Viés político

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O viés político é o conflito de interesses que gera a parcialidade na análise nas ciências humanas e na medicina,[1][2] podendo ser consciente ou inconsciente, sendo que este viés pode se manifestar tanto na forma social como política,[3] sendo executada através de várias mídias, inclusive mídia social.[4][5][6][7] Ao longo da modernidade foram feitos vários estudos multidisciplinares e transdisciplinares para demarcar este conceito que afeta áreas desde desigualdade até o preconceito.

Inscrição em parede da Universidade Federal Fluminense (UFF) sobre as condições de um negro típico na universidade em meio a críticas ao sistema de cotas por parte da mídia.

Viés político retratado por jornalistas[editar | editar código-fonte]

Segundo Glenn Greenwald, o conceito de Fake News não é suficiente para abarcar os fatos relacionados neste artigo por não ter definição convincente[8] além de ser um anglicismo que se encaixa no conceito de viés político. Em 2017 a Wikipédia em inglês restringiu o uso de artigos do tabloide Daily Mail por conta de vários vieses, principalmente políticos.[9] O secretário da CIA, Allen Dulles afirmou que "Você poderia conseguir um jornalista mais barato do que uma boa prostituta, por um par de cem dólares por mês".[10] Discussões sobre assuntos como imposto de renda são geralmente descritos como um viés político de cúpula enviesado a favor das opiniões deles em questão nos debates.[11] Jornalistas assumem que há uma auto-censura na sua divulgação de notícias[12][13] e agências governamentais defendem em conjunto que há o dever de combater teorias da conspiração.[14] Há uma facilidade grande através da desinibição de surgimento de trolls na internet que perturbam o debate político constantemente.[15]

Pesquisas científicas sobre o assunto[editar | editar código-fonte]

Estudos sociológicos de Theodor W. Adorno e Bob Altemeyer no desenvolvimento da escala F e na Escala de autoritarismo de extrema direita durante o século XX confirmaram correlação entre obediência irrestrita a uma autoridade e o autoritarismo de direita e também entre conservadorismo social e político e a discriminação.[16] Se reforçou nestas correlações a evidência de conformismo social,[17] defesa de convenções sociais vigentes - inclusive de ordem religiosa[18][19] - e uma agressividade contra seus adversários[20] na crença que está chancelado por uma autoridade estabelecida, inclusive chegando até um culto a personalidade.[21][16]

Entre 13 e 15 de março de 2015, a CNN fez uma pesquisa em que a maioria dos norte americanos preferiam um presidente rico, se reafirmando mais entre republicanos - dentre eles havendo uma preponderância dos que defendem a desigualdade social[22][23] - e sulistas, mas também entre os democratas e menos entre os defensores de candidatos independentes e que vivem na região nordeste.[24] Pesquisas da área médica e da psicologia também confirmam uma correlação entre maior renda e um comportamento utilitarista-pragmático.[25][26][27][28][29][30] Os ricos também demonstram ter menos empatia com as pessoas,[31][32] além de outros estudos demonstrarem uma relação positiva entre a pobreza, um menor conservadorismo e uma maior compaixão com os outros.[33][34] Isso pode ser verificado em uso de advocacia por parte das empresas e da elite que buscaram brechas na lei para facilitar demissão de funcionalismo público em 2016 através de pesquisas do Insper em São Paulo,[35] a participação do Facebook em eventos como a primavera árabe e o inverno árabe,[36] na acusação de que o Iraque tinha armas de destruição em massa,[37] no macartismo,[38] no acordo para proteger a Samarco,[39] na compra de jornalistas no estrangeiro para favorecer determinado governo,[40][41] a Operação Mockingbird,[42][43][44][45][46][47][48] na espionagem através da NSA,[49][50] no pagamento de funcionários freelancer no terceiro mundo para criar robôs trolls com o objetivo de se fazer disrupção na internet manipulando a opinião pública[51] em assuntos como aquecimento global[52] e islamofobia,[53][54] na classificação de jornalistas como terroristas,[55] no mesmo método para se privilegiar as empresas afetadas pelo atentado do 11 de setembro em detrimento dos civis afetados pelo incidente,[56] dentre outros caso ligados a ecologia e belicismo.[57][58] Estudos da área da psicologia comprovam uma menor compaixão com relação aos pobres entre os eleitores do Partido republicano[59][60][61][62]

Foram feitos outros estudos em 2012 nos Estados Unidos comprovaram que os eleitores de Mitt Romney eram mais ricos dos que de Obama[63] e estudos feitos com ganhadores de prêmios na loteria também confirmam uma correlação entre aumento da renda e mudança de opiniões sobre a sociedade e a política.[64][65] Outros estudos nos Estados Unidos também confirmam a relação entre maior padrão de vida - sem interferência do gênero, nível de instrução e idade - e participação na política - ao contrário da média da própria população que é mais apática segundo a CIA[66] por meio do voto facultativo, doações de campanha e de lobby, chegando a pensar e falar sobre política a maior parte do tempo como uma maneira de conter o avanço de pequenas empresas através de uma regulação menos federal, de coibir medidas contra a desigualdade social que minem a renda dos entrevistados, defendiam cortes com gastos de seguridade social inclusive as políticas de pleno emprego, auxílio-desemprego e de investimento na saúde ao contrário da opinião dos habitantes do país.[67] Eles também são são contra um salário mínimo que permita a sobrevivência através do contrato de trabalho, são contra o SUS inclusive através do aumento dos impostos - principalmente entre os razoavelmente ricos -, são contra a universalização do ensino superior e a maioria dos ricos defendem que não deva existir educação primária pública de qualidade ao contrário da média da população total.[67] Os ricos só concordam em alto grau com resto da população com relação ao ensino profissionalizante e em menor grau comparativamente ao grande público quando afirmam que o governo deva regular o mercado.[67] Proporcionalmente ao resto da população, menos ricos defendem o imposto de renda sobre empresas como a principal fonte de financiamento de programas de governo, uma regulação federal de empresas com ações na Bolsa de valores e na indústria de petróleo uma redistribuição de renda através de uma tributação progressiva.[67] Os ricos que eram advogados e médicos tendiam a ser mais de esquerda do que os que viviam do mercado financeiro e da posse de empresas, principalmente quando se referiam a preservação do meio ambiente, a ajuda humanitária, programas de bem-estar social e tributação progressiva e a grande maioria dos ricos apoiaram tanto o partido democrata como o republicano, em uma proporção superior ao resto da população.[68][67] Estudos no ramo da psicologia demonstram também que pessoas mais ricas tendem a serem mais sádicas[69] e os ricos com o melhor padrão de ensino defendem que a riqueza tem uma correlação com a virtude[70] assim como os direitistas,[71][72] apesar disso não se aplica a uma parcela relevante da elite que teve um acesso fraco ao ensino e de dependerem do saberes de seus trabalhadores.[73][74][75][76][77][78] Estudos comprovam uma correlação entre baixo estudo e a superestimação de seu próprio saber também entre a população rica.[79][80] Outros estudos reafirmam a correlação entre tempo de estudo dentre os eleitores do partido republicano e posições políticas mais conservadoras com relação a crença em teorias como a do aquecimento global antropogênico, ao contrário dos eleitores do partido democrata onde esta relação se inverte.[81][82]

Há também estudos que demonstram que entre os ricos conservadores, esta correlação entre preconceito contra o consenso científico e maior nível de educação se explica pelo fato de que a memória desta elite é seletiva,[83][84] e por isso que tendem a rejeitar menos mentiras[85] e demonstram serem mais facilmente receptivos ao discurso de seu políticos os eleitores do republicanos do que os dos democratas[86] além de estarem declaradamente em guerra de classe contra os menos favorecidos.[87][88] Outros estudos demonstram que a economia executada com base em um consenso artificial tende a gerar uma sociedade engessada e corrupta.[89] Além disso existem pesquisas recentes que demonstram que liberais e conservadores tendem a se esquivar de provas que rejeitam seu pensamento[90] e que formas precursoras de Inteligência Artificial são capazes de absolver preconceitos humanos.[91] O viés político atinge toda a política institucional nas políticas de guerra, nos gastos públicos, na política de conciliação de classes, no trato com relação ao Estado de Direito, com relação a corrupção, no trato as minorias nos direitos civis, no trato as liberdades individuais e humanos, políticas de privatização e de censura, políticas com relação as dívidas uma alteridade em relação ao comunismo de mercado chinês e políticas de concessão de favores a outros partidos.[92][93][94][95][96][97][98][99][100]

Argumentação dos autores clássicos[editar | editar código-fonte]

Segundo Bauman, o neoliberalismo também conhecido como fundamentalismo de livre-mercado tem uma pedagogia própria que defende a irrestrita responsabilidade individual e o darwinismo social,[101] sendo que isso se reflete em algumas instituições de ensino superior[102] em que o comando delas pré-formata e limita as possibilidades de ensino do professor de adaptar-se as circunstâncias sociais daquela comunidade e que dê autonomia de pensamento ao aluno sem se ancorar de forma enrijecida na linha de pensamento do colégio.[103][104] Estudos confirmam também o mal estar de acadêmicos em trabalharem para o ensino superior privado em uma situação similar ao do trabalhador braçal não-regulamentado.[105] O uso do termo genocídio no pós-Segunda Guerra Mundial geralmente é descrito como um uso excessivo de um viés político segundo o Edward Said[106] Para Said, a academia deve satisfazer o desejo de um engajamento do acadêmico na sociedade que está em ruínas,[107] e outros autores justificam esta afirmação dizendo que a democracia não é uma mercadoria e que necessita de uma formação mínima para que se possa atuar nela.[108][109][110] Segundo Kuhn, a quebra de paradigma apenas ocorre quando há um questionamento da estrutura social do pensamento vigente, o que apenas ocorre se a sociedade não estiver engessada.[111][112]

O ensino superior na maior parte dos casos está mais preocupado em alardear uma controversa possibilidade de pleno emprego em que valeria a pena o endividamento do que formar cidadãos conscientes e menos egoístas.[113][114][115][116][117][118][119][120][121][122][123][124][125][126][127][128] Segundo Ranciére, a suposta isenção política de uma universidade é feita para que as empresas negociem na arena política sem serem incomodadas.[129][130][131][132] Ainda segundo o autor anterior, a dissidência sistemática a um pensamento dominante remediaria esta problemática.[133] Também existem estudos confirmando a relação entre falta de ética - inclusive para apoiar uma guerra - e uma maior renda do indivíduo[134] e além disso segundo estudos médicos os ricos tendem a naturalizar mais as desigualdades sociais do que a média da população, afirmam em uma escala maior que que o mundo é justo e que apoiam mais medidas punitivas do que reabilitadoras, tendem a justificar a sua posição social com argumentos pré-concebidos[135] e a ensinar os seus filhos a colocar na frente os seus próprios interesses em detrimento do bem estar dos outros.[136][137][138][135]

Segundo Naomi Wolf, Umberto Eco e o resto da academia, uma das características do fascismo é a equivalência entre dissidência e traição, o controle da imprensa, a criação de um bode expiatório único e o acossamento do inimigo - ora descrito como forte - ora descrito como fraco e pobre.[139][140][141] Os autores Vladimir Lênin e Hilary Putnam apoia a visão que não existem anarquistas de verdade, pois isso seria incorrer no anacronismo em que o indivíduo é refém do viés político da sociedade,[142][143][144] sendo que segundo o primeiro Buda, o indivíduo sozinho não pode alterar o pensamento social sendo que a situação puiora quando se tenta fazer isso[145] e além disso José Martí afirmava que ninguém tem o direito de se tornar escravo da liberdade.[146]

Segundo Edward Said e outros autores, esse fato social prospera[147] em um contexto de grande concentração da mídia mundial que embutem discursos oficiais em suas narrativas de mídia que são promovidas indiretamente de forma mais intensa do que o próprio discurso oficial para satisfazer seus anunciantes[148][149] com o uso de eufemismos para tentar reduzir o teor aparente do viés político, trocando conceitos como guerra por intervenção humanitária de forma que o linguajar fique aprazível ao grande público de maneira simplista.[150][151]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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  139. Fascist America, in 10 easy steps
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  141. Umberto Eco Makes a List of the 14 Common Features of Fascism
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  147. Fake news: an insidious trend that's fast becoming a global problem
  148. These 6 Corporations Control 90% Of The Media In America
  149. The propaganda model revisited
  150. Force and Opinion
  151. Libya: Examination of intervention and collapse and the UK’s future policy options

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Sites que pretendem averiguar consensos políticos[editar | editar código-fonte]