Boris Schnaiderman

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Boris Schnaiderman
Борис Шнайдерман
Nome completo Boris Solomonovitch Schnaiderman
Nascimento 17 de maio de 1917
Uman,  Ucrânia
Morte 18 de maio de 2016 (99 anos)
São Paulo,  Brasil
Nacionalidade Ucrânia Ucraniano (anterior)
Brasil Brasileiro (naturalizado)
Ocupação Tradutor, escritor e ensaísta
Prémios Prémio Jabuti 1983

Prêmio ABL de Tradução (2003)
Medalha Púchkin

Magnum opus Guerra em surdina

Boris Solomonovitch Schnaiderman (em russo e em ucraniano, Борис Соломонович Шнайдерман e, em hebraico, בוריס שְׁלֹמֹהביץ' שניידרמן; Uman, 17 de maio de 1917São Paulo, 18 de maio de 2016) foi um tradutor, escritor, militar[1] e ensaísta ucraniano de origem judaica e radicado desde a infância no Brasil. Foi professor emérito da Universidade de São Paulo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Uman, na Ucrânia, em 1917 (ano da Revolução Russa), mudou-se depois para Odessa, onde viveu até os oito anos quando veio para o Brasil. Foi o primeiro professor do curso de letras russas na Universidade de São Paulo, em 1960, apesar de não ser formado em letras (formou-se em agronomia). Traduziu os grandes escritores russos, como Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov, Máximo Gorki, Isaac Babel, Boris Pasternak e poetas como Alexandre S. Pushkin e Vladimir Maiakovski.

Aos oito anos de idade, chegou a presenciar as filmagens da clássica cena da escadaria de Odessa do lendário filme O Encouraçado Potemkin, de Sergey Eisenstein. Mas só foi compreender o que se passava ao ver o filme no cinema.[2]

Conseguiu naturalizar-se em 1941,[2] tendo lutado na Segunda Guerra Mundial na Força Expedicionária Brasileira, experiência que rendeu o romance Guerra em surdina. Devido ao modo como a cultura russa era vista no período da ditadura militar no Brasil, suas posições frente à repressão, além de ter passaporte soviético,[2] Schnaiderman teve confrontos com a ditadura e chegou a ser preso em sala de aula.

Em 1983, recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura. Em 2003, recebeu o Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras. Foi o primeiro a traduzir as grandes obras russas diretamente do russo; antes dele, traduções indiretas (principalmente através do francês) que descaracterizavam o conteúdo original eram bastante comuns.[2] Em 2007, foi agraciado pelo governo da Rússia com a Medalha Púchkin, em reconhecimento por sua contribuição na divulgação da cultura russa no exterior.

Morreu em São Paulo, um dia depois de completar 99 anos, devido a uma pneumonia decorrente de uma internação hospitalar para colocação de uma prótese de fêmur.[3] Seu corpo foi cremado.[4]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • Guerra em Surdina: histórias do Brasil na Segunda Guerra Mundial. 3. ed. rev. São Paulo: Brasiliense, 1995. (Ficção) - (Literatura)
  • Guerra em Surdina. 4. ed. rev. São Paulo: Cosac & Naify, 2004. (Ficção) - (Literatura)
  • A poética de Maiakóvski. São Paulo: Perspectiva, 1971. (Debates) - (Literatura)
  • Dostoiévski Prosa Poesia - ensaio
  • Leão Tolstói: antiarte e rebeldia. São Paulo: Brasiliense, 1983.
  • Turbilhão e Semente: ensaios sobre Dostoiévski e Bakhtin
  • Os escombros e o mito: a cultura e o fim da União Soviética. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 306p. (Cultura e Civilização)
  • Tradução: Ato Desmedido - São Paulo: Perspectiva, 2011. 214 p. (Debates) - (Tradução)

Livros organizados[editar | editar código-fonte]

  • Semiótica russa. Boris Schnaiderman (Org.) 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010. 308p. - (Linguística)
  • Guenádi Aigui: silêncio e clamor. Boris Schnaiderman, Jerusa Pires Ferreira (Orgs.) São Paulo: Perspectiva, 2010. 142p. - (Signos; dirigida por Augusto de Campos). (Crítica e interpretação).

Sobre o autor[editar | editar código-fonte]

  • ASSIS, Ivone Gomes de. Guerra em Surdina: a ficção de Boris Schnaiderman entre a política e a poética. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária), pela Universidade Federal de Uberlândia, sob a orientação de Kênia Maria de Almeida Pereira. Uberlândia (MG), 2014.
  • ASSIS, Ivone Gomes de. O medo e o silêncio na ficção de Boris Schnaiderman. Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG (ISSN 1982-3053). Belo Horizonte, v. 8, n. 14, maio 2014. Disponível em: <http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/maaravi/article/view/5844/5059>. Acesso em: 2 jun. 2017.
  • FERNANDES NETTO, Carlos Eduardo. Prosa de ficção brasileira sobre a Segunda Guerra Mundial. Literatura e Autoritarismo (ISSN 1679-849X), Santa Maria, n. 13, p. 6-21, jan.-jun. 2009. Disponível em: <http://w3.ufsm.br/literaturaeautoritarismo/revista/num13/RevLitAut13_art01.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2017.
  • MERON, Luciano Bastos. Memórias do front: relatos de guerra de veteranos da FEB. Dissertação (Mestrado em História), pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Salvador, sob a orientação de Carlos Eugênio Libano Soares. Salvador (BA), 2009.

Referências

  1. «Nos 70 anos do Dia da Vitória, ex-sargento da FEB relembra luta na 2ª Guerra». Agência Brasil - Últimas notícias do Brasil e do mundo 
  2. a b c d Boris Schnaiderman: Guerra e Paz com Dostoiévski
  3. «Morre, aos 99 anos, o tradutor Boris Schnaiderman». O Globo. 18 de maio de 2016. Consultado em 18 de maio de 2016. 
  4. «Tradutor do russo Boris Schnaiderman morre em São Paulo aos 99 anos». Folha de S. Paulo. 18 de maio de 2016. Consultado em 18 de maio de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]