Quinto Império

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O Quinto Império é uma crença messiânica, milenarista (quiliástica), concebida pelo padre António Vieira no século XVII.

Vio Nabucodonosor aquella prodigiosa estatua, que representava os quatro Impérios dos Assírios, dos Persas, dos Gregos e dos Romanos; o corpo estala descuidado, com os sentidos presos, & a alma andava cuidadosa, levantando, derrubando estatuas, fantasiando Reynos, Monarquias. Mais fazia Nabucodonosor dormindo, que acordado: porque acordado cuidava no governo de hũ Reyno, dormindo imaginava na sucessão de quatro. Pois se Nabuco era Rey dos Assírios, quem o metia com o Império dos Persas, com o dos Gregos, com o dos Romanos? Quem? A obrigação do officio que tinha. Era Rey, quem quer conseruar o Reyno próprio hade sonhar com os estranhos.

Antonio Vieira, in Serman do Esposo da May De Deos S. Joseph.

Os quatro primeiros impérios eram, segundo o padre António Vieira, pela ordem: os Assírios, os Persas, os Gregos e os Romanos. O quinto seria o Império Português. O Sexto segundo a obra de Antônio Vieira, baseado no Apocalipse de São João é o Inglês, seguido do Chinês[carece de fontes?].

"De acordo com as escrituras Hebraicas (Antigo Testamento), no livro de Daniel, capítulo 2, aquele religioso veio a basear este mito num trecho bíblico, que narra a história do rei Nabucodonosor II e do seu sonho, com uma estátua erguida com cinco tipos de materiais. Seguido do Apocalipse de São João". (Bíblia Sagrada Católica, com os chamados Pergaminhos dos Sete Mares)

Um dos textos mais importantes sobre o tema, no entender de Vítor Amaral de Oliveira, é a obra póstuma do padre Vieira, História do Futuro.[1] Posteriormente a utopia do Quinto Império permeará a obra de Fernando Pessoa nomeadamente na obra Mensagem. No caso de Pessoa os quatro primeiros impérios diferem dos de Vieira, sendo o primeiro o Império Grego, o segundo o Império Romano, o terceiro o Cristianismo e o quarto a Europa.

O Quinto Império foi uma forma de legitimar o movimento autonomista português, que conseguira o fim da União Ibérica.

Referências

  1. Oliveira, Vítor Amaral de. Sebástica: bibliografía geral sobre D. Sebastião. Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 2002, p. xxx

Ver também[editar | editar código-fonte]

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