Educação integral

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Educação Integral, enquanto concepção teórica, prevê a formação mais integrada possível do sujeito, isto é, a oferta de oportunidades de acesso às várias instâncias culturais da sociedade e a visão do ser humano como um ser composto por diversas camadas inter-relacionadas que dizem respeito não apenas à cognição, mas à emoção, subjetividade, desejos, inteligibilidade, sociabilidade, entre outras.

A Educação Integral, o termo se refere ao desenvolvimento do processo educativo que pense o ser humano em todas as suas dimensões – cognitiva, estética, ética, física, social, afetiva, ou seja, trata-se de pensar uma educação que possibilite a formação integral do ser humano, em todos os seus aspectos[1].

A educação integral reconhece a pessoa como um todo e não como um ser fragmentado, por exemplo, entre corpo e intelecto. Só que, de modo a contemplar as ambiguidades, as contradições, enfim, as idiossincrasias do termo dos tempos actuais, é muitas vezes associada a tempo integral, formação integral e/ou proteção social[2].

O que se pretende com a educação integral é desenvolver os alunos de forma completa, em sua totalidade. Muito mais do que o tempo em sala de aula, a educação integral reorganiza espaços e conteúdos[3].

Assim a educação integral considera a ampliação dos espaços educativos, que se projetam para além da escola, abrangendo espaços comunitários e urbanos, como salões, igrejas, museus, bibliotecas e parques. Podemos definir o conceito de educação integral a partir de um dito* que diz que “para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira.”[4]

A educação integral também considera um papel crítico-emancipatório para a educação, estimulando a gradativa autonomia dos educandos em sua formação como cidadãos.

Sentido político[editar | editar código-fonte]

Para os integralistas, no principio do século XX, a formação integral do homem estava direcionada à ideologia de prepará-lo para a tríplice moral, pelos seus aspectos espirituais, sociais e físicos. Já os precursores do socialismo, que primavam pela igualdade, liberdade e autonomia, fundamentaram uma teoria educacional própria, em que defendiam a criação de uma escola para o proletariado. O anarquismo diz antes que o sentido original do termo é “a negação da autoridade instituída” que reforça as ideias de liberdade e emancipação do homem, deixadas pela educação libertária[5].

Educação integral no Brasil[editar | editar código-fonte]

Enquanto projeto em implementação, a educação integral no Brasil actual engloba a ampliação da jornada escolar, em dois turnos, com ampliação também das atividades curriculares, que passam a se compor de outros macrocade atividades, como: Acompanhamento Pedagógico; Meio Ambiente; Esporte e Lazer; Direitos Humanos em Educação; Cultura e Artes; Cultura Digital; Promoção da Saúde; Educomunicação; Investigação no Campo das Ciências da Natureza; Educação Econômica.

Contexto histórico no Brasil[editar | editar código-fonte]

A concepção de Educação Integral foi introduzida no Brasil na primeira metade do século XX, por educadores de matrizes político-ideológicas diversas, anarquistas, integralistas, representados na pessoa de Plínio Salgado, católicos[6] e educadores com ingerência política, como Anísio Teixeira[7]. Tendo este último sido responsável pela implementação do primeiro projeto de educação integral brasileiro, em Salvador, Bahia, na década de 1950, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro.

Na década de 1960, com a construção de Brasília, Anísio Teixeira foi convidado pelo presidente Juscelino Kubitschek a dar continuidade a seu projeto de educação integral, desta vez na nova capital. Foram construídos, na época, com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, superquadras, que contavam com quatro escolas-classe, nas quais os estudantes frequentavam as aulas da educação formal clássica e uma escola-parque, que atendia as quatro escolas-classe e na qual eram oferecidas atividades de cunho cultural, esportivo e artístico.

Nos anos de 1980, durante o governo de Leonel Brizola, foram construídos, no Rio de Janeiro, 500 CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), também a partir de uma proposta de educação integral, implementada com a colaboração técnica de Darcy Ribeiro.

Entre 2000 e 2004, a prefeitura de São Paulo construiu e iniciou as atividades de diversos CEUs (Centros de Educação Unificada), os quais também participam de uma concepção de educação integral, não tanto pela extensão da jornada escolar, mas pelo provimento de diversos níveis de ensino e atividades curriculares e extra-curriculares concentradas em um mesmo espaço.

Com exceção dos CEUs, que ainda estão em funcionamento, a maioria das iniciativas de implantação da Educação Integral como política pública de educação fracassaram, sendo extintas ou inviabilizadas com a troca das gestões governamentais, a cada eleição.

Mais Educação[editar | editar código-fonte]

A partir da constatação de que a implantação assimétrica da educação integral como imposição governamental de cima para baixo não tem sido eficiente, foi desenvolvido, desde 2006, o programa Mais Educação, que prevê a implantação progressiva da educação integral nas escolas públicas[8] mediante a participação da comunidade e através do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), que permite a chegada de uma verba para a Educação Integral na escola sem a passagem por instâncias intermediárias e com gerenciamento compartilhado entre membros da comunidade escolar.

A sua criadora e idealizadora é Jaqueline Moll, que já era defensora deste integrador sistema[9]Caminhos da Educação Integral no Brasil: direito a outros tempos e espaços educativos, por Maria Beatriz Pauperio Titton, Educ. rev. no.45 Curitiba July/Sept. 2012.

Referências

  1. Afinal o que é Educação Integral?, por Simone Freire Paes Pestana, Revista Contemporânea de Educação, vol. 9, n. 17, janeiro/junho de 2014
  2. Afinal o que é Educação Integral?, por Simone Freire Paes Pestana, Revista Contemporânea de Educação, vol. 9, n. 17, janeiro/junho de 2014
  3. O que é educação integral?, por Daniele Zebini, Educar para Crescer, 13/03/2014
  4. Conceito de educação integral, Centro de Referências em Educação Integral
  5. Afinal o que é Educação Integral?, por Simone Freire Paes Pestana, Revista Contemporânea de Educação, vol. 9, n. 17, janeiro/junho de 2014
  6. A Escola em Portugal - Educação Integral da Pessoa, Conferência Episcopal Portuguesa 13 de Novembro de 2008
  7. "Esse termo ou essa concepção ..., a partir das idéias deste educador, como significando àquela educação que deva preparar integralmente o sujeito, no sentido de lhe oferecer as condições completas para a vida. Nesse sentido, a função da escola extrapola o ensino e a transmissão de conteúdos que garantam o aprender a ler, escrever e contar. A função da escola avança para o campo da educação total do sujeito, no momento em que prioriza no seu currículo, não apenas os conteúdos clássicos científicos: da leitura, da escrita e das ciências exatas; todavia, quando trata e oportuniza em seu trabalho pedagógico a transmissão de valores éticos e morais, do ensino das artes e da cultura, de hábitos de higiene e disciplina e de preparação para um oficio." - A Defesa pela Educação Integral na Obra de ANísio Teixeira, por Aleir Ferraz Tenórioi e Analete Regina Schelbauerii, Universidade Estadual de Maringá
  8. Tendências para Educação Integral, São Paulo : FundaçãoItaú Social – CENPEC, 2011.
  9. Conceitos e Pressupostos: O que queremos dizer quando falamaos de Educação Integral?, por Jaqueline Moll, Educação Integral, Salto para o Futuro, Ano XVIII boletim 13 - Agosto de 2008

Bibliografia[editar | editar código-fonte]