Scolopendridae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaLacraia
Scolopendra polymorpha
Scolopendra polymorpha
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Quilópodes
Ordem: Scolopendromorpha
Família: Scolopendridae

Scolopendridae (da língua grega para o latim σκολόπενδρα, skolopendra) é uma família biológica de animais quilópodes, família esta com uma numerosa quantidade de gêneros.

Descrição[editar | editar código-fonte]

São animais peçonhentos pertencentes à classe Chilopoda com cerca de 3.150 espécies reconhecidas, enquanto Scolopendromorpha inclui cerca de 700 espécies, pertencentes a 34 gêneros, e cinco famílias[1]. Algumas chegam a ter quase 50 centímetros de comprimento e estão presentes em todos os continentes. São chamadas de centopeias assim como o piolho-de-cobra, porém são espécies distintas já que os piolhos-de-cobra pertencem à classe Diplopoda.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Existem no Brasil cerca de dez espécies segundo BARROSO et al, 2001 são as principais: a Scolopendra viridicornis, S. subspinipes, Otostigmus scabricauda, Cryptops iheringi e Octocryptops ferrugineus. Ainda segundo este autor a S. viridicornis é a mais comum no Brasil. [2]

Possuem o corpo dividido em cabeça e tronco. Na cabeça, possuem um par de antenas, dois pares de olhos simples e os maxilípedes. O tronco é formado por numerosos segmentos, cada um com um par de pernas articuladas. Entretanto as patas de cada segmento não se movem simetricamente (como nos miriápodes) mas sim num sistema geral no qual um grupo de patas produz apenas um apoio e empuxo, o que lhes confere muito mais rapidez.

Vivem por até seis anos e preferem ambientes úmidos sob folhas e troncos podres. Alojam-se sob pedras, cascas de árvores, folhas no solo e troncos em decomposição, ou constroem um sistema de galerias, contendo uma câmara onde o animal se esconde. Podem também ser encontradas em hortas, entulhos, vasos, xaxins, sob tijolos, em boxes de banheiros ou em qualquer parte da casa que não receba luz solar e seja úmida.

De hábito notívago, a centopeia é, por sua vez, presa de corujas, ouriços, musaranhos e sapos. Considerada um animal peçonhento, a lacraia ou centopeia pode produzir acidentes dolorosos para o ser humano, frequentemente ocorridos na manipulação de objetos onde este animal estava escondido. O quadro clínico não é grave, variando de acordo com o número de picadas, e da sensibilidade a peçonha por parte da vítima.

Na superclasse dos myriapoda os animais apresentam os órgãos de tomosvary, que são higroreceptores. Graças a esses órgãos elas conseguem procurar um local de maior umidade. Os miriápodes têm grandes problemas com a perda de água. Um dos fatores são os espiráculos (respiração) que se encontram abertos, facilitando a perda de água por evaporação. Nos miriápodes a locomoção é muito mais lenta porque as patas de cada segmento movem sempre simetricamente.

As lacraias são quilópodes, animais de sexos separados cujo desenvolvimento pode ser direto ou indireto. No início da primavera a fêmea deposita de 15 a 50 ovos que medem cerca de 1mm de diâmetro em torno dos quais se enrola e deles cuida por cerca de quatro semanas, findas as quais, eclodem os filhotes idênticos à mãe. Neste período a centopeia fica muito vulnerável.

As centopeias são organismos super adaptados, tanto que uma espécie com 15 pares de patas originária do mediterrâneo se expandiu por todo o hemisfério norte.

É um mito popular que elas transmitem doenças. Ao contrário, na Coreia e toda a Indochina, lacraias secas ao sol são consumidos como remédio. Pesquisas com espécies utilizadas na medicina tradicional chinesa identificaram a presença de alcaloide "scolopendrina" [3] e pesquisas com um peptídeo isolado de sua peçonha revelaram um potente efeito analgésico [4]

A lacraia ou centopeia, assim como outros invertebrados serviam de alimento também para os nativos do Novo Mundo[5]. Indígenas de Pernambuco do século XVII retiravam as vísceras das centopeias e as devoravam [6].

Peçonha[editar | editar código-fonte]

As centopeias são predadores muito eficientes, algumas espécies são capazes de comer pequenos roedores, anfíbios e até mesmo serpentes. Têm o comportamento típico de levantar a cauda, quando ameaçadas. No entanto, não é na cauda que se encontram os ferrões e sim nos maxilípedes que é um par de patas adaptado como mandíbula inoculadora de peçonha.

A peçonha da espécie Scolopendra subspinipes provocam dor e inchaço extremos e causaram uma fatalidade relatada[7][8]. Descobriu-se que o veneno de certas espécies de Scolopendra contém compostos como a serotonina, a fosfolipase hemolítica, uma proteína cardiotóxica e uma citolisina.[9]

Um youtuber e naturalista amador Coyote Peterson foi picado por uma Scolopendra heros[10], vulgarmente conhecida como a centopeia gigante do deserto, e declarou que a picada dela foi a mais dolorosa e perigosa que ele já recebeu de um animal, incluindo o da Pompilidae, formiga-cabo-verde e até o monstro-de-gila.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Scolopendra Linnaeus, 1758". ChiloBase. Università di Padova. Arquivado desde o original em 22 de julho de 2011. Retirado em 29 de outubro de 2010. https://academic.oup.com/biolinnean/article/105/3/507/2452642
  2. BARROSO, Eduardo et al . Acidentes por centopéia notificados pelo "Centro de Informações Toxicológicas de Belém", num período de dois anos. Rev. Soc. Bras. Med. Trop., Uberaba , v. 34, n. 6, p. 527-530, Dec. 2001 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822001000600005&lng=en&nrm=iso>. access on 27 Apr. 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86822001000600005.
  3. Noda N, Yashiki Y, Nakatani T, Miyahara K, Du XM. A novel quinoline alkaloid possessing a 7-benzyl group from the centipede, Scolopendra subspinipes. Chem Pharm Bull (Tokyo). 2001 Jul;49(7):930-1. PDFAcesso abril, 2015
  4. Shilong Yang, Yao Xiao, Di Kang, Jie Liu, Yuan Li, Eivind A. B. Undheim, Julie K. Klint, Mingqiang Rong, Ren Lai, and Glenn F. King. Discovery of a selective NaV1.7 inhibitor from centipede venom with analgesic efficacy exceeding morphine in rodent pain models PNAS 2013 110 (43) 17534-17539; published ahead of print September 30, 2013, doi:10.1073/pnas.1306285110
  5. CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  6. PISO, Guilherme (1611-1678). História natural e médica da Índia Ocidental. Rio de Janeiro, Coleção de Obras Raras – Instituto Nacional do Livro – Ministério da Educação e Cultura. 1957, 685 p.
  7. Sean P. Bush, Bradley O. King, Robert L. Norris, Scott A. Stockwell, "Centipede envenomation" Junho de 2001, Volume 12, Edição 2, Páginas 93–99 "Centipede envenomation" https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S1080603201707004
  8. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11434497
  9. https://emedicine.medscape.com/article/769448-overview
  10. "BITTEN by a GIANT DESERT CENTIPEDE!" Brave Wilderness (20 de Dezembro de 2017) https://www.youtube.com/watch?v=nWZMfPP34g8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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