Teocentrismo

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Teocentrismo (do grego θεóς, theos, "Deus"; e κέντρον, kentron, "centro") é a filosofia ou doutrina que considera Deus o fundamento de toda a ordem no mundo.[1] Nesta visão, o significado e o valor das ações feitas às pessoas ou ao ambiente são atribuídas a Deus. Os princípios do teocentrismo, como a humildade, o respeito, a moderação, a abnegação e a atenção, pode levar a uma forma de Ambientalismo.[2] A Idade Média pode ser denominada teocêntrica porque todas as suas ideias giravam em torno de Deus, o Deus da Revelação judaico-cristã e não o "Deus dos Filósofos".[3]

Teologia[editar | editar código-fonte]

O Pai, o Filho e o Espírito Santo na pintura O batismo de Cristo, de Francesco Albani (1578–1660)

Em teologia cristã, o teocentrismo às vezes foi usado para descrever teologias que se concentram no Deus Pai, em oposição àquelas que se concentram em Cristo (cristocêntrico) e no Espírito Santo. O teocentrismo foi um elemento-chave da cristologia de Santo Agostinho.[4]

Este ponto de vista encontra resistência entre alguns teólogos que alegam que ele representa um desafio para a trindade. Um desses teólogos é Carl Baaten que disse: "Se podemos falar de Deus, que é realmente Deus à parte de Cristo, na verdade não há razão para a doutrina da Trindade. Algum tipo de unitarianismo vai fazer o trabalho."[5] Paul F. Knitter, em sua defesa, como cristão teocêntrico, disse que isso depende de como a unidade entre Deus e Jesus Cristo é vista dentro da trindade. Ele diz que, "não podemos tão bem ou exclusivamente afirmar que o logos/Cristo é Jesus. A ação de 'encarnar' do Logos é atualizada mas não restrita a Jesus. Deus se manifestou e é Jesus de Nazaré e este é o único e verdadeiro Deus".[6]

No entanto, o termo pode ser confuso porque teocentrismo também pode se referir a uma teologia que não se centra em qualquer pessoa da Trindade, mas sim enfatiza a Divindade como um todo. Teologias que se concentram no Pai são muitas vezes referidos como "paternocentricas".[7] foi cristologia de Santo Agostinho.

Referências

  1. Marisa Trench de Oliveira Fonterrada (2004). Música E Meio Ambiente Irmãos Vitale [S.l.] p. 98. ISBN 978-85-7407-177-0. 
  2. Hoffman, Andrew J.; Sandelands, Lloyd E. (2005). «GETTING RIGHT WITH NATURE Anthropocentrism, Ecocentrism, and Theocentrism» (PDF). Organization & Environment [S.l.: s.n.] 18: 1. doi:10.1177/1086026605276197. Consultado em 17 de nov de 2012.  (em inglês)
  3. Zeferino Rocha (1996). Paixão, violência e solidão: o drama de Abelardo e Heloísa no contexto cultural do século XII Editora Universitária UFPE [S.l.] p. 24. ISBN 978-85-7315-061-2. 
  4. Orthodox readings of Augustine por George E. Demacopoulos, Aristotle Papanikolaou 2008 ISBN 0-88141-327-5 p.271 (em inglês)
  5. Knitter, Paul F. (1987). «Theocentric Christology: Defended and Transcended». Journal of Ecumenical Studies [S.l.: s.n.] 24 (1): 42–43.  (em inglês)
  6. Knitter, Paul F. (1987). «Theocentric Christology: Defended and Transcended». Journal of Ecumenical Studies [S.l.: s.n.] 24 (1): 52.  (em inglês)
  7. «Christocentrism: An Asymmetrical Trinitarianism?».  (em inglês)