Pós-verdade

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Pós-verdade é um neologismo[1][2] que descreve a situação na qual, na hora de criar e modelar a opinião pública, os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais.[3] Na cultura política, se denomina política da pós-verdade (ou política pós-factual)[4] aquela na qual o debate se enquadra em apelos emocionais, desconectando-se dos detalhes da política pública, e pela reiterada afirmação de pontos de discussão nos quais as réplicas fáticas -os fatos- são ignoradas. A pós-verdade difere da tradicional disputa e falsificação da verdade, dando-lhe uma "importância secundária". Resume-se como a ideia em que “algo que aparente ser verdade é mais importante que a própria verdade” [5]. Para alguns autores, a pós-verdade é simplesmente mentira, fraude ou falsidade encobertas com o termo politicamente correto de "pós-verdade", que ocultaria a tradicional propaganda política [6] [7][8].

A questão da pós-verdade relaciona-se com a dimensão hermenêutica na fala de Nietzsche, admitindo-se que "não há fatos, apenas versões". A busca pela suposta verdade passa a segundo plano, ganhando expressão o perspectivismo de Foucault e as teorias da dissonância cognitiva e percepção seletiva. Atualmente, em ciências humanas e sociais, a discussão ganha importância com a agonística, que investiga e analisa o contexto social através da teoria dos jogos. Conceitos clássicos acerca do domínio dos fatos, da verdade, da informação e da esfera pública são, portanto, ressignificados[9] .

Em 2016, a Oxford Dictionaries, departamento da universidade de Oxford responsável pela elaboração de dicionários, elegeu o vocábulo "Pós-verdade" como a palavra do ano na língua inglesa.[10] Segundo a mesma instituição, o termo “pós-verdade” com a definição atual foi usado pela primeira vez em 1992 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich. O termo tem sido empregado com alguma constância desde meados da década de 2000, mas houve um pico de uso da palavra com o crescimento das mídias sociais. Só no ano de 2016, por exemplo, houve um crescimento 2.000% no uso do termo.[10]

Referências

  1. João Angelo Fantini (2016). «Pós-verdade ou o triunfo da religião». Leitura Flutuante - Revista do Centro de Estudos em Semiótica e Psicanálise. ISSN 2175-7291. Consultado em 16 de março de 2017. Cópia arquivada em 16 de março de 2017 
  2. «O que é 'pós-verdade', a palavra do ano segundo a Universidade de Oxford». Nexo Jornal 
  3. Bassas, Antoni (17 de novembro de 2016). «L'anàlisi d'Antoni Bassas: 'La postveritat'». Diari Ara (em catalán) 
  4. «posverdad, mejor que post-verdad». Fundéu. 17 de novembro de 2016. Consultado em 16 de março de 2017 
  5. Caro Figueroa, Gregorio (22 de novembro de 2016). «Post-verdad, nueva forma de la mentira». Clarín. Consultado em 1 de dezembro de 2016 
  6. Francisco Rouco (28 de novembro de 2016). «La posverdad se hace viral». Bez Diario 
  7. Por qué la teoría de la ‘posverdad’ es mentira, VoxPopuli, 29/11/2016, Javier Benegas
  8. Octavio Rojas (11 de dezembro de 2016). «¿Es la posverdad la propaganda de toda la vida?». Bez Diario. Consultado em 16 de março de 2017 
  9. GÓIS, Veruska Sayonara (2012). «O direito à informação jornalística». Intermeios 
  10. a b nexojornal.com.br/ O que é ‘pós-verdade’, a palavra do ano segundo a Universidade de Oxford


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