Anselm Kiefer

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Anselm Kiefer
Nascimento 8 de março de 1945 (73 anos)
Cidadania Alemanha, Áustria
Alma mater Academia de Belas Artes de Düsseldorf
Ocupação pintor, escultor

Anselm Kiefer (Donaueschingen, 8 de março de 1945) é um pintor e escultor alemão.

Durante os anos 70, estudou com Joseph Beuys. Seus trabalhos utilizam materiais como palha, cinza, argila, chumbo e selador para madeira. Os poemas de Paul Celan tiveram muito importância no desenvolvimento de temas para os trabalhos de Kiefer sobre a história alemã e o horror do Holocausto, assim como os conceitos teológicos da cabala.

Temas relacionados ao nazismo são particularmente vistos em seu trabalho; por exemplo, a obra "Margarethe" (óleo e palha sobre tela) foi inspirada pelo famoso poema "Todesfuge" ("Fuga da morte"), de Paul Celan. Discussões polêmicas na mídia sobre o valor de seu trabalho artístico foram feitas durante muitas décadas.

Seus trabalhos são caracterizados por um estilo maçante, quase depressivo e destrutivo, e muitas vezes feitos em grandes formatos. Na maioria deles, o uso da fotografia como suporte prevalece, e terra e outros materiais da natureza são geralmente incorporados. Também é característico o uso de escritos , personagens lendários ou lugares históricos em quase todas as suas pinturas. Tudo é codificado através daquilo que busca Kiefer para representar o passado; algo que geralmente está relacionado com um estilo chamado "Novo Simbolismo".

Vida[editar | editar código-fonte]

Em 1951 mudou-se para Ottersdorf e frequentou a escola de gramática em Rastatt. Em 1966, abandonou os estudos de Direito e Língua Romântica na Universidade de Freiburg para estudar nas academias de arte de Freiburg, Karlsruhe e Düsseldorf. Kiefer iniciou sua carreira como mímico, com performances em que imitava a saudação nazista, convidando os alemães a relembrar e reconhecer a perda de sua cultura através da louca xenofobia do Terceiro Reich. Em 1969, na Galerie am Kaiserplatz, em Karlsruhe, apresentou sua primeira exposição individual "Besetzungen (Ocupações)", com uma série de fotografias sobre ações políticas controversas.

Por volta de 1970, enquanto estudava sobre a tutela de Joseph Beuys na Düsseldorf Kunstakademie, seu estilo assemelhou-se ao de George Baselitz. Trabalhou com vidro, palha, madeira e partes de plantas. O uso desses materiais significava que seus trabalhos se tornaram efêmeros e frágeis e o próprio Kiefer estava consciente disso. A fragilidade de seu trabalho contrasta com os temas austeros de suas pinturas. O uso de materiais familiares para expressar idéias teve influência nos exercícios de arte que Joseph Beuys aplicava, em que usava gordura e feltro. É também algo típico do estilo Neo-Expressionista. Nos anos 70, Kiefer incorporou, em especial, a mitologia alemã (ver também: Jonathan Meese), e na década seguinte dialogou com a cabala. Partiu em longas viagens através da Europa, Estados Unidos e Oriente Médio, onde nas duas últimas obteve influências futuras para seu trabalho. Além de pinturas, Kiefer produziu esculturas, aquarelas, gravuras, fotografias e livros.

Nos anos 80, os temas de Kiefer se estenderam do foco sobre o papel da Alemanha na civilização para o destino da arte e cultura em geral. Seu trabalho se tornou também objectual e envolveu não apenas a identidade nacional e a memória coletiva, mas também o simbolismo oculto, a teologia e o misticismo. O tema de todos os trabalhos é um trauma experimentado por sociedades inteiras, e o renascimento e renovação contínuos na vida.

Na obra "Lilith" de 1987/9, a visão terrível do caos urbano foi inspirada pela visita de Kiefer à cidade de São Paulo, em Brasil. A cidade está envolta numa bagunça apocalíptica que Kiefer cria espalhando poeira e a terra sobre a pintura, fios de cobre e depois queimando parte da superfície. De acordo com a mitologia hebraica, Lilith foi a primeira mulher de Adão, um espírito aéreo, sedutor e demoníaco. Na pintura de Kiefer, Lilith parece trazer a destruição pelo ar sobre os edifícios modernistas de Oscar Niemeyer. [1].

Em 1990 foi premiado com o Prémio Wolf. Em 1999 a Japan Art Association o premiou com o Praemium Imperiale, por suas realizações em vida. Eis a declaração:

"Um complexo engajamento crítico com a história percorre o trabalho de Anselm Kiefer. Suas pinturas, como também as esculturas de Georg Baselitz criaram um alvoroço na Bienal de Veneza de 1980: os visitantes tiveram que decidir se os aparentes temas nazistas pretendiam ser irônicos ou se tinham como intenção transmitir as atuais idéias fascistas. Kiefer trabalhava com a convicção de que a arte podia curar uma nação traumatizada e um mundo dividido. Criou pinturas épicas em grandes telas que mobilizaram a história da cultura alemã com a ajuda de descrições de figuras como Richard Wagner ou Goethe, continuando assim a tradição história da pintura como um meio para guiar o mundo. Somente poucos artistas contemporâneos tiveram tal senso de dever da arte declarado, para reunir o passado e as questões éticas do presente, e estão em posição de expressar a possibilidade de absolvição da culpa através do esforço humano."

Desde 1992 está estabelecido em Barjac, França, e transformou uma planta industrial em um ateliê de 35 hectares, apelidado de La Ribaute. Criou nele um extensivo sistema de prédios de vidro, arquivos, instalações, depósitos para materiais e pinturas, câmaras e corredores subterrâneos.

De 1995 a 2001, Kiefer iniciou um ciclo de grande pinturas sobre o cosmo. Iniciou também um retorno ao objectual.

Mudança para Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Outubro de 2008 anunciou que queria deslocalizar de França para Brejos, na Comporta, toda a sua produção cultural, que envolve dezenas de pessoas na construção de obras de arte de grande volumetria, exportadas para todo o mundo.

A "Floresta Cultural" de Kiefer, que será instalada no vale Perdido, na Herdade da Comporta, do Grupo Espírito Santo, obrigou à execução especial de um Plano de Intervenção em Espaço Rural, que já se encontra em apreciação na CCDR do Alentejo.

O espaço que actualmente ocupa em França será cedido à Fundação Guggenheim.

Referências

  1. «UMA DIABA VOADORA SOBRE O CÉU DO BRASIL». Suplemento Pernambuco. Consultado em 11 de setembro de 2018. 

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]


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