Diplomacia pública

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Diplomacia pública (do inglês public diplomacy), no âmbito das Relações Internacionais, é a comunicação com públicos no estrangeiro para estabelecer um diálogo que serve para informar e influenciar estes públicos. Não existe uma definição única do termo, sendo ele mais fácilmente descrito do que definido, uma vez que definições mudam ao longo do tempo. Diplomacia Pública é praticada através de vários instrumentos e métodos, que vão desde o contacto pessoal e entrevistas nos "media" à Internet e intercâmbios educativos.

Origem e definições[editar | editar código-fonte]

No seu essay "'Public Diplomacy' Before Gullion: The Evolution of a Phrase", Nicholas J. Cull do USC Center of Public Diplomacy escreveu que "a primeira utilização do termo 'public diplomacy' não é americana mas sim encontra-se num editorial da The Times em janeiro de 1856. É utilizado meramente como sinónimo para a civildade numa parte que critica o maneirismo do Presidente Franklin Pierce". Cull destaca que Edmund Gullion, reitor da Fletcher School of Law and Diplomacy na Tufts University e um notável funcionário reformado americano do Serviço de Relações Exteriores estadounidense, "foi o primeiro a usar a expressão no seu sentido moderno"[1]. Em 1965, Gullion fundou o Edward R. Murrow Center of Public Diplomacy, e Cull escreve que "uma brochura do Murrow Center forneceu um resumo conveniente do conceito de Gullion:

"Diplomacia pública… trata da influência de opiniões públicas sobre a formação e a execução de políticas externas. Engloba as dimensões das relações internacionais além da diplomacia tradicional; a cultivação das opiniões públicas nos países estrangeiros por parte dos governos; a interação de grupos privados e interesses de um país com outro; a comunicação de relações exteriores e o impacto delas na política; a comunicação entre aqueles que são responsáveis para a mesma, sendo diplomatas e correspondentes estrangeiros; e o processo da comunição intercultural."[1]

Com o tempo, o conceito e a definição foram evoluidos por vários profissionais. Outras definições e descrições incluem:

"O papel mais importante que a diplomacia pública terá para os Estados Unidos no atual ambiente será menos estratégico e mais operacional do que foi durante a Guerra Fria. O apoio da política nacional nos casos de emergência militares é um tal papel e provavelmente o mais importante." - Carnes Lord (ex-deputado diretor da USIA, professor de 'statecraft and civilization'), outubro de 1998[2]

"Diplomacia pública – comunicar efetivamente com públicos no mundo – perceber, valorizar e até emular a visão e as ideias de América; historicamente uma das armas mais eficazes de América quanto às atividades de sensibilização, à persuasão e à política." - Jill A. Schuker (ex-diretor principal de assuntos públicos do Concelho de Segurança Nacional Americano), Julho de 2004[2]

"Diplomacia pública pode ser definida, simples, como a conduta de relações internacionais por governos através dos media de comunicação pública e lidando com uma variedade de entidades não-governamentais (partidos políticos, empresas multinacionais,associacões de comércio, uniões laborais, institutos de educação, instituições religiosas, grupos étnicos etc. incluindo individuos influentes) com o fim de influenciar as políticas e as ações de outros governos." - Alan K. Henrikson, Professor of Diplomatic History, April 2005.[2]

"Diplomacia pública, que tradicionalmente representa as ações de governos para influenciar públicos estrangeiros no âmbito do processo da política exterior hoje em dia tem expandido – tanto por accidente quanto por desenho – até além dos governos, incluindo agora os media, empresas multinacionais, ONGs e organzações religiosas como intervenientes ativos neste campo." - Crocker Snow Jr., Diretor no Edward R. Murrow Center, Maio de 2005.[2]

"Diplomacia pública refere-se aos programas fundados pelo governo que servem para informar ou influenciar a opinião pública noutros países; os seus instrumentos principais são publicações, filmes, intercâmbios culturais, rádio e televisão." - U.S. Department of State, Dictionary of Interational Relations Terms, 1987, p. 85<ref>Public diplomacy - what it is and is not</ref>

"A Agência de Informação dos Estados Unidos (United States Information Agency (USIA)), que foi a principal agência responsável pela diplomacia pública até ter sido unido com o Departamento de Estado em 1999, descreveu-o assim: "Diplomacia pública pretende promover o interesse e a segurança nacionais dos Estados Unidos de América através da percepção, da informação e da influência nos públicos estrangeiros e através de expandir o diálogo entre os cidadãos e as instituições americanos e os seus contrapartes no estrangeiro."[3]

O "Planning Group for Integration of USIA into the Dept. of State" (20 de Junho de 1997) fornece a seguinte definição da diplomacia pública: "Diplomacia pública pretende promover o interesse nacional dos Estados Unidos de América por meio de perceber, informar e influenciar audiências estrangeiras"[3]

Segundo Hans N. Tuch, autor de "Communicating With the World" (St. Martin’s Press, Nova Iorque, 1990), Diplomacia pública é definido como: "Esforços oficiais governamentais para definir o ambiente da comunicação com o estrangeiro no qual a política exterior americana é feita, a fim de reduzir o grau de malentendimentos e más percepções que complicam as relações entre os Estados Unidos de América e outras nações."[3]

A diplomacia clássica pode ser definida como a maneira de os líderes governamentais comunicarem um com os outros aos mais altos níveis, i.e. a diplomacia de elites que conhecemos todos. No entanto, a diplomacia pública focaliza-se nas maneiras de um país (ou uma organização multilateral como as Nações Unidas) comunicar com os cidadãos noutras sociedades.[4] Um país pode agir deliberadamente ou inadvertidamente, e através de indivíduos e instituições tanto oficiais quanto privados. Uma diplomacia pública eficaz começa por partir do princípio que em vez do discurso de vendas, é o diálogo que é central para atingir as metas da política exterior: a diplomacia pública deve ser percebida como uma via de dois sentidos. Além disso, as atividades de diplomacia pública muitas vezes representam perspectivas diferentes, da forma como é representado por indivíduos privados americanos e organizações além das perspectivas oficiais do governo estadounidense.[3]

A diplomacia tradicional junta ativamente um governo com outro. Na diplomacia tradicional, os funcionários da embaixada dos Estados Unidos representam o governo estadounidense num país anfitrião principalmente através de manter relações e gerir os negócios governamentais com os funcionários do governo anfitrião, enquanto a diplomacia pública principalmente une vários elementos não-governamentais duma sociedade.[3]

Filmes, televisão, música, desporto, jogos de vídeo e outras atividades sociais e culturais são consideradas formas eminentemente importantes pelos defensores da diplomacia pública para os diversos cidadãos perceberem um ao outro, e integrais para o entendimento cultural international, que, segundo eles, e um objetivo essencial das estratégias modernas da diplomacia pública. Envolve a definição das mensagens que um país deseja presentar no estrangeiro, e também a análise e o conhecimento das maneiras de várias sociedades interpretarem as mensagens e o desenvolvimento das ferramentas de escuta e conversação assim como as ferramentas de persuasão. Uma das iniciativas melhor sucedidas que representam uma diplomacia pública eficaz é a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço por tratado internacional nos anos 50 do século XIX, a que logo se tornou a União Europeia. Depois da 2a Guerra Mundial, o seu propósito original foi ligar as economias europeias para impossibilitar uma nova guerra. Os defensores da Integração Europeia afirmam que atingiu a sua meta e também tem o mérito de ter aumentado o entendimento internacional, uma vez que os países europeus fizeram mais negócios juntos e os laços entre os cidadãos dos estados membros ficaram mais fortes. Os adversários da Integração Europeia criticam uma perda de soberania nacional e o aumento da centralização do poder.

Por décadas, a diplomacia pública constitutiu um elemento essencial da política exterior dos Estados Unidos. Foi uma ferramenta importante para influenciar a opinião pública durante a Guerra Fria com a antiga União Soviética. Desde os ataques do dia 11 de setembro de 2001, a expressão ressurgiu enquanto o governo estadounidense pretende melhorar a sua reputação no estrangeiro, particularmente no Médio Oriente e no Mundo Islâmico. Vários páneis, incluindo auqeles fundados pelo Concelho de Relações Estrangeiras estadounidense (Council of Foreign Relations) avaliaram os esforços americanos no âmbito da diplomacia pública desde o 9/11 e publicaram relatórios que recomendam os Estados Unidos tomarem várias medidas para melhorarem a efetividade da sua diplomacia pública.

A Comissão Consultiva dos Estados Unidos para a Diplomacia Pública (United States Advisory Commission on Public Diplomacy) foi criada nos anos 40 do século XX para avaliar os esforços americanos na diplomacia pública. A Comissão é constituida por 7 sete membros que são nomeados pelo Presidente e aprovados pelo Senado dos Estados Unidos. O atual Presidente do Concelho é William Hybl, outros membros incluem os antigos embaixadores Lyndon Olson e Penne Percy Korth Peacock, assim como Jay Snyder, John E. Osborn and Lezlee Westine. Em 2008, a Comissão publicou um relatório titulado „Getting the People Part Right“, que criticou as políticas de pessoal e as práticas de contratação, de formação e da promoção de funcionários de assuntos públicos e diplomacia pública feitas pelo Departamento de Estado. O relatório chamou atenção significativa e foi sujeito à audiência do Senado.

Este conceito tradicional é expandido, tencionando adotar os „population-centric foreign affairs“, o qual as populações estrangeiras consideram componente central da política exterior. Uma vez que são as pessoas, e não só os estados, que têm importância global num mundo no qual a tecnologia e a migração são aspetos importantes para todos, manifestam-se possibilidades inteiramente novas para a política.[5]

Métodos[editar | editar código-fonte]

Existe um elevado número de métodos e instrumentos usados no âmbito da diplomacia pública. Nicholas J. Cull divide a prática em cinco elementos: audição, defesa argumentativa, diplomacia cultural, diplomacia de intercâmbio e radiotelevisão internacional.[6]

Métodos como o contacto pessoal, emissoras radiotelevisivas como a „The Voice of America“, „Radio Free Europe“ e „Radio Liberty“[7], programas de intercâmbio como o Fulbright e o International Visitor Leadership program, artes e apresentações no estrangeiro e o uso da Internet são instrumentos para praticar diplomacia pública, dependendo da mensagem que se pretende emitir e do público com o qual se pretende comunicar.[8]

Leitura Adicional[editar | editar código-fonte]

  • Justin Hart, Empire of Ideas: The Origins of Public Diplomacy and the Transformation of US Foreign Policy. New York: Oxford University Press, 2013.
  • Philip M. Taylor, "Public Diplomacy and Strategic Communications", in: Nancy Scnow and Philip M. Taylor (eds.), Routledge Handbook of Public Diplomacy. Routledge, 2008.
  • B. Xharra and M. Wählisch, Beyond Remittances: Public Diplomacy and Kosovo's Diaspora, Foreign Policy Club, Pristina (2012). Abstract.

Referências

  1. a b Cull, Nicholas (Apr 18, 2006). "'Public Diplomacy' Before Gullion: The Evolution of a Phrase". USCPublicDiplomacy. University of Southern California. Retrieved September 26, 2014.
  2. a b c d The Edward R. Murrow Center - The Fletcher School - Tufts University
  3. a b c d e Public diplomacy - what it is and is not
  4. USC Center on Public Diplomacy
  5. http://www.crisisproject.org Arquivado em 12 de agosto de 2008, no Wayback Machine. Transnational Crisis Project
  6. The ANNALS of the American Academy of Political and Social Science 2008 616: 31, Nicholas J. Cull Public Diplomacy: Taxonomies and Histories
  7. Tuch, Hans N., Communicating with the World: U.S. Public Diplomacy Overseas, New York: St. Martin’s Press, 1990, capítulo 1, pp.3-11
  8. Kiehl, America’s dialogue with the world, Public Diplomacy Council, 2006

Ligações externas[editar | editar código-fonte]