Spin doctor

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Spin doctor é uma das atuais formas de descrever a atuação de um especialista em assessoria de imprensa, relações públicas e comunicação política, mas também pode ser um perito em marketing eleitoral, porta-voz de um partido político, perito em sondagens, comentador político ou outros técnicos de comunicação ao serviço de partidos ou de governos. São também vistos como agentes políticos que, geralmente, atuam nos bastidores do poder.

Foi durante a corrida eleitoral de Ronald Reagan à Casa Branca (contra Walter Mondale, em 1984, mais concretamente no dia do segundo debate televisivo, a 21 de outubro) que um colunista de política do The New York Times, William Safire, usou pela primeira vez o termo spin doctor.

Este foi o primeiro parágrafo do texto de William Safire (1984):

"Tonight at about 9:30, seconds after the Reagan-Mondale debate ends, a bazaar will suddenly materialize in the pressroom of the Kansas City Municipal Auditorium. A dozen men in good suits and women in silk dresses will circulate smoothly among the reporters, spouting confident opinions. They won’t be just press agents trying to impart a favourable spin to a routine release. They’ll be the spin-doctors, senior advisers to the candidates, and they’ll be playing for very high stakes. How well they do their work could be as important as how well the candidates do theirs."[1]

Durante as décadas de 80 e 90, quando um comentador, jornalista, ativista ou político pretendia apelidar pejorativamente um assessor de imprensa político chamam-lhe, quase invariavelmente, spin doctor ou referia o spin ou o spinning da sua ação. O docente da Universidade do Porto, Vasco Ribeiro, é um dos investigadores que tem vindo a estudar este tema e define spin doctoring da seguinte forma:

"O spin doctoring é a projeção positiva para o espaço público de um determinado sujeito ou ação, através das mais sofisticadas e atualizadas técnicas de manipulação e persuasão. Neste processo destacam-se os media como canal preferencial para a distribuição e indução de mensagens, tendo como motor o relacionamento interpessoal com os jornalistas."[2]  

Todavia, em Portugal, a investigadora e docente da Universidade Nova de Lisboa, Estrela Serrano, foi a primeira a questionar e a apelar para uma melhor compreensão do modelo de atuação destes técnicos no processo de construção de opinião pública[3] , assim como, no Brasil, se destaca o pioneiro trabalho de investigação da autoria da dupla de investigadores da Universidade Federal de Santa Catarina - Aldo António Schmitz e Francisco José Karam [4] . De destacar, por fim, o artigo desenvolvido pelo docente e investigador da Universidade da Beira Interior, Helder Prior, que estuda estes atores políticos nos processos eleitorais[5] .

Breve História[editar | editar código-fonte]

O spin doctoring não é um fenómeno novo[6] . Há autores que o consideram como "a propaganda da passagem do milénio, embora enriquecida com as mais atuais, eficazes e, por vezes, dispendiosas técnicas de comunicação"[7] . O termo spin doctoring nasce com Willian Safire, em 1984, mas parece ter nítido embrião na forma como, em 1910, Ivy Lee se definia – doctor of publicity; e no termo “spin” que James Reston usava sistematicamente nos seus textos no New York Times de análise política do presidência de Eisenhower, em meados de 1950, numa analogia à técnica usada no basebol. Na gíria deste desporto, spin significa colocar efeito na bola numa tentativa de enganar o adversário. Reston limitou-se a utilizar um termo que usava no seu início de carreira jornalística, pois foi, durante os anos 30, jornalista de basebol no jornal onde só mais tarde, em 1950, e em consequência de ter ganho o Pulitzer Prize, assumiu funções de correspondente de política em Washington.[8]

O termo ganha dimensão planetária com a atuação dos assessores de imprensa de Ronald Reagan - Michael Deaver e David Gergen, e, mais tarde no Reino Unido, com os homólogos de Tony Blair - Peter Mandelson e Alastair Campbell.

"O spin doctoring revela grandes resultados para quem o aplica, o que se explica, por um lado, pelo facto de as empresas de comunicação social dependerem cada vez mais de informações e eventos produzidos exclusivamente para elas; e, por outro, pelo facto de esta atividade contornar as já gastas, obsoletas, redundantes e pouco eficazes técnicas tradicionais de assessoria de imprensa (conferências de imprensa, press releases, press kits, etc...). Daí que o spin doctoring tenha vindo a perder a carga negativa e seja utilizado não só para promover políticos, partidos e governos, mas também empresas, marcas e produtos"[9] .

Obras sobre spin doctoring[editar | editar código-fonte]

  • MALTESE, John A., 1992 - Spin control: The white house iffice of communications and the management of presidenctial news. Chapel Hill and London: The University of North Carolina Press.
  • KURTZ, Howard, 1998 - Spin cycle: How the white house and the media manipulate the news. New York: Touchstone.
  • JONES, Nicholas, 1995 - Soundbites and spin doctors: How politicians manipulate the media and vice versa. London: Indigo.
  • HOLLINGSWORTH, Mark, 1997 - The ultimate spin doctor: The life and fast time of tim bell. London: Coronet Books.
  • JONES, Nicholas, 1999 - Sultans of spin: The media and the new labour government. London: Victor Gollancz.
  • PRESS, Bill, 2001 - Spin this! New York: Pocket Books.
  • PRINCE, Lance, 2005 - The spin doctor's diary: Inside number 10 with new labour. London: Hodder & Stoughton.
  • MOORE, James, & SLATER, Wayne, 2007 - The architect: Karl rove and the dream of absolute power. New York: Thress Rivers
  • STOCKWELL, Stephen Edward, 2007-  Spin doctors, citizens and democracy. In S. Young (Ed.), Government communication in australia (pp. 130-143). Melbourne: Cambridge University Press.
  • SELLERS, Patrick, 2010 - Cycles of spin: Strategic communication in the u.S. Congress. Cambridge: Cambridge University Press.

Em Português:

  • TRAQUINA, Nelson, 1993-  'Introdução Geral'. In N. Traquina (Ed.), Jornalismo: Questões, teorias e "estórias" (pp. 167-176). Lisboa: Vega.
  • SERRANO, Estrela, 2010-  Spin doctoring e profissionalização da comunicação política. In J. C. Correia, G. B. Ferreira & P. Espírito Santo (Eds.), Conceitos de comunicação política (pp. 91-98). Covilhã: LabCom Books.
  • RIBEIRO, Vasco, 2009 - Fontes sofisticadas de informação: Análise do produto jornalístico político da imprensa nacional diária de 1995 a 2005. Lisboa: Formal Press.
  • SCHMITZ, Aldo António, & KARAM, Francisco José C. (2013). Os spin doctors e as fontes das notícias, Brazilian Journalism Research (Vol. 9, pp. 98-115).
  • RIBEIRO, Vasco, 2013 - O spin doctoring em portugal: Estudo sobre as fontes profissionais de informação que operam na assembleia da república. (tese de doutoramento), Universidade do Minho, Braga.

Em Espanhol:

  • AIRA FOIX, Toni, 2009 - Los spin doctors. Cómo mueven los hilos los asesores de los líderes políticos. Barcelona: Editorial UOC.
  • MONTAÑA CABACÉS, Jordi (2009). Los spin doctors y los gabinetes de comunicación, como un obstáculo para el periodiosmo especializado en política, I Congreso Internacional Latina de Camunicacion Social (pp. 1-9). Tenerife: Universidade de La Laguna.
  • PRIOR, Hélder, 2013-  Spin doctors: De la política mediática e la política del negativo en las campañas electorales. In I. Crespo & J. d. Rey (Eds.), Communicación política & campañas electorales em américa latina (pp. 127-137). Barcelona: Editorial Biblios / Politeia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. (1984-10-21) "THE DEBATE AND THE SPIN DOCTORS". The New York Times. ISSN 0362-4331.
  2. RIBEIRO, Vasco, 2015 - O spin doctoring em portugal: Perspectivas de governantes, jornalistas e assessores de comunicação que operam na assembleia da república. Observatório (OBS*) Journal, 9(2), 225-256.. Visitado em 2015-06-30.
  3. Spin doctoring e profissionalização da comunicação pol%C3%ADtica - Google Académico scholar.google.pt. Visitado em 2015-07-01.
  4. Karam, Francisco José; Aldo Antonio. (2013/06/30). "Os spin doctors e as fontes das notícias" (em pt). Brazilian Journalism Research 9 (1): 98-115. ISSN 1981-9854.
  5. Spin doctors : de la política mediática a la política del negativo en las campañas electorales. Visitado em 2015-07-01.
  6. Karam, Francisco José; Aldo Antonio. (2013/06/30). "Os spin doctors e as fontes das notícias" (em pt). Brazilian Journalism Research 9 (1): 98-115. ISSN 1981-9854.
  7. Spin doctoring in Portugal. A study of professional sources of information operating in the Portuguese Parliament. O spin doctoring em Portugal: Estudo sobre as fontes profissionais de informação que operam na Assembleia da República. Visitado em 2015-07-01.
  8. The spin doctoring in Portugal: Perspectives of political leaders, journalists and press secretaries operating in the Portuguese Parliament. Visitado em 2015-06-30.
  9. Spin doctoring in Portugal. A study of professional sources of information operating in the Portuguese Parliament. O spin doctoring em Portugal: Estudo sobre as fontes profissionais de informação que operam na Assembleia da República. Visitado em 2015-06-30.