance, ele é dividido em 7 capítulos (cada parte), e a "hora fatídica" é indicada como depois das 7.[carece de fontes?]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Segundo o escritor Mário Pontes,[carece de fontes?] as novas traduções em língua portuguesa – lançadas no Brasil – das obras de Dostoiévski, como "O Idiota"[68] demonstram um estilo "menos castiço", argumentando que "[…]toda a obra [original] de Dostoiévski foi escrita em circunstâncias adversas: luto, doenças, dívidas, incontrolável atração pelo jogo, censura e vigilância policial, daí porque a pressa transparece nos seus romances, onde uma descrição pode ser interrompida de repente por um nervoso, etc."[carece de fontes?][necessário esclarecer] Embora o crítico avalie as traduções mais antigas como trabalhos feitos em cima de edições francesas que possivelmente traziam erros,[carece de fontes?] e que as novas edições brasileiras apresentam um estilo dostoievskiano "muito menos castiço do que os anteriores",[carece de fontes?][necessário esclarecer] ele diz que, todavia, "[estão] muito mais próxima[s] do original",[carece de fontes?][necessário esclarecer] e finaliza dizendo que "[…]todos esses acidentes e defeitos, que as novas traduções se empenham em preservar, não bastam para afetar o interesse que desperta no leitor a profundidade do mergulho de Dostoiévski na alma humana."[carece de fontes?]

Legado e influência[editar | editar código-fonte]

Monumento a Dostoiévski em Moscou

O escritor russo Aleksei Rémizov, durante exílio em Paris, em 1927, escreveu: "A Rússia é Dostoiévski. A Rússia não existe sem Dostoiévski."[carece de fontes?][necessário esclarecer]

A maioria[carece de fontes?] dos críticos concorda que Dostoiévski, Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo e outros poucos escolhidos tiveram uma influência decisiva sobre a literatura do século XX, especialmente no existencialismo e expressionismo.[carece de fontes?]

A influência de Dostoiévski é imensa, de Hermann Hesse a Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez, para citar alguns autores.[carece de fontes?] Na verdade, nenhum dos grandes escritores do século XX foram alheios ao seu trabalho (com algumas raras exceções, tais como Vladimir Nabokov, Henry James ou D. H. Lawrence).[carece de fontes?] O romancista americano Ernest Hemingway também citou Dostoiévski em uma de suas últimas entrevistas como uma das suas principais influências.[carece de fontes?]Friedrich Nietzsche referiu-se a Dostoiévski como "o único psicólogo com que tenho algo a aprender: ele pertence às inesperadas felicidades da minha vida, até mesmo a descoberta Stendhal."[carece de fontes?] Certa vez disse, referindo a "Notas do Subsolo": "chorei verdade a partir do sangue".[carece de fontes?] Nietzsche refere-se constantemente a Dostoiévski em suas notas e rascunhos no internato entre 1886 e 1887, além de escrever diversos resumos das obras de Dostoiévski.[carece de fontes?] "Um grande catalisador: Nietzsche e neo-idealismo russo",[carece de fontes?] disse Mihajlo Mihajlov.[carece de fontes?]

Com a publicação de Crime e Castigo em 1866, Fiódor se tornou um dos mais proeminentes autores da Rússia no século XIX, tido como um dos precursores do movimento filosófico conhecido como existencialismo.[carece de fontes?] Em particular, Memórias do Subsolo, publicado pela primeira vez em 1864, tem sido descrito como o trabalho fundador do existencialismo.[carece de fontes?] Para Dostoiévski, a guerra é a revolta do povo contra a ideia de que a razão orienta tudo.[6]

Influência na literatura brasileira[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

Romances[editar | editar código-fonte]

Novelas e contos[editar | editar código-fonte]

Cartas[editar | editar código-fonte]

Suas cartas foram publicadas postumamente em antologias diversas.

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Obras literárias influenciadas por Dostoiévski[editar | editar código-fonte]

Obras cinematográficas influenciadas por Dostoiévski[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. em russo: Фёдор Миха́йлович Достое́вский, Fyodor Mikháylovich Dostoyévsky; AFI[ˈfʲodər mʲɪˈxajləvʲɪtɕ dəstɐˈjɛfskʲɪj]. A falta de critérios mais definidos para a transliteração do alfabeto cirílico para o latino no idioma português faz com que existam diversas variantes da grafia do nome possam ser utilizadas; além de Fiodor Dostoiévski, pode-se encontrar comumente a versão anglicizada Fyodor Dostoievsky, e híbridos como Dostoiévsky, ver também Romanização do russo.
  2. Calendário juliano: 30 de outubro de 1821 — 28 de janeiro de 1881)

Referências

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  2. a b c d e Frank, 1976
  3. Lorenzotti, 2007
  4. Jackson, 1993, p.111.
  5. Freud, 1997
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  7. Martínez, 2002
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  9. Frank 1983, pp. 3-4.
  10. Frank 1983, p. 49.
  11. Frank, 1976, 173-291
  12. (Frank 1983, p. 6)
  13. Frank 1983, p. 42169.
  14. Pisma, I:124; July 18, 1849. Trad. Frank, 1983, p.25
  15. Frank 1983, p. 25169.
  16. Frank 1983, pp. 49-51.
  17. Frank 1983, pp. 51-55.
  18. Frank 1983, p. 55.
  19. Frank 1983, p. 58.
  20. Frank 1983, p. 59.
  21. Frank 1983, p. 56.
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  23. Frank 1986, p. 4.
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  25. Frank 1983, p. 76.
  26. Frank 1983, p. 77.
  27. Frank 1983, pp. 87-103169.
  28. Frank 1983, p. 98.
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  59. Frank, 1995
  60. Bíblia,João 12,24
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  63. Frank 1986, p. 12.
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  67. Bajtín, 1984, p. 211
  68. Dostoiévski, 2002b

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Obras completas em Russo
  • DOSTOIÉVSKI, Fiódor. M. Polnoe sobranie sochinenii v 30 tomakh (komplekt iz 33 knig). Institutom russkoy literatury (Pushkinskim domom) Akademii nauk SSSR. Leningrad, 1972-1980. ISBN 978-9662842340. ISBN 9662842349

* (Ф. М. Достоевский. Полное собрание сочинений в 30 томах (комплект из 33 книг). Институтом русской литературы (Пушкинским домом) Академии наук СССР).

Traduções para o português
  • DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. Crime e Castigo. Trad. Paulo Bezerra. Editora 34, São Paulo, 2001.
  • DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. Niétotchka Niezvânova. Trad. Doris Schnaiderman. Editora 34, 2002a. ISBN 978-85-7326-252-0.
  • DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. Obras completas e ilustradas, V. I-X. Rio de Janeiro, José Olympio.
  • DOSTOIÉVSKI, Fiodor M. O Idiota. Trad. Paulo Bezerra. Editora 34, 2002b. ISBN 978-85-7326-255-1.
Traduções para o francês
  • DOSTOIÉVSKI, Fiodor M. Correspondance de Dostoïevski v.1 (1832-1864). Trad. p/ Francês: Anne Coldefy-Faucard. Bartillat, 1998. ISBN 978-2841001767
Estudos em língua portuguesa
  • DRUCKER, Claudia. A palavra nova: o diálogo entre Nelson Rodrigues e Dostoiévski. Brasília: Editora UNB, 2006. ISBN 978-85-230-1243-4
  • PONDÉ, Luiz Felipe. Crítica e profecia - A filosofia da religião em Dostoiévski. LeYa, 2013. ISBN 978-8580448603
Estudos em línguas estrangeiras (originais ou traduções)
  • BAJTÍN, Mijaíl. Problems of Dostoevsky´s Poetics. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1984. ISBN 0816612285
  • BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Editora Forense Universitária, 2ª edição, São Paulo, 1997. ISBN 978-8521804529
  • CATTEAU, Jacques. La Création littéraire chez Dostoïevski, Paris, Institut d'études slaves, 1978. ISBN 2720401420
  • FRANK, Joseph. Dostoevsky v.I: The Seeds of Revolt, 1821-1849. Princeton: Princeton University Press, 1976. ISBN 0-691-06260-9
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  • Frank, Joseph (1986). Dostoevsky v.III: The Stir of Liberation, 1860-1865. Princeton: Princeton University Press. ISBN 978-0-691-01452-4 
  • FRANK, Joseph. Dostoevsky v.IV: The Miraculous Years, 1865-1871. Princeton: Princeton University Press, 1995. ISBN 978-0-691-04364-7
  • FRANK, Joseph. Dostoevsky v.V: The Mantle of the Prophet, 1871-1881. Princeton: Princeton University Press, 2002. ISBN 0-691-11569-9
  • FREUD, Sigmund. Writings on Art and Literature. Stanford University Press, 1997. ISBN 0804729735, ISBN 9780804729734.
  • GROSSMAN, Leonid. Dostoevsky: A Biography His Life and Work. Princeton, Princeton University Press, 1967. ISBN 0-691-06027-4
  • JACKSON, Robert Louis. Dialogues with Dostoevsky: The Overwhelming Questions. Stanford University Press, 1993. ISBN 0804721203, ISBN 9780804721202
  • KAUFMANN, Walter. Existentialism from Dostoevsky to Sartre. New American Library, 1975. ISBN 0-452-00930-8
  • LARANGÉ, Daniel S. Récit et foi chez Fédor M. Dostoïevski. Contribution narratologique et théologique aux "Notes d'un souterrain" . Paris-Turin-Budapest, éd. L'Harmattan, 2002. ISBN 2747518450
  • LORENZOTTI, Elizabeth. Dostoiévski, jornalista. Entretextos. Universidade de São Paulo. 2007. Consultado em 11 de janeiro de 2015. Disponivel em http://www.usp.br/cje/entretextos/exibir.php?texto_id=24 , consultado em 08.09.2017.
  • MARINOV, Vladimir. Figures du crime chez Dostoïevski. Paris, Puf, 2000. ISBN 978-2130431732
  • MARTÍNEZ, Isabel. Dostoievski frente al nihilismo. In. Cuenta y Razón. Madrid: FUNDES, n.24, 2002. ISSN 1989-2705. URL: http://www.cuentayrazon.org/revista/pdf/124/Num124_006.pdf
  • MESSAOUDI, Abderhamen. La transversalité du thème religieux dans Les Démons (ou les Possédés) de Dostoïevski, Paris, Éditeur Indépendant, 2006. ISBN 2353350062
  • MORSON, Gary Saul. Fyodor Dostoyevsky. In. Encyclopædia Britannica, 2017. URL: https://global.britannica.com/biography/Fyodor-Dostoyevsky . Acessado em 08.09.2017
  • SCHNAIDERMAN, Boris. Dostoiévski - Prosa Poesia. Perspectiva, São Paulo, 1982. ISBN 978-8527304290
  • VOLKOV, Solomon. Petersburgo: uma história cultural. Record, 1997. ISBN 978-8501047014

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