Gatekeeping

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Gatekeeping é um conceito jornalístico para edição. Gate keeper é aquele que define o que será noticiado de acordo como valor-notícia, linha editorial e outros critérios.

Gatekeeper também pode ser entendido como o "porteiro" da redação. É aquela pessoa que é responsável pelo filtragem da notícia, ou seja, ela vai definir, de acordo com critérios editoriais, o que vai ser veiculado. Com a efervescência e até um certo modismo da prática do jornalismo colaborativo, a função do gatekeeper tem sofrido alterações. A audiência cada vez menos passiva e mais participativa deixa a figura do mesmo menos centralizada, mas sem perder a importância na estrutura da construção da notícia.

A metáfora do gatekeeper[editar | editar código-fonte]

A teoria do Gatekeeper surgiu pela primeira vez no ano de 1947, criado pelo psicólogo alemão Kurt Lewin, a partir de suas observações que levantam a possibilidade da mudança de hábitos alimentares de uma população. Lewin presumiu que nem todo membro de uma comunidade dispõe de igual prestígio para escolher entre quais alimentos vão ou não para a mesa, ao perceber que nos canais por onde escorrem a sequência de comportamentos, certo regiões podem funcionar como cancelas ou porteiros restringindo ou não a passagem dos itens alimentícios.

Já em 1949, David Manning White trás essa mesma teoria para as pesquisas em comunicação, para tentar compreender como ocorrem o filtro das notícias nas redações dos veículos de comunicação de Massa, para tanto, ele cria a metáfora do Mr.Gates, um jornalista de meia idade, com aproximadamente 25 anos de experiência, que atua na cidade de Midwest, nos EUA, e que tem diariamente a missão de selecionar entre as milhares de notícias que chegavam de uma agência, as que seriam publicadas em um jornal.

O processo de gatekeeping na atualidade[editar | editar código-fonte]

A expressão gatekeeping apareceu pela primeira vez relacionada ao contexto da comunicação nos anos 1950[1] , mas ainda no século XXI é aplicável à realidade da seleção de notícias. A diferença básica entre este e aquele tempo é, entretanto, a dimensão que essas escolhas tomaram[2] . Com a popularização do uso da internet, em âmbito mundial, muito tem se discutido sobre o trâmite de informações nas novas redes de relacionamento, sites de pesquisa e empresas que veiculam conteúdo online. Para o jornalismo, essa popularização da tecnologia pode ter até redefinido as regras do ofício, mas, segundo Bill Kovach e Rosenstiel [3] , os princípios e a finalidade do jornalismo ainda têm sido designados por algo mais elementar: “a função exercida pelas notícias na vida das pessoas”.

A seleção e a construção das informações[editar | editar código-fonte]

Em entrevista para à Nieman Foundation [4] o analista de notícias Ken Doctor disse acreditar que o papel dos gatekeepers sofreu grandes transformações com a era digital. "Ele mudou do "nós" para "eles", mas "eles" inclui uma versão em letras minúsculas de "nós", inclusive". Para Ken Doctor, gatekeeping é agora uma busca coletiva, e na "Era darwiniana do conteúdo" ele acredita que um editor não é editor apenas de seu próprio conteúdo, mas também do conteúdo dos outros. E desse modo seria importante repensar as atitudes da mídia, como veículo informacional, já que, segundo Walter Lippmann, o povo só conhece o mundo de forma indireta, através de "imagens que forma em sua cabeça". Para ele os cidadãos são como espectadores de teatro que "chegam depois do terceiro ato e vão embora antes da última cortina, ficando no local apenas o tempo suficiente para decidir quem é o herói e quem é o vilão"[5] .


As narrativas na Web[editar | editar código-fonte]

Bill Kovach e Tom Rosentiel dizem ainda que "cada geração cria seu próprio jornalismo", mas que sua finalidade não muda [6] . Com as novas ferramentas disponibilizadas na internet não se pode ignorar, por exemplo, a capacidade de inclusão de informações em um blog, a rapidez com que se pode atualizar o conteúdo nas mídias digitais ou a possibilidade de linkar diversos assuntos em um mesmo texto. Transformações que possibilitaram que o jornalismo ganhasse novas facetas, podendo trabalhar diferentemente com os elementos da narrativa que o constituem.

Com um maior espaço para a difusão de informações hoje é possível promover a enunciação (forma de organização e apresentação do objeto narrado) de modo mais dinâmico e interativo, se utilizando de links associados a textos, de imagens e até vídeos. Sobre a questão do sujeito (posicionamento quanto ao tema), na internet, os blogs aparecem como um mecanismo que dá vazão à expressão multifacetada de quem os escreve, sendo muito comum encontrar blogs de um mesmo interlocutor que fala em nome de outras vozes. Já no campo do enunciado (o que é falado), o redimensionamento espacial trazido pelas novas tecnologias da comunicação permitiu que a escolha das notícias pudesse ser muito mais ampla, embora os grandes sites de busca ainda sejam criticados nesse sentido.

E já que, segundo Gans, as estruturas narrativas desempenham um papel na seleção e construção das notícias, “toda história deve ter estrutura e conflito, problema e desfecho, ação crescente e ação decrescente, um começo, um meio e um fim” [7] , o que é levado em consideração para a seleção de notícias na Web e nos mais antigos meios de comunicação.

Referências

  1. WHITE, D M (1950). “The ‘Gatekeeper’: A Case Study in the Selection of News”. Journalism Quaterly, vol. 27, n. 4, p.382-394.
  2. NY Times
  3. Kovach e Rosenstiel, Os elementos do jornalismo, 2003, p. 30
  4. Nieman Lab
  5. Walter Lippman, The Essential Lippman, editores Clinton Rossiter e James Lare (Nova York: Random House, 1963) p.108
  6. Kovach e Rosenstiel, Os elementos do jornalismo, 2003, p. 33
  7. Epstein, 1973, p.153

Ligações externas[editar | editar código-fonte]