Relações públicas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wikitext.svg
Esta página ou seção precisa ser wikificada (desde fevereiro de 2014).
Por favor ajude a formatar esta página de acordo com as diretrizes estabelecidas.
Lang-pt.gifGnome-globe.svg
Esta página ou seção está redigida sob uma perspectiva principalmente lusófona e pode não representar uma visão mundial do assunto.
Por favor aperfeiçoe este artigo ou discuta este caso na página de discussão.

Relações Públicas, em comunicação, é o conjunto de atividades informativas, coordenadas de modo sistemático, relacionadas ao intercâmbio de informações entre um indivíduo, organização (público ou privada), ou uma organização não governamental e seu público.[1] As RPs destinam-se a estabelecer e manter o equilíbrio e o bom entendimento entre as duas partes e por vezes expandir ou estabilizar a imagem e/ou identidade da instituição ativa perante a opinião pública.[2][3]

Relações Públicas ou relações-públicas (grafado com o hífen) designam respectivamente também a profissão e o profissional desta atividade.[4][3]

A Associação Brasileira de Relações Públicas propôs em 1955 o seguinte conceito para a profissão: "Relações Públicas é a atividade e o esforço deliberado, planejado e contínuo para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma instituição pública ou privada e os grupos de pessoas a que esteja, direta ou indiretamente, ligada".[5]

Origem[editar | editar código-fonte]

Ruínas de Ludlow após o massacre

Tido como o pai das Relações Públicas, o jornalista Ivy Ledbetter Lee‎ tornou-se assessor do ilustre John D. Rockefeller em 1914 e se projetou como grande profissional durante seu trabalho para a Pennsylvania Railroad Company, representando também toda a família Rockefeller.

Naquele momento, a tradicional família ligada ao petróleo estava sendo muito criticada pela opinião pública por conta do conflito entre mineiros e as forças militares do colorado que ficou conhecido como o Massacre de Ludlow. O conflitou resultou na morte de 19 a 26 pessoas, incluindo duas mulheres e 11 crianças.[6] Lee alertou à Família Rockefeller que eles estavam perdendo suporte popular e desenvolveu uma estratégia para Rockefeller Junior executar, a fim de recuperar seu prestígio com a classe trabalhadora. Parte do plano elaborado por Lee foi enviar Junior pessoalmente para conversar com os mineradores e suas famílias, inspecionar suas condições de trabalho, suas casas, e especialmente ouvir suas queixas pessoais. A estratégia atraiu a atenção da mídia, que passou a divulgar uma versão mais humanizada da Família Rockefeller. [7]

Lee também criou o que chamamos atualmente de press release, elaborou a filosofia de uma via de duas-mãos entre instituições e o público[8] e publicou uma declaração de princípios, que dizia que trabalhos de Relações Públicas deveriam cobrir tópicos de interesses públicos.[9][10]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O primeiro Departamento de Relações Públicas, com essa denominação, criado no Brasil surgiu em 30 de janeiro de 1914. Pertencia à "Light" (The Light and Power Co. Ltda.), companhia canadense estabelecida no Brasil e concessionária da iluminação pública e do transporte coletivo da cidade de São Paulo (SP). A direção desse Departamento de Relações Públicas foi entregue ao engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo. A Lei nº 7.197, de 14 junho de 1984, concedeu-lhe o título de pioneiro das Relações Públicas no Brasil, e estabeleceu o aniversário de seu nascimento, dia 2 de dezembro, como o Dia Nacional das Relações Públicas.

Em 21 de julho de 1954, na sede do Instituto de Organização Racional do trabalho (IDORT), também  em São Paulo, foi fundada a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP), por 27 estudiosos e praticantes de Relações Públicas. Sua primeira diretoria foi a seguinte: presidente, Hugo Barbieri; vice-presidente, Ubirajara Martins; secretário geral, Mey Nunes de Souza; primeiro-secretário, Álvaro Roberto Mendes Gonçalves; primeiro tesoureiro, Jonas Snyder; segundo tesoureiro, Nelson Ramos Nóbrega; conselho consultivo: Murilo Mendes, Anibal Bonfim e Ignácio Penteado da Silva Telles.

O primeiro curso universitário foi criado em 16 de junho de 1966, na Escola de Comunicação e Cultura da Universidade de São Paulo, que, em 1969, passou a se chamar Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP).[11]

A partir de 11 de dezembro de 1967, a profissão passou a ser regulamentada no país pela Lei nº 5377 (regulamentada pelo Decreto nº 63.283, de 26 de setembro de 1968). Novos trabalhos foram sendo desenvolvidos para organizar a efetivação da legislação. Foi estabelecido então o Sistema CONFERP, formado pelo Conselho Federal e pelos Conselhos Regionais de Relações Públicas. Sua criação ocorreu em 11 de setembro de 1969, pelo Decreto-Lei nº 860, e sua regulamentação aconteceu em 4 de maio de 1971, pelo Decreto nº 68.582/71. Definiu-se, desta forma, que somente podem exercer a profissão no Brasil os indivíduos formados em curso superior de Relações Públicas (ou equivalente no exterior, com o diploma devidamente reconhecido no Brasil) e que estejam registrados em seu respectivo Conselho Regional, bem como pessoas que exerciam funções de RP como atividade principal em caráter permanente pelo prazo mínimo de 2 anos, e que ainda sejam sócio titulares da Associação Brasileira de Relações Públicas por igual período.[12]

Em 1985 o Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas emitiu um código de ética sobre os princípios fundamentais da profissão. [13]

Principais atividades de relações públicas[editar | editar código-fonte]

Consideram-se atividades principais de Relações Públicas:

  • Assessoria: Sugere à alta administração políticas para os setores da organização que trabalham com a opinião pública.
  • Pesquisa: Realiza todas aquelas pesquisas que entende necessárias para respaldar o seu trabalho.
  • Planejamento: Elabora planos, programas e projetos de relações públicas e requisita recursos humanos, materiais e físicos para a sua execução.
  • Execução: Realiza todos os trabalhos concernentes à divulgação jornalística, comunicação com os públicos e eventos.
  • Avaliação: avalia o resultado dos trabalhos desenvolvidos, empregando técnicas de pesquisa.

Embora a legislação determine que essas atividades são pertencentes à profissão denominada relações públicas, sabemos que nem todas elas são exercidas por profissionais dessa área. Existem setores como recursos humanos, relações industriais, marketing e outros que se apropriam de algumas dessas atividades.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

A Associação de Relações Públicas de Portugal é o órgão responsável por representar a profissão em Portugal. [carece de fontes?]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
O Wikcionário possui o verbete relações públicas.

Referências

  1. Grunig, James E; Hunt, Todd (1984), Managing Public Relations (6th ed.), Orlando, FL: Harcourt Brace Jovanovich 
  2. Rone Amorim: Curso de Relações Públicas do Idort, março de 1956, São Paulo.
  3. a b “relações-públicas” In Infopédia (Em linha). Porto Editora, 2003-2014. Consultado 2014-02-04.
  4. “relações-públicas”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (em linha), 2008-2013, consultado em 04-02-2014.
  5. (Art. 1º do Regulamento da Lei nº 5.377/1967).
  6. Watner, Carl (1999). I Must Speak Out: The Best of The The Voluntaryist 1982 - 1999 (San Francisco, CA: Fox & Wilkes). p. 258. ISBN 0930073339. 
  7. Robert L. Heath, ed.. Encyclopedia of public relations (2005) 1:485
  8. Stuart M Levy (January 1, 2006). Public Relations & Integrated Communications Lotus Press [S.l.] p. 2. ISBN 978-81-8382-074-5. Consultado em 5 de agosto. 
  9. Barbara Diggs-Brown (August 11, 2011). Strategic Public Relations: An Audience-Centered Practice Cengage Learning [S.l.] p. 40. ISBN 978-0-534-63706-4. Consultado em 5 de agosto, 2016. 
  10. O'Brien, Timothy (Feb 13, 2005). «Spinning Frenzy: P.R.'s Bad Press». The New York Times [S.l.: s.n.] Consultado em 5 de agosto, 2016. 
  11. http://www.sinprorp.org.br/clipping/2008/043.htm
  12. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L5377.htm
  13. http://www.sinprorp.org.br/Codigo_de_etica/001.htm