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Língua yanomam

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Yanomam

Yanomae, Yanomama, Yanomami

Falado(a) em:  Brasil  Venezuela
Região: Terra Indígena Yanomami e leste do Parque Nacional Parima-Tapirapeco
Total de falantes: 12.325 (2019)[1]
Família: Yanomami
 Yanomam
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: yro
Território yanomami

A língua yanomam (em yanomam: yãnomamɨ), também conhecida como yanomae, yanomama ou yanomami, é uma língua da família linguística yanomami falada por grupos yanomami nos estados brasileiros Amazonas e Roraima e no sul da Venezuela.[2]

A língua yanomam é o idioma yanomami com o maior número de falantes, sendo a língua materna de aproximadamente 46%[3] da população da etnia Yanomami no Brasil e utilizada como língua franca entre os falantes das línguas yanomâmicas.[4] A maior parte dos falantes do yanomam é monolíngue; além disso, a língua apresenta tradição predominantemente oral e não possui um sistema de escrita nativo, embora existam propostas de ortografia baseadas no alfabeto latino feitas por linguistas e missionários para fins de documentação.

Apesar de seu número expressivo de falantes no contexto das línguas indígenas brasileiras, o idioma yanomam é classificado como vulnerável em avaliações internacionais de vitalidade linguística[5], devido a pressões sociopolíticas, a perigos relacionados à saúde das populações yanomami e ao contato crescente com o português. Os esforços para a preservação dos idiomas yanomami se concentram na alfabetização de falantes nativos, na proteção de seu território e na documentação formal da língua.

As línguas yanomami evoluíram sem muito contato com idiomas de outras famílias linguísticas, por isso compartilham muitas características entre si, como a ordem sintática objeto-sujeito-verbo, a alta frequência de modificadores verbais e nominais e a fonologia baseada na harmônia nasal, além de um vocabulário altamente intercambiável. Em função dessas similaridades, houveram diversas propostas de separação das línguas yanomami, com as línguas yanomam e yanonami sendo frequentemente consideradas as mesmas divisões antigas.[6]

Etimologia

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O termo "yanomam" e suas variações são provenientes da expressão yanõmami thëpë, que significa "humano" ou "pessoa", e são fruto da denominação própria das comunidades falantes.[7] Na ontologia yanomami, o primeiro xamã yanomami (e também primeiro humano) nasceu da união do demiurgo Omama com sua esposa Thuëyoma, uma criatura aquática que tomou forma de mulher depois de ser pescada por Omama.[8]

Principalmente no decorrer do século XX, a língua yanomam e seus falantes foram designados pelo exônimo Waiká, o qual significa "pessoa braba", contudo, o termo caiu em desuso por ser considerado ofensivo e por não fazer parte da autodeterminação yanomami.[3]

Distribuição

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As populações que deram origem aos Yanomami, conhecidos como proto-Yanomami, habitavam as terras altas do interflúvio entre o Rio Negro e o Rio Orinoco, onde hoje é região fronteiriça entre Brasil e Venezuela. Foi a partir do século XIX que os grupos yanomami passaram a ocupar outras regiões da bacia hidrográfica do Orinoco, principalmente em resposta à expansão europeia pelos territórios originalmente ocupados por esses e outros povos indígenas.[9]

Regiões de ocorrência das línguas yanomami. Área de presença do yanomam destacada em laranja saturado.

A partir dessas diásporas e em função de conflitos com outros grupos yanomami e do desaparecimento de etnias indígenas que ocupavam territórios próximos, as comunidades yanomam passaram a ocupar, além das terras altas (endônimo: horepë hamɨ) da Serra Parima, os vales dessa cordilheira e as regiões próximas aos rios Uraricoera, Catrimani e Demini.[3]

No âmbito geográfico, a fronteira internacional entre Brasil e Venezuela cria um limite administrativo que dificulta a mobilidade e a aplicação de políticas públicas, como programas educacionais de alfabetização, nas comunidades. Além disso, as características geomorfológicas, como o relevo acidentado e a alta densidade vegetal, que dificultam a circulação entre territórios dessas áreas promoveram a intensificação da diferenciação dos dialetos yanomam de outras línguas da família linguística yanomami, sendo estes catalogados a seguir:

Dialetos Yanomam[1]
Dialeto Regiões Número aproximado de falantes
Yanomae ou Yanomam das Baixadas Demini, Toototopi, Missão Catrimani e Novo Demini 2.300
Yanomama ou Yanomami das Serras Sul Xitei, Homoxi, Haxiú, Papiú, Kayanaú, Alto Catrimani e Palimiú 5.700
Yanomami das Serras Central Surucucu e Arathaú 1.400
Yanomam das Serras Norte Parahuri, Waputha e comunidade de Polasai(Warais) 2.437
Jovem yanomami - 1973.

Povos Yanomami

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Alguns povos Yanomam:[1]

  • Palimiu thëripë
  • Wakathau thëripë
  • Watorikɨ thëripë
  • Yanomam do Rio Toototopi
  • Maraxiu thëripë (em Haxiú e Papiú)
  • Xaatha thëri (Alto Catrimani)
  • Homoxi e Yaritha



História

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História yanomami

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Evidências arqueológicas e históricas situam populações ancestrais dos Yanomami na região da Serra do Parima e nos planaltos do interflúvio Orinoco-Rio Negro há pelo menos cerca de mil anos,[10] em que teria começado o processo de diferenciação interna que deu origem às atuais línguas yanomâmicas e onde esses povos faziam parte de uma rede de troca de bens com outras etnias indígenas.

O contato com os europeus se deu a partir do século XVIII, quando expedições portuguesas e espanholas começaram a se estabelecer ao longo Rio Branco e do Rio Orinoco devido às suas disputas de controle territorial. A partir dessa época, há registros de trocas entre europeus e povos yanomami que envolviam o escambo de pedras conhecidas como amazonitas por ferramentas de metal. Apesar de não se saber a intensidade e frequência desse tipo de comércio com os Yanomami, essas interações iniciaram a introdução de estrangeirismos e neologismos nas línguas yanomami.

Indígena yanomami ao lado do jornalista Alex Shoumatoff, em 1976. Shoumatoff foi o primeiro a entrar em contatocom algumas tribos indígenas do interior da Amazônia.

Entre as décadas de 1910 e 1940, ocorreram os primeiros encontros da sociedade nacional brasileira com comunidades yanomami, por meio de viajantes e representantes da fronteira extrativista, além da presença missões religiosas, como a dos missionários salesianos,[11] que passaram a atuar ativamente a partir da década de 1950. Ao mesmo tempo, o Estado brasileiro atuava no território por intermédio do Serviço de Proteção ao Índio, que enviava representantes desde a década de 1910 e estabeleceu postos na região a partir da década de 1940[7], e, a partir de 1967, através da Fundação Nacional dos Povos Indígenas(Funai), que substituiu o SPI e passou a coordenar a política indigenista oficial.

Nas décadas de 1970 e 1980, houve um aumento das pressões externas por obras, prospecção e atividade garimpeira em terras yanomami,[7] em função dos planos de crescimento econômico e desenvolvimento por meio da exploração dos recursos naturais presentes na Amazônia, como o Programa de Integração Nacional, o qual levou à construção da estrada Perimetral Norte(BR-210), que levou à morte e deslocamento forçado de muitos yanomami. O conjunto desses acontecimentos com a expansão do garimpo ilegal a partir dos anos 1980, principalmente depois da descoberta de grandes reservas minerais na Amazônia pelo Projeto Radam, gerou impactos ambientais, sanitários e de segurança que precipitaram mobilizações indígenas e de outras partes da sociedade civil, levantando como principal reivindicação a demarcação das Terras Indígenas Yanomami, pauta que mobilizou nomes influentes no cenário nacional, como Carlos Drummond de Andrade e Gilberto Freyre.[12]

Em resposta à crise de saúde e às necessidades de atenção especializada, foi criada em fevereiro de 1991 a organização responsável pela atenção sanitária diferenciada à área yanomami, o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami(DSEI-Y). No plano territorial, a demarcação administrativa e a homologação da Terra Indígena Yanomami foram formalizadas por meio de um decreto presidencial de Fernando Collor em 25 de maio de 1992, que homologou a demarcação das terras yanomami, consolidando limites oficiais e a proteção jurídica do território diante das pressões externas.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante o anúncio de ações emergenciais para as populações yanomami, em Boa Vista (RR), dia 21 de janeiro de 2023.

Apesar das medidas de proteção, brechas na fiscalização, descontinuidade de políticas públicas e a expansão do garimpo ilegal permitiram a permanência de atividades minerárias dentro da área demarcada. Esses processos resultaram em degradação ambiental, violência e agravamento de crises sanitárias. Em 2022, estudos e relatórios oficiais apontaram níveis elevados de contaminação por mercúrio em comunidades yanomamis associados à mineração aurífera, evidenciando impactos diretos sobre a saúde da população, incluindo casos de intoxicação e insegurança alimentar decorrente da contaminação de rios e peixes. A situação e sua repercussão na mídia motivou o reconhecimento de emergência em saúde pública no início de 2023 e a adoção de novas operações de desmantelamento de atividades ilegais e assistência humanitária por parte do governo federal.[13]

Histórico de documentação do yanomam

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Esses processos de interação entre Yanomami e não-indígenas produziram mudanças socioculturais, demográficas, econômicas e políticas que tiveram reflexos na linguagem, em especial empréstimos lexicais do português (para tecnologia, instituições, bens etc), aumento do bilinguismo em áreas de maior contato e calques semânticos em certos domínios. Ao mesmo tempo, a estrutura morfossintática central das línguas yanomâmicas tem sido documentada como relativamente estável nas gramáticas de campo, sem indicação de reestruturações tipológicas profundas causadas pelo contato recente, embora pesquisas de longa duração continuem acompanhando mudanças incrementais em falares e comunidades.

Nesse aspecto, a documentação linguística sistemática das variedades yanomâmicas iniciou-se de forma substancial apenas a partir da metade do século XX, com levantamentos lexicais, textos e gramáticas produzidos por linguistas e por trabalhos etnográficos que reuniram material de campo. Entre os primeiros trabalhos de peso está a monografia de Ernest Cesar Migliazza (Yanomama Grammar and Intelligibility, 1972),[14] que compilou dados gramaticais e listas lexicais e serviu de referência para estudos subsequentes. No campo antropológico, os relatos amplamente divulgados de Napoleon Chagnon (final da década de 1960) incluíram material linguístico e contribuíram para a circulação acadêmica sobre os Yanomami e suas línguas. Missões de caráter religioso também colaboraram para o registro do idioma, mesmo que seus participantes não sejam acadêmicos, como Loretta Emiri e Henri Ramirez, que publicaram dicionários e guias da língua.[15][16][17] Mais recentemente, a documentação tem sido formada por trabalhos antropológicos e publicações de gramáticas de campo mais longas e analíticas, como os trabalhos de Helder Perri Ferreira, "Yanomama Clause Structure"(2017)[18] e "As línguas Yanomami no Brasil: diversidade e vitalidade"(2019).[19] Coletâneas institucionais e diagnósticos sociolinguísticos organizados por organizações brasileiras, como o Instituto Socioambiental, também sistematizam dados sobre idiomas indígenas, incluindo a língua yanomam.

História do ensino

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Ativista e educadora Christina Haverkamp junto a um indígena yanomami.

A escolarização entre os Yanomami passou por várias fases, começando com intervenções missionárias e materiais de alfabetização esporádicos no século XX e evoluindo para políticas públicas e programas de educação indígena intercultural a partir das últimas décadas do século XX e início do XXI. Nos primeiros momentos de contato prolongado, missionários elaboraram cartilhas e alfabetos práticos para fins catequéticos e de alfabetização básica (esses materiais foram frequentemente os primeiros textos impressos em que a língua aparecia escrita).[20]

Com o avanço das políticas de reconhecimento indígena e da educação escolar indígena, o Estado brasileiro e organizações não-governamentais (ONGs) implementaram programas e diretrizes para educação intercultural bilíngue.[21] Essas ações envolveram a produção de materiais didáticos bilíngues, a formação e capacitação de professores indígenas e não-indígenas para atuar em contextos interculturais e projetos de alfabetização formal e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) adaptados às realidades locais.[22] Contudo, a implementação prática dessas políticas variou muito entre localidades: enquanto em algumas aldeias houve produção e uso continuado de material bilíngue e formação local de docentes, em outras o ensino em língua materna ficou limitado por falta de infraestrutura, recursos ou continuidade administrativa.

Fonologia

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A fonologia do yanomam organiza-se em um inventário composto por 19 segmentos básicos: 12 consoantes e 7 qualidades vocálicas. O sistema distingue plosivas simples e aspiradas, inclui um conjunto restrito de fricativas e apresenta aproximantes e uma vibrante. No domínio vocálico, há contraste de altura e de anterioridade/posterioridade, além de contraste fonêmico de nasalidade, traço estruturalmente relevante na língua. Em contrapartida, a língua yanomam não apresenta variações tonais.[23]

A nasalidade desempenha papel central na organização fonológica do yanomam, manifestando-se tanto na oposição entre vogais orais e nasais quanto em processos de espalhamento dentro da palavra. No yanomam, a nasalidade de um fonema pode tornar nasais os sons que vêm tanto antes quanto depois na palavra, o que faz com que a maioria das palavras sejam ou completamente nasais ou completamente orais. Esse fenômeno geralmente só não ocorre quando há um som plosivo precedendo o fonema que seria a fonte de nasalidade que seria a fonte de nasalidade na palavra.[24]

A maioria das palavras do yanomam são paroxítonas e não há palavras que se diferenciam exclusivamente pela localização da sílaba tônica. Contudo, palavras e marcadores característicos de sentenças interrogativas, permissivas e imperativas posicionam a sílaba tônica no final da palavra. Essas particularidades têm papel na organização prosódica da língua, facilitando a distinção entre os tipos de sentença no idioma.[23]

Consoantes

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O inventário consonantal do yanomami compreende 13 fonemas distribuídos entre plosivas, fricativas, nasais, vibrante e aproximantes. Destaca-se o contraste entre /t/ e /tʰ/, que introduz oposição baseada em aspiração. O sistema apresenta articulações bilabiais, labio-dentais, alveolares, pós-alveolares, palatais, velares e glotais.

As consoantes nasais /m/ e /n/ integram o inventário fonêmico e podem interagir com processos de nasalização que afetam segmentos vocálicos no domínio prosódico da palavra.

Sons consonantais[25]
Bilabial Labio-dental Alveolar Pós-alveolar Palatal Velar Glotal
Oclusiva aspirada
Oclusiva surda p t k
Fricativa f s ʃ h
Nasal m n
Aproximante j w
Vibrante simples ɾ

O sistema vocálico do yanomami é composto por sete qualidades básicas distribuídas segundo critérios de altura e posição horizontal (anterior, central e posterior). O inventário inclui vogais fechadas, médias e abertas.

Além dessas distinções de qualidade, todas as vogais apresentam contraste fonêmico de nasalidade, formando pares oral-nasal (por exemplo, /a/ ~ /ã/). A nasalidade constitui um traço estrutural relevante e pode participar de processos de harmonia nasal dentro da palavra.

Sons vocálicos[25]
Anterior Central Posterior
Fechada i, ĩ ɨ, ɨ̃ u, ũ
Média e, ə, ə̃ o, õ
Aberta a, ã

Ortografia

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As línguas yanomami não possuem um sistema de escrita autóctone, por isso, apesar de não haver uma grafia padronizada para a língua yanomam, as representações escritas atualmente utilizadas foram elaboradas por linguistas e missionários no século XX (sendo empregadas em materiais pedagógicos, traduções, dicionários e descrições gramaticais) e tratam-se de sistemas fonográficos de base latina, isto é, os grafemas correspondem diretamente a fonemas da língua e são escritos da esquerda para a direita.[20] A pronúncia das 7 vogais do yanomam apresenta variações nasais imprescindíveis para a compreensão da língua, tendo como marcação para a nasalidade o diacrítico til (~). A seguir, os grafemas usados para escrever a língua yanomam, os fonemas por eles representados e seus correspondentes em outros idiomas:[26]

Grafema Fonema(AFI) Correspondência fonética
p /p/ pato
t /t/ tatu
th /tʰ/ top (inglês)
k /k/ casa
m /m/ mãe
n /n/ nada
f /f/ faca
x /ʃ/ chuva
r / l /r/ caro
h /h/ rato
w /w/ water (inglês)
y /j/ yes (inglês)
i /i/ vida
ĩ /ĩ/ fim
e /e/ pelo
/ẽ/ bem
o /o/ avô
õ /õ/ bom
ə / ë / è /ə/ above (inglês)
ə̃ /ə̃/ sem correspondente próximo
a /a/ alface
ã /ã/ sem correspondente próximo
u /u/ luta
ũ /ũ/ mundo
ɨ / ỳ /ɨ/ lune (francês)
ɨ̃ /ɨ̃/ sem correspondente próximo

Gramática

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A gramática do yanomam caracteriza-se por forte marcação verbal, uso predominante de afixos e organização sintática relativamente estável. O verbo ocupa posição central na estrutura da frase e concentra grande parte das informações gramaticais, incluindo referência às pessoas envolvidas na ação, aspecto do evento e fonte da informação. A ordem dos constituintes segue tendência objeto-sujeito-verbo (OSV), embora fatores discursivos possam alterar essa disposição.

Substantivos

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Os substantivos da língua yanomam formam uma das principais classes lexicais do idioma e são utilizados para referir entidades como pessoas, animais, objetos, fenômenos naturais e conceitos abstratos. Do ponto de vista sintático, eles podem funcionar como núcleo de sintagmas nominais, ocupando posições típicas de sujeito, objeto ou complemento dentro da oração.

O idioma yanomam tem forte presença de sufixos que acrescentam nos sintagmas informações como número, gênero e pessoa do discurso.[27] Dentro do sintagma nominal, o substantivo geralmente precede seus modificadores. Além disso, os sintagmas nominais frequentemente aparecem anexados a classificadores que indicam diferentes tipos de conceitos que podem ser representados. A seguir, alguns classificadores do yanomam:[28][29]

  • de árvores: hi
  • de aberturas: ka
  • de corpos arredondados: koko
  • de conjuntos: kɨkë
  • de sementes, caroços e frutos: mo
  • de líquidos: upë

O sistema pronominal do yanomam é estruturado em torno das primeira, segunda e terceira pessoas do discurso e apresenta distinções de número que incluem singular, dual e plural. Diferentemente do português, no qual os pronomes pessoais aparecem geralmente como palavras independentes, no yanomam, grande parte das informações pronominais é expressa por meio de elementos ligados ao verbo ou ao sintagma nominal. Isso significa que a referência às pessoas pode estar incorporada diretamente na forma verbal, tornando desnecessária a presença de um pronome livre na frase. Ainda assim, existem formas pronominais independentes, utilizadas principalmente para ênfase, contraste ou organização discursiva. Além dos pronomes pessoais, o sistema inclui formas possessivas que indicam relações de posse e mecanismos derivacionais que permitem interpretações reflexivas e recíprocas.

Os pronomes pessoais são compostos por uma base, que indica a pessoa do discurso, e por indicadores de número, da seguinte forma:[30]

Pronomes pessoais
Base Singular Dual Plural
1ª pessoa kami ya yaha / kɨ yama / kɨ
2ª pessoa kaho wa waha / kɨ wama / kɨ
3ª pessoa kama a kɨpë

Só existem dois pronomes possesivos em forma livre no yanomam: ipa (1ª pessoa do singular) e aho (2ª pessoa do singular) e precedem o sintagama que representa a posse, como em "ipa yano" (minha casa) e "aho yano" (sua casa).[31]

Para indicar que mais de uma pessoa possui algo, usa-se o sufixo ligado ao sintagma que representa a posse,[31] como em "kami yamakɨ urihipë" (nossa floresta),[7] em que marca que urihi (floresta) pertence a kami yamakɨ (nós).

Os verbos em yanomam concentram a maior parte das informações gramaticais da oração. A forma verbal geralmente inclui a raiz lexical (que expressa a ação ou estado) seguida de uma série de sufixos que indicam categorias como número, aspecto, modo e evidencialidade. A referência à pessoa do sujeito é normalmente feita por índices pronominais ligados ao verbo, o que permite que o sujeito nominal seja omitido quando já está claro no contexto. Assim, os índices que marcam a pessoa do verbo são: ya (primeira pessoa), wa (segunda pessoa) e a (terceira pessoa).[30]

O yanomam privilegia tanto a noção de aspecto (como a ação se desenvolve) quanto a marcação de quando ocorreu a ação (tempo). Assim, os verbos estão, por padrão, no tempo presente e podem receber modificadores que indicam o tempo verbal e se a ação foi concluída, se está em desenvolvimento ou se está em um estado neutro/natural.[32]

O sistema modal do yanomam também se apresenta na forma de afixos anexados ao verbo; os modos no yanomam aparecem principalmente como imperativos, exortativos e permissivos.[33]

Além disso, a evidencialidade constitui uma das categorias centrais do sistema verbal do yanomam. Ela indica a fonte da informação sobre o evento descrito, sendo codificada por morfemas específicos na forma verbal. Diferentemente do português, em que a fonte da informação é expressa lexicalmente (“eu vi”, “disseram que”), no yanomam, essa distinção pode ser gramaticalmente obrigatória e indica que o sujeito presenciou o que é relatado, soube da informação de forma indireta ou que conjecturou a ocorrência do evento.[34]

De modo simplificado, a estrutura verbal pode ser representada como: (índice de pessoa) + raiz verbal + (derivação) + (evidencialidade) + (aspecto / tempo). Contudo, é importante frisar que nem toda oração apresenta todos os tipos de marcadores.

Ao analisar a sentença "utupë taamotima aha hiima yaa taarema"[34] (Vi a imagem de um cachorro), pode-se perceber a ação dos modificadores no verbo. A frase contém dois complexos derivados da raiz verbal taa (ver):

1 - taa+mo+tima+a+ha, em que:

  • taa é a raiz do verbo "ver";
  • mo é um derivador intransitivizador;
  • tima nominaliza o verbo;
  • a marca singular;
  • ha marca caso oblíquo.

Esse grupo se associa a utupë (imagem), formando algo como “na imagem do ver”, interpretado como “na televisão” ou “na imagem”.

2 - ya+a+taa+ri+ma, em que:

  • ya indica sujeito de 1ª pessoa singular;
  • a indica objeto de 3ª pessoa singular;
  • taa é a raiz do verbo “ver”;
  • ri marca aspecto perfectivo (ação concluída);
  • ma marca passado.

O substantivo hiima (cachorro) corresponde ao objeto referenciado pelo índice de terceira pessoa no verbo.

Vocabulário

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O vocabulário yanomam reflete tanto a profunda relação dos falantes com o ambiente amazônico quanto os processos históricos de contato com outras línguas, especialmente o português. O léxico inclui um conjunto amplo de termos ligados à organização social, à fauna e flora locais e à vida ritual, ao mesmo tempo em que incorpora empréstimos para designar objetos e conceitos introduzidos mais recentemente.

Neologismos

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O contato com sociedades não-indígenas trouxe a necessidade de representar em yanomam conceitos que nele não existiam originalmente. Esse processo de neologismo acontece por 4 diferentes tipos de adaptação das palavras, que podem ocorrer sozinhos ou combinados, sendo eles:[28]

  • Adaptação fonética
  • Extensão semântica
  • Nominalização de onomatopeias
  • Criação de um termo que descreve o novo conceito

Abaixo, alguns exemplos desses processos:[28]

Português Yanomam Tipo de neologismo Observação
Ouro Oru Adaptação fonética
Hospital Usipitao a / Ispitao Adaptação fonética
Copo Mau husi Extensão semântica Mau husi significa "cuia" em yanomam
Mês Poripa a Extensão semântica Poripa significa "lua" em yanomam
Motosserra Ããma Nominalização de onomatopeia
Helicóptero Purupuru Nominalização de onomatopeia
Televisão Utupë taamotima thë Termo descritivo "Mostrador de imagens"
Posto de saúde Haromatima yano Termo descritivo "Casa de cura"
Desodorante / perfume Serosi upë Adaptação fonética + termo descritivo Serosi: fonetização de "cheiroso"; upë: classificador de líquidos
Boi Xama aurima Extensão semântica + termo descritivo Em yanomam, xama signifca "anta", e aurima, "branco"

A queda do céu: Palavras de um xamã yanomami

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Davi Kopenawa no Festival de Cannes 2024 representando o documentário A queda do céu, baseado no livro de mesmo nome.

Um dos registros mais relevantes da língua yanomam em forma textual é a obra A queda do céu: Palavras de um xamã yanomami, publicada a partir do testemunho do xamã yanomami Davi Kopenawa e organizada pelo antropólogo Bruce Albert. O livro resulta de conversas e gravações realizadas em yanomam, nas quais Kopenawa narra sua trajetória, a cosmologia de seu povo e suas críticas à expansão da sociedade não-indígena.[35]

Do ponto de vista linguístico, a obra possui grande importância porque preserva narrativas originalmente formuladas na língua yanomam e posteriormente traduzidas para outras línguas, mantendo muitos elementos da expressão discursiva própria do idioma. Por isso, o texto constitui uma das principais fontes contemporâneas de registro da tradição oral yanomami em forma escrita, além de servir como documento cultural e linguístico para estudos sobre o vocabulário, a retórica narrativa e as formas de pensamento expressas na língua.

Apesar de ser majoritariamente traduzido, o livro apresenta trechos originais em yanomam, que retratam mais pessoalmente as palavras de Davi Kopenawa, como o seguinte:[36]

"Omamỳné hehua raromama. mamakɨ xatitamama. maxita a hutukara a patỳapotayuma. maxita a rerarrramu mãope." (Omama criou os morros. Plantou as montanhas no chão. Com o peso delas prendeu a terra Hutukara de todos os lados, para ela não tremer.)

Glossário

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Alguns nomes de plantas e animais em yanomam: [37]

yanomamglosa
amothapaca (Agouti paca)
animacurica (Pionopsitta barrabandi)
apiahiabiurana-branca
apiaritracajá (Podocnemis unifilis)
apinakèurtiga
arahaanimèarara-amarela ou arara-canindé (Ara ararauna)
ararigarça (Egretta sp.)
ara uxirimèesp. de arara (Ara sp.)
ara wakrimèarara-vermelha ou ararapiranga (Ara sp.)
ariataioba (Colocasia antiquorum)
arỳarỳmèkoxiesp. de araçari, ave da família Ramphastidae
ayõkorajapim-amarelo (Icterus sp.)
ehamèunagalo-da-serra (Rupicola rupicola)
èkèmaesp. de pica pau, ave da família Picidae
rapokasicasca do fruto do cumaru; e usada como alisador na fabricaçao da panela
haranapirarara (Phractocephalus hemioliopterus)
hawaricastanha-do-pará
haximoinambu-galinha (Tinamus sp.)
hayaveado (Mazama americana)
hayanacarapanã-vermelho, inseto da família Culicidae
herajupará (Potos flavus)
hetujibóia (Boa constrictor)
hewanahipau-rainha
hewesimorcego
heỳmasianambé-azul (Cotinga cayana)
hihouna, hiyõunabicho-de-pé (Tunga penetrans)
hiimacachorro
hikomobatata-doce (Ipomoea batatas)
hoariirara (Eira barbara)
hopèouriço-cacheiro, cuandu (Coendou sp.)
horamaesp. de inambu, ave da família Tinamidae
horemaverme, minhoca, lombriga (Ascaris lumbricoides)
horetorolinha, ave da família Columbidae
hutumèudu ou juruva (Momotus momota)
hutusikèplanta de mandioca
imikè pesirimècentopeia, lacraia, piolho-de-cobra, escolopendra
iroguariba (Alouatta sp.)
iwariesp. de jacaré, réptil da família Crocodylidae
ixarojapim-vermelho
ixinaemakèbacaba
iyoesp. de jacaré, réptil da família Crocodylidae
kaihirimajararaca (Bothrops atrox)
kanaariranha (Pteronura brasiliensis)
kaniunaesp. de esquilo, mamífero da família Sciuridae
kaokaoesp. de gavião, ave da família Accipitridae
kawahiporaquê (Electrophorus electricus)
kayũcapivara (Hydrochoerus hydrochaeris)
kesekamèesp. de gafanhoto
koaaxanaesp. de timbó cultivado
koaaxihimamique; as folhas servem para se pintar de roxo
koamai kokoesp. de mandioca (Manihot sp.)
koanareahijamacim de folha de patauá
koanaremasimadeira de patauazeiro
koanaremasihipatauazeiro
koatomèesp. de papagaio, ave da família Psittacidae
koayõmèbacurau, ave da família Caprimulgidae
koixoimèesp. de gavião, ave da família Accipitridae
konomaguari, ave da família Ardeidae
kopỳpiracucu, peixe da família Belonidae
koraianzol
korathabanana
korijapu (Icterus sp.)
korihanahiimbaúba, embaúba
koromanicoró-coró (Mesembrinibis cayennensis)
kreomaniesp. de tucano (Ramphastos sp.)
krukukumnacoruja, ave da família Strigidae
kuremèjacu (Penelope sp.)
kúritisurubim (Pseudoplatystoma fasciatum)
kuukuumoxiesp. de macaco-da-noite (Aotus trivirgatus)
maahijuruparana; na mitologia e a arvore da chuva
maimasihiaçai
manakapaxiubinha
manumutum-da-bunda-vermelha (Mitu mitu)
mapimuxiua, larva de inseto da família Curculionidae
maraxicujubim (Pipile cujubi)
marurumèpacu, peixe da família Characidae
masicipó-titica
mathotho mokỳfruto de tuna, espécie de cipó
mauhenahanipavãozinho-do-pará (Eurypyga helias)
maxapitraíra (Hoplias sp.)
mayè̃pètucano-de-peito-branco (Ramphastos sp.)
miremanikoxiesp. de araçari, ave da família Ramphastidae
mohumègavião-real (Harpia harpyja)
moroesp. de tatu, mamífero da família Dasypodidae
moxaesp. de bichinho que cria bicheira
mroesp. de mosca
nahanakèesp. de gafanhoto
nakè wáxarapirandirá (Hydrolycus pectoralis)
naraurucu (Bixa orellana)
nara uxirimè utinta preta feita com resina de jutaí e óleo de copaíba
naromucura, gambá, mamífero da família Didelphidae
nasisimaniva
naxihibeiju
naxikokomandioca
nomapiolho
okanithosucuriju (Eunectes murinus)
okorasisimadeira de najá; tala de najá; é usada para furar o beiço
okosimadeira de bacaba; borduna feita dessa madeira
okosihibacabeira
omnamaxihisicasca de sorvão; ralo feito dessa casca
opotatu-galinha (Dasypus novemcinctus)
orokothoesp. de cabaça, da família Cucurbitaceae
orucobra
paaubim (Geonoma paniculigera); as folhas sao usadas para cobrir a maloca
paarimutum-da-bunda-branca (Crax fasciolata)
pahorato, mamífero da família Cricetidae
pareamèbanana-comprida
patataohicumaru, da família Leguminosae
paxaahijamacim de folhas de palmeiras
paxocoatá ou macaco-preto (Ateles paniscus)
peenehetabaco
pinimèhiesp. de capim (Andropogon bicornis); brincos e hastes para os furos labiais feitos desse capim
pirimèahupirilampo, vaga-lume
pókarainambu-uru, ave da família Tinamidae
pokogalho; braço
porohicacaueiro (Theobroma cacao)
poronafruto do cacaueiro
potomamosca comum
poxecaititu, catetu (Tayassu tajacu)
preremasurucucu
prikapimenta-malagueta
puruusicana de açúcar
puuesp. de abelha
puu nasicera de abelha
puu umel
pysatartaruga (Podocnemis expansa)
pỳtỳbaiacu, peixe da família Tetraodontidae, é venenoso; satisfeito, farto, cheio, de barriga cheia
pỳtỳrimamamão
raasasimadeira de pupunheira
raasasihipupunheira (Guilielma gasipaes)
raasasikèpupunhal
raasihiarco de pupunheira; arco
rasimabarata
raxapupunha
riyecarapanã, inseto da família Culicidae
riyõkoxiburiti
rokorokomamão
romihipèlouva-a-deus, inseto da família Mantidae; magro, sem gordura
ruapèpiquiá
sarakasicana (Gynerium sagittatum); é usada para fazer flechas
saramasèhanaarumã
seiseiunahienvira-preta
seisidesignação comum a várias espécies de pássaros
serausimutuca
setapasiesp. de carrapato
siheescorpião, lacrau
simotoriserra-pau, inseto da família Cerambycidae
siomanimartim-pescador, ave da família Alcedinidae
soomosihimumbaca; a tala central das folhas e usada pelas mulheres como enfeite no nariz
soromosèhanapacavira
takipiranha-preta (Serrasalmus rhombeus)
tèpètamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
tixobeija-flor, ave da família Trochilidae
tohiesp. de escorpião
tomèhikoesp. de cabaça; e usada como caneco ou recipiente
toriesp. de carrapato
totorijabuti-com-manchas-amarelas (Geochelone denticulata)
tototomènarato-coró ou rato-toró (Dactylomys dactylinus)
tukunaretucunaré (Cichla sp.)
turekesacupema, sapupema; raiz que cresce ao lado da base de algumas árvores, formando em volta de las divisões a chatadas altas até mais de dois metros
tỳhỳonça (Felis onca)
tỳhỳnaformiga-de-fogo, inseto da família Formicidae.
tỳhỳ tỳhỳnimèonça-pintada (Felis onca)
tỳhỳ warapèkoxirimèonça-vermelha (Felis concolor)
thomỳcutia (Dasyprocta aguti)
thóothotho uxicipó-preto; é usado para fazer desenhos nos cestos
thuwèmamokỳesp. de batatinha afrodisíaca (Cyperus sp.)
thuwènaakaesp. de batatinha afrodisíaca (Dioscorea sp.)
ukuxidesignação comum a varias espec1es e piuns, insetos da família Simuliidae
uxipinimabanana-roxa
wahaakècará (Dioscorea sp.)
wakatatu-canastra (Priodontes maximus)
wakatoxijabuti-com-manchas-vermelhas
wákoxotição
wana ujandiá, peixe da família Pimelodidae
warapè kokoresina de jutaí; se mistura com urucu para fazer uma tinta
warequeixada (Tayassu pecari)
wareakoxicaranguejeira
waromỳkỳkèesp. de cobra (Bothrops sp.)
wasikanajacuruaru, tejuaçu, lagarto (Tupinambis teguixin)
wátỳpèurubu (Coragyps atratus)
wátỳpè aurimèurubu-rei (Sarcoramphus papa)
wátỳpè rihinirimèurubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus)
wáxorocutiara (Myoprocta sp.)
wayapaxicoatipuru, mamífero da família Sciuridae
wéreheesp. de papagaio, ave da família Psittacidae
weriesp. de jacaré, réptil da família Crocodylidae
wétemomaracanã (Ara sp.)
witatirimèkokomacaxeira (Manihot sp.)
wỳxacuxiú (Chiropotes sp.)
wỳỳesp. de paneiro, de cipó-titica, com malha fechada
xahaesimutuca-do-cabo-verde
xamaanta (Tapirus terrestris)
xaxanacigana (Opisthocomus hoazin)
xéremoesp. de veado, mamífero da família Cervidae
xihotocandira, tocandeira, inseto da família Formicidae
xíkimaesp. de periquito, ave da família Psittacidae
xinau, xinarualgodão
xinaruuhiplanta do algodão (Gossypium sp.)
xiroandorinha, ave da família Hirundinidae
xiyãaxidesignação comum a várias espécies de borboletas
xokomambira (Tamandua tetradactyla)
xỳmỳesp. de preguiça, mamífero da família Bradypodidae; incestuoso
xỳỳhusocó-boi, camarão, ave da família Ardeidae
yakoesp. de micose
yakoanahiesp. de árvore (Virola theiodora); a casca serve para fazer yakoana
yãmaamoabacaxi
yãmaasicorda de curauá
yãmaraahiplanta de curauá
yaosimaracajá (Felis pardalis)
yãpijacamim (Psophia sp.)
yarimècairara (Cebus albifrons)
yarỳxequati (Nasua nasua)
yawereesp. de preguiça, mamífero da família Bradypodidae; preguiçoso, lento; torto
yaweresiesp. de gavião, ave da família Accipitridae
yoasipano-branco, esp. de micose
yõnomilho
yõnomosiesp. de gavião, ave da família Accipitridae
yoroporilagarta-do-tabaco
yuripeixe

Referências

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  2. Ferreira & Senra 2019, pp. 22.
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Bibliografia

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  • Ramirez, Henri. 1994. Le Parler Yanomamɨ des Xamatauteri. Dissertação de Doutorado, Université de Provence.
  • Ferreira, Helder Perri; Senra, Estevão Benfica (2019). As línguas Yanomami no Brasil: diversidade e vitalidade. São Paulo: Instituto Socioambiental; Hutukara Associação Yanomami. ISBN 9788582260760 
  • Emiri, Loretta (1987). Dicionário yãnomamè-português (dialeto wakathautheri). Boa Vista: Comissão Pró-Índio de Roraima 
  • Emiri, Loretta (1981). Gramática pedagógica da língua yãnomamè. Boa Vista: [s.n.] 
  • Ferreira, Helder P. (2017). «Yanomama Clause Structure». Instituto Socioambiental (em inglês) 
  • Migliazza, Ernest C. (1972). «Yanomama Grammar and Integibility». Instituto Socioambiental 

Ligações externas

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