Osório César

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Osório Thaumaturgo Cesar (Parahyba, 17 de novembro de 1895Franco da Rocha, 3 de dezembro de 1979) foi um renomado anatomopatologista, psiquiatra e intelectual brasileiro, notabilizado como um dos pioneiros no uso da arte como recurso terapêutico em psiquiatria, bem como por sua oposição aos métodos agressivos de tratamento de alienados então vigentes. Formado a princípio em odontologia em São Paulo, graduou-se em medicina no Rio de Janeiro e viajou em seguida para a Europa, onde trabalhou no Hospital da Salpêtrière ao lado dos discípulos de Carl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica, dentre os quais Henri Piéron. Manteve assídua correspondência com Sigmund Freud, que resenhou sua obra A Arte Primitiva dos Alienados em artigo publicado em 1925.[1][2][3]

Simpatizante do comunismo, tendo sido preso diversas vezes por manifestar sua orientação política e ideológica, frequentou o meio artístico paulistano e exerceu considerável influência sobre a arte de sua esposa, Tarsila do Amaral, levando-a a abranger a temática social em suas pinturas. Trabalhou por mais de quatro décadas no Hospital Psiquiátrico do Juqueri, na cidade Franco da Rocha na Grande São Paulo, implementando atividades de estímulo à produção artística dos pacientes. Fundou neste hospital a Escola Livre de Artes Plásticas, promoveu mais de cinquenta exposições de desenhos e pinturas de seus internos, atraindo a atenção de nomes como Flávio de Carvalho, Lourival Gomes Machado, Sérgio Milliet e Quirino da Silva para as questões relacionadas à arte psicopatológica.[1][3]

Osório César publicou um grande número de obras sobre a expressão artística dos alienados, dentre os quais Misticismo e Loucura, agraciado com o prêmio maior da Academia Brasileira de Letras em 1948, e influenciou o trabalho de diversos profissionais ligados ao tema da humanização dos métodos de tratamento psiquiátrico, nomeadamente Nise da Silveira. Em 1974, doou parte de sua coleção de arte psicopatológica ao Museu de Arte de São Paulo. É o patrono da cadeira nº. 68 da Academia de Medicina de São Paulo e foi membro fundador das Sociedades Brasileiras de Psicanálise de São Paulo e Rio de Janeiro. Foi homenageado postumamente com a fundação do Museu Osório César no Hospital do Juqueri, em 1985.[1][2][3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Marques (org.), 1998, pp. 168-169.
  2. a b «Osório César». Dicionário das Artes Visuais na Paraíba. Consultado em 3 de março de 2012. 
  3. a b c «Osório César». Academia de Medicina de São Paulo (via Google Docs). Consultado em 3 de março de 2012. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARQUES, Luiz (org.) (1998). Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Arte do Brasil e demais coleções. IV. São Paulo: Prêmio. pp. 168–173. CDD-709.4598161