Pedagogia do Oprimido

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Pedagogia do Oprimido
Autor(es) Paulo Freire
Idioma Português
País Brasil Brasil
Assunto pedagogia
Gênero ensaio
Editora Paz e Terra
Formato Impresso
Lançamento 1974
Páginas 253
Edição brasileira
ISBN 978-85-7753-164-6
Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro.

Pedagogia do Oprimido é um dos mais conhecidos trabalhos do educador e filósofo brasileiro Paulo Freire. O livro propõe uma pedagogia com uma nova forma de relacionamento entre professor, estudante, e sociedade. O livro continua popular entre educadores no mundo inteiro e é um dos fundamentos da pedagogia crítica.

Dedicado aos que são referidos como "os esfarrapados do mundo" é baseado em reflexões realizadas durante seu exílio no Chile, período em que ajudou em experiências de educação popular. Freire inclui uma detalhada análise da relação entre os que ele chama de "colonizador" e "colonizado", utilizando como base a "Dialética do Senhor e do Escravo" extraída da Fenomenologia do Espírito de Hegel.[1]

Histórico[editar | editar código-fonte]

O livro foi escrito em 1968, quando o autor encontrava-se exilado no Chile. Proibido no Brasil, somente foi publicado no país em 1974.[2] Escrito na forma de ensaio, é dividido em quatro capítulos:

  • Justificativa da pedagogia do oprimido
  • A concepção "bancária" da educação como instrumento da opressão. Seus pressupostos, sua crítica
  • A dialogicidade: essência da educação como prática da liberdade
  • A teoria da ação antidialógica

A teoria da ação antidialógica[editar | editar código-fonte]

A teoria da ação antidialógica, centrada na necessidade de conquista e na ação dos dominadores, que preferem dividir para manter a opressão e deixar que a invasão cultural somada a manipulação desqualifiquem a nossa identidade. Após tal critica, apelas e interperla-nos com um convite a unir para libertar, através da colaboração organização que nos conduzirão à sintase cultural, que considera o ser humano como ator e sujeito do seu processo histórico. Ainda mais sobre a teoria antidialógica, Paulo Freire, ressalta que a referida teoria tanto traz a marca da opressão, da invasão cultural camuflada, da falsa admiração do mundo, como lança mão de mitos para manter o status quo e manter a desunião dos oprimidos, os quais divididos ficam enfraquecidos e tornam-se facilmente dirigidos e manipulados.

A teoria da ação antidialógica e suas características[editar | editar código-fonte]

  • Conquista: a necessidade de conquista se dá desde as mais duras às mais sutis; das mais repressivas às mais adocicadas, como o paternalismo.
  • Dividir para manter a opressão: na medida em que as minorias vão submetendo as maiorias ao seu domínio e poder.
  • Manipulação: através da manipulação, as elites dominadoras vão tentando conformar as massas populares a seus objetivos. E quanto mais imaturas, mais dominadas pelas elites dominadoras que não querem que se esgotem seus poderes.
  • Invasão cultural: a invasão cultural é a penetração que fazem os invasores no contexto cultural dos invadidos, impondo a estes sua visão de mundo enquanto lhes freiam a criatividade, ao inibirem sua expansão.

A teoria antidialógica é característica das elites dominadoras. Esta falseia o mundo para melhor dominá-lo, na dialógica exige o desvelamento do mundo. O desvelamento do mundo e si mesmas, na práxis verdadeira, possibilita às massas populares a sua adesão. Esta adesão coincide com a confiança que as massas populares começam a perceber a dedicação, a veracidade na defesa da libertação dos homens e mulheres.

A teoria da ação dialógica[editar | editar código-fonte]

Paulo Freire ainda enfatiza que se deve trabalhar a teoria dialógica, contrária à manipulação das classes menos favorecidas pela "cultura", através dos meios de comunicação. A população em si precisa ser conduzida ao diálogo, canal este de libertação da harmoniosa opressão imperante. Haja vista que uma das principais características da ação antiadialogica das lideranças é a DIVISÃO para manutenção da opressão. Em resumo a arma que se tem para combater a manipulação é a teoria da ação dialógica pautada pela organização e síntese cultural.

A ação cultural está a serviço da opressão, consciente ou inconscientemente por parte de seus agentes. É no serviço da libertação antidialogica que se encontra a possibilidade de superação do caráter de ação induzida, bem como no objetivo libertador da ação cultural dialógica, se acha a condição para superar a dominação.

Portanto, se descobrirem através de uma modalidade de ação cultural, problematizadora de si mesma em seu confronto com o mundo, significa primeiramente, que se descubra como tal, reconheçam sua identidade com toda significação profunda que tem esta descoberta. Uma das falhas, dentre outras que a liderança comete é de não levar em conta a visão do mundo que o povo tem. Já para a liderança revolucionária, o conhecimento desta lhe é indispensável para sua ação, como síntese cultural.

O que pretende a ação cultural dialógica não pode ser o desaparecimento da dialeticidade, permanência, mudança, mas superar as contradições antagônicas de que resulte a libertação dos homens.

A pedagogia da libertação[editar | editar código-fonte]

Paulo Freire destaca que os educadores devem assumir uma postura revolucionária passando a conscientizar as pessoas da ideologia opressora, tendo como compromisso a libertação desta classe. O povo e lideranças devem aprender a fazer junto, buscando instaurar a transformação da realidade que os mediatiza. O autor ainda enfoca que o ser opressor precisa de uma teoria para manter a ação dominadora, os oprimidos igualmente precisam também de uma teoria para alcançar a liberdade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Wohlfart, João Alberto (19 de setembro de 2013). FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO. VIII Colóquio Internacional Paulo Freire. Recife 
  2. «Pedagogia do Oprimido». Editora Paz e Terra. Consultado em 26 de fevereiro de 2012. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • 1970: Pedagogia do oprimido. New York: Herder & Herder, 1970 (manuscrito em português de 1968). Publicado com Prefácio de Ernani Maria Fiori. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 218 p., (23 ed., 1994, 184 p.).


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