Besy

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Бесы
Os Possessos (PT)
Os Demônios (BR)
Autor(es) Fiódor Dostoiévski
Idioma Língua russa
País Rússia
Lançamento 1871-2
Cronologia
O idiota

Besy (em russo: Бесы) (Os Demônios (português brasileiro) ou Os Possessos (português europeu)) é um romance publicado em 1872 pelo escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Análise da obra[editar | editar código-fonte]

Besy é um livro escrito por Fiodor Dostoiévski em 1872. A Obra foi motivada por um episódio verídico: o assassinato do estudante I. I Ivanov pelo grupo niilista liderado por Sergey Nechayev em 1869. Ao recriar ficcionalmente esse evento, o escritor cria uma das suas maiores obras, à altura de Crime e Castigo. Besy é um estudo profundo do pensamento político, social, filosófico e religioso de seu tempo.

O narrador, ao mesmo tempo que observa a ação, participa dela, pois é um personagem contando a estranha história que aconteceu em sua cidade no interior da Rússia.

Ele, o narrador, narra a história do professor aponsentado Stiepan Trofímovitch, que possui estranhos laços de amizade com uma viúva muito rica da sua cidade, Varvara Pietrovna. Aos poucos a cidade é tomada por estranhos acontecimentos conspiratórios, principalmente com a chegada de Piotr Stiepanovitch, filho de Stiepan Trofímovitch, e com Nikolai Stavróguin, filho de Varvara Pietrovna. Esses acontecimentos são projetados por uma organização niilista e terrorista, chefiada por esses dois personagens, que trazem consigo acontecimentos trágicos que marcarão a todos os envolvidos.

Ao longo do livro somos apresentados a diversos personagens com ideias bastante claras. Nas ideias de Kirillov podemos perceber a base do pensamento de Nietzsche e Zaratustra ao demonstrar como deve ser o super-homem. E no drama de personagens como Piotr Stiepanovitch e Chiagaliov podemos perceber prenúncio de ideias cruéis e fanáticas.

O drama central no livro é de Stiepan Trofímovitch. Ao mesmo tempo em que ele tenta ser um revolucionário e um intelectual, acaba sendo visto como um tolo: ele percebe que há algo errado com aquela sociedade, contudo, permanece mortificado por não saber como sair daquela situação imposta pela organização e por se sentir tão culpado pelo que está acontecendo.

Dostoiévski é um grande escritor e sempre se mostrou à frente do seu tempo. E, neste livro, ele se supera. Publicado 45 anos antes da Revolução de Outubro, Besy já apresentava, em germe, aquelas ideias que, sob o regime soviético, levariam tantas pessoas ao sofrimento e à morte. Além disso, ao tratar de um caso ocorrido em uma pequena cidade do interior da Rússia, podemos ver que os dilemas humanos ali tratados continuam vivos ainda hoje. A histeria coletiva é mostrada mediante o envolvimento de toda a população com a organização criminosa.

O livro, ademais, desmascara tanto as organizações idealistas que ainda permanecem vivas, como o terrorismo, quanto o enorme perigo de se transformar ideias niilistas em grandes ideais utópicos. É antes de tudo um aviso para aqueles que, pretendendo mudar o mundo, acabam eles mesmos se transformando em assassinos e nos supostos "demônios" ou "possessos" que tanto pretendem, a princípio, combater e destruir.

Personagens[editar | editar código-fonte]

Em Besy o personagem Shatov encarna a eslavofilia e Kirillov o ocidentalismo.[1]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Frank, Joseph (1986). Dostoevsky v.III: The Stir of Liberation, 1860-1865. Princeton: Princeton University Press. ISBN 978-0-691-01452-4 


Referências

  1. Frank 1986, p. 101.