Iracema

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Iracema
Iracema e Cinco Minutos, em livro miniatura, da editora Os Menores Livros do Mundo
Autor (es) José de Alencar
Idioma Língua portuguesa
País  Brasil
Assunto indigenismo
Género romance
Linha temporal séc. XVII
Localização espacial Ceará
Editora Typ. de Viana & Filhos
Lançamento 1865
Páginas 202 (1865)
ISBN N/A
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Iracema
José de Alencar.jpg Este artigo é parte da série
Trilogia indianista de José de Alencar
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O Guarani (1857)
Iracema (1865)
Ubirajara (1874)
Ver também: Indianismo

Iracema (originalmente: Iracema - Lenda do Ceará) é um romance da literatura romântica brasileira publicado em 1865 e escrito por José de Alencar, fazendo parte da trilogia indianista do autor. Os outros dois romances pertencentes à trilogia são O Guarani e Ubirajara.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Iracema" é um termo tupi que significa "saída de mel, saída de abelhas, enxame" (ira, mel, abelha + semu, saída). É um anagrama da palavra "América". Na obra, o escritor José de Alencar explica que "Iracema" é um termo originário da língua tupi que significa "lábios de mel": porém, segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, tal etimologia não é correta.[1]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Em Iracema, Alencar criou uma explicação poética para as origens de sua terra natal, daí o subtítulo da obra - "Lenda do Ceará". A "virgem dos lábios de mel" tornou-se símbolo do Ceará, e seu filho, Moacir, nascido de seus amores com o colonizador português Martim, representa o primeiro cearense, fruto da união das duas raças.[2] A história é uma representação do que aconteceu com a América na época de colonização européia.

Gênero literário[editar | editar código-fonte]

Estátua artística de Iracema

Para José de Alencar, como explicita o subtítulo de seu romance, Iracema é uma "Lenda do Ceará". É também, segundo diferentes críticos e historiadores, um poema em prosa, um romance poemático, um exemplo de prosa poética, um romance histórico-indianista, uma narrativa épico-lírica ou mitopoética. Cada uma dessas definições põe em relevo um aspecto da obra e nenhuma a esgota: a lenda, a narrativa, a poesia, o heroísmo, o lirismo, a história, o mito.

O encontro da natureza (Iracema) e da civilização (Martim) projeta-se na duplicidade da marcação temporal. Há, em Iracema, um tempo poético marcado pelos ritmos da natureza e pela percepção sensorial de sua passagem (as estações, a Lua, o Sol, a brisa), que predomina no corpo da narrativa, e um tempo histórico, cronológico. O tempo histórico situa-se nos primeiros anos do século XVII, quando Portugal ainda estava sob o domínio espanhol (União Ibérica), e, por forças da união das coroas ibéricas, a dinastia castelhana ou filipina reinava em Portugal e em suas colônias ultramarinas.

A ação inicia-se entre 1603 e o começo de 1604, e prolonga-se até 1611. O episódio amoroso entre Martim e Iracema, do encontro à morte da protagonista, dá-se em 1604 e ocupa quase todo o romance, do capítulo II ao XXXII. A valorização da cor local, do típico, do exótico, inscreve-se na intenção nacionalista de embelezar a terra natal por meio de metáforas e comparações que ampliam as imagens de um Nordeste paradisíaco, primitivo. É o Nordeste das praias e das serras (Ibiapaba), dos rios (Parnaíba e Jaguaribe) e da Bica do Ipu ou "bica".

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Andira: velho guerreiro, irmão de araquém
  • Caubi: índio tabajara, irmão de Iracema. O nome provém do termo tupi ka'aoby, que significa "mato verde" (ka'a, mato + oby, verde).[3]
  • Iracema: índia da tribo dos tabajaras, filha de Araquém, velho pajé; era uma espécie de vestal (no sentido de ter a sua virgindade consagrada à divindade) por guardar o segredo de jurema (bebida mágica utilizada nos rituais religiosos). A palavra "Iracema" é um anagrama de "América". Segundo o autor José de Alencar, "Iracema" seria uma palavra com origem na língua tupi que significaria "A virgem dos lábios de mel". Entretanto, o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro contesta tal etimologia, sustentando que "Iracema" provém do nheengatu e significa "saída de abelhas, enxame".
  • Martim: guerreiro branco, amigo dos potiguaras, habitantes do litoral, adversários dos tabajaras; os potiguaras lhe deram o nome de Coatiabo.
  • Moacir: filho de Iracema e Martim, o primeiro brasileiro miscigenado. O nome provém do termo tupi moasy, que significa "arrependimento", "inveja". Segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, a etimologia dada por Alencar ao nome não é correta.[4]
  • Poti: herói dos potiguaras, amigo (que se considerava irmão) de Martim.
  • Irapuã: chefe dos guerreiros Tabajaras; apaixonado por Iracema. O nome "Irapuã" é proveniente do termo tupi eirapu'a, que designa as abelhas meliponídeas,[1] que são as abelhas tropicais sem ferrão, nativas do Brasil.[5]
  • Jacaúna: chefe dos guerreiros potiguaras, irmão de Poti.
  • Araquém: pajé da tribo tabajara. Pai de Iracema e Caubi.
  • Batuirité: o avô de Poti. Chama Martim de "Gavião Branco". Antes de morrer, profetiza a destruição de seu povo pelos brancos.
  • Japi: cão de Martim. "Japi" é o nome de um pássaro (Cacicus cela).

Representações artísticas[editar | editar código-fonte]

Artes plásticas[editar | editar código-fonte]

A personagem que dá nome ao livro é tema de várias pinturas e esculturas no Brasil.

Filme[editar | editar código-fonte]

Em 1979, lançou-se o filme brasileiro Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, dirigido pelo cineasta Carlos Coimbra.

Referências

  1. a b Navarro 2013, p. 570.
  2. Tufano, Douglas; Nóbrega, Maria José, José de Alencar – Iracema, Moderna literatura, http://www.modernaliteratura.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A8A8A82375B303C01375C019FF8111E .
  3. Navarro 2013, p. 556.
  4. Navarro 2013, p. 587.
  5. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 116.
  6. "Fortaleza, Ceará", Viagem de férias, http://www.viagemdeferias.com/fortaleza/praias/iracema.php, visitado em 31 de janeiro de 2014 .
  7. Verdes mares, Globo, http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=90474&modulo=178, visitado em 31 de janeiro de 2014 .


Web
Bibliografia
  • Navarro, E. A (2013), Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil, São Paulo: Global .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]